Deslig. Lig. SONETOS A EURICO OTÁVIO I ? Trabalho Após anos de trabalho na Usina do Distrito Tamoio, Eurico Otávio agora exercendo uma outra atividade, recebia de Francisca, sua companheira, o fiel apoio, ao ir trabalhar de bicicleta sob o forte sol da cidade. Com um pequeno ramo de arruda sob o seu chapéu, pedalava do bairro de Santana até a Vila Ferroviária, em direção ao galpão da oficina de pintura de trens, da antiga E.F.A. - Estrada de Ferro de Araraquara. É de lá que tirava para a família, o pão e o sustento, pintando com o compressor as máquinas e vagões, com muito profissionalismo, trabalho, suor e talento. Fizesse sol ou chuva, inverno ou verão, frio ou calor, com sua inseparável bicicleta preta de marca inglesa, ia ao serviço, sem faltar, tardar ou queixar-se de dor. II ? Casa E sua tão sonhada aposentadoria finalmente chegou, porém Eurico Otávio não descansou, pelo contrário, trabalhando sempre bem disposto, nunca mais parou; vivia simplicidade, mas feliz apesar do baixo salário. Incansável, continuou a bem cedo acordar e levantar, zelando pela sua casa, seus jardins e sua plantação, e também, a pequena horta caseira regar e a cultivar, ajeitando mudas e enxertos com prazer e dedicação. Jamais se esquecia de cuidar de sua querida criação, tratando com muita estima e carinho seus bichinhos, tais como seu cachorro, seu gato e seus passarinhos. Nos meses de agosto, habilmente podava a parreira, manuseando muito bem a tesoura de corte especial, na espera da colheita das uvas para a ceia de natal. III ? Lazer Nos sábados pela manhã, picava o fumo de corda sobre um caixote de pinho no quartinho de tralhas, e se aprontava para mais um domingo de pescaria, na espera do Milton, com o anzol, a isca e as varas. À tarde, em seu quintal de pedras e belos canteiros, ouvia o futebol no rádio de pilha, sentado na área, acompanhando o campeonato paulista ou brasileiro, torcendo para o time do Santos e a grená Ferroviária. À noite, o jogo de truco, com favas, na casa do Alemão, juntamente com os parceiros: Venâncio, Sebastião e o vizinho de fundo de quintal, o Tio Zinho ? seu irmão. E após exaustivo dia de trabalho, durante a semana, em seu sofá, assitia aos seriados e filmes de western, alternando entre Chaparral, James West e Bonanza. IV - Caridade Frequentava assiduamente a Igreja de São Geraldo, e apesar de tudo isso, nunca lhe incomodou a idade; sentia-se mais forte e feliz, quando ajudava alguém, principalmente se fossem os pobres de sua cidade. Foi Vice-Presidente dos Vicentinos de Araraquara e arrecadava mensalmente em alguns quarteirões, donativos para famílias pobres por eles cadastradas, trazendo a esses necessitados conforto aos corações. Nos meses de dezembro, além dos vários donativos, carregava de mantimentos a sua bicicleta, ainda ativa, para engordar um pouco mais o natal dessas famílias. Pregou a honestidade, o bom caráter e a caridade; foi voluntário e presente quando alguém necessitou. ...E só parou, porque Deus achou graça e o chamou. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SONETO A AYRTON SENNA Manhã de domingo, esperança na pista e no ar. Em meu pódio montado na sala, olho fixo na Tv. Na primeira fila nosso ídolo com o carro a roncar. E sob o capacete um olhar distante que a tudo vê. A cada curva, a cada reta, e a cada bandeirada, nosso coração emocionado com você acelerou. A cada vitória, a volta com a bandeira brasileira, a demostrar com orgulho o país que te venerou. Manhã de domingo, para onde foi aquela magia? Sem você, neste Brasil, como gritar por vitória? E esse povo, onde encontrar inspiração e alegria? E agora Ayrton Senna?... Nosso herói de corrida! Que sigamos então sua determinação, sua glória, enquanto perco a cada domingo um pouco de vida. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SEU ANIVERSÁRIO (Campos Gerais ? 300 anos) Hoje o dia nasceu tal qual outros dias, mas havia nesse dia algo pelo ar. Um segredo de riquezas se espalhava por todo Estado do Paraná. Era algo fascinante! Um dia de formatura. Um dia assim, parecendo vir te coroar. Um dia só para você Campos Gerais! Um dia para se honrar. Hoje, 19 de março de 2.004, o dia nasceu tal qual outros dias, mas havia neste dia algo para se comemorar... 300 anos de conquistas, este dia vinha te glorificar. Era algo vencedor! três séculos de batalhas. Um dia assim, vindo te parabenizar. Um dia só para você... É seu aniversário Campos Gerais, 300 anos para se orgulhar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SEU ANIVERSÁRIO (Alessandra) Hoje o dia nasceu tal qual outros dias, mas havia nesse dia algo pelo ar. Um segredo de riquezas se espelhava em todo seu redor. Era algo fascinante! Um dia de formatura. Um dia assim, parecendo vir te coroar. Um dia só para você... Um dia para se guardar. Hoje o dia nasceu tal qual outros dias, mas havia neste dia algo para se lembrar... Vinte anos de conquistas, este dia, vinha te glorificar. Era algo vencedor! Duas décadas de batalhas. Um dia assim, vindo te parabenizar. Um dia só para você... Era seu aniversário, vinte anos para se comemorar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DONA FRANCISCA (Chiquinha) I ? O Café Cinco e meia da manhã me desperto com o acender do fogo a queimar a chaleira de cobre no antigo fogão. E, por sobre a pia de granitos, o bater da água fervida dentro do coador de tripé, enche o bule, fazendo exalar o suave cheiro do café, pelos velhos cômodos do casarão. II ? A Música Na copa, o rádio sintonizado no programa Rancho Alegre, do ?Nhô Zélio?, traz o som da música raiz e caipira deste interior. E a melodia a escapar pelas frestas da cumeeira, me faz lembrar de mais um dia do lar e de costura, no cotidiano de minha mãe, grande senhora trabalhadeira. III ? Os Lençóis Agora ouço o destrancar da porta da cozinha, o caminhar de chambre e o arrastar dos pés sobre a chinela. E antes do lavar de roupas à beira da ?vasca?, as fronhas e os brancos lençóis, são fervidos em latas d'água e mexidos com um pedaço de pau, na chapa do fogão de lenha. IV ? As Roupas O sol a essas horas já deve ter aquecido a área de fora, pois o galo da vizinhança, há tempo, cessou o canto da aurora. E assim, passo a ouvir o bater e o torcer com as mãos, das roupas no tanque de cimento - e, no varal, o estrilar dos prendedores, me faz perceber o balançar dos lençóis ao vento. V ? O Quintal Neste instante, ouço o vai e vem da vassoura de piaçava, a varrer as folhas e gravetos pelos fundos da casa e sua lateral. E o esguichar das águas pela comprida mangueira de borracha - a espirrar nos canteiros e na sapata da parede do meu quarto - vai lavando as inúmeras pedras daquele extenso quintal. VI ? A Costureira E são apenas sete horas da manhã, e, essa mulher laboriosa, ainda vai à Igreja de Santa Cruz assistir a novena inteira. E na volta, antes do leite com espuma aos filhos no findar da noite, ainda há muito o que se faça na incansável vida de Dona Francisca, que além de dona de casa, concilia o dia como costureira. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TREM NOTURNO Alta madrugada, o silêncio do quarto, e o sono que oscila mas não vem. Então me vejo em uma malha ferroviária e imagino a acompanhar o percurso de um trem. As cidades e os campos dormem, mas na ferrovia, a máquina com seus inúmeros carros em minha mente, soam o estrilar de aços e ferros sobre trilhos e dormentes. E o trem, trilhando mansamente madrugada adentro, vai fechando sinais, cancelas e cruzamentos, a conduzir sua carga, entre ramais, desvios e entroncamentos. Até posso ouvir seu longo apito a ecoar na imensidão de um túnel, e o seu farol a brilhar na linha, vai deslizando e quebrando a escuridão, indo findar numa pequena e deserta estação. Agora ouço a fricção de seus freios e o estampido do ar comprimido. Uma breve parada naquela estação, e um outro longo apito, sinaliza na plataforma, a lenta partida daquela composição. E a locomotiva, pelo peso de seus contêiners, tanques, box e gôndolas, lentamente vai deixando as ermas estações, a carregar por diversas localidades, a carga de seus vários vagões. É o trem noturno, forte cargueiro, que corta as cidades e os mistérios da noite e vai em frente, ajudando a transportar prá bem longe, entre corações e mentes, a insônia e a solidão de muita gente. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TREM CAIPIRA Olha! Olha só o trem caipira cortando o interior paulista... Pare! Pare seu maquinista! Tem gente na próxima estação! ?Qui bão?! É um senhor de barba cerrada, com chapéu e cigarro de palha que vai embarcar com uma gaiola e um violão. Vai! Vai em frente trem caipira rasgando canaviais e pomares... Pare! Pare seu maquinista! Tem gente lá na plataforma! ?Óia, óia lá?! É uma senhora com flores de laranjeira nos cabelos, que vai subir com sua tralha e um bolo de fubá. Trilha! Trilha a linha trem caipira trilhando os campos bandeirantes... Pare! Pare seu maquinista! Tem boi na ferrovia! ?Úia... úia?! É um boiadeiro em sua montada tordilha, atravessando o gado com um berrante de ouro e sua cantoria. Apite! Apite forte trem caipira percorrendo roças e milharais... Pare! Pare seu maquinista! Tem fiel pra embarcar! ?Cansô di andá?!? É um romeiro com preces e muita fé, que vai subir com sua cruz e seu rosário pra rezar. Olha! Olha só o trem caipira cortando minha terra raiz... Pare! Pare seu maquinista! Tem gente no próximo distrito! ?Qui jóia?! É uma dupla da bem caipira com chapéu de peão, que vai embarcar com viola e muita moda. Vai! Vai em frente trem caipira rasgando serras e cafezais... Pare! Pare seu maquinista! Tem gente acenando! ?Ô lôco?! É um senhor moreno, nem grande, nem pequeno, é cheiro de capim-gordura, é da terra, é um caboclo. Trilha! Trilha a linha trem caipira trilhando ?meu sertão brasileiro?... Pare! Pare seu maquinista! Tem alguém na estaçãozinha! ?Pôxa?! É o Jeca com camisa xadrez, calça ?pula-brejo? e botina, que vai embarcar com uma enxada e uma trouxa. Apite! Apite forte trem caipira percorrendo esse doce recanto... Pare! Pare seu maquinista! Tem mais pessoal pra embarcar! ?Ôbaaa?! É esse povo simples que canta e sorri à toa. É Tonico... é Tinoco..., é meu trem , é minha gente boa. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X OS TRENS DA FEPASA Olha o lindo trem de cor prata que passava e apitava e que levava e trazia pessoas felizes para casa, cortando os lindos campos do interior de São Paulo, era o trem de passageiros saudoso da FEPASA. Olha o trem com cara brava de máquina vermelha que conduzia o povo paulista pelos belos vagões, trilhando por sobre rios, vales, serra e fazendas, apitando ao chegar e ao partir de todas as estações. Olha a moderna máquina do trem azul que já passou, conduzindo histórias e romances da gente paulista, por paisagens e ferrovias que de alegria as encantou. Olha só o estado dos nossos queridos trens de passear, que o falso progresso do Estado desprezou e acabou, só ficando aquela gente na saudade de viajar... e amar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O TREM AZUL O trem azul imponente apitava e partia, levando com ele o meu alado coração. Que voava atrás de paixão e aventura, em cada vagão, em cada alegre estação. O trem azul ao chegar parava e apitava, embarcando a linda menina da estação. E o meu coração amante tocava o sinal, naquele inocente romance até a Central. O trem azul infelizmente apitou e partiu, deixando somente saudades e esperança. A menina da estação nunca mais se viu, nem o seu beijo, nem a sua longa trança. O trem azul ao partir não mais apitou, largando aqui o meu solitário coração. Que agora parado espera o seu retorno, para encontrar a linda moça da estação. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VIDA ILUSÃO Se eu pudesse ao menos te sentir... Como se não bastasse a solidão dos meus olhos quando pensam nos seus... As lágrimas que derramo no travesseiro na calada da noite adentro... O meu sorriso pálido. Mas você vem... Sim! Neste momento da calada, você está diante dos meus olhos... Não! Não estamos no quarto... Estamos nas praças, nas ruas. Eu posso te abraçar, te fazer carinho, te beijar... Eu posso sentir você! Eu estou sentindo você. Neste instante, você também me ama. Você me sente. Eu posso te sentir. Estou feliz e você está feliz. Estamos neste momento nos amando e nos sentindo. Graças a este momento de ilusão que estou vivendo, mas poderia ser real, se tivesse coragem de lhe dizer. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X UMA FRESTA NO PRESENTE Neste momento estou cercado por quatro paredes... Apenas uma janela entreaberta deixando escorrer um pequeno pedaço de luar, que vem acompanhar a minha solidão a qual está estampada nas estrelas dos meus olhos. Um pequeno ruído... Talvez o bater do meu coração que novamente veio lembrar do passado... Mas que passado?!... Se não consigo o presente... Mas eu posso conseguir o presente se eu estiver vivo dentro de mim. Neste momento já não se vê nenhuma fresta do luar... Agora, apenas a escuridão e a solidão, é que acompanham novamente o meu presente. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SOLIDÃO Ontem quando fui dormir, a saudade me fez lembrar dos tempos que nos fizeram sorrir, aqueles do nosso amar. Uma noite sem sono, o pensamento vivo no passado. Hoje no abandono sonho em ser amado. Vivo minha vida nessa solidão, sofro por você não aceitar o meu coração. Hoje quando acordei, tive um momento de alegria. Olhei aquele rosto que amei que no retrato me sorria. Um dia vai se passar e aquele corpo que por você sofreu, dentro do quarto vai lembrar, do passado que no presente morreu. Vivo minha vida nessa solidão, sofro por você não aceitar o meu coração. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MEU PRESENTE Ganhei um presente hoje! Um presente que a muito esperava. Me sentia pequeno, esquecido. A angústia tomava conta de mim. Me sentia isolado, fechado em meu próprio mundo. E então, como uma batida em jogo de cartas, como uma explosão em lugar ermo, me despertei e abri meu presente... Meu presente que era sua carta. Me senti grande, lembrado. A alegria tomou conta de mim. Me senti amado. E então, como uma perda em jogo de azar, como uma granada em meu coração, me desmoronei e fechei meu presente... Meu presente que eram suas palavras... Suas palavras me dizendo que tudo acabou. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X FOSSA Porta fechada, janela aberta; Dentro do quarto uma música como fundo. Uma pessoa sem muito a dizer. Folhas soltas, frases mortas. Pensamento a voar, saudades a restar. Solidão a incomodar. Folhas rabiscadas, andar de canto a canto. Um olhar para a rua... tribos urbanas. Voltar a pensar... Folhas novas, folhas rabiscadas. Porta aberta, uma voz amiga... Fossa já não mais existe, pois foi expulsa pelo consolo. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CORPO NU Coisas que se persegue... Um sonho alcançado. A vida se copia e o corpo se cobre com o castelo desejado. Se entregar a uma pessoa e construir ? ideal copiado. Mas o sonho que se alcança, vira ilusão quando terminado (o amor). E então, o corpo fica despido e, percebe-se que a vida sempre volta ao começo e cobra um preço (a dor). E com a perda das coisas, o sonho retorna cru. Torna-se novamente criança... Choro e fragilidade. O corpo volta a ser nu. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VISITA O quintal de pedras e os antigos canteiros ainda estavam lá ? ?campo de futebol?. Mas sem as plantas e sem estarem cobertos pelas sombras estampadas das videiras. Sem os pardais e sem os doces frutos dos mamoeiros ? somente o rachar do sol. Sem os sanhaços azuis da bela figueira e sem as cambuquiras e flores da aboboreira. Sem os gengibres do quentão de junho e sem o limoeiro e o florescer da laranjeira. Já não havia mais aquela sombra fresca da velha mangueira ? nem o fiel vira-lata. Mas o seu tronco seco ainda estava lá, antiga ?trave?, que serviu de brinquedo à criança. Lá o menino chutava a bola de capotão, atrás da feitura de mais um gol ? de placa. E corria aos gritos e abraços fictícios em seus leais companheiros ocultos de infância. Lá o menino deu linha ao pipa e descobriu num céu azul, um futuro de esperança. E a aconchegante cozinha do fogão de lenha ainda estava lá ? ?chaminé de manilha?. Mas... e as latas de ferver os brancos lençóis? E as panelas de cobre com os caldeirões? E as lenhas e o fogão? E as folhas de louro para o tempero ? do feijão e da lentilha? Onde estavam a chaleira de ferro, o bule e o aroma do café da tarde com os pães? E o bolo de fubá e a broa com sementes secas de erva-doce?... E a minha mãe...? Ah! Restou ainda o quartinho de tralhas que amarelou por lá ? isolado aos fundos da casa. Mas... e as tralhas? E o lampião de carbureto e os anzóis? E o embornal com os lambaris? E o baú com ferramentas vindos da Itália?... Só restara um marimbondo ? a zumbir as asas. E a bicicleta preta? E as sementes do rosário? Meu Deus, que visita!... Que saudades... ai,ai. E a rede do velho? E o caixote de pinho para picar o fumo de corda?... E o meu pai...? (A todos aqueles que por algum detalhe ou semelhança, tiveram a dádiva de recordar e poder sentir boas saudades, pois só sente boas saudades quem um dia foi amado na infância.) Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X UMA CARTA Uma carta é uma surpresa nos chegando... Nela se poderá saber se alguém de longe está a se aproximar e boas ou más notícias a nos proporcionar. Uma carta de amor... Ah! Como é gostoso recebê-la! Nela se poderá saber se o seu amor ainda está pensando em você, ou se essa será a sua última a receber. Uma carta misteriosa é aquela anônima, que costumamos mandar a quem temos dúvida que nos ama. E se uma carta cair em mãos erradas, e se essas mãos não gostarem, logicamente queimada será. Uma carta...Ah! enfim todas...! Afinal uma carta é uma surpresa. Uma carta é a atenuação de uma saudade. Uma carta é uma novidade., Uma carta é a ânsia da felicidade. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SONETO DE SAUDADE Quando a saudade bate bem forte em mim, olho para o quarto vazio e rebusco seu ser. Busco vestígios desse nosso amor sem fim que guardou sua energia para eu sobreviver. Então, fecho os olhos e sinto sua presença, e me entorpeço com o perfume dos anjos. Ouço os sinais que trazem sua onisciência, que me ensina a suportar a saudade de anos. Nesse cenário imaginário que me conforta, procuro notícias sobre você e me acalmo... Sinto que Deus te aguarda próximo a porta. E assim, acordo mais um dia em felicidade, por saber que nosso amor de fato é eterno... Mas quando olho o quarto... volta a saudade. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SEM VOCÊ Algum tempo sem você e os meus olhos te procuram tentando encontrar, encontrar a sua imagem sem porém achar... E esse tempo que se passa, pouco a pouco me maltratando...? O meu amor que nunca se acaba vai com as lembranças percorrendo o nosso passado. Como eu queria estar com você e amar novamente o seu amor. Como eu queria relembrar aquele seu belo sabor. E com todo esse tempo que vivo sem a sua presença sempre acabo te encontrando, encontrando a sua imagem em meu pensamento... E o tempo que se passou, que pouco a pouco me maltratou...? Hoje o meu amor sobrevive na saudade ainda percorrendo as lembranças do passado. Como eu queria estar com você e amar novamente o seu amor. Como eu queria relembrar aquele seu belo sabor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SAUDADE É... Saudade é sair pela cidade, andar pelos caminhos e praças que costumávamos passar com a pessoa amada, saber que aquilo não foi um sonho, e imaginar se um dia ela voltará. É sentarmos numa noite de luar, naquele banco do jardim de namoro, provar do mesmo sabor do sorvete de outrora, olhar ao lado e ver que o seu grande amor não está mais lá. Saudade é subir no terraço da estação, correr os olhos tristes para o horizonte da estrada, e repetir aquele último gesto de aceno lançado para o ônibus desaparecendo ao longe de nós. É conduzir-se dia após dia até a plataforma de desembarque da estação rodoviária, admirar casais amantes se abraçando e se beijando, retornar para casa e lembrar que estamos sós. Saudade é ouvir ano após ano as mesmas músicas românticas dos momentos de carícias e paixão, entrar na casa fria e vazia, e perceber no quarto vestígios de um amor que não mais se vê. É assistir a ?Um Lugar Chamado Notting Hill?, reler um livro de Drummond, e sentir que a sua vida não teve mais romance e nem poesia, por ter partido quem estava sempre com você. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SAUDADE Estou começando a sentir saudade... E sabe por quê? Porque uma semana é muito para mim... Será que é para você? É lógico que sim...! Faltam apenas 24 horas para nos desejarmos, para nos realizarmos, para nos amarmos. Para podermos viver um instante de quem está por fora nunca poderia entender, e nós entendemos muito bem, não é mesmo? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X RUA 10 I A Rua 10 nunca mais será a mesma! Mas ela está lá - ?quadra de moleque?. Entre a José Bonifácio e a Barroso, enfeitada com paralelepípedos pretos, e dividida em sua extensão por uma faixa de paralelepípedos mais claros. II E tão só - isolada e ?fria? na quente Araraquara -, e sem mais a alegria da infância e do sorriso inocente daquelas suas crianças de outrora. Quantas brincadeiras e lembranças de seus pequenos heróis alados... III Para onde teria sido arremessada a bola de tênis daqueles jogos de Bétis? E o tabuleiro dos jogos de botões nos campeonatos na casa do Danilo? E o Danilo? O Jefferson e o Cláudio? Mas... e o Dudu e o pequeno Saulo? IV E os jogos de futebol de ?gol caixão?? Quantos dribles desconsertantes... Quantos golaços, gritos e abraços... Por quais campos estariam ?jogando? aqueles seus ?grandes craques?? Onde e como se encontrariam hoje? V E as conversas por horas sob a árvore, sentados em frente a casa do Zé Cláudio? E o Zé Cláudio? O Tony e o Marcelo? Mas... e o Luís, o Nenê e o Geraldo? E o Jacy, o Paulo César e o Alexandre? E aquele ?tenso? esconde-esconde? VI Amigos de infância e adolescência... Verdadeiros ?donos? da Rua 10. Esses fizeram a história da Rua 10! Alegraram aquela rua dia e noite. A Rua 10 ?falava? - tinha vida! Hoje a tensa vida os escondem. VII Mas a Rua 10 ainda está lá com seus paralelepípedos, antigo palco de felizes e inocentes brincadeiras. Mas... e aqueles seus jovens atores? Por onde andariam hoje?... Agora?... Em que lugar neste exato instante? VIII Só sei que as casas também ainda estão por lá, testemunhas que um dia a Rua 10 teve crianças e adolescentes. Mas onde anda os agitados jogos de Bétis? E os jogos de botões e o ?gol caixão?? E aquelas boas conversas como antes? IX Faltou o Mauro!?... E o Mauro?... Ah! Eu estou aqui!... Em pensamento, percorrendo a minha saudosa Rua 10! Procurando aquela doce infância, e tentando resgatar alegria, inocência e os meus amigos nesta poesia sem fim... X E sem fim também é a grande saudade daqueles tempos leves e descontraídos a brincar e a conversar pela Rua 10. Meu Deus!... Só porque crescemos nos expulsaste daquele paraíso... E agora, como voltar àquele jardim?... Araraquara/SP - 24/12/2007 Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X QUE SAUDADES... Já não se tem mais saudades como antigamente... O celular banalizou o contato. A internet descortinou a imagem. O e'mail saturou a conversa. Agora, só torpedo e mensagem. Os namorados já não sentem o gosto e o prazer da saudade. A tecnologia avançada, mascarou o romantismo da atual mocidade. Que saudades quando lembro o carteiro pelas tardes da cidade, entregando a carta selada de perfume, romance e novidade. Do breve tempo do não se ver, e do contar os dias e as horas para as notícias e a boa conversa voltarem presentes a acontecer. Do ?frio na barriga? de se esperar e do breve ciúmes de se perder. Da louca sensação do reencontro e da alegria de amar e se rever. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ONDE ESTÁ VOCÊ? Onde está você? Que não vem me resgatar... Que sabe que eu existo, mas deve imaginar que está tudo bem comigo. Não sabe do meu sofrer, da minha solidão. Da minha ânsia vontade por paixão. Da minha vida privada de desejos, da falta de prazer e dos sentidos, da minha louca saudade dos seus beijos. Onde está você? Que não vem me salvar... Que parece não saber que estou afogado... desfalecido. Preciso de você como salva-vida, pois estou só... esquecido. Preciso de sua respiração... boca-a-boca... de seu ar. De seu oxigênio para ressuscitar. Preciso de suas mãos para me massagear... me afagar e fazer bater de novo meu coração. Onde está você? Que não me acha neste gueto... Que não te acho nem em soneto. Estou aqui, precisando de você. Não importa sua idade. Só me importa de volta a felicidade. Sinto que você já chegou por aqui. Inconscientemente, procurando me encontrar... pela cidade. Pensa que estou bem, então esquece e não vem. Mas estou aqui, esperando você chegar... me encontrar, me responder. Como sempre..., me salvar para nos amar. Mas só dessa vez... e depois, eternizar nossas almas... Sem precisar mais se esconder, se procurar... de viajar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O VERDADEIRO AMOR Se um dia você lembrar uma passagem boa em sua vida, não vá chorar se nela eu estiver presente. Foi você quem quis assim. Hoje você sofre por não ter tido naquele dia a consciência do verdadeiro amor. Agora é tarde tentar viver no que passou. Agora é tarde saber que nunca alguém te amará como eu te amei. Agora é tarde sentir saudade, foi você que matou sua felicidade. Agora é tarde reconhecer o verdadeiro amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O CARTEIRO Passa carteiro e traga notícias de uma namorada distante. Venha me entregar o coração da minha eterna inspiração. Do meu amor que está em outra cidade neste instante. Entrega em minhas mãos a sua mente selada de paixão. Venha carteiro, meu companheiro das tardes solitárias. Estás longe, mas já sinto o aroma do perfume pela janela. Das mensagens exaradas em meio a muitas histórias. Entrega-me essa carta contendo toda fragrância dela. Passa carteiro e traga notícias de minha sonhada namorada. Venha me entregar a essência da minha outra metade. De um leve toque de ciúmes que me incomoda por nada. Entrega em minhas mãos a sua alma selada de saudade. Venha carteiro, meu companheiro das noites estreladas. Estás longe, mas sinto sua pressa em entregar o telegrama. Da importância contida na poesia de suas breves palavras. Entrega-me essa carta contendo o amor de quem se ama. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NOSSOS CORPOS Dentro de minha morada habita o seu mundo. Dentro de seu mundo habita minha vida. Você está para mim como a flor está para a abelha. Estou para você, como o sol e a chuva estão para a terra. Estamos para o amor como Romeu esteve para Julieta, e estamos para a vida, como o casulo está para a borboleta. Somos um só corpo, em fusão, em estado de espírito. Somos dois corpos sofridos pela saudade, separados pela distância, distância de nossos corpos em estado de matéria. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NOSSA SAUDADE E quando receber esse cartão postal e olhar para esses pinheirais com olhos de querer chorar, de querer me procurar, de querer gritar e implorar que um dia eu volte, que um dia eu apareça como em teus sonhos... Se deixar que uma gota de lágrima caia sobre essas imagens, deixe-a que escorra... Talvez ela venha mostrar o caminho que um dia sempre procuramos e nunca pudemos encontrar. Se deixar que essa gota de lágrima ache uma mensagem nessas imagens, pode ter certeza que será a saudade atormentando a nossa mente, e que um dia, infelizmente, deixamos que separasse a gente. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NOS TEMPOS DA DISCO MUSIC Som, luzes, globo e dança... Nos embalos da era disco era assim... Calça apertada, camisa com mangas enroladas e sapatos mocassim. Era a última grande balada que marcaria para sempre aquela geração, aquela moçada. Nas discotecas ou nas ?brincadeiras?, a linguagem estava na dança e nas músicas, misturada ao brilho das luzes e dançando sem descanso, nas noites de inocente prazer e intenso balanço. Mas também, a dois, dançavam-se as ?lentinhas?, e ao som de Commodores - 'Three Times A Lady', tirava-se para dançar aquela paquerada gatinha. Nos tempos da Disco Music os agitos de sábado à noite tinham outros ?ares?... Com Barry White, Diana Ross, Glória Gaynor e Tina Charles. Com ABBA, Boney M, Santa Esmeralda e Tavares. Na era do brilho, o amor estava presente no ar... Com Giorgio Moroder, Chic e Kool & the Gang. Com Sister Sledge, Sylvester e KC & the Sunshine Band. Discoteca, esse ritmo será sempre eterno... Com Village People, Voyage, Earth, Wind and Fire..., The Trammps - 'Disco Inferno'... Impossível se esquecer da rainha Donna Summer, que ao som de suas canções, clamava-se por bis. Sem contar o trio mágico que orquestraram aquele tempo - os inesquecíveis Bee Gees. Tempo legal e que jamais volta... Impossível se esquecer dos embalos de sábado à noite nos passos de John Travolta. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X LAGO AZUL Ah! Que saudades que tenho daquele lago azul, aonde não era proibido andar nú... Ah! Que saudades que sinto das águas claras, lembro o seu rosto refletindo nelas... a sereia das águas claras. Ah! Que vontade que tenho de olhar sua imagem, reviver os tempos de criança em que o nada era nada, e não existia o tudo. Ah! Que saudades que tenho daquele lago azul onde não era proibido brincar de amar. Ah! Que saudades que sinto das águas claras, lembro nossos rostos refletindo nelas... os namoradinhos das águas claras. Ah! Que vontade que tenho de olhar sua imagem, reviver os tempos de criança em que o amor real se misturava com o amar de mentirinha. Ah! Que saudades que tenho daquele lago azul, onde não era proibido fingir amar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X INVERNO Eu, neste momento de saudade e solidão, tento lembrar o seu rosto embaixo de uma coberta... Os seus olhos fechados, você dormindo, seu lindo rosto descansando... Lá fora o frio nos faz tremer! Eu, neste momento de vontade e paixão, tento lembrar o seu corpo embaixo de um chuveiro... Os seus belos cabelos molhados, você amando, seu lindo corpo molhado... Lá fora o frio nos faz tremer! Eu, neste momento de pensamento e vazio, tento imaginar os seus traços em meu futuro... Quando será o dia que juntos nos amaremos eternamente? Em que inverno poderemos passar juntos o nosso verão? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X É HORA DE NOS REVER Todas as vezes que eu venho até você sinto o cheiro do amor... Já é hora de nos rever! É hoje o dia de matar a nossa saudade, com esse nosso romance que não tem mais idade. Todas as vezes que eu venho até você levo o cheiro do amor... Já é hora de voltar! Hoje o dia acabou. A lembrança vai ficar desse nosso romance que só vive de instantes. Todas as vezes que eu fico sem você, tenho o cheiro do amor que restou do seu corpo. Espero um outro dia para matar nossa saudade, com esse nosso romance que não tem mais idade. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X FÉRIAS Difícil sair de um sonho quando este sonho é você. Difícil apagar a realidade quando esta realidade era a de estar todo momento com você. Difícil aceitar a distância e mais uma vez ter que aceitar a saudade. Impossível ter que acreditar no término de minhas pequenas férias. Pequenas férias que nos entorpeceram de prazer e felicidade. Pequenas férias que espero ter sido uma amostra de uma eterna rotina em nossa vida. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ESQUECIDO Esta tarde me entorpece. Vejo o céu em forma de mar, uma nuvem como navio e navego dentro dele. Tento chegar ao seu oceano mas não te alcanço. As ondas de seu oceano me encobrem, e me jogam de volta ao meu porto. Me desperto e já é noite. Vejo a lua em forma de bilhete e mando uma mensagem. Tento fazê-la chegar até você mas não te alcanço. As linhas de seu pensamento me abandonam, e me jogam de volta ao meu mundo. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DESENHOS Faço desenhos num papel, desenhos sem formas, são as formas de minha mente traduzidas em um papel. Minha mente está assim, vazia, tão vazia como esses desenhos. Lembro de você e começo a ver formas, são as formas de um deserto traduzidas em desenhos. Meu corpo está assim, deserto, tão deserto sem você. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X BANCO DE PEDRA Bastava uma noite estrelada e naquele banco de pedra a gente sentava. Uma cerveja gelada e um olhar para você, seu perfil e seu sorriso em meus olhos ficavam. Um beijo esquentava minha face e minha boca gelada, e o seu estilo de ser muito me encantava. Bastava uma noite de luar e naquele banco de pedra a gente namorava. Com uma cerveja gelada você me brindava, e com uma história de amor eu te cantava. Um beijo esquentava minha face e minha boca gelada, e o seu estilo de ser muito me fascinava. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ALMA GÊMEA Qualidade de ser o que se busca ser na eternidade. Essência do saber sálmico em comunhão com a paz almejada. Volúpia incontrolável dos sentidos nos segredos dos corpos celestiais. Fonte de energia sideral, retrato fiel da verdade natural. Inviolável ser do firmamento na vigília diária pela volta espiritual. Parte de um contexto astral registrado nas escrituras sagradas. Saudade inspiradora dos mortais no compreensível desejo cabalístico. Ausência de imperfeição cósmica na ânsia espera do ser amado. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X UM DOCE SEQUESTRO Tudo não passou de engano, estava loucamente apaixonado e perdeu seu amor. Uma louca idéia em sua cabeça passou, e um plano de sequestro realizou. Em uma casa deserta a levou, e o simples prazer de estar perto da mulher amada o animou, e novamente o seu amor conquistou. Até que um dia, uma tentativa de estupro nela um homem tentou, e sem vacilar, em assassino se tornou. Viveram como fugitivos, até que a polícia os encontrou. Na fuga sem destino seu carro tombou, e na cama de um hospital acordou. A vida para ele acabou, pois viera a saber que o acidente sua amada levou. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SUPLICAR Suplicar pelo passado é morrer no presente. Por que estar aqui a lembrar o meu pisado, se apenas não passou de um mau acabado em que perdera a razão de ser namorado de uma mulher que tenha me usado? Suplicar pelo amor já terminado, nunca realmente começado e reviver um sonho apenas sonhado na vida de um homem já esgotado, sofrendo pressão por todos os lados quando contado? Suplicar pelo que sofri não mais farei, a cabeça erguerei, e uma nova vida começarei. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X FIM DE CASO Eram um jovem e feliz casal, até que um dia o ciúme a atormentou , e um clima de briga em seu lar reinou, aí, a desconfiança por parte dela aumentou. Numa noite ele saíra com o carro, e curiosa a mulher o seguiu. Chegando ele a um apartamento, na porta bateu... E ela de longe, viu à porta uma outra mulher aparecer que o seu homem a beijou. Fim de caso!... Percebeu que teria que começar uma nova vida, pois naquele momento descobrira que o seu ?ex-marido? já tinha ?outras vidas.? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DOCE SONHO Naquela manhã acordou cedo e viu todos morrerem na cidade... Apenas ele vivia. Assustado pegou o carro e fugiu pelas ruas... Encontrou ela (sua amada) que desde então nunca havia ligado para ele. Com um ferimento na testa, no carro a colocou e para bem longe do nada fugiu. Curou seu ferimento e ela olhando para ele, arrependida lhe agradeceu com um beijo Em uma cidade distante viveram só os dois. Ela lhe amava e ele gostava daquela vida. O destino os levou de volta para suas cidade, e novamente tudo estava normal. A vida se fazia como antigamente, a diferença é que agora havia um novo casal. Até que um desmancha prazeres bateu-lhe nas costas e disse que já estava na hora de levantar e trabalhar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DENTRO DO ÔNIBUS Foi no ônibus de viagem que tudo começou. Encostei em você e senti que você gostou... Você olhou para mim e os meus olhos fixaram em você. Você sentiu que o meu coração enamorou, e o seu logo se apaixonou. Peguei em sua mão e você sorriu, meus lábios encostaram nos seus e o primeiro beijo surgiu. Mas como todo bom romance a primeira briga saiu... Eu prometi nunca mais olhar para você e depois você sumiu. E eu chateado com o que aconteceu resolvi viajar, mas quando entro no ônibus, vejo você no banco de trás. Sentei ao seu lado e encostei em você, e você querendo disfarçar um sorriso, um olhar me lançou. Novamente em sua mão segurei e você deixou... Senti que nossos rancores sumiram e muitos outros beijos surgiram. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DE AMIGO PRA AMIGO E de repente meu amigo, aquela chuva, uma loja, um toldo, minha única cobertura... meu primeiro encontro com ela. Frases, palavras e sorrisos, a simpatia tomava conta de nós dois. O momento pedia mais um encontro, e assim a dúvida foi despertada dentro de mim. Olha meu amigo! Naquele instante senti que os meus olhos eram o meu coração. Nascia a certeza e a vontade de voltar e pensar no que foi adiantado. Era o meu segundo recomeço, porém meu amigo a experiência que agora eu dominava, seria a minha grande arma. E de repente meu amigo, o impedimento... Via que de alguma forma a verdade me mentia, mas o meu coração enxergava ela por mim. E de repente meu amigo, o que era dúvida passou a ser certeza, duas certezas dentro de um só pensamento. E agora?... Brigava com a impossibilidade. É nesse momento meu amigo que tudo deveria tornar-se possível... Um sonho? Não sei, só sei que tudo parecia proibido, tudo era proibido. Por que haveria de ser assim? Por que tão tarde a encontraria meu amigo? Alguma fresta para retomar? É meu amigo, o amor atrasado veio com ela, e novamente o meu coração foi flechado. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AMOR DEPOIS DA MORTE Quando em uma vida o amor realmente nasce entre um homem e uma mulher... A beleza e a dádiva de se amarem... Eles que vivem da paixão de eternamente juntos ficar. A morte o chama. A tristeza nos olhos dela; a vida foi curta. O amor terminou no meio do começo. A morte o levou... Ela tão triste ficou. O espírito de seu amado em sua cabeça a atormentar... A visão e a ilusão de um dia novamente juntos estar. Depois da morte, ele pelos cantos a andar. Não há matéria, há o espírito, o espírito que ainda ama e sente a sua amada em outra vida chorando. Com a sua amada o poder e o mistério de conversar. Em seu dia-a-dia a forte saudade a aluciná-la. Saudade que machuca e deprime. Saudade que a leva... E para o outro lado do mundo, ao lado seu parceiro voltou, e o amor, depois da morte, em espírito continuou. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VAGANTE Vagando pelo mundo, vai levando os tormentos do que foi deixado para trás. Vagante em sua vida, passo a passo vai retratando o passado. Vaga porque um dia em sua vida uma desgraça a marcou. Vaga levando sua cruz, olhando, olhando pelos espaços um novo espaço. Vagando pelo mundo, sozinho vai caminhando, caminhando, caminhando... Vagante por toda vida vai vagando, vagando... pelo mundo vai vagando. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X RÉVEILLON O ANO TODO Acho que deveríamos ter motivos todos os dias para comemorar. Ter 365 ou 366 dias de alegria, de esperança, de paz, de amor, de perdão, de reconciliação... Não precisaríamos sequer desejar sorte ao nosso irmão, porque a sorte já seria ser feliz todos os dias, em harmonia, felicidade e fraternal união. Aí, chega o réveillon, passagem de ano e começa a confraternização... Os abraços atrasados, manchados e desconfiados, são externados com a intenção do arrependimento e do perdão. Mas o arrependimento e o perdão só vieram nesse dia?... E o que se passou? O que se perdeu com a cara virada para o irmão?... Passou!... Adeus ano velho! Feliz ano novo! Só espero que neste ano novo tenha 365 ou 366 dias de passagem de ano, porque todos os dias, todo mundo precisa de esperança, de paz, de amor, de perdão, de reconciliação... Porque todo irmão, sempre carece de um ano todo de réveillon. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X OBSTÁCULOS Por favor, tente pular todos os seus obstáculos! Você conseguirá! Sua força de pensamento é bem maior. Tranque a porta da maldade e jogue fora a chave. Olhe para a frente, para a luz da humildade. Ela está a clarear a todos que querem buscar a felicidade. Pense mais forte no amor. Viva o presente! O amor também está dentro dos maus. Pense mais forte ainda, sua força é bem maior do que você imagina. Seja um vencedor pulando os obstáculos da vida. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O MEU NOVO HOJE Hoje eu nasci outro. Nasci mais forte. Senti que ao pôr os meus pés no chão, o meu hoje seria vivido por mim... Apenas por mim. O ar da mudança bateu mais forte no meu pensamento. O meu hoje seria completamente mudado, ressuscitado e até amado. O velho espelho hoje seria usado. O meu cabelo seria vaidoso, bonito e penteado. A minha fisionomia sorriria, cantaria e amaria. A mudança que viria no meu novo hoje, era o meu presente e o meu futuro. Neste dia não mais existiria inimigos. E a natureza então, que tantas vezes havia desprezado; os animais que tanto ignorei... Não, isso não contaria no meu novo hoje. O meu novo hoje seria completamente novo. O meu novo hoje seria um novo nascimento. O meu novo hoje seria forte como os ventos. O meu novo hoje seria amar a vida em seus mais belos sentimentos de amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NA REDE É na rede que o sonho virá nos consolar... A cada balançada uma vontade de amar, ver e relembrar a tarde morrendo no amarelo do horizonte que o sol deixou por lá. A rede sobre o velho mar... Jeito melhor não há de navegar, ver e relembrar o relógio tocado pelos ventos que vieram nos levar para o mundo do amanhã que só Deus saberá... O fim das balançadas... É na rede que ficamos sem amar. O sol ainda está lá, e também o velho mar que nunca existiu sem um sonho em noites de luar. O relógio que desta vez é tocado apenas por uma brisa, nos mostra o presente que Deus nos destinou. A velha rede e o velho corpo cansado, olhando para o céu e para a terra, procurando por todos os cantos, o mensageiro da morte, ou ainda, o amor atrasado. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X INSETOS PELO QUINTAL Quando era menino, realizava os funerais dos insetos mortos pelo quintal. Quando cresci, aprendi que para cada inseto que jazia, a vida ?ressuscitava? outro em sua viagem - na essência e na aparência. O vento se incumbia de fazê-los desaparecerem, aparecerem e voarem - divina ciência. A única coisa que ainda não aprendi, é que, quando as pessoas que a gente ama viajam, a vida jamais traz de volta suas essências...; nem nas aparências, nem ao vento, e muito menos pela humana ciência. Hoje deixo os insetos ?mortos?, irem e virem soltos ao vento pelo quintal... E quanto às pessoas a quem amei..., aprendi que quando viajam, somente Deus é quem as têm... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X IMAGENS Lembre-se que a vida é formada por um turbilhão de imagens. Imagens que ficam naqueles momentos, momentos que se passam e irão por sempre passar. Imagens de uma memória, memória esquecida de tempos passados. Imagens apagadas e renascidas. Imagens gastas e destruídas. Imagens passadas e revividas. Imagens do hoje e do amanhã. Imagens dos momentos... momentos que deixam as imagens. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X GUERRAS SÃO TESTES E é aí que vem uma ordem de cima aprovando a fabricação de bombas nucleares, apenas para elevar o nome da nação sem pensar em suas consequências... Guerras entre nações... Cidades destruídas; destruição da natureza; destruição de corpos. Coragem de soldados se matando sem saber das razões. Armas novas e testadas... Pessoas inocentes morrendo sem saber o motivo, enquanto seus criadores, em salas confortáveis, admirando suas investidas. E aí vem o fim da ignorância. Nações voltam a se unir; cidades a reconstruir. Famílias em lágrimas por laços destruídos... Mas uma nova arma será inventada e, novamente virá uma ordem de cima chamando inocentes para testarem sua potência, e por ela virarem heróis, morrendo pela nação. (Para que os jovens de hoje se conscientizem quanto aos motivos das guerras, e ao se tornarem homens, se tornem reais heróis de uma nação, não expondo seus filhos para morrerem sem razão.) Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X FOLHAS MORTAS Bares que abrem, líderes que caem... Feitos folhas mortas; arrastando famílias; desgastando vidas. Esperança em tempo perdido nos lares em lágrimas. Um horizonte sem fim... Nenhum caminho a seguir. Bares que abrem... Famílias em pânico; corações feridos; lares mortos. Líderes que caem... Vidas arrasadas; lágrimas derramadas. Tempos passados, esperanças acabadas. Bares que abrem, famílias que caem. (Para que um dia, as ?portas dos bares? se abram apenas para atender o lado social das pessoas, e que as famílias não fiquem mais acéfalas por perderem um elo essencial para a sua formação.) Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X E EU VI O FUTURO E eu vi o futuro!... Lá estavam os meus filhos, lá estava você... Não pude tocá-la, não pude chamá-la, não pude abraçá-los. Entre nós havia um pedaço quebrado, um pedaço transformado em anos, um pedaço escuro, insuportável para mim, para você e para os nossos filhos. Senti ciúmes, chorei, lastimei, envelheci... Se eu pudesse voltar ao passado... Ah! Graças a Deus ainda estou no passado. Amo vocês! Vamos afastar essa loucura... E eu vi o futuro!... Eu estive no futuro... (A todos os homens, pais de famílias, que venham a se iludir e divorciarem por loucuras... Que Deus possa fazer com que vejam o futuro, para que não venham a perder os tesouros de suas vidas, por tolas aventuras...) Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DESPREZADA Recebeu-lhe como uma Santa, como mãe, como esposa. Como flagelada que espera por um herói o momento da salvação. Como se aquele fosse um outro dia, e nesse outro dia seria tudo diferente.... Deu-lhe os lábios, beijou-lhe a face. Faz-lhe perguntas, desprezou-a. Vestiu-se com a melhor camisola, não quis notá-la. Deitou-se na cama e convidou-lhe, pensou em outra e a recusou. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DENTRO DO VENTRE Estou dentro de ti, mas posso sentir e pensar. Tão nova és minha mãe, não queira com essa fumaça me matar. Pense um pouco em mim, vida dentro de vida. Com todo esse cigarro, como será o meu fim? Estou começando agora, não me sufoque no ventre. Você não vê que posso nascer doente? Pare minha mãe! Não mais chuto com vontade. Tão pouco espaço tenho, tenha de mim piedade. (A toda mãe que carrega em seu útero o fruto divino de uma nova vida, para que saibas da fragilidade e inteligência que uma criança ainda dentro do ventre, já traz em sua inocente consciência.) Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CRIANÇA Pensem bem antes da geração de uma nova criança. Rebusquem suas vidas, o passado e o presente, e vê se irão amar essa criança realmente. Melhor deixá-la onde está, do outro lado da vida?... Ah! Vocês querem essa criança!?... Poderão gerar e criar, buscá-la do outro lado da vida... Mas pensem bem antes da geração de uma nova criança. (A todos os casais que estão à beira de ?engravidarem?, para que saibam que uma criança é dadiva de Deus, e assim, como Ele nos amou ontem, nos ama hoje e amará sempre, só tenham uma criança se for para amá-la eternamente.) Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CONSTRUÇÃO Tinha um tijolo quebrado em sua construção. Tinha em sua construção um amor quebrado, um amor omisso, negligente e descuidado. Era ele um tijolo inteiro em sua construção. Era ela em sua construção um tijolo quebrado, um tijolo isolado, medíocre e fraco. Teve toda energia para construir e progredir, teve também todo motivo para destruir. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ANDANDO POR AÍ Ele anda por aí... Motivo de falação; de boca em boca; problemas particulares. Pessoas lhe criticando, são pessoas criticadas. E vai andando por aí, jogado ao mundo em meio a tribos sociais, acostumando-se a morrer lentamente. Sem cobrar de ninguém, vai andando por aí... Com o coração espremido. Sem amigos e sem ninguém, sem palavras e e sem amor... É um menor abandonado. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ANÁLISE Triste é esta tarde que vejo agora. Parece que tudo adormece. Além do horizonte tudo é mistério. Meu corpo adormecido neste momento de análise... um grito de criança ao longe se ouve, também um latido de cachorro, sussurrar de pessoas no profundo silêncio. O calor... a brisa que o transforma em suaves sensações em meus sonhos. Pensamentos que vagam, os desenhos nas nuvens, as pálpebras abertas, o voltar a realidade, a análise se vai. É a feliz hora de continuar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AINDA QUE...! Eu não tenho uma casa de pedras, mas vejo o mar. Eu não tenho os campos, mas vejo as flores. Eu não tenho a cidade, mas vejo as luzes. Eu não tenho os seus olhos, mas vejo as estrelas. Eu não tenho a sua boca, mas vejo o céu. Eu não tenho o seu corpo, mas vejo a sereia. Eu não tenho o seu amor, mas vejo a borboleta. Eu não tenho ninguém, mas sou feliz por saber que existo. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A VOLTA Já não havia mais o elo prateado. Já não era mais nenhum sonho. Em meio àquela névoa, desprendia minha mente; desprendia meu coração. Meu corpo descartável recebia condecorações; minha mente entorpecida buscava explicações; meu coração consciente me cobrava... Por que o orgulho? Por que não amou?... Meu corpo descartável agora coberto em jazigo repousa; minha mente esclarecida espera una nova oportunidade; meu coração consciente me orienta para a volta... Ame! Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A QUEM AMAR MAIS?... A quem amar mais?... A do olhar que tanto lutou ou a do andar que tanto cobiçou? Aquela que já assumiu seu amor por você ou aquela que não deixou que amasse a ti? A quem amar mais? A ela que carrega sua história ou aquela que carrega sua aventura? A ela que acende sua paixão ou aquela que acende sua ilusão? A quem amar mais?... A quem contigo está a todo momento ou aquela que não lhe sai do pensamento? A quem um amor você fabricou ou aquela com quem um grande amor você sonhou? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A LUA A lua ilumina o amor dos namorados e testemunha a viagem dos navegantes. A lua clareia a praia dos apaixonados e testemunha os prazeres dos amantes. A lua prateia a noite por todo litoral e testemunha o segredo dos romances. A lua espelha o olhar de cada casal e testemunha a traição dos itinerantes. A lua guarda para si nossa caminhada. Testemunha a pesca dos pescadores e derrama lágrimas de prata nas dores. A lua reserva surpresas aos traidores. Testemunha com São Jorge a cilada e crava no coração a justiça da espada. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SONETO DA CHACRINHA Felicidade é estar numa graciosa chacrinha, com belo pomar e uma aconchegante casinha. Árvores e flores espalhadas no verde gramado e uma cabrinha branca leiteira num cercado. Levantar cedo e ver beija-flores na varanda, buscando água em meio ao cheiro da lavanda. Namorar o sol da manhã na rede de descanso e provar um café fresquinho a cada balanço. Felicidade é viver em paz nesse doce remanso, ouvindo a música caipira na saída da cozinha. E contar com a amizade fiel do fox paulistinha. Levantar cedo e olhar para o seu lindo paraíso, admirando o sabiá-laranjeira e a saíra-da-mata. E rolar com carinhos e beijos da mulher amada. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CASINHA PAULISTA Casa para ser casinha paulista deve ter: criança, cachorrinho e ciranda. Jardim gramado na frente, piscina, cadeirinha de balanço e varanda. Deve ter área com rede e churrasqueira e espaço a circundar sua lateral. Ter quartinho para tralhas de pescaria e pássaros a empoleirar no varal. Casa para ser casinha paulista deve ter: um papagaio na saída da cozinha e árvores e plantas para se ver florescer. Deve ter quem possa sorrir para merecer. Ter um quintal para a chuva molhar e uma janela aberta para ver o sol nascer. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X RAFAEL Real e belo, hoje o dia nasceu tal qual surgem outros dias, Apesar de que neste dia havia algo único e especial pelo ar. Felicidades e riquezas se espalhavam por todo nosso redor. Até parece que o dia hoje nasceu apenas para vir nos coroar! Era algo fascinante que exalava a benção e a dádiva de amar. Lindo dia, vencedor, vindo nos parabenizar e nos presentear... Tudo a nossa volta era somente magia, estrela e pura alegria. Em nosso mundo só existia castelo encantado e rara poesia. Até a estação de inverno se resplandeceu de primavera e calor, Mostrando que este dia, nos revelaria um príncipe e novo amor. Até a natureza concedeu a abertura de todas as pétalas e flores Molhadas com gotas de mel e um arco-íris com todas as cores. Ora, tudo isso, porque hoje você nasceu como anjinho no céu! Somos agora, papai, mamãe, Beatriz e você, querido Rafael. (A você querido amigo Mazetto, à sua esposa e filha, dedico esta poesia em homenagem ao nascimento do pequeno príncipe, quero dizer, do pequeno Rafael. Que Deus sempre ilumine suas vidas...) Do Amigo, Mauro Martiniano de Oliveira Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PAIS E FILHOS Construa e alimente dia a dia sua história de amor e vida. Pois quando seus pássaros baterem asas para se acasalar, e tiverem suas próprias árvores e crias para tratar... Só irá restar a verdadeira saudade que inunda de lágrimas os corações sozinhos... O de arrumar os quartos dos filhos que passaram a habitar outros ninhos. E vocês pais, verão que ainda não estão sós. E que mais uma vez, restou apenas vocês dois, marido e mulher, sob a mesma copa de árvore, como antes, só que agora grisalhos, mas podendo ser antigos amantes. Portanto, se sua história de vida fora cultivada além de cartas e retratos, com certeza, saberão suportar qualquer bater de asas e saudades, até a próxima visita de seus filhos e netos, que sempre migrarão para ocuparem novamente seus quartos. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PAI HERÓI Agora eu sei que você sempre teve razão, sempre teve bons motivos para me ensinar... Se preocupou demais com a minha vida... Envelheceu. E eu fiquei jovem, moço..., e sabia mais do que tudo, do que todos... Do que você! E então, com os sonhos que carregava, não lembrei dos seus conselhos. Criei asas, e ?sábio?, me libertei e saí. Voei, voei... Voei tão alto que, como Ícaro, minhas asas se derreteram e eu caí. Agora que cresci, ao ver os meus cabelos embranquecer, chegando ao tom dos seus cabelos de neve, sinto vontade de voltar... Não de cortar as minhas asas, mas de ter voado com toda sua sabedoria. Assim não precisaria de fazer como Ícaro fez... Sucumbiu. Pois o meu herói estava sempre perto de mim. Você meu pai herói!... Que me ensinou que as asas não devem ser de cera. Que hoje eu agradeço ao me lembrar de seu canto de paciência. Dos seus ensinamentos, de sua velha e necessária experiência e paz. Agora eu sei... Já é quase tarde. Obrigado pai! Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MEU FILHO Parei e reparei meu filho na varanda. Em sua infância eu pude ver a imagem que um dia já fora minha. Senti naquele momento a sensação de estar dentro dele. Por um instante matei a saudade... Voltei a realidade ao sentir que para aquilo não tinha mais idade. E então eu chorei, mas chorei de alegria, ao perceber que o meu filho, baixinho cantava e sorria. Me explodi de felicidade ao rever toda aquela emoção... Mais feliz ainda de saber que meu filho, era o fruto de uma grande paixão. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MATHEUS Meu filho, nosso dia hoje nasceu tal qual outros dias Apesar de que neste dia havia algo pelo ar. Tesouros e riquezas se espalhavam ao nosso redor. Hoje o dia nasceu parecendo vir nos coroar! Era algo fascinante que exalava a benção de amar. Um dia assim, vencedor, vindo te parabenizar... Seu aniversário filho!... Dois anos para se comemorar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X GUILHERME Gostoso é ver seu belo sorriso no ar... Uma doce inocência de um anjo de paz. Infinito será por você o nosso amar, Lindo será o amor de mamãe e papai. Hoje que você completa um aninho, Estamos felizes e abençoados demais. Razão agora temos mais para agradecer... Maravilhoso és Tu Deus, por ter nos dado, Ele, Guilherme, alegria do nosso viver. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AOS MEUS VELHOS PAIS Hoje eu agradeço aos meus velhos pais... Muito obrigado pela minha infância, pela educação... Obrigado pai por me ensinar a ser honesto. Por ter me ensinado a trabalhar e orar. Pela minha fé em Deus. Obrigado pela minha repreensão e por suas mãos. Obrigado pelas suas palavras, pelos meus choros. Por minha vida ter chegado até aqui honestamente... Obrigado minha mãe pelos carinhos e pela franqueza. Obrigado pelo meu retrato. Por ter me iluminado o pensamento. Por ter me mostrado o caminho da oração, da escola... da escola da vida. Pelas minhas palmadas. Por tua preocupação. Obrigado por ter cavado o túnel que me levará até o paraíso do Senhor. Obrigado por terem me carregado nos momentos de maior angústia e dor. Obrigado por terem semeado dentro de minhas veias a semente que hoje brotou e se transformou em um homem... um homem com sentimentos de amor. Desculpe-me pelas maldades. Desculpe-me se algum dia tive que machucá-los, mas a vida tem dessas coisas... Obrigado pela substituição. Obrigado pela lição de vida... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AMOR DE ADOLESCENTE Era um belo domingo pela manhã, e como sempre, levantei cedo e, eis que de repente, ao adentrar a sala de estar, surpreso, vejo minha filha a escovar seus cabelos e a se embelezar. E ela, contente, e sem tirar o fone de ouvido, olha pra mim com um batom entre os dentes, e com um lindo sorriso e a inocência de uma adolescente, me diz: ?- Pai, o amor mexe com a gente?. Pasmei, mas me contive a falar... Há pouco tempo, estava a nanar... Vejam só, a minha nenê a amar... Dá pra acreditar?... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X 15 ANOS E de repente uma estrela surgiu na pista central do salão, como um raio de luz vindo diretamente do céu. Ao notá-la, orgulhei-me... mas partiu meu coração...; estava ela ainda encoberta em casulo sobre véu. Era a festa dos quinze anos de minha estrela, e sua luz, aflorava a silhueta de sua linda aparência. Ao vê-la, logo percebi que suas asas rosadas, como borboleta, deixavam o casulo para nova experiência. E antes que esse vôo fosse alçado à procura de seu príncipe, e juntos, minha estrela voasse de volta ao céu, dancei eu, o sonho da valsa com a princesa Monique, ofertando-lhe todo meu amor de pai em forma do mais belo anel. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TERRA SAGRADA Terra, porção sagrada nossa mãe, que com seus fartos seios nos amamenta com sua seiva de alento e fartura. Que aguarda no sulco arado a semente de nossas mãos, como útero fértil, ansioso pela benção da germinação. Que traz a vida para o nosso sustento, alimento gerado em solo quente, simbolizando o trigo e o pão. Regada com suor de fé, alegria e esperança, e que nos enche de orgulho pela colheita esperada, ao vermos vingar o plantio, o gado e a criança. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X IPÊS Minha cidade tem floridos Ipês onde canta uma linda passarada. É a coisa mais bonita de se ver ao balançar da rede na sacada. Os Ipês que aqui fortes florescem não florescem em qualquer lugar. E os pássaros que neles amanhecem atravessam o dia em paz a cantar. São Ipês com flores roxas e amarelas que todo ano a primavera vem enfeitar. São pássaros pintados com aquarelas. É a vida de coisas tão claras e belas que o dia-a-dia insiste em me brindar. É a minha alma emoldurada pelas janelas. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CANTIGA DOS PASSARINHOS Olha só quem chegou para a cantiga no fundo do quintal, a confundir-se com as flores e as plantas do meu jardim. A patativa, o curió, o tangará, o tico-tico-rei e o cardeal, entoando sinfonia entre as árvores, as rosas e os jasmins. Que belo cenário e que linda cantoria que ouço por aqui, neste pedacinho de paraíso que me acalanta e me encanta. E como toca na orquestra o azulão, a saíra e o bem-te-vi, enquanto isso o sanhaço só no figo e o sabiá que só canta. E vejam só quem acabou de chegar com aquele sambinha: O anambé-azul, o pássaro preto, o pitiguari e o canarinho, mas só quem samba mesmo é o caboclinho e a coleirinha. E vejam só quem também chegou com aquele pagodinho: O pintassilgo, o bicudo, a corruíra, o tiziu e a tesourinha, mas só quem pagoda mesmo é a andorinha e o bigodinho. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CAMPOS MODERNOS Vejo as águas claras que caem no horizonte de minha sacada, a regar as casas, as vilas e os campos modernos. E os pássaros que cantam e se deslocam na fauna adaptável, da nova vida da cidade com seus frutos tão belos. As sementes que escapam dos bicos e germinam nesses novos campos, em contraste com as pedras desse visual. E os ipês floridos onde cantam bem-te-vis e sabiás, formando quadro de cidade e mata, em sintonia com ambiente natural. Olha o homem que trabalha e que aguarda o bater de ferro da araponga. É a sirene da fábrica após a breve chuva de verão. E o cenário ideal se torna claro, que até se avista o início da Serra do Mar! Quantas histórias até lá?... São sonhos de minha ilusão. Nas cozinhas e nas janelas, as cortinas beijadas pelo vento da manhã, trazem o suave aroma da maça e do jamelão. E a vida continua aqui e acolá, sob o horizonte límpido e real, e sob o olhar do cotidiano e das cenas de minha imaginação. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VONTADE Estou a olhar nuvens. Umas que vão, outras que vem. Grandes e pequenas, empurradas pelo vento; andando sem destino; caindo e levantando. Sinto vontade de tocá-las; pulá-las de uma em uma; jogar estrelas; sentir o sol; gritar para a lua; me molhar de perto; ter uma amor; sentir saudades. Voltar para a terra e poder gritar: Liberdade! Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X RECORDAÇÃO Tempos bons, tempos passados... Pipoca e rojões; quentão e balões; jogos de botão; fieira e piões; tapas na mão; alegria no coração... Jogos abertos com a vida. Tempos novos apenas recordação a ficar no coração... Pipoca e rojões; quentão e balões; jogos de botão; fieira e piões... Jogos fechados com a vida. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PICHAR Passei e pichei aquele velho muro de esquina: ?Mauro o Bom?, isso há muitos anos... Agora já apagado pelas novas pichadas que reprimem o mundo atual, me pergunto: O que picharei no futuro? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X LENÇO Ontem, as torturas do amanhã, um lenço no bolso, fora do pensamento. Hoje, as lembranças do ontem, uma mão no lenço no rosto passar. Amanhã, outra mão no lenço do hoje lembrar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X 18 ANOS E finalmente chega o dia! Um ar de liberdade e ilusão a nos levar: Dezoito anos esperados e agora somos livres. O mundo está aí para nós, afinal é só uma vez na vida... Vamos aproveitar, bagunçar, amar e voar... Viver e agitar, vamos viver o tempo, vamos deixar belas saudades, somos pássaros, ainda somos adorados, a vida ainda é bela, a noite é uma só, amores sem deixar marcas... beijos... bocas sensuais. Finalmente o dia chegou. Felizmente a liberdade nasceu... infelizmente sinto que a ilusão nos levou. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VIRGINDADE A porta se fechou, e então, o quarto foi tomado de todo segredo do mar. Você me cantou e me encantou... Como uma deusa do mar em seu corpo me fez navegar... As águas eram límpidas e naturas, eram virgens e puras. As águas eram calmas e misteriosas, eram saudáveis e gostosas. Em seus tesouros naveguei e várias pérolas encontrei... Aí, fundo em seu corpo mergulhei, e assim, o que era cristal... quebrei. A porta se abriu, e então, dentro do quarto, o que era segredo, ficou no ar... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TOMANDO SOL O sol queimando seu belo corpo e derretendo o bom bronzeador. Deixando sua pele dourada e refrescada pelo vento sua dor. Nesta hora tudo é felicidade! Se mistura com as torturas da queimadura e sua nova cor, pelo simples prazer da vaidade. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TARDE ESCOLAR Te espero na esquina, você cabula a aula, vamos para uma outra vila. Lá existe uma casa, uma casa perdida na tarde quente e que caminhamos por entre ruas e avenidas desertas, e temos todo o horário escolar para nos amar... A vida é nossa, somos namorados e apaixonados. Nesta tarde ensolarada e nesta casa de rua tranquila estudamos o amor... Você estuda em meu corpo a ciência da vida e a perfeição da matemática. Estudo em seu corpo a geometria das curvas e a geografia de suas formas. Amanhã tudo isso se tornará em nossa história, mas a tarde terminou, o horário escolar se esgotou. Vamos para casa namorar e fazer a tarefa que a tarde escolar nos passou. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SONETO DO CÂNTICO DOS CÂNTICOS O seu perfume é o mais agradável que existe; deliciosas são suas carícias, minha namorada. Como um lírio entre os espinhos, entre as donzelas, assim é a minha amada. O seu amor é melhor do que o fino vinho; o seu nome é para mim como perfume derramado. Como a macieira entre as árvores do bosque, entre os jovens, assim é o meu amado. Manancial recluso, fonte selada, és tu, querida. Irei ao jardim das nogueiras para as vides olhar...; estou trêmulo, você me deixou ansioso para amar. Vamos querido, vejamos se brotam as romãzeiras, se florescem as vides... e se abre a flor...; ali, entre bálsamo, eu lhe darei o meu amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ROTINA DA VIDA Nenhuma luz. Nenhum som. Apenas um quarto escuro e duas pessoas se amando. Neste momento há um som... Um som de amantes se desejando, vivendo todas as emoções do sexo e do amor. Fim do ato... Dois corpos cansados e satisfeitos. Agora há luzes... Luzes do amanhecer. O amanhecer de uma nova rotina, a rotina da vida. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PROFESSORA Sentado na primeira carteira um propósito ali o levava. Moleque matreiro, um par de pernas ele devorava. Enquanto outras crianças preocupadas em estudar, por sob a mesa, aquelas pernas, ele sonhava em alisar. E para cada olhadela, em diferentes formas ela as cruzava. E nesse vai e vem de pernas, uma linda flor se mostrava. Estourava-lhe os botões ao ver aquela terra cortejada, tomado de mistérios e devaneios, a sua linda professora ele desejava. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NÓS Nesta nossa vida agitada já não temos tempo para nada. Encontros e desencontros somam os nossos difíceis caminhos de um namoro adulto. Um adulto parcial, um parcial quase total. Nós que vivemos evitando, evitando o total por não ter a convicção de um futuro. Um futuro incerto talvez. Nós que vemos o amor total morrer na porta da entrada. O desejo insaciável. Nós que somos fortes, que matamos o desejo na porta da entrada, estando aberta ou fechada... Somos muito fortes. Nós que não temos convicção do futuro, o futuro que nos faz fortes para conseguirmos matar o sexo na porta de entrada. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MENINA MOÇA Veja aquela menina, tão criança, tão jovem, ainda mocinha, não querendo mais ser moça. Olhos cintilantes em seu homem, um pouco mais maduro e já querendo amá-lo. Tão cedo e tão jovem para a vida, aquela mocinha que não quer mais ser moça. Moça tão bonita, olhar meigo e apaixonante, aquela menina que é moça, e não quer ser mais moça. Aquela menina moça, por já saber o que quer, fita o seu homem querendo amá-lo, e ser de vez mulher. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X INTIMIDADE O amor quando nasce o desejo excita, um outro amor renasce numa contemplação íntima. Amantes se descobrem em jogos de lençóis, e as maravilhas das cores nos rostos se iluminam. As várias cores das peles nas sensações modificam, e no átimo do prazer em purpúreo se glorificam. E nesse imenso deleite termina a idoneidade, corpos se desfazem dessa infinita intimidade. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X EM NOSSA CAMA Em nossa cama é que eu descanso, depois do nosso amor eu encontro a paz tão esperada. Em nossa cama nosso momento é mais saudável, e todinho de um jeito que nosso corpo disser. E no meio dessa cama nos abraçamos e nos beijamos até... E continua o amor no meio desse quarto onde tudo nos faz amar. E depois de todo nosso amor, nos abraçamos e curtimos o sabor, e só recomeçamos quando a vontade nos faz acordar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DOCE PAIXÃO Em uma casa... só ela. Quando a vontade desperta a voraz paixão de um homem, esse faz a cabeça de sua companheira, que também fica com a libido despertada. Essa mulher que o ama concorda, e juntos irão viver novamente aqueles momentos que um dia foi deixado pela metade. Aquela voraz paixão que sufoca dois corpos, dois corpos que se adoram, que se desejam e que vivem sufocados esperando uma oportunidade para se encontrarem. Em uma casa... só eles. A oportunidade em suas mãos, aquela metade será completada, a libido será saciada, a voraz paixão se tornará em uma doce paixão. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DESEJO Dê-me sua boca e seu calor. O seu corpo e seu suave odor. Deixe que eu lhe ame e prove o sabor. Mate sua sede nesse nosso amor. Corpos suados e cansados. Satisfeitos e transados. Matamos o desejo. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X COISAS DE AMOR Coisas que cativo... seu amor e cultivo em forma de flor. Coisas de você... afrodisíaco que se espalha por todo o corpo. Coisas sensuais e coisas íntimas, jogadas em meio a este palco do amor. Coisas nossas... o amor não espanta, nosso forte sexo, a moral levanta. Coisas que curtimos e que amamos, coisas que nos falam e que transamos. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CHOVE EM SEU CORPO Subir ao céu e descer em gotas... Chuva torrencial, seu corpo percorre em um tom facial. Uma gota se mistura com a saliva de sua boca, e agora, temperada, vem descendo... De um pulo salta-lhe aos seios, escorregando em seu vale, no umbigo se afunda, empurradas por outras gotas, em sua intimidade se aprofunda, novamente em um vale, no afrodisíaco se mistura. E entre as coxas, até aos pés se desliza, e já no chão, satisfeita, lança para cima, um olhar de malícia. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CHAMPANHE Champanhe, para brindar num romance e derramar em uma paixão. Champanhe, para modificar o ambiente e aumentar a tentação. Champanhe, para pratear amantes corpos e saborear uma nova sensação. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CARINHO Quando a gente gosta é lógico que se cuida. E um carinho não tem nada demais... É bom! É um prazer excitante que toca-lhe a face. É uma leveza de toque que lança a magia do sonho. É uma sensação instantânea de um passeio no paraíso. É uma lágrima íntima de um lapso feliz. É uma intimidade satisfazendo seus anseios e segredos, de imenso êxtase temporário. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X BURACO DE FECHADURA Buraco de fechadura, um corpo o menino via, como um encaixe de moldura uma dama se despia. Tanto era mistério, tanto era desejo, ele escondido atrás da porta, fitava aquele corpo que era segredo. Saltava-lhe os olhos e despertava seu pequeno sexo, aquela mulher nua, lhe molhava de ternura. Tanto era a sua felicidade de ver aquela mulher tão forte e bela, tanto era a vontade de se molhar no corpo dela. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X BEIRA DO MAR A tarde morrendo no litoral..., o ecoar do mar... um corpo de sereia vem mostrar. É você que surge de dentro das ondas, é você que vem para me amar. Dois corpos na praia as conchas vêm beijar... As gaivotas curiosas a nos olhar. É a nossa paixão a girar, que o sal das águas vem temperar. É a marca de nossos corpos que na areia vai ficar. É o amor na beira do mar... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SEMPRE FLAMENGO Mengo, Mengo és o grito do Flamengo! És o time rubro-negro, rei do maracanã. Flamengo, ó meu glorioso time Mengo, és do Brasil, a equipe sempre campeã. As glórias e alegrias que tu me destes, suplantaram na vida minhas desilusões. Suas vitórias, suas conquistas e vestes, confortaram seus milhões de corações. De Zico, o grande Galinho de Quintino! És o seu ídolo, quer no campo ou na área, É o rei do Maracanã, o príncipe da Gávea. Mengo, quer em casa ou na arquibancada! Para ti eu irei torcer, meu querido Mengo, pois: "uma vez Flamengo sempre Flamengo!" Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SELEÇÃO BRASILEIRA DE 70 Seja Tetra, seja Penta, seja Hexa ou Hepta... Seja branca, seja azul, seja verde ou amarela. Mas como a nossa Seleção Brasileira de 70, nunca mais surgirá uma equipe como aquela. Seleção do Tri, até hoje a melhor da nação... Com Félix, Carlos Alberto, Brito e Piazza, Clodoaldo, Everaldo e Jairzinho o Furacão, que pairava e voava em campo sem ter asas. E os lançamentos do nosso grande tesouro, Gerson, o seu querido Canhotinha de Ouro. Sem contar Tostão com seus dribles e olés. E ainda, os lindos lances de Rivelino e Edu, e mais, Leão, Dadá Maravilha e o PC Caju. Sem falar no maior, o nosso querido Rei Pelé. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SANTOS ETERNO Santos, Santos, time de todos os sonhos Esquadrão guerreiro, destemido e vencedor É o grande Peixe, lutador dos oceanos É o mais garrido, é o Santos meu amor. Campeão absoluto na bola e no gramado Santos de histórias, vitórias e tradição É o Santos Eterno, o clube mais amado Orgulho da vila praiana e de toda nação. Equipe de rei e príncipe, de amor e carinho É o alvinegro que dá show e espetáculo Com dribles e pedaladas, de Pelé a Robinho. Santos glorioso e santástico eternamente É o time do século, bi-campeão do mundo É o Santos Eterno, o melhor do continente. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SALVE A FERROVIÁRIA! Salve a Ferroviária de Araraquara! Do interior, o time bem mais amado. É da cidade onde o sol faz morada, é a locomotiva dos verdes gramados. Salve o glorioso time da Ferroviária! De camisa grená e de tantas tradições. É da fonte onde a água é luminosa, é de Bazzani e Cia... e outras gerações. Salve a Ferroviária de Araraquara! És a temida Tri-Campeã do interior, é da Fonte Luminosa, és o meu amor. Salve o glorioso time da Ferroviária! És o meu coração, és o meu horizonte, és agora a AFE da bela Arena da Fonte. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SONETO DO SALMO 91 O que habita e descansa à sombra do Altíssimo, diz ao Senhor: Meu refúgio e meu porto seguro. Pois Ele te livrará dos laços e perigos escondidos, e sob suas asas, estará protegido como um escudo. Não temerá as trevas e nem a seta que voa de dia, e nem temerá os males que assolam ao seu redor. Ainda que milhares caiam atingidos ao seu lado, você não será atingido e sequer sofrerá alguma dor. Pois disseste: O Senhor é meu refúgio e minha morada. E assim nenhum mal e violência chegará ao seu lar, porque os Seus anjos lhe protegerão por onde tu andar. Não tropeçará em pedra e pisarás o leão e a áspide. E porque a Ele se apegou com todo amor e verdade, lhe responderá livrando-o da angústia com fidelidade. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SONETO DA FIDELIDADE DIVINA (Salmo 138) Render-te-ei graças ao Senhor de todo o coração, e na presença dos poderosos lhe cantarei louvores. Louvarei o Teu Santo nome com uma bela canção e direi que amo Tua palavra acima de todos amores. Pois sei que no dia em que eu clamo, Tu me acude e alenta a força de minha alma e de toda minha fé. O Senhor é excelso e está atento para os humildes, e se ando na tribulação, Ele sustenta os meus pés. Dos soberbos, Ele bem conhece de muito distante, e estendes Suas mãos contra a ira dos malfeitores. A Tua destra é que me salva de todos dissabores. Dos justos, Ele bem conduzirá a bom termo hoje, por causa da Tua misericórdia e da Tua verdade. Jamais me abandonará em honra à Sua fidelidade. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SONETO DA CONFIANÇA EM DEUS (Salmo 4) Ó Deus de minha justiça e confiança que na angústia tenho clamado. E Ele, baluarte da minha esperança, fiel responde-me e me tens aliviado. Senhor, que distingue para si o piedoso e ouve o clamor de minha oração. Confiai, e Ele lhe dará o sossego, quando consultar no travesseiro o coração. Senhor, que nos dá a conhecer o bem; que exalta sobre nós a luz do Teu rosto, e que coloca no coração mais alegria também. Ó Deus justo, que em paz me deito, e confortável e leve, logo pego no sono, porque em Ti, seguro repouso em meu leito. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X RESGATE E naquele dia toda a ciência fora em vão... Todos os fenômenos de uma só vez - impossíveis de se explicar... Todos os preceitos e fundamentos científicos ignorados naquele instante. Perplexos, ainda alguns, procuravam em suas extremas culturas, perdidos em laboratórios, a química para cessar aquele mistério. Quem era aquele que resgatava alguns para voarem e os esqueciam em suas intelectualidades?... Quem era aquele que os esqueciam em seus conceitos culturais? Era o Prêmio Nobel do universo! Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X RENOVA-ME SENHOR (SALMO 51) Livra-me Senhor do caminho impuro e cria em mim, um coração justo e leve. Limpe todo o meu ser e ficarei puro e tornarei-me mais alvo do que a neve. (2X) Renova-me Senhor, Renova-me Me dando um novo coração. Renova-me Senhor, Renova-me Com um espírito cheio de retidão. Purifica-me, ó Deus, de todos os pecados e a minha língua louvará altamente o Teu amor. Esconde a Tua face dos meus passos errados e a minha boca entoará o Teu doce louvor. (2X) Renova-me Senhor, Renova-me Me dando um novo coração. Renova-me Senhor, Renova-me Com um espírito cheio de retidão. (3X) Ó Deus, quanto é bom por Ti ser amado e ter em mim um coração renovado. (1X) Renova-me Senhor, Renova-me Me dando um novo coração. Renova-me Senhor, Renova-me Com a alegria da Tua salvação. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O SENHOR É O MEU PASTOR (Salmo 23) O Senhor é o meu sagrado Pastor e sendo assim, nada me faltará. Guia-me na justiça de seu amor e me leva às águas que me lavará. Mesmo andando no vale da morte com o Senhor, não temerei o mal. O Seu bordão é toda a minha sorte e no Teu cajado me torno imortal. Preparas-me uma mesa de vitória na presença dos meus adversários, e faça do banquete minha concórdia. Me seguirão bondade e misericórdia em todos os meus dias e aniversários, e para sempre habitarei na Sua glória. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DEUS PROTETOR (Salmo 64) O meu Deus me ouve e me livra da futura dor escondendo de mim os conselhos dos inimigos. Pois mesmo eles armando contra mim o horror as suas línguas afiadas não tocarão meu abrigo. Eles atiram no que é sincero de lugares ocultos e disparam no que é reto sem qualquer temor. Pois se afirmam no falso para atingir os justos, crendo que ninguém os verás praticando o terror. Mas o meu Deus lançará neles a seta justiceira, e surpresos, verão suas línguas voltarem contra si, e, ao tropeçarem nelas, se ferirão de forma certeira. Enfim todos os homens confiarão em meu Senhor, e anunciando suas obras, cantarão louvores a Ti, e verão que o real seguro só vem do Deus Protetor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VIDAS EMBAÇADAS Fechado entre paredes e perdido em meio à escuridão deste quarto. Este quarto que é o descanso do meu corpo e a meditação do meu sonho. Meu sonho que é o caminho e a redescoberta da vida. Da vida que está me faltando e que algum tempo eu deixei embaçada entre a vontade e a necessidade de se amar. E no momento só amar e sonhar é a vida que estou levando, entre pranto e amargura disfarçado entre risos e festas. Disfarce este que perderá sua máscara no exato instante em que juntos renasceremos para uma nova vida... A nossa vida. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X UM APITO NA MADRUGADA Mesmo com a distância e as inúmeras edificações daquela cidade do interior paulista, o apito do trem, parado àquelas horas naquela estação, rasgava o silêncio da noite e chegava até o meu quarto, me entoando uma nova canção. Quantas ruas e esquinas até lá? Quantas portas e janelas o ecoar daquele apito teria atravessado? Quantos ouvidos na solidão visitado? Quantos sentiram sua passagem? Quantos sonhos e mentes vagantes aquele som teria despertado? Quantos perceberam sua mensagem? Aquele amigo rondante e noturno dizia naquelas horas existir vida, mais vidas além das paredes do meu quarto e do meu muro. Mais mundo e mais fronteiras para se trilhar... Mais horizontes para se conhecer... Um amor para se achar. A escuridão acende o coração... E aquele apito na madrugada encontrou solo fértil em meu peito e uma nova canção. Despertou em mim, a busca do sonho pela esperança, com a mesma ilusão de um menino, com a mesma energia de uma criança. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TÚNEL DO TEMPO Que haja um túnel do tempo em alguma dimensão da vida que ainda hei de viver e amar. Quando encontrá-lo, não quero viagem ao futuro com seus mistérios e suas tantas dores. Quero de volta o meu passado com minha mente e meu corpo libertos dos falsos amores. Oh meu Deus! Que dimensão da vida haverá de me levar para eu achar o túnel do tempo? Quando encontrá-lo, quero uma viagem ao passado com os créditos da ciência do bem e do mal. Quero recomeçar já conhecendo a essência da vida; quero o saber para sentir a chegada da alma ideal. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SONETO DE MANHÃ Hoje a manhã nasceu com linda aquarela e as suas cores enfeitaram toda a cidade. Um espectro de luz adentrou pela janela, me despertando e anunciando a felicidade. Como é bom acordar com essa bela manhã que nos vem brindar com este lindo dia. Abrir a janela e ver que o sucesso amanhã, depende das cores que o nosso astral irradia. Como essa manhã, nosso corpo é arco-íris, aliança que anuncia que a vida é colorida, pois mesmo com temporal, prevalece a íris. Hoje a manhã me presenteou com esta alva, me lembrando que o corpo é templo da vida, e devemos libertar as cores retraídas da alma. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X RÉVEILLON FRATERNAL São tantas as coisas colocadas sobre a mesa, sobre a fina toalha de cetim branca de paz. Vinho, cálice de cristal, champanhe francesa, mesa farta, castanhas, uva Itália, uva passa. São ornamentos que trazem vida ao réveillon, enfeitando e expondo lacunas dos corações. Roupas brancas, músicas e fogos num só tom, disfarçam o ritmo de falsas reconciliações. São muitas as coisas escondidas sob a moral, sob a toalha, vinhos, champanhes e mentes... por sob as almas ?alvas? e o cálice de cristal. São ornamentos camuflando o ano velho atual, escondendo os rancores dos queridos entes... tudo na espera de um ano novo mais fraternal. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X RÉVEILLON Hoje, na passagem de ano, tudo se revela; a força do calar e das intrigas se enfraquecem. E como noite de romance à luz de velas, o amor e a paz entre as pessoas se restabelecem. Ao canto do tradicional ?adeus ano velho?, os abraços são reais, emotivos e sinceros. Nos fogos, o céu fica dia e bem mais belo, ao som do ?feliz ano novo? cantado em versos. E que tudo de próspero se realize e aconteça! No brindar de uma esperança que nunca morre, pois é ela quem fortifica nossa fé e certeza. Hoje, noite de réveillon, sonho de vencer! É o ano que nossas conquistas se sagrarão, nesse baluarte de ilusão que no faz renascer. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PROCURA-SE ALGUÉM Procura-se alguém. Pode ser um rosto na multidão. Que não seja mais e nem menos do que ninguém. Que tenha de sobra amor e que cure uma louca paixão. Tem que ser anônima na multidão. Que seja bela e inteligente, discreta e boa gente. Não precisa ser melhor e nem tampouco pior, basta apenas ser diferente. Procura-se alguém. E sei que há um rosto na multidão. Que possa me amar e me chamar de ?meu bem?... mas sobretudo, que trate do meu coração. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PALMA DE LÁGRIMAS Quando passar suas mãos em meu rosto e o meu cansaço enxugar, e a minha agonia sentir... em minhas lágrimas tu sentirás, que a cada gota uma história rolará. Em cada história um sonho meu, terás lágrimas de glória que no tempo se perdeu. Em algumas lágrimas tu verás, desespero, solidão e dor, a saída de uma alma voraz. Em minhas lágrimas tu perceberás, que nas gotas brilhantes, sempre um mistério a reservar. E para que possamos juntos nossa vida começar, em suas mãos as gotas colherás, e, para trás, uma palma de lágrimas tu jogarás. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NOSSO MUNDO Você pode não ser nada para o mundo, mas do seu mundo eu faço o meu mundo. Você pode não ser nada para o mundo, mas representa o mundo para mim. Nós podemos não ser nada para o mundo, mas juntos, saberemos como construir nosso mundo. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NOSSA VIDA Quem sabe um dia nos dominamos com jeito. Com a mesma linguagem, com o mesmo amor e o mesmo carinho. Quem sabe um dia lutaremos como dois. Com a mesma energia, com o mesmo amor e no mesmo caminho. Quem sabe um dia nos amamos com mais. Com mais energia, com mais amor e mais um quartinho. Quem sabe um dia venceremos todos nós. Com toda alegria, com todo amor e em qualquer cantinho. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MEU PRÓPRIO JARDIM Se um dia eu tiver meu próprio jardim, serei feliz, porque nele saberei como achar a paz e a harmonia, o amor e a alegria. Saberei encontrar num simples soprar, a tranquilidade das águas do mar. Será só saber me concentrar e deixar a suavidade me levar. Saberei encontrar num simples soprar, a sensação de voltar ao passado e recomeçar. Recomeçar a amar e desfrutar meu próprio jardim. Seu um dia eu tiver meu próprio jardim, serei feliz, porque nele Deus também estará... E assim, estando Deus lá, você, Ele me mandará. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MADRUGADA Madrugada, amanhecer de um novo dia. Os pensamentos, o amor, tudo se volta na vontade de poder estar neste momento ao lado seu. O seu corpo quente ao meu lado me fantasia, São os sonhos que neste momento vem me acariciar. A escuridão desperta o coração. O silêncio me faz te procurar, porém você está longe, não em minha cama. Mas um dia, em um certo dia, tudo vai mudar, e minhas madrugadas com você irei acordar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X FRAGMENTOS DE ESPERANCA Só porque era domingo o vento trouxe seu perfume pelo ar. Suas coisas ainda estão aqui, normais pelos cômodos da casa, exalando seu cheiro, suave aroma a me torturar. Fiquei na esperança que você sentisse falta e voltasse para buscá-las, e então, mais uma vez guardei-me, lapidando meu corpo e meu ser, para novamente, de bem, poder abraçá-la. Mas esse foi só mais um domingo de sua ausência que sonhei na janela, pois na inquietude da rua, quem passa e olha, já associou a minha imagem emoldurada pela longa espera. E só porque era domingo a saudade trouxe a fragrância de sua doce lembrança. Suas coisas ainda estão aqui, anormais pelos cômodos da alma, exalando em minha mente fragmentos de esperança. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A UM PASSO DO FUTURO Às vezes penso que estou sonhando alto, quando na verdade a luta vivida de todos esses anos vieram talvez a vir me coroar. A saída totalmente de uma vida, que agora pertence ao passado. Um pulo para o futuro, e agora eu posso ver a realidade antes só sonhada. Agora toda ela em minhas mãos... O serviço, a estabilidade e o amor praticamente caminhado. Graças a Deus, estou conseguindo a minha vida, e se Deus quiser saberei como fazê-la para poder um dia conviver feliz com os meus. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A LUZ DA NOSSA VIDA Vai brilhar! Uma estrela vai brilhar em nossa vida. Essa estrela vai estourar e nos cobrir de euforia. Vai brilhar! O dia certo vai brilhar como uma estrela em nossa vida. A luz dessa estrela vai apagar... Vai apagar a nuvem que abafa o nosso olhar. Essa estrela vai brilhar e nos dar a infinita alegria de tudo amar. Essa estrela vai estourar e a sua luz com a nossa vida vai se unificar. O dia certo vai brilhar! E com esse brilho nos brindar com o amor, com a família e com o lar ... Com a terra, com o céu e com o mar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PASSEIO À TARDE Num passeio pelas ruas do meu bairro, ao final da tarde, observando pude notar... Casas simples, delicadas e arrumadas, com vasos, flores e cortinas para enfeitar. Vi uma varanda com gardênias e roseiras e o jardim da casa a circundar sua lateral. No quintal, o verde da parreira das videiras, e uma gaiola com o suave canto do cardeal. Olhei as crianças deixando a perua escolar exaltadas a brincar com alegria e emoção. O chutar na bola e a corrida para abraçar, o cachorrinho, o fiel amigo de estimação. Revivi as entradas com degraus e ladrilhos estirados como tapete vermelho para passar. O convite aos vizinhos, amigos e aos filhos, para entrar, tomar o café da tarde e prosear. Ouvi a mulher na cozinha a preparar o jantar e o assobio pelo vapor da panela de pressão. Notei o acender da ?luzinha? na área de estar, a iluminar em fé, o santinho de sua devoção. Percebi a alameda tranquila de muita calma, com gramas, espirradeiras e jardins em flor. Sonhei com a rede a embalar minha alma, imaginando estar numa cidade do interior. Passei pela praça florida com os seus idosos, a jogarem cartas, dominó e conversa ao léu. E ouvi o badalar das seis no balanço dos sinos, a fechar aquele dia na bela Vila Santa Isabel. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X OLHOS QUE SONDAM Há olhos que sondam em todos os lugares!!! Estão por todos os cantos a nos vigiar!... Nos seguem os passos, analisam os gestos. Quer nas praças, nos mercados, nos bares...; quer nas ruas, nas estações, na beira do mar. Que nos acompanham feitos guardas-costas, mas sequer primam pela nossa segurança. São olhos que nos paqueram e nos querem, porém não se aproximam, apenas sondam e aguardam um mínimo toque de esperança. Sondam nossos corpos e nossos perfis, nossos olhares e nossos comportamentos. E quase sempre não vemos, a não ser que também sondamos... para perceber olhares e pessoas em seus estranhos movimentos. E se nossos olhos sondam, pessoas e olhares se disfarçam, fazem charmes nos cantos. Talvez por ainda estarem cativos e incertos, ou ainda, surpresos por serem sondados, se inibem face a um inesperado encanto. Há olhos que sondam em todos os lugares!!! Estão nos convidando sutilmente a jogar!... Como peças num tabuleiro somos escolhidos. Basta correr os olhos... notar e ficar atento...; ser um xadrezista na hora certa de ?xecar?. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A SENHORA DA SOMBRINHA Quem é essa senhora da sombrinha? Que passa todas as tardes pelas calçadas ensolaradas da cidade. Que carrega em um de seus braços uma discreta sacolinha. Sabe lá o que pensa e pra onde vai, o que leva e o que traz?... Só se sabe que, apesar da idade, firme está a passar sempre altiva e sozinha. O sol a essas horas está escaldante, uma única nuvem varia no céu imagens isoladas, as pessoas se escondem, na rua somente sons e carros, mas essa senhora singela, de cabelos grisalhos, conhece seu caminho e passa pelas tardes sob a sombra estampada de sua inseparável sombrinha. E não se importa se há olhos que a sondam. Seu silêncio é seu destino. De onde vem e pra onde vai, o que pensa e o que faz é mistério. Em sua bagagem de vida quantos entes queridos a cercam? Quantos romances?...Ou apenas um amor real e sério? A senhora da sombrinha, alheia aos vigias de plantões, marcha consistente pelas calçadas, entre janelas, postes e casas, entre árvores, muros e portões, demarcando o cenário e o visual das tardes quentes da cidade, desfilando sua rotina e levando consigo sua história, mas passando sempre sozinha, sob a sombra estampada de sua inseparável sombrinha. S.Paulo/SP - 31/10/06 Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SONETO DOS CAMPOS GERAIS Sublime planície de extensa paisagem horizontal foram as terras da Sesmaria da Paragem do Iapó, concedidas à família Taques, pelo rei de Portugal, iniciando-se ali, os Campos Gerais, seu marco oficial. Sesmarias de diversificadas extensões e localizações compunham-se de fazendas, sítios e chãos urbanos, e na estrada real, uma das rotas do Caminho de Viamão, tropeiros estimularam a colonização dos campos da região. E com o avanço e a consolidação da economia tropeira, Castro - município-mãe ? orgulhou-se de ver sua filha, Ponta Grossa, pequena vila, conquistar sua autonomia. E hoje, os Campos Gerais, com seus modernos sesmeiros, vitoriosos elevam punhados de terra, cavados do chão, gritando que ela lhes pertence, e és orgulho de toda Nação. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X LITORAL PAULISTA I ? Serra do Mar Já não bastassem as belas paisagens das terras de seu interior sem igual... São Paulo ainda se dá ao luxo de ter uma cortina com o verde da Mata Atlântica e sua vegetação natural, e que se abre para o início do espetáculo quando se desce a Serra do Mar com destino ao seu maravilhoso litoral. Ela foi colocada ali, em ponto estratégico, para que Deus, em visita à Sua obra, e sem perder o ambiente de estar no céu, pudesse dali, em seu trono itinerante, olhar para baixo e, de mais perto, admirar por todo litoral de Norte a Sul, Seu divino paraíso de rochas, águas e sais, disperso entre cidades, matas e praias, e entre ilhas, cachoeiras e manguezais. II ? Litoral Norte E nós, ao admirarmos Sua obra, ao Norte, logo vemos uma grande ?Pérola ?- Ubatuba! Onde se têm as únicas praias do país cortadas pelo Trópico de Capricórnio. E que bom! Pois são as primeiras a receberem o verão! Você vai amar! Ah! E passando por lá, não deixe de visitar o Projeto Tamar. Tem a charmosa Prainha e uma gostosa paquera pela orla da Martim de Sá...; é só caminhar pelas praias de Caraguá! Tem os ventos correntes para as velas, nas águas náuticas da bela Ilhabela. A badalada Maresias e o Surf com ondas de emoção, na histórica São Sebastião. E tem Bertioga, com o passeio de Escuna por seu Canal e o seu Pastel do Trevo, saboreado por todo litoral. III ? Litoral Sul I E a Sua maravilhosa obra continua ao Sul, onde logo se vê outra ?Pérola?- Guarujá! Tão linda que suas praias e suas entradas, deveriam estar sendo protegidas pelo Forte dos Andradas. Tem o maior Porto do Brasil, as praias do José Menino, Gonzaga e Boqueirão; e tem o futebol que eu tanto admiro!... É Santos! E tem Pelé e Vila Belmiro. Tem roteiro romântico no ?Portinho? e ciclovia à beira-mar entre coqueiros - tudo ao seu alcance - lá na Praia Grande. Tem Ponte Pênsil, Ilha Porchat e Anchieta; e tem 500 anos, ?Biquinha?e a primeira cidade - São Vicente. E tem Mongaguá, com o Poço das Antas e a Plataforma de Pesca pra muita gente. IV ? Litoral Sul II Vejam ainda mais ao Sul, outras maravilhas que compõem o paraíso litorâneo paulista. Tem a praia dos sonhos e as ?Mulheres de Areia? - anote em sua lista! Tudo isso hein! Na ótima Itanhaém. Em Peruíbe, a terra da ?Eterna Juventude?, saúde e beleza, com sua mineral e conhecida Lama Negra. Tem a Estação Ecológica Juréia Itatins, os antigos casarões e a Basílica do Bom Jesus em Iguape - são de encher os corações. Tem o Mar Pequeno, tem muita vida e tem a balsa para Ilha Comprida. Tem criação de ostras, tem mergulho e Portal com Caravela - tudo em Cananéia. E tem Deus, que passeia por essas praias e serra, toda vez que vem para a terra. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X INTERIOR PAULISTA I - Paisagens Meu interior paulista tem paisagens que não se vê igual!... Vejam as belas serras, rios e matas, que enfeitam as terras do Pontal à Bananal. Tem frondosos pomares e turismo rural que não se vê à toa por aí... Olhem só as figueiras, os vinhedos e o caminho do circuito das frutas, de Valinhos a Jundiaí. Tem geografia de picos e montanhas formando cenário de cinema, é só fazer um city tour de Maria Fumaça pela bonita Serra Negra. E as artes que não se pintam em qualquer tela ou qualquer bosque, como as obras de Cândido Portinari, expostas no casarão em Brodoswki. II ? Águas Meu interior bandeirante tem águas minerais que não se encontram aqui ou acolá!... Sintam a fonte da vida e da juventude ao beber das cristalinas Águas de São Pedro, Lindóia e Ibirá. Tem o rio Tietê límpido e navegável e de onde se aprecia a bela vista, basta passear de barco pela eclusa de Barra Bonita. Tem a famosa e típica canção caipira inspirada no romântico rio de Piracicaba... aquele...que traz em suas correntes as lágrimas de saudade da pessoa amada. Tem também o vale do rio Paraíba, de onde a imagem encontrada da Nossa Senhora, Padroeira do Brasil, deu o nome a Aparecida. III ? Cidades Meu interior caipira tem grandes cidades como: Presidente Prudente, Araçatuba e Jaú; São José do Rio Preto, Araras, Marília e Bauru. E mais: Limeira, Americana e São Carlos; São José dos Campos, Taubaté, Sorocaba e Rio Claro. Essas maravilhosas cidades e suas inúmeras esquinas. Sem contar a poderosa metrópole com estrutura colossal: A grande Campinas - interiorana com ares de Capital. E ainda tem a ?Califórnia Brasileira?- Ribeirão Preto -, bem ao nosso lado! Passando por lá, não deixe de provar um chope gelado. IV - Variedades Meu interior bandeirante tem variedades distribuídas por tantas outras cidades... Vejam a feira nacional do bordado em Ibitinga, bem como a festa do Divino Espírito Santo em São Luís do Paraitinga. Tem os ?Alpes Paulistas? em Campos do Jordão, a estância climática de Atibaia, e o ?Vale da Saúde?, na histórica São Simão. Tem os rios e cachoeiras subterrâneas, pelas cavernas e grutas de Iporanga. Os inúmeros esportes radicais em Brotas, e uma gostosa pescaria em Rosana. Em Holambra, plantas, flores e beleza; em Franca, a terra do calçado; na exagerada Itu, a mania da grandeza; e em Barretos, a famosa festa de rodeio com peão de boiadeiro. V - Tradições Meu interior paulista tem mais vida e alegria que se possa imaginar... Tem o festival do folclore na cidade de Olímpia; a ?expo? do vinho em São Roque; e outras grandes e pequenas cidades para se conhecer, passear e amar. Tem minha região, tem minha infância... Tem a ?Cidade Doçura?- Américo Brasiliense, e Santa Lúcia, Rincão e Boa Esperança. Tem a ?Terra da Saudade?- Matão. Tem a ?Morada do Sol?- minha Araraquara. E tem o bravo povo bandeirante que em honra e orgulho aos seus caminhos e fronteiras, sua gente, suas tradições e bandeiras..., brada com glória: Interior Paulista ? nossa terra, nossa história! Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CANÇÃO DE CARAGUÁ Como é bom estar em Caraguá e ter o dia inteiro pra passear. Bronzear-se nas areias do Indaiá, sentindo a calma de suas águas numa suave manhã à beira mar. Que linda combinação de azul marítimo, com o verde do lugar. Bater papo na Pedra do Jacaré, tomando água de coco gelado com a garota que se viu passar. Como é bom estar em Caraguá e ter o dia inteiro pra caminhar. Ficar à tarde ?de boa? na Prainha, e a noite paquerar e falar de amor por toda a orla da Martim de Sá. Que perfeita combinação de sol dourado, com a prata de seu luar. Fazer amor nas belas praias de lá, e ouvir o doce balanço das ondas a inspirar uma canção de Caraguá. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CAMPOS GERAIS TERRA DA GENTE Concessão das terras da Sesmaria da Paragem do Iapó, Ato do rei de Portugal, à família do paulista Pedro Taques de Almeida; Marco oficial da ocupação da planície dos Campos Gerais, Pelo qual em enorme latifúndio as sesmarias foram transformadas. O interesse pela região foi despertado com a criação no sul dos animais, Sendo estes utilizados no transporte de ouro descoberto em Minas Gerais. Ganhou os Campos Gerais, a estrada real, rota do Caminho de Viamão, Estrada que passava pelos Campos Gerais, Vacarias, Lages e Itararé, Rumo da tropa para Sorocaba, estimulando assim a colonização da região. A topografia dos campos da região facilitava o trajeto da longa marcha, Incentivando a passagem de tropeiros pelos chãos, sítios e fazendas, Surgindo atividades econômicas, o que contribuiu para o ganho de rendas. Tropeiros, raízes da formação histórica-regional dos Campos Gerais, Enfrentavam perigos na mata para transportar gado e trazer informações; Rasgando do Rio Grande do Sul a São Paulo, iam povoando os sertões. Rota perigosa mas necessária, pioneiramente pelos biribas eram vencidas, A alimentação com feijão tropeiro, suas energias eram restabelecidas. Depois com o progresso, vieram a marcha do café e o avanço da ferrovia. Aí então, a atividade tropeira, para a história dos Campos Gerais entraria. Grande contribuição sócio-econômia e histórica, é hoje os Campos Gerais, Especialmente para o Estado do Paraná e suas populações regionais; No teu seio, alimenta-se os modernos sesmeiros, tropeiros por tradição. Trezentos anos de conquistas, essa terra, com sorte, a esse povo pertence, E assim, com toda glória e orgulho, gritem: Campos Gerais Terra da Gente. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CAMPOS DO JORDÃO EM JULHO Campos do Jordão naquele frio de julho, amor e chocolate aquecerão o meu coração. No concerto do Festival de Inverno, eu juro, encontrar um romance numa clássica canção. Até mesmo escalando a exótica Pedra do Baú ou percorrendo pelas Trilhas das Bromélias. Seja de Maria-Fumaça recordando o Trem Azul ou a cavalo galopando por estradas de terra. Seja no Teleférico até o Morro do Elefante ou admirando suas Duchas de Pratas nas serras, só quero conhecer alguém, formosa e elegante. Que seja do Portal até a charmosa Capivari, em Campos do Jordão em julho, nas férias, juro encontrar o meu amor passeando por ali. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X BUENO DE ANDRADA Se quiser ver um tradicional distrito conheça um lugar no interior. É muito pequeno... porém enorme de simpatia, carisma e amor. Tem sossego e sono tranquilo, com muito silêncio e pouco motor. Tem a igreja lá da praça, e paredes com arandelas e jardins em flor. Tem a estação férrea e deserta que não se encontra por aqui. E o trilhar manso do trem noturno, forte cargueiro, que passa por ali. Aliás, não mais tão deserta, pois a ?Itaquerê?, foi reformada à altura. E agora abriga a Polícia Militar, o Cartório e a Subprefeitura. Tem casas simples e arrumadas, com bolo de fubá e café a coar. E os moradores que cedo se recolhem para o jantar, o prosear... e o deitar. E esse interior, não é só mais um distrito, é um cantinho paulista especial... Nele tem uma simples e bela pracinha, a enfeitar sua alameda central. Tem até uma ?atração turística? para se saborear suas coxinhas douradas. Se quiser ver, é só passear e conhecer o belo distrito de Bueno de Andrada. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ARARAQUARA Araraquara! Você é a maior das maiores... Em você passei toda minha infância; Em você passei toda minha adolescência; Em você fez parte a minha . Amigos aos montes. Amores e desamores acrescentaram ao meu viver. Hoje você é tomada pelo progresso. Arquitetura coroada pelo sol e estrutura trilhada pela ferrovia, os quais de você, fizeram sua morada e nossa gloriosa Ferroviária. Você é tudo o que se pode dizer de uma grande cidade. E não só pelo tamanho, mas também pela sua grande amizade. Enfim, você é linda! E, se um dia eu precisar ficar longe de ti, não vá se preocupar, pois meu coração sempre encontrará razões para voltar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VIAGEM Uma semana falta; falta uma semana para as roupas serem arrumadas; arrumadas na mala e partir; partir novamente para voltar; o voltar tão triste, triste por ter que deixar. Feliz é a partida; a partida tão esperada; na estação à espera do trem, do trem que quebra as cidades do interior; as cidades que passam; passam mas ficam; ficam no olhar, na saudade e no calor. A chegada alegre; alegre é a chegada; chegada que fica por algum tempo... O tempo de amar o amor que está sempre a esperar; tempo que se acaba; acaba na hora de retornar. Lágrimas pelo interior; interior são as lágrimas; lágrimas na hora de voltar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X UMA MUDANÇA DE VIDA Dezenove anos em Araraquara, a vida, a família, os amigos; tudo me cercava, o sorriso e a alegria. Viagens à Capital, coisas que me fascinavam; o tempo a esperar, o trem que chegava... e eu que embarcava. E lá ia eu, novamente à minha querida e tão sonhada São Paulo... Eram férias! O trem que quebra as cidades, as cidades que ficam, ficam no pensamento. A alegria no peito, a chegada tão sonhada, a saudade devorada, momentos marcantes na ida. Fim de férias... Tristeza no coração. Lágrimas pela distância, distância a retornar, feliz era a ida, lágrimas ao voltar. A vontade e a necessidade de um dia mudar de vida, uma vida nova em São Paulo, me fizera pensar, lutar e conseguir um dia realizar um velho sonho... Trabalhar, amar e me estabilizar na Capital. Hoje, há anos me vejo feliz, e mais feliz ainda de saber que em certos dias me vejo dentro de trens, quebrando as cidades e a saudade matando, voltando a velha cidade natal. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SEXTA NA RODOVIÁRIA Hoje é sexta-feira! Dia de alegria na rodoviária. Felicidade de quem vem; felicidade de quem vai. Mãe que abraça o filho; filha que abraça o pai. Coração que fica bem; coração que fica em paz. Gente que chega amando; gente que parte sonhando. Pessoas que vão e que vem; breve adeus, mas tudo bem! Namorada na ânsia espera; namorado que acena na janela. Planos para o fim de semana; festa para quem se ama. Hoje é sexta-feira! Dia de alegria na rodoviária. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PANE Quando vi um avião espelhado em seus olhos, percebi o paraíso fugindo de trás de mim. Sonhos..., roupas..., beijos...; tudo arrumado - ou desarrumado - em uma só bagagem; compactado nosso fim. E não adiantava o desespero. Não mais apelei, pois no brilho dos seus olhos, estava clara sua intenção: Partir! Decolar para novos ares; aterrizar em outro aeroporto; voar...; fugir deste céu por aventura, por simples emoção. Quando vi um avião espelhado em seus olhos, percebi em sua nova rota, total falta de razão. Sonhos...; planos de felicidades...; tudo você levou, sem se importar que esse voo, causaria pane em meu coração. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NAQUELA ESTAÇÃO Naquela estação eu vi você partir desfazendo sonhos num aceno, levando na bagagem, meu passado... minha ilusão. Você partiu para novas estações, e o meu coração, ao compasso do relógio, ficou pulsando em minhas mãos. Hoje retorno naquela plataforma para aspirar sua ausência; para sorver o ferro queimado e ouvir o apito da composição. Pois sei que agora, só o cheiro e o som daquele lugar, me traz de volta a sua presença... daquele dia... naquela estação. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CHEGADA Passa rasgando as cidades... Ficam o olhar e as imagens. Na cabeça uma só pessoa, no coração uma só paixão, na visão um só rosto... A distância amiga da tensão. E em seus olhos o brilho de uma emoção. E na esperada chegada... o amor - uma só razão. A distância amiga dessa saudade, saudade que causa a nossa dor. E nas lágrimas uma grande alegria, e nessa alegria, nosso grande amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X BREVE ADEUS Uma lágrima rolou de sua face e meus olhos se encharcaram... Um aceno ao horizonte e as lágrimas aumentaram... Mais um breve adeus em nossa despedida e a distância nos maltratava. Mais um breve adeus em nossa rotina e a saudade era o que restava. Mais um breve adeus em nosso amor e os sonhos nos consolavam. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ÂNSIA A espera é estrutura tomada de ânsia, da intensa ânsia de se imaginar. A ânsia é lágrima parada no peito, num louco jeito de se esperar chegar. A chegada é alegria no peito, da morte da louca ânsia da espera para poder te amar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X FELIZES PARA SEMPRE Doces tempos que passamos, pertinhos só nós dois. Hoje somos eu e você, apaixonados como vê. Doces tempos nos amamos e até hoje nos curtimos. Casadinhos tão novinhos, juntinhos como vê. Doces tempos que sonhamos, hoje nos realizamos. Somos apenas um somente, amantes eternamente. Doces tempos que se passam, nos amamos loucamente. Juntinhos eu e você, felizes para sempre. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CASAR Você veio de um mundo tão distante, me mudar o rumo e me fazer feliz. Você que era tão estranha quando eu nem sonhava em te querer. Hoje você faz parte da minha vida, é uma metade de tudo em mim. Hoje navego alguns instantes meus para de longe pensar em seu pensamento. Sei que amanhã o seu sonho é me levar seja como for para um altar. Sei que você dedica sua vida a mim. Sei do seu amar... Sei do seu sonho em comigo se casar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X BODAS DE OURO E de repente novamente vocês dois... Pelos mesmos degraus que de mármore hoje se transformou em ouro. O branco que há 50 anos era algo de atenção em um vestido de noiva, hoje se faz presente em seus cabelos. O brilho das novas alianças vem mostrar, que desse novo casamento, nada mais a brotar, apenas a colher. Colher alegrias de seus filhos que continuarão o que foi começado há 50 anos. 50 anos de caminhos difíceis e duros, que só mesmo a força de vocês, sagrados heróis, conseguiriam transpor. Permita-nos que provamos desse vinho, esse vinho que contém o segredo de uma vida. Permita-nos que utilizemos dessa experiência, experiência que tanto precisaremos para prosseguir. Permita-nos que ajoelhamos a seus pés, seus filhos queridos e amados, e novamente por vocês sejamos abençoados. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ANTES QUE SEJA TARDE Antes que seja tarde seria melhor nos tocarmos como antes ? apaixonados como sempre. Alimentar nosso amor recolhido... faminto, mas que ainda está aqui ? esquecido entre a gente. Para que o sol nunca se vá e nossa vida não mergulhe em trevas e tédio ? e acabe em solidão. Que nunca seja vergonha reviver as carícias, os beijos e o passear ? o pegar nas mãos. Para que o sol nunca se vá seria melhor sentirmos nossa pele ? nos amarmos facilmente. Fomentar desse nosso amor o coração e o corpo, sentir êxtase ? nos acharmos diariamente. Antes que seja tarde e nossa vida não tenha risos e nem mais vaidade ? somente saudade. Que nunca esteja ausente o amor ? mas sempre presente, e que dure até a terceira idade ? e eternamente. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ÁLBUM DE CASAMENTO Nesta manhã resolvi abrir e folhear nosso álbum de casamento... mais uma vez. Olhar para as alegrias dos nossos olhos e matar saudades naquelas fotos... chorar talvez. E veja só que doce e suntuoso brilho em seu maravilhoso olhar... de pura emoção. A beleza original da primavera no auge de sua flor e meiga idade... ainda em botão. Olha só aqueles ternos dos padrinhos, a bata do padre, os vestidos das madrinhas... que nuance! Figurantes em nossa longa história de romance. E olha só a Igreja... Tanta decoração... flores, fitas, laços... quantas pessoas que não vimos mais... nem em foto e nem pela cidade (como estariam?). E nem tampouco soubemos da vida daqueles ?apaixonados? casais (ainda se amariam?). E a festa então, tanta gente feliz com a nossa história de amor... E naquela tradicional cena de braços entrelaçados, brindávamos com as taças de champanhe, em volta do bolo (enfeite de coco), a felicidade daquele sagrado matrimônio. Olha só os noivinhos! Como cresceram!... Os nossos pais... tão felizes! E os nossos tios, tias, vizinhos, amigos... desapareceram...? E olha só que praia maravilhosa! O guarda-sol colorido, os espetinhos de camarão, a caipirinha, o calor e o anil do céu. E olha só que belos corpos e roupas de banho, naquela dulcíssima lua de mel. Quantos anos e cenas de nossa história guardados neste álbum de casamento. Amor de Fotonovelas... Nossos cabelos... Ah, os nossos cabelos, brancos como o alvo vestido de noiva. Páginas amarelas... Hoje nada é mais igual... tantas saudades!... Mas por que tantas saudades se ainda estamos aqui, juntos, olhando para essas emotivas imagens... Será que nada mais é igual em nossa vida como os sorrisos estampados nessas lindas fotos? Nesses felizes (e eternos) momentos? Ah! Existe uma coisa que não mudou e nem envelheceu neste álbum de casamento... Aquele brilho em nosso olhar... em seu olhar, que ainda reflete o jovem espírito dentro de nós... Brilho que nunca se perdeu, nunca se apagou (que por você me fez, e muito, me apaixonar). O espírito do amor que não envelhece jamais... E que até aqui , esteve presente por todo canto, nos lembrando dia-a-dia, e sempre mais, porque viemos a nos amar eternamente - e tanto. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SONETO DE DEUS AO POETA O poeta quando se arma com caneta e papel, sua alma sai a procura de palavras pelo céu. Esta é a única explicação que se pode dar para os belos versos em seus poemas encaixar. O poeta tem pacto com Deus, o Nosso Senhor, que o abençoa com letras de paixão, paz e amor. Está aí a razão pela qual o poeta é um ser diferente, recebe a missão divina de escrever eternamente. O poeta conhece todos os caminhos das emoções, pois quando sua alma sai ao encontro de Deus... O Senhor lhe ensina os segredos dos corações. O poeta quando inspirado, busca Deus para um dueto, mas nesta prosa, não foi o poeta quem teve inspiração... Foi Deus quem ditou ao poeta os versos deste soneto. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O POETA E A CANETA Se acaso o poeta não escrever hoje, por favor... Não se incomode! Continue sua vida com seus amores e dissabores, com suas alegrias e suas dores. É que às vezes o poeta e a caneta não se entendem... E por mais que os versos estejam lá, aflorando para se libertarem, a caneta insiste em não querer amar. Nesses dias, a caneta parece um amor platônico do poeta... Ela ignora totalmente a existência dos versos. Mas o poeta que a ama, apanha-a e tenta escrevê-los. E o poeta é teimoso, porque necessita respirar... E poesia é o seu oxigênio, e precisa de ser exalada. A caneta é forte, mas as letras do poeta cativam e ficam. Ficam no papel e chegam até no azul do céu. Nem que for uma só palavra salva no ar, para um futuro poema... quando então a paz entre o poeta e a caneta retornar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O POETA O poeta é um alucinado em suas memórias. É um elo de amor em suas histórias. É um apaixonado que busca em suas poesias a solução de uma agonia. É um herói que a tristeza em uma folha destrói. Renasce com o nascimento de uma nova poesia. É um amante das madrugadas, é um solitário de certas jornadas. É um defensor da paz, com o pensamento sempre a voar. É um procurador de sentimentos e palavras para em seus versos encaixar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ZEBRA Zebra entenda que não é nada pessoal, pois a gente te adora e te ama! É que você se torna engraçada, parecendo cavalo vestido de pijama. Zebra não leva a mal! É que você sendo ?Zebra?, se mete até no futebol. Meu time é sempre o melhor e o favorito, mas quando você está por perto, meu time perde. O placar é esquisito!?... Zebra, Cavalo de pijama..., sei lá...! Afinal, é você preta com listras brancas, ou é você branca com listras pretas? Deixa prá lá...! Só entenda que não é nada pessoal, mas aceite este conselho: Pare de pintar na nossa paixão nacional! Tire o disfarce! Aliás, com este uniforme, vai dar mesmo Zebra ? pra você! Vão te confundir com presidiária e levá-la de vez para um xadrez. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X XARÉU Xaréu! Como pode um peixe vivo viver fora das águas do mar? Não pode. Portanto muita atenção pelo oceano afora; a isca está ao fundo, por aí, e ao seu leve toque o pescador te devora. Você não pode viver fora das águas salinas Xaréu. Peixe vivo como você, percebe a linha e até o carretel. Olho na isca. Peixe vivo como você Xaréu, só vive fora das águas, se for para o céu. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VAGA-LUME Vaga-Lume lume lume, ilumine o menino que te aprisionou no vidrinho. Este menino acreditou na crença em que prendê-lo, sorte a ele você traria, e após soltá-lo Sr. Vaga-Lume, seu voo em direção a um tesouro, o levaria. Vaga-Lume lume lume, ensine o menino sobre a vida e amar ? fugir da serpente que devora, só pra não te ver brilhar. Pisca-pisca em seu coração, e voe neste balé aéreo em busca da ?luz verde? que lhe chame a atenção. Vaga-Lume lume lume, seu lume o menino vai adotar, e com sorte não o confundirá com as ?luzes da cidade?... E quando seu voo cessar e você pousar, ali estará para o menino-homem, um porto seguro ? a mulher, o verdadeiro tesouro de sua felicidade. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X URSO Urso você é como criança. E em minha infância sem astúcia, brincava de ciranda. Com você nas mãos ? meu amigo de pelúcia. Pudera voltar àquela era - assistir desenhos, ver Zé Colméia. Não existir esta vida ? drama de novela. Ou também ser você ? animal. Brincar nos rios e ter o céu, comer salmão e provar o sabor virgem do mel. Desmistificar seu abraço de Urso ? abraço leal. Trazer essa inocência para o mundo real. Talvez ser você ? brinquedo. Sem astúcia, dançar ciranda. Estar nas mãos de uma criança que me chame de amigo ? meu amigo Panda. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TAMANDUÁ-BANDEIRA Tamanduá-Bandeira o que é que há? Não te vejo mais desfraldado por aqui e nem pelos confins. Nem te vejo mais com seu focinho a procurar formigas e cupins. Não te vejo mais a tremular sob o nosso céu azul anil. Nem te vejo mais feliz pelos campos e cerrados do Brasil. É Tamanduá, já sei o que é que há: ?Eles? desprezam o país e a vida, e estão acabando com o seu habitat, e se você der bandeira por aí, irão de vez arriá-la. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SAPO Sapo danado e cantor, quer no brejo ou na lagoa. Quando vê a Rã ? seu amor, pega a viola e canta à toa. Sapo safado também é compositor, quer no brejo ou na lagoa. Quando vê a Perereca ? seu outro amor, compõe música e coaxa à toa. Sapo cínico se faz de ator. Quando vê a Sapa ? sua namorada, disfarça lhe oferecendo uma flor. Sapo ?Don Juan? acalmou-se neste soneto, pois sua namorada ? a Sapa, aceitou a flor, mas propôs-lhe dueto. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X RAPOSA Raposa astuta e ligeira, caçadora e trapaceira. Se esconde no mato aguardando a noite chegar. E quando cai a noite, sai da toca para caçar. Astuta, invade o galinheiro até as galinhas cocorocar. Volta ligeira para o mato esperando o caçador lhe procurar. Esperta volta ao galinheiro para as galinhas caçar... E quando o caçador retorna, percebe a trapaça que a Raposa veio lhe pregar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X QUATI Quati estava sendo perseguido e caçado e corria desesperado pelo interior da mata. Quando encontrou um outro Quati amoitado contando a ele que havia caído numa cilada. Então o seu companheiro espichou o rabo e tratou de pensar rápido em uma solução. Pois também corria perigo real e imediato vendo o caçador chegar com a arma na mão. Reuniram-se então com o restante do bando e decidiram se esconder no alto do jatobeiro. Porém o velho caçador experiente e malandro, logo percebeu naquela árvore um guincheiro. Apontou sua espingarda para aquela direção e atirou a esmo para derrubar algum bicho dali. No disparo, toda a quatizada caíram ao chão, deixando o caçador orgulhoso a festejar por ali. Entusiasmado o caçador correu para o local e surpreso viu que também caíra numa cilada. Os Quatis haviam desaparecidos no matagal, deixando o predador sem caça a virar piada. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PERU Peru andava muito orgulhoso pelo quintal, pois era a maior das aves daquele terreiro. Sentia-se também o mais belo, esperto e genial, além de ser o mais forte e encrenqueiro. O Galo bem cedo despertava e feliz cantava, cocorocando o início da aurora do novo dia. Mas o Glu Glu do Peru, o canto do Galo abafava, e ainda suas enormes asas batia e as exibia. Andava mesmo poderoso, imponente e metido, declarando que era o grande líder do pedaço. Já o pobre do Marreco nem nadava de abatido, e a Galinha D'Angola justificava: - ?tô fraco, tô fraco?... Dizia o Peru que aquele terreiro ? fundo de quintal, era apertado demais para toda sua nobreza, e que para ele, um gigante castelo, é que seria ideal, pois era digno de longa vida e de toda realeza. Descobriu-se então que o ?espertalhão? do Peru, estava impaciente porque se aproximava o natal, e queria ele ? neste dia ? com seu famoso Glu Glu, subir na mesa e discursar a todos que era uma ave real. Chegou o dia do natal e sentiu-se falta do Peru, e então, pasmados, todos olharam para a mesa! Lá estava ele ? vistoso e enfeitado ? sem o Glu Glu... Morreu na véspera ? com toda sua esperteza. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ONÇA PINTADA Onça Pintada muito cuidado na mata. Pise mansamente sobre a folha certa, pois a cachorrada só de susto não mata, mas o tiro da espingarda é que te acerta. Não pinte sua cara à toa pela mata. Escolha a árvore certa para se abrigar, que atrás da cachorrada está quem te mata, fazendo cachorrada para com você acabar. Só pinte camuflada na moldura da mata que a natureza está para lhe proteger - e o caçador só te mata para sua pele vender. Onça Pintada ande sempre camuflada na mata, nunca deixando marca de sua pegada ? e não venha você existir em moldura ? somente pintada. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NAJA Naja tu és agora a serpente encantada que se hipnotiza ao ouvir o som da flauta. Mas já foi astuta serpente que enfeitiçava, que no jardim enganou a mulher incauta. Por causa de sua ardileza, mentira e lábia, Deus nunca mais dará voz e asas à cobra. E hoje você paga muito caro se rastejando, por tentar acabar com a Sua sagrada obra. Porém a Sua obra foi tão formosa e genial, que perdura por entre os séculos e séculos, a vencer através do bem, toda a ira do mal. E caso você ainda não saiba Naja serpente, Ele deu a sabedoria ao homem e a mulher, para que no Éden, se amem eternamente. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MICO-LEÃO Mico-Leão é macaco pequeno que não se importa de ser o tal. Com sua juba e seu corpo dourado, faz sucesso na América Tropical. De galho em galho, pula e brinca ao vento. E quando vê alguém, não se inibe em mostrar seu talento. Parece criança em casa quando chega visita... Pula, faz graça ? mostra os dentes, imita risada. É bicho inocente que gosta da gente, e nos tem admiração... É bicho-criança que acreditou na visita do bicho-homem em sua casa, e por isso hoje está quase em extinção. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X LEÃO Leão! Leão! Tu era o rei da criação!!! Pois saiba que na selva, você não é o mais valentão! Existe um animal mais valente que mereceria sua juba e sua glória, sua fama e sua história. E você Leão, para se equiparar a esse outro animal, precisaria de sua inteligência, poder e ardor, ser mais fera e caçador. Se toque ?Rei Leão?! Entregue seu trono e coroa a sua companheira Leoa. Ela sim é fera, forte e caçadora! Tem da mãe o amor e da mulher a paixão, merecendo portanto a coroa de rei e rainha da criação. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X JABUTI Jabuti, você por aqui? Que coisa engraçada, ainda ontem, longe te vi. Estava caminhando pela cidade procurando uma casa, e ao te ver, senti inveja de ti. Você que é feliz! Eu vivo em correria e não sou dono nem do meu nariz. Você anda tão devagar, mas está sempre por aí!... Sem se preocupar com plano habitacional, financiamento, aluguel e despejo. Isso que é vida! Sem correria e, ainda assim, dono de sua casinha, pois seu lar taí, é a sua casquinha. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X IGUANA Iguana! Iguana! Iguana! Estás nos braços de quem te ama! Veja só o ríspido do jacaré! É réptil tal qual você, mas é como o homem bruto, quando o pressentimos, o melhor é dar no pé. Bobos eles! Não sabem o quanto é bom um cafuné. Ser acariciado por quem te ama, da cabeça aos pés. Iguana! Iguana! Iguana! Também te ama e não te engana! E veja só o seu primo lagarto! É arisco sem qualquer argumento. É como o homem tímido, quando tentamos nos aproximar, foge rápido como o vento. Que pena! Não sabem eles o quanto é bom carinho e calor. Estar nos braços de quem te ama, recebendo todo afeto e amor. Que bom se todos os seres fossem como você Iguana! Descobrissem o quanto é bom e saudável amar... e estar nos braços de quem te ama. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X HIPOPÓTAMO Hipopótamo é gordo e engraçado! Quando pula nos rios e nada, pula fora quase toda água e também toda bicharada. Aí, orgulhoso e imponente, vai escancarando sua boca larga se exibindo galantemente. Vaidosa a Hipopótama fica contente. Escancara também sua boca de caçapa, mostrando seu grande par de dentes. Que coisa engraçada! Hipopótama pode ser uma Baleia, mas seu namorado não a chama de gorda e feia. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X GIRAFA Girafa sentinela da mata! Gire seu pescoço e avise se continua a calma por aí. Aqui em baixo em paz está o Quati, e seguro em casa o Jabuti. A harmonia reina na selva, mas não desligue suas antenas, pois os bichos brincam na relva, inclusive os Leões e as Hienas. Portanto alerta na vigia, que até a Onça bebe água ao lado da Cutia. Não vacile na guarda, pois tranquilo surfa o Pato nas costas do Jacaré. Gire o pescoço para retaguarda para que aquele bicho não te traia, e tenha você que abandonar o posto e dar no pé. Avise a bicharada que neste mundo há vida e paz por aqui! Mas avise do perigo de morte e guerra, se ver o homem por aí! Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X FURÃO Furão agora é o cara! Legal o dia inteiro; brinca e não pára... É um rapaz bagunceiro. Está sempre alerta! Parece escoteiro. Amigo na hora certa; é um bom companheiro. Anda até de coleira tal qual um cachorrinho. Faz pouca sujeira; é fofo como um gatinho. Atende quando chamado, parece bombeiro. É muito apegado ao seu dono parceiro. Furão agora é o bicho! - e não é furão. Tenha você capricho com o novo amigo de estimação. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ELEFANTE Elefante você é tão fofo e gigante que estando na floresta ou no circo, as pessoas te admiram a todo instante. Quisera eu ser tão significante, não precisaria sequer fazer dieta, e mesmo assim, seria igual a você, gordo, fofo e elegante. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DROMEDÁRIO Dromedário parece em tudo com o camelo, mas é diferente no lombo ? seu assento. O Dromedário com só uma corcova é desajeitado e o Camelo com duas, parece um aposento. Passa vários dias no deserto sem água beber. É resistente contra o sol, o calor e o vento. Só pára quando o viajante quer descer, pois retém alimento e água por muito tempo. Conhece todos os caminhos e montes pelo deserto. Enfrenta até frio e tempestade de areia, sem desviar a viagem do destino certo. Se precisar, anda dia e noite, daqui acolá... E se o viajante sonhar, será levado a um passeio pelas fantasias das mil e uma noites em Bagdá. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CORUJA Coruja é bela ou feia? Tola ou inteligente? Acho que é bela e tola, pois voa à noite formosa, mas quase não se mostra porque de dia fica escondida em sua toca. Acho eu que é feia e inteligente, pois só voa à noite pra não assustar a gente. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X BALEIA Baleia é a rainha do mar! É grande, formosa, e desliza tranquila a navegar. Soberana há mais de milhões de anos..., navega calma pelos oceanos. Mas quando brinca de pular, seu peso e seu tamanho, agitam as águas, formando as ondas do mar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ANTA Anta a sua cauda é curta e o seu focinho uma trombinha. E com seu tamanho e sua graça, você fica muito mais fofinha. Habita a floresta amazônica, o cerrado e o pantanal. E entre os mamíferos do nosso país, é o maior animal. Se vivesse na selva africana apenas os leões te notaria, mas como é ?inteligente?, vive no Brasil, e ainda empresta seu nome a muita gente. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VOCÊ E EU Se você ainda pretende ser mais você, além de todos os obstáculos, basta somente esquecer o passado e começar a viver o presente. Nele você poderá começar uma nova vida; linda, graciosa e charmosa, poderá se transformar até mesmo em vaidosa. Se você realmente pretende ser mais você, ame também as flores, nunca se esquecendo de lembrar de mim, pois eu fiz parte de sua vida e o único que te ofereceu pétalas e amor. Se você agora é mais você, falta apenas me amar para eu também ser mais eu e juntos sermos você e eu. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VÍTIMAS DO AMOR Naquele dia em que a conheci, vi o sol nascer mais belo; eram os teus olhos que brilhavam fazendo uma nova vítima do amor. Quem me dera que nunca existisse aquele dia em que me apresentei à você. Fiquei gamado e ligado em seus traços; mau sabia eu que esses traços eram falsos e também muito usados em seus antigos amores; agora você me deixou aqui, te amando, te chamando, te procurando. Isso foi há tempos, e eu me lembro como se fosse há apenas uma semana em que aquele dia viera a cair em meu destino. E agora estou aqui, como seus outros amores sofrendo por você, e triste, em saber que pelos dias afora, você continua a fazer novas vítimas de seu amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VIDRAÇA Mais uma tarde de chuva cruza o meu caminho. Mais uma visão da cidade deságua em minha tarde. Vejo em cada gota o brilho dos seus olhos. Dos meus olhos escorrem gotas de lágrimas por não possuírem os seus. Passo a mão na vidraça embaçada e vejo a chuva caindo em seu bairro e imagino... Imagino você olhando para o céu a me procurar. Imagino uma gota escorrendo em sua vidraça e você passando a mão sem poder pegar. Como essa gota me sinto assim, atrás de uma vidraça, te amando, sem poder lhe tocar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VAZIO Além de tudo..., a paciência acima de tudo. O tempo a passar... Tempos passados e deixados. O futuro e a época que demora a chegar. O vazio que enche um corpo, um pensamento, um coração. O vazio de um olhar afogado em lágrimas de esperar. A tristeza..., a corrente do tempo que vai passando e cicatrizando os momentos de ir embora. O vazio de estar longe. O vazio de estar perto e ter que partir. O vazio de amar e somente namorar. O vazio de estar longe e se encher de pensamentos e sonhos... O vazio de não poder estar a todo momento com você. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X UMA CANÇÃO PARA VOCÊ Da poesia fiz um poema... Do poema fiz uma canção. Tudo estava confuso em minha cabeça. Você apareceu em minha vida e mudou todo o sistema. Uma nova esperança em meus olhos nasceram. Você me mostrou o outro lado do ser. Um ser mais vivente com desejo de desejar e ser desejado. A felicidade novamente dominava dois corpos que se uniam para uma vida eterna. Para você fiz uma canção... De você fiz o meu coração. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X UM DIA APENAS Um lugar lindo! Um bom motivo para ler... Um pensamento, um livro, um verso pra me convencer. Um dia apenas! Uma vontade de te ver... Uma folha, um poema, um sentimento que se vê. Uma tarde livre! Um motivo para escrever... Um sorriso, uma saudade, uma poesia que me traz você. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ...TUDO ACABOU, SEM NADA COMEÇAR Agora que estou só, vivendo este momento cada vez mais torturante, ainda restam forças para pensar em você, para chorar por você. O quarto também chora por me ver chorar. Quantas saudades, quantas felicidades poderíamos viver... Mas é isto mesmo! ...Tudo acabou, sem nada começar. Apenas a ilusão restou. A lágrima na minha face, tudo parece estar triste, tudo no quarto me entende, menos as pessoas, menos você que não quis me entender. Quantos serão os momentos que me restam apenas para cumprir?... Quantas lágrimas ainda? Quanto sofrer ainda? Não resta mais nada! ...Tudo acabou, sem nada começar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TRANSMISSÃO Se um dia lembrar de mim pode saber que não será por acaso que esta lembrança chegou até você. É o meio de me comunicar indiretamente contigo simplesmente pelo fato de te amar. Talvez todo o meu pensar esteja anexado junto aos caminhos que você percorre. As árvores, as casas, os trajetos que fazem parte de sua vida e sua história. Aquela folha que o vento levou e te despertou, é o papel da poesia que um dia nos encantou. Aquela árvore no jardim daquela casa de esquina, um dia estivemos ali parados e você me amou. Todos esses caminhos, todos esses trajetos um dia juntos percorremos. Essas lembranças que de longe estou lhe transmitindo, é porque tudo o que penso tem você, tudo ao meu redor ainda é você. Embora sem estarmos juntos, amamo-nos em pensamento porque em nossas cabeças e em nossas lembranças, se encontra arquivada a nossa história de amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TEMPO INFIEL Oh! Tempo que me fizestes sofrer! Fizera eu perder a liberdade bem antes de conhecer meu amor. Por que me traíste? Oh! Tempo infiel que não me deu tempo para viver, para experimentar, para poder escolher. Por que não me esperaste? Oh! Tempo vagaroso, tivestes mostrado ela antes de tudo, tudo o que hoje tenho sem ter o coração dela. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TÃO PERTO, MAS...TÃO LONGE Neste momento já tarde da noite, estou pensado em você e fico pensando: Será que você também está pensando em mim? É claro que não! Sou eu que te conheço, você não me conhece. Você está sendo amada sem saber ou sem querer. Por que será que a gente ama sem ser amado? Será que é uma ilusão? Pode ser... Mas tenho esperanças que não seja. Hei de amar e ser amado. Eu sei quando você souber que te amo, você se entregará aos meus braços, ou então nunca mais gostarei de quem não gosta de mim. Eu te gosto muito, tá sabendo?... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SUA BOCA Pensei estar admirando os arredores de Bakersfield e olha que muito distante da Califórnia me achava. Pensei só sentir na pele do pêssego tamanha maciez e olha que bem longe de beijá-la eu me encontrava. Pensei olhar os lindos contornos das ondas do mar e sequer andava pela bela Copacabana ou Ipanema. Pensei somente conter o açúcar no mel e no manjar e sequer me via próximo a provar tão doce morena. Pensei estar guardando o oriente do jardim do Éden e olha que até sonhei que o paraíso fosse seus lábios. Pensei até em ser Querubim, só para poder tocá-los... Pensei ver todas as maravilhas reunidas e mais além e sequer sonhava em viajar de uma forma tão afoita. Pensei até em ser invisível, só para beijar sua boca... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SILHUETA Os seus cabelos naturais que ao refletir do sol mostra a silhueta do seu rosto... Tudo perfeito! Os seus olhos e nariz, sua boca e seu perfil, tudo é lindo, tudo é anil. O sol que queima o seu lindo corpo de mulher, sua bela silhueta no horizonte vai mostrar. A sombra dos seus cabelos, aos meus pés irá chegar. E eu correndo até você, um abraço irei lhe dar. E a nossa bela silhueta, para sempre, no infinito irá brilhar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X REDESCOBRIU ELA Foi então que descobriu que só nela é que se achava. Tentou e saiu a procurar aventuras, aventuras que lhe enganaram e que lhe despertaram. Em cada rosto que via, uma experiência a mais lhe servia. Em cada mulher que saía, cada vez mais a queria. O olhar de perto, a paixão ardia. Meninas novas, na vida já se perdiam. E então ele imaginava como há tempos atrás... Era ela quem lhe amava, era ela quem por ele chorava. E foi assim que redescobriu ela, e mais uma vez seu coração era somente dela. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X RECEITA DE AMOR Como é gostoso saber que a gente está amando alguém, mesmo que você não tenha esse amor tão perto como desejaria ter... A sensação é gostosa e acontece sem a gente querer... E quando nos damos por si já estamos delirando, alimentando esperanças e fazendo do máximo problema se transformar em mínimo. A noite é só um pensar, na ilusão desse seu amor estar... Pelas ruas passear e sozinho cantar... As pessoas que estão por fora nunca poderiam entender. Experimente esta receita de amor... Unte os ingredientes e você fará de sua vida o mais belo sabor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X POR QUÊ? Por que cavalgar em sua ternura, se sofro amarguras? Por que ouvir sua voz, se sofro calado? Por que andar em seu rastro, se sou despistado? Por que andar em seu caminho, se tropeço nos espinhos? Por que rir para você, se choro na calada da noite? Por que amar você, se você não me ama? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X POR DE TRÁS Se você pensa que pode fazer de mim um escravo de seu sorriso está muito enganada... Por de trás de seus olhos, existe uma serpente pronta a envenenar a qualquer um. Por de trás de sua boca, existe uma substância pronta a entorpecer os mais fracos. Por de trás de seu coração, existem nuvens escuras a querer passar por cima das pessoas. Por de trás de seu ser, existe uma grande falsidade pronta a enganar os mais tolos. Por de trás de seu pensamento, existirá sempre um grande vazio. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PERPÉTUA FIDELIDADE Você não deveria existir, mas se existe, quero somente eu te possuir. Queria branca e guardada para o meu corpo. Queria branca e intocada para os meus anseios. Seria capaz de voltar o tempo e te recomeçar para a vida. Seria capaz de acompanhar todo seu desenvolvimento e ao seu lado estar por todo momento. O mistério esconde segredos impossíveis de rever, quem ama assim como eu, sofre por desconhecer. E assim, vivo amando você, te prometendo perpétua fidelidade. E se os meus olhos ignoraram seu itinerário, que seja para mim, por todo seu corpo e pensamento, mesmo depois de eu morrer, fiel até o dia de seu calvário. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PERFEITA PERFEIÇÃO O que é o amor senão a busca da perfeita perfeição? O que é o amor senão a procura de pequenas paixões? Como amar alguém que não tem como fundamental a beleza? Como conhecer alguém para amar se ao menos desperta a paixão? Conheci você porque em mim foi despertada a paixão de poder te amar. Conheci você porque em você o fundamental estava presente. Aí vem a razão de pequenas paixões existentes no coração. Aí vem a importância de nossa perfeita perfeição. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PENSANDO Meu pensamento voa feito um pássaro. Meu coração ama feito um cupido. Meus olhos enxergam feitos uma coruja. Meu tempo passa como um forte vento. Minha vida acaba feita uma folha morta. Meu pensamento voou procurando você. Meu coração amou sem saber de você. Meu olhos enxergaram mas não viram você. Meu tempo passou sempre sem você. Minha vida acabou sem ter você... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PALAVRAS - Quando você vai dizer que me ama? - Olha! Eu namorei uma garota, gostei muito dela. Ela era simplesmente tudo o que desejava e acho que ainda tenho uma pequena chama dela dentro de mim, mas no entanto, eu nunca disse que a amava, pois acho que o amor a gente deve mostrar com sentimentos, e não por frases ditas com palavras simplesmente por dizer. - Quando você vai dizer que me ama? - Olha! Eu namorei uma garota, gostei muito dela. Ela era simplesmente tudo o que desejava e acho que ainda tenho uma pequena chama dela dentro de mim, mas no entanto, eu nunca disse que a amava, pois acho que o amor a gente deve mostrar com sentimentos, e não por frases ditas com palavras simplesmente por dizer. - Quando você vai dizer que me ama? - Olha! Eu namorei uma garota, gostei muito dela. Ela era simplesmente tudo o que desejava e acho que ainda tenho uma pequena chama dela dentro de mim, mas no entanto, eu nunca disse que a amava, pois acho que o amor a gente deve mostrar com sentimentos, e não por frases ditas com palavras simplesmente por dizer. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PAIXÃO EM SÃO PAULO O trem partia daquela plataforma e meus olhos seguiam sua linha. Minha mente era o maquinista e para a capital meu coração conduzia. Meu coração saltava nos trilhos onde criava rodas de emoção. E tal qual aquela máquina, trilhava em busca de uma paixão. Passageiros da estação de partida eram amores passageiros, esquecidos em cada ida e vinda, viravam estrangeiros. E o meu coração de carne e aço rasgava mata e cidade, e na ilusão da cidade grande, desembarcou minha felicidade. O trem partiu daquela plataforma e retornou à estação do interior. Meu coração saltou dos trilhos, e em São Paulo encontrou seu amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O QUE É QUE POSSO FAZER? O que é que posso fazer, se não consigo te esquecer? O que é que posso fazer, se você foi a única que soube me aquecer? O que é que posso fazer, se só sei te amar? O que é que posso fazer, se olho para o espelho e vejo a sua imagem? O que é que posso fazer, se na luz das estrelas só consigo ver o brilho de seu rosto? O que é que posso fazer, se caí na armadilha de te olhar, e agora vivo a sonhar em um dia, talvez, você passar a me amar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O OLHAR Os olhares dos que em segredo se amam, se cruzam em um breve espaço de tempo. E quando esses olhos se enxergam, está feita a ligação amorosa num perfeito processo oculto e lento. Aí então, dentro de você, explode em silêncio a emoção! A adrenalina se agita, e a alegria contagia o coração. Numa linha imaginária, entre o seu olhar e o dela, grava-se o caminho do amor que, por alguns instantes, hipnotiza você e ela. Aí então, de dentro de vocês, explode para fora a emoção! Os lábios se chocam e, um visível beijo, quebra o silêncio de uma grande paixão. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O NOSSO AMOR ESTÁ EM CRISE Como um time entra em crise... Como um país entra em crise... O nosso amor está em crise! Não sei o que mais fazer... Já tentei de tudo! Precisamos sair dessa. Quando o meu coração quer, o seu não quer. Quando os seus olhos me fitam os meus não te enxergam. Precisamos sair da crise, não sei como pudemos entrar nela. Quando o meu corpo te chama, o seu me expulsa. Quando o seu amor está no clímax, o meu está num baixo astral. Precisamos sair dessa, não sei como pudemos entrar... Só sei que o nosso amor continua em crise. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O DESPERTAR DE UMA REALIDADE No começo parecia a mesma rotina. Estar longe e pensar, estar perto e voltar. Finalmente o dia chegou, e a rotina se foi. Aqueles pensamentos ficaram, e o sonho acabou. A realidade se despertou e nasceu o amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NOVO HORIZONTE Brilha de novo um novo horizonte desvendando a luz que reluz seus desejos. Tesouro áureo ao fim do arco-íris. Aliança divina que me lança novamente ao êxtase dos primeiros beijos. Horizonte que me recebe leve e solto; experiente, sábio e ex-cativo. Linha tênue entre o ódio e o amor. Equilíbrio necessário que me mantém do lado sonhado por onde vivo. Você, estrela nova descoberta, embora há anos-luz presente na via-láctea. Um novo horizonte reluzido. Espelho na parede do meu coração, a refletir um anjo envolto em auréola. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NOSSO BELO AMOR Meu pensamento está em você! Em tudo que faço penso em você. Antes não era assim... Não sei se foi o sexo ou somente os carinhos que cada vez te quero mais, que cada vez te adoro mais. Eu não sei por que em tudo que faço penso em você...? Imagino suas mãos percorrendo minha face, seus lábios tocarem os meus, nossos corpos se chocarem, você fazendo de tudo para me agradar. Um ser de bondade que Deus me concedeu. A minha vida junto a ti está formada. Por sermos bons a nossa vida será diferente, pois vivemos felizes construindo o seu e o meu sonho, para um dia unirmos e pôr-mos em prática todo esse nosso belo amor. Agora eu sei por que em tudo que faço esqueço o meu pensamento em você... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NOSSO AMOR Nosso amor é uma loucura, o impossível é acabar. Todo mundo nos jura nosso romance matar. A inveja não basta nosso amor é demais. Não olhe para trás, o sexo nos faz retornarmos a paz. Essa vida é assim, assim chegaremos. Viveremos enfim sozinhos nós dois em uma casa à sós. Os obstáculos se passam, o amor vencerá. Nossa vida é assim, juntos até o fim. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NOSSAS BRIGAS Vamos acabar com as brigas, elas não fazem parte de nossas vidas. Vamos aproveitar todo o nosso amor, e se ele existe, por que experimentarmos a dor? Vamos cultivar a semente dessa flor, dessa flor chamada amor, onde suas pétalas se abrem para escrevermos, escrevermos nossas vidas, nossas vidas sem brigas. Vamos acabar com nossas brigas. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NAQUELA CIDADE SEM LUZES Como eu faria para lembrar daquela cidade sem luzes que se acendia quando nos via por ela passar...? Como eu faria para novamente viajar com você naquela cidade sem luzes que agora não mais se acende, porque ela nunca mais nos viu amar...? Como eu faria para te encontrar e na cidade sem luzes te levar, fazendo você esquecer as luzes de sua cidade e seguir o meu caminho que a luz é natural...? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NÃO CHORE NÃO CHORE Não chore se eu disser que vou partir. Não chore se eu disser que o nosso amor acabou, pois o meu amor não foi o bastante para eu poder ficar. Eu não estou matando este amor, ele morreu por si mesmo. Não chore se eu disser que não vou voltar. Não chore se eu disser para esquecer-me, pois eu te amei, mas não foi o bastante para podermos continuar. Eu sei que não seria possível vivermos nós dois a dois. Não chore se eu disser para que você mate as esperanças. Não chore se eu disser que tudo terminou, pois eu preciso de ir, as razões agora estão mortas para eu poder ficar. Eu me despeço... Felicidades, muito amor para você, um beijo e adeus. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NAMORO O tempo se acaba preciso de ir, eu sei que é difícil ter que partir. E nos olhos seus eu vejo a tristeza, que nos olhos meus, acabam com a gente. O beijo na boca revive os momentos que em todo esse dia juntos passamos. E neste vazio que eu vivo agora, agora é a agonia que vive comigo. Espero outro dia para lhe rever, reviver os momentos que nos fazem viver. O beijo na boca nos deixa o sabor que para nós dois é o puro amor. O beijo, o beijo na boca... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MOÇA Moça, você foi uma valiosa pepita para se achar, mergulhada no fundo das águas, encontrada nos longos anos de garimpar. Moça, você foi uma rara pétala para desabrochar, escondida nessa enorme selva de pedras, encontrada num lindo gesto de jardinar. Moça, você é uma grande paixão a me calar, lapidada num breve tempo de se beijar, entregue no meu eterno espaço de te amar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MORENAS , LOIRAS E OUTRAS... Doce paixão a que vivia em outrora, com as morenas, loiras e outras... Pelos bosques da vida corria das ?gabirobas?, que feitas loucas fingiam me oferecer amoras. Os caminhos das morenas surgiram nos verões, grandes amores que acenderam o meu coração. Os caminhos das loiras surgiram nas primaveras, frágeis amores que apagaram como um soprar de velas. Os caminhos das outras surgiram nas fantasias, que usados em pequenas estações, desapareceram nas auroras. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MINHA NAMORADA Jamais irei te esquecer... Tudo em você me faz viver, me faz os momentos para viver. Você que passa suas mãos em meu rosto, que enxuga o meu suor e me dá forças para prosseguir, para prosseguir com força. Você que me acalma naqueles instantes, naqueles instantes que você briga para me defender, me defender por coisas tão simples, tão simples mas que se interessa pelas minhas coisas. Você que me belisca e me assopra a face, assopra a face quando deitado em seus braços, em seus braços que me afagam e me fazem repousar. Você que adora me amar, me ama e comigo compartilha os fracassos e sucessos. Você que às vezes se faz de ruim para poder ser tão boazinha para mim. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MEU ANJO Percebi que o passado esconde mistérios e segredos... Até sei que a vida protelou a nos reapresentar...; esse caso esperado e não foi por falta de sonhar. Li e pensei que pudesse existir somente em sonhos..., algo de sagrado e místico escondidos em um olhar. Descobri, agora que novamente te encontrei, a minha outra metade que não poderei mais deixar. Um amor infinito, preparado e escrito nas estrelas..., suave, leve, e saudoso de sempre te adorar, amar e não mais ter que lhe aguardar. Bastou perceber e sentir sua alma (gêmea), real... e assim, voltar em mim a antiga vaidade. Aproximar-me e ter o espelho frente a frente, e sentir o prazer de narcisar a imagem com felicidade. Com certeza bastou somente a linha de seu olhar..., antena imaginária, para enfim, meu Anjo recordar. Depois lembrei seu sorriso, seu rosto, seu corpo..., e todo seu ser, carisma, simpatia, amar... beijar. Nisso também percebi que bastou o regresso e a saudade, para lembrar que em nossa vida, vagamente, não existiu só viagens e amizade, e sim, um amor original, nosso de verdade. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X LEMBRE-SE DOS ASTROS Lembre-se do sol desvirginando a madrugada. Lembre-se da lua figurando nas poesias. Lembre-se das estrelas piscando nas glórias. Lembre-se da terra perdida no espaço. Lembre-se dos astros e estará lembrando de mim, pois eu moro em um astro. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X LÁGRIMAS PELA DISTÂNCIA Tudo acabou, mas desta vez tudo começou. Novamente tudo certo no começo, mas a instabilidade voltou, voltou talvez pela distância entre dois corpos que no começo foram dois amantes que prometiam remover o impossível. O que levou a este fim? Não sei, só sei que desta vez não derramarei nenhuma lágrima... Pode haver alguma possibilidade se ainda houver aquela chama. Um consolo talvez? Impossível, pois estou tentando reter as minhas lágrimas... Eu a amo, mas passarei a amá-la diferente, pois a instabilidade do amor por enquanto existe. E a distância? Vou parar, neste momento começo a derramar lágrimas... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X INFINITO DO FIM Você me amou, riu e me usou. Levou-me até o infinito do céu... Lá galopamos nas estrelas, nos servimos da lua e fizemos amor nas galáxias. Levou-me até o infinito do mar... Lá navegamos nas ondas, nos servimos dos frutos e trocamos sorrisos na areia. Levou-me até o infinito do fim... Lá me queimei em sua boca, me servi para servir e descobri que você apenas me usou. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X INEXISTÊNCIA Não é preciso estar longe, basta apenas estar perto para você me ignorar. Minha concentração é fortaleza, pois minha ilusão por você é imortal. Minha mente concentra, busca, procura, cansa..., porém não consegue a minha intenção. Minha intenção é seu amor, seu amor que por mim é pura inexistência. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X FICAR SEM VOCÊ Ficar sem você é como ficar uma cabeça sem ter o que pensar. É como ficar um corpo sem outro para abraçar. Ficar sem você é como ficar um pássaro sem asas para voar. É como ficar uma estrela sem as águas do mar. Ficar sem você é como uma noite de luar sem romance para amar. É como um sono sem sonho para sonhar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X FALSO REGRESSO Vou seguir este caminho nesta pequena estrada do destino que agora se transformou em espinhos. Esta estrada que agora molhada pelas minhas lágrimas em rio se transformará. O meu rastro será desmanchado pelos passos de outras pessoas que também seus amores deixaram para trás. Uma única esperança para o meu regresso, seria um mensageiro trazendo uma carta dela e nela escrito: ?Volte meu amor...? E então, esqueceria tudo o que de mau ela havia me feito, voltaria correndo por cima dos espinhos, e nadando sobre minhas lágrimas, me entregaria novamente a falsidade de seu amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X EU TE AMO Quando te vi, estremeci. Estava pensando em qualquer coisa, menos em ti. Mas existia a tensão, a tensão de te amar, e assim, uma saliva engoli. Estava apaixonado e por isso tremi. Minhas pernas bambearam, você estava perto e mais uma vez te falar, não consegui. E você foi embora e eu me aliviei. Aí então, me encorajei e pensei... Eu Te Amo. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X EU E ELA Eu e ela, minha flor predileta, minha inesquecível primavera. Se foi a estação... Você matou a minha ilusão. A flor que mais gostei, a flor que mais amei, você a pétala que jamais esquecerei. Farei minha estação, você também sentirá. Se um dia tudo voltar; eu sei que você me amará. Viverá sua vida, viverei a minha. Amará outro, amarei outra. Nosso jardim de amizade não morrerá. Estaremos esperando o que hoje não foi possível. Talvez o futuro é que esteja reservado para a gente... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ESTRELAS E vocês estiveram aí todos esses anos e tiveram o poder. Vocês conseguiam nos olhar e sabiam que um dia iríamos nos encontrar. O céu foi os seus camarotes e vocês me viram procurando. Meus olhos brilharam para o céu, mas vocês não me serviram de espelho. Vocês deixaram que o tempo passasse e foram as únicas testemunhas de nossa existência. Vocês acompanharam todo seu desenvolvimento e adiaram-me a propriedade de sua essência. Vocês tiveram o poder e acompanharam todos os caminhos dela. Vocês estiveram em seus camarotes, mas também não mostraram os meus caminhos a ela. Vocês deixaram o tempo passar e tiveram o poder de antes nos apresentar, porém deixaram primeiramente que o tempo nos moldasse, para somente hoje nos mostrar, o que realmente é amar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X É MELHOR ASSIM É melhor assim, que nos separemos. Apesar de nos amarmos, é melhor o fim. O meu orgulho apesar de tudo é muito forte. Você jogou fora essa sua sorte. Você não achará ninguém como eu. Me desculpe pela separação, mas é melhor assim. Se você quis um dia seguir um caminho incerto, foi pior assim. Isso, apesar de nos amarmos, provocou nosso fim. Se você agora chora, não tenho culpa. Tenho certeza que você me ama, mas o meu orgulho é muito forte. Me desculpe pela separação, mas é melhor assim. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X E EU QUE EU PENSEI... E eu que pensei não mais gostar de você. Talvez os muitos encontros me fizeram enganar sobre o meu amor desaparecido, desaparecido pela monotonia de nossos olhares. E eu que pensei estar enjoado de seus carinhos. Mas que burrice a minha, acabei de descobrir que não vivo mais sem eles. Eles que renovam as minhas energias, suas mãos que enxugam a minha face, suas mãos que... E eu que pensei em te magoar sem precisar, não mais te amar, não mais te falar, não mais te ouvir em promessas. Isso será jamais, porque nós somos duas vidas em uma. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X E AGORA!... COMO ENCONTRÁ-LA? Devia ter me enchido de coragem, corrido e me apresentado a ela... Afinal, ela tinha a formosura exata e ideal para a minha ambição. Seus olhos..., seus cabelos..., seu corpo e seu tipo era tudo o que sempre ansiou minha imaginação. E ela estava lá!... Passou por mim. Enviada por Deus para que eu a alcançasse... e Deus não faz as coisas acontecerem de graça... Ele ensina a gente a pescar. Mas o seu tipo me encantou tanto, que fiquei imóvel face a sua perfeita desenvoltura e o seu doce encanto. Aí, hipnotizado, não descruzei os braços e não lancei a rede ao mar... E agora que perdi a oportunidade, como encontrá-la nesta cidade tão grande? Como justificar a Deus que deixei ir minha outra metade e preciso de uma outra chance?... Como explicar ao meu coração que ela passou bem diante de mim e eu a reconheci, mas não sei mais onde encontrá-la, pois sequer apresentei a ela o meu rosto e nem o meu cartão. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DIFERENÇAS A diferença entre uma rosa e você, é que a rosa possui várias pétalas, e você é simplesmente uma única pétala - rara. A diferença entre o céu e você, é que nele existem várias estrelas, e você é uma estrela que vive na terra - única. A diferença entre eu e você, é que eu sou o homem e você a mulher, e o nosso belo amor é tudo - o que se quer. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DIA A DIA Dia a dia a paixão foi nos envolvendo, a paixão foi se alimentando e se transformou em amor. Dia a dia descobrimos em nós, que a cada dia, o nosso amor aumentava. Dia a dia pudemos ver que para a gente o horizonte se abria. Dia a dia pudemos perceber que a nossa vida se iluminava. Dia a dia pudemos perceber que amávamos e nos queríamos, e hoje, nos preparamos para juntos aproveitar todo esse amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CORAÇÃO Coração, que está a bater tão fraco?... É a calma, é a falta, é a solidão. Coração, que está num só compasso?... É a estabilidade, é a vida, é a ressurreição. Coração, que está a bater tão forte?... É a amizade, é a namorada, é a paixão. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CASA VELHA Casa velha e sossegada é o recanto de um apaixonado. Os caminhos percorridos, todos os passos a contar, da casa dela à minha, o futuro na mente a retratar. Casa velha minha amiga que nas noites me recolhe, tão sozinho nessas horas... os animais para fora. Casa velha meu diário, minha agenda de ilusões, quanto tempo ainda separará nossos corações? Casa velha me repouse, é hora de refletir, uma música colada no ouvido ajuda o corpo dela eu sentir. Casa velha não se assuste se na madrugada eu delirar, irei aproveitar o vento para uma mensagem mandar. Casa velha obrigado por ter me resguardado, deixarei-te agora, pois o meu sonho foi alcançado. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X BARQUINHO À VELA Tal qual barquinho à vela navega aventureira minha paixão. Soprado sempre por fortes ventos, determinado a encontrar um porto meigo e seguro, nos mares de uma ilusão. Estou com bússola à procura do caminho certo, mas os ventos que sopraram sua vela, não obedeceram ao azimute desejado, apontando sua agulha para rumo incerto. E então, me reportei às estrelas, e apesar da grande constelação, até o Cruzeiro do Sul se escondeu, não tendo indicado nem o norte magnético ao meu navegante coração. Estou em naufrágio, à espera de socorro em alto mar. E enquanto não for resgatado, no antigo mapa, procuro vestígios de você ? tesouro doce e perdido, motivo de meu navegar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AS MEIAS Eu sou as meias que aquecem os seus pés... Isso mesmo, tire-as, assim, bem depressa, as de lã, e jogue-as no chão, sobre o tapete e pode deixar por lá, como você me deixou sem me amar. Lave-as para tirar o pó do tempo em que permaneceram enroladas, e você terá o prazer de lavar o meu pensamento nelas. Jogue-as fora, elas não mais a servem, você agora tem novas, novas meias para poder enganar. Isso mesmo, ponhá-las, assim, bem depressa... as de seda. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AMOR REAL Tempos passados, lutados. Tempos de tensão, expectativa. Amor nascendo, nascido e conquistado. Dor de cabeça por amar e tentar ser amado. Tempos passados, conquistados. Amor e desejo nas mãos. Tempos sonhados, tempos chegados. Obra merecida, amor real existente. Tempos passados, lutados, expectativa, tentativa... Amor merecido e conquistado. Amor agora caminhando às fantasias. Amor real acontecido, acontecendo e por acontecer. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AMOR PROIBIDO Quando abracei você e você me amava, quando você por mim se iludia e eu apenas te enganava..., sabia eu ser um amor proibido. Em meu mundo não havia nenhuma meta, porém, você sonhou, você esteve no futuro e imaginou... Imaginou nossas coisas, imaginou te dando amor, um amor sem fim. Eu queria, mas não podia. E você me perpetuou e me amava, mas infelizmente eu te enganava com esse amor proibido, porém você me amou e me glorificou... E eu te amei e imaginei nós dois no futuro, nossas coisas de amor, um amor sem fim... Eu quis, mas não pude continuar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AMOR E AMIZADE Bastou te conhecer e voltar em mim a vaidade, ter o espelho frente a frente e me olhar com felicidade. Bastou seu olhar... Sua alegria contagiante para novamente poder sonhar. Bastou a sua simpatia, bastou o seu carisma... Bastou apenas a distância e a saudade para saber que em nós, não existe somente amizade. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AMOR AO LADO Seu amor passava ao lado e você não notava. Você sequer percebia quando em seus braços ela tocava. Vivia tão preocupado em encontrar, mas só olhava para a mente distante, porém o seu grande amor te rodeava e até respiravam o mesmo ar por um instante. Mas sua mente trabalhava tal qual a torneira de um regador, regava a grama ao longe e não molhava a grama ao seu redor. Só que hoje a torneira envelheceu e pingos d?água em seus pés escorreu. Sua mente agora fertilizada e vivida, logo a proximidade de seu amor percebeu... Seu amor passou ao lado e você experiente lhe falou: - Você quer namorar comigo? E a resposta positiva te recompensou. Ficou tão em paz que agora, sua mente vive só o prazer do instante. Seu amor te rodeia, mas o ar que respiram, nunca mais ficou distante. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AMAR O amor é tão difícil de ser realizado, é tão difícil de ser correspondido, é tão fácil para tantos não amar... É impossível eu ficar sem te amar. Nosso amor foi tão fácil de se realizar, foi tão fácil de ser correspondido, é tão difícil para nós não amar... É impossível ficar sem nos amar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ALESSANDRA Amanhã esconde mistérios e segredos... Levei tempo para te encontrar E não foi por falta de sonhar. Sonhei que pudesse existir apenas em sonhos, Segredos e mistérios escondidos em um olhar. Agora que encontrei, Não posso te deixar. Dentro de você esconde a certeza do amanhã. Real certeza de sempre te adorar, Amar e não apenas sonhar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AINDA HÁ TEMPO... Preciso de um toque seu, só um toque me sinalizando que ainda há tempo... Ter meu nome preenchendo sua mente e o meu ser para afastar o seu medo. Gostaria muito de ter um breve espaço num pedacinho do seu discreto olhar. Saber que para o amor sempre há tempo e que nunca é tarde para se apaixonar. Preciso sentir que seu ser me procura entre tantas mentes, corpos e corações. Que sempre é cedo para nova loucura e ser o preferido em meio às multidões. Gostaria muito de ter um breve espaço num pedacinho de sua jovem paixão. Saber que para ser feliz sempre há tempo e que nunca é tarde para um novo coração. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AH! SE EU ESTIVESSE ESTABILIZADO... Ah! Se eu estivesse estabilizado... Minha vida seria completa, daria para ficar com você nas ruas, na casa, no parque... Ah! Se eu estivesse estabilizado... Eu seria eu, mostraria a todos o que realmente sou; te levaria para a eternidade de um amor sincero, honesto, romântico... Ah! Se eu estivesse estabilizado... Você seria hoje a mais feliz das mulheres, poderia até dizer por aí: ?Eu sou feliz?, poderia sim... Ah! Se eu estivesse estabilizado... Te mostraria o outro lado da lua, a parte mais sensível dela que é a minha outra face... Ah! É só você aguardar um pouco, só um pouquinho se quiser ser feliz.... Por enquanto estou tratando de me estabilizar... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ADEUS POESIAS Sabe porque escrevi todas essas poesias? Escrevi porque gostava de você, mas você nem sabia de minha existência. Então o único meio de me desabafar, era compôr meus sentimentos em uma folha de papel e depois arquivar no fundo de uma gaveta. Hoje, graças a Deus, tudo isso acabou, você compreendeu o meu penar e soube me amar. Agora não irei mais precisar perder noites de sono a me lamentar sobre uma folha de papel, porque consegui conquistar o seu amor. A partir deste momento, deixei de ser um poeta alucinado e voltei para minha outra face, minha outra face que é a de te amar. Não preciso mais de poesias, pois agora tenho o seu sorriso. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ACASO Hoje por acaso, o acaso me rondou... E quando esse acaso insiste em me rodear, ele me maltrata trazendo nosso caso. Descaso total de sua parte, que achou que aquele breve romance, nos veio por acaso. Aquele caso, deixou marcas em minha mente... E não por ter terminado num breve tempo, num breve espaço. Mas porque me plantaste esperança no coração. E o que para você foi mais um caso, para mim, não seria só um acaso. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A VOCÊ COMPANHEIRA A você que me anima no viver, que me ama no sofrer, que também chora pela minha lágrima sentida. A você minha inesquecível namorada, que me dá forças, que luta pelos nossos direitos, que luta para sermos um somente. A você minha amiga, que tudo de bom me deseja, que tudo me guarda e com carinho me ama. A você minha doce mulher, que me mata o desejo, que sacia em meu corpo o prazer de uma vida. A você minha companheira, que sofre comigo, que luta comigo, que vive comigo. A você uma só, por toda vida minha amada companheira... A você eu lhe desejo todo nosso amor e muitas felicidades. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A FELICIDADE DE NÓS DOIS Quando um sonho que é preparado durante tempos... um sonho de união. Quando as partes concordam e lutam pela realização... A preparação, os motivos, a vida à dois, o amor que é o elo fundamental. Futuro certo e adiantado, a felicidade é a líder de tudo e de todo pensar, tudo para dar certo, duas cabeças jovens, porém adultas, sabendo o que quer... É o namoro, é a paixão, é o sonhar, é todo o amar. A entrada na igreja, entrada tão esperada, o descer dos degraus, a vida levada à dois... É o futuro encenado no presente. Quando esse sonho se vê prestes a se acabar por forças contrárias, é melhor pensar e viver na realidade, tentar trazer o futuro para o presente... Adiantar, sofrer, necessitar, lutar e conquistar um dia a felicidade de nós dois. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X 24 HORAS DE AMOR Neste momento da calada, momento este formado pela escuridão da madrugada, vejo e sinto você presente em mim. Embora eu sozinho, tenho você 24 horas por dia: Acordo com você em pensamento; levanto com você em pensamento; passo a tarde com você em pensamento. A noite eu te vejo realmente; durmo com você em pensamento; acordo com você em pensamento. Enfim, vivo 24 horas por dia pensando em você. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VOCE É LINDA! Você é linda! Mais do que princesa! É fundamental. Basta!... Ponto final. Mas... pensando bem, é bom definir qual a proporção de sua real beleza. Você é mais do que maravilhosa! Muito mais bela do que os lírios dos campos, ladeados por jardins do Éden e floridos com as mais lindas rosas. Nem a lua dos poetas é mais bonita. Nem o Pão de Açúcar pode ser mais doce do que o seu ser; e nem mesmo o sol de Copacabana tem mais brilho original do que a luz que reluz de você. Você é aquarela que forma o arco-íris! É a libido dos insaciáveis desejos, e o êxtase dos primeiros beijos em comunhão com o primeiro amor. Nem mesmo a Ilhabela é mais bela; e nem as praias do litoral norte transmitem mais vida, saúde e calor. Você é a noite estrelada paulistana, e tem o carisma que todo mundo ama. Você é a musa das telas de cinema! Você é mais iluminada que noite de réveillon nas praias do Rio de Janeiro. É a deusa que ornamenta São Paulo e o Brasil, e encanta o mundo inteiro. Você é maravilha!... As outras sete..., vem bem depois... é outra história! Você é a paisagem que falta ao cartão postal da Marina da Glória. Você é linda! É mais do que linda! É a manifestação mais pura do amor. No Corcovado, até a estátua se rende, e admirada, abre os braços no Redentor. Você é a garota que inspira Ipanema! ...Você é a mulher que lê este poema. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TRATADO SOBRE A BELEZA Como já dizia Vinícius em sua Receita de Mulher: ?As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental?. É claro que beleza, tal qual o gosto, não se discutem. Mas sejamos razoáveis... Alguns gostos são discutíveis! Afinal, uma mulher bonita de verdade..., sua beleza é unanimidade. Nesse conceito, percebi que a beleza é infinitamente mutável com o passar dos anos nas variações da moda. E então, ficava perdido quanto a concordar com a beldade que o mundo de forma unânime mais se admirava... Qual o tipo de beleza que ao meu gosto mais me impressionaria?... E eu nunca conseguia definir qual o verdadeiro padrão de beleza que o meu coração procurava e nele se encaixaria. E assim, naufragava mesmo em solo firme, ante as tantas mulheres bonitas que em meu porto atracavam ou aos meus olhos simplesmente passavam. Até que a vi, você formosa e bela... e o meus olhos de imediato terminaram aquela frenética procura. Depois que a conheci, minha mulher, não tive mais receios quanto ao que vem a ser ?beleza fundamental? - fim de novela. Você se encaixou perfeitamente aos meus escondidos anseios. Sei que existem variações do belo e do gosto, mas para mim, quando aconteceu você, passei a navegar em águas tranquilas. Depois que vi o seu ser, defini este tratado sobre a beleza... Agora a referência do que vem a ser belo, para o meu gosto, passou a ser todo o conteúdo que fundamenta você. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SONETO DA CONQUISTA Se tivesse que novamente conquistar alguém e mais uma vez viver uma grande paixão, que novamente fosse com você e mais ninguém e outra vez fossem seus olhos e seu coração. Se quisesse Deus que eu vivesse uma nova vida e me desse o livre arbítrio de me apaixonar, que novamente fosse com você minha querida e outra vez fossem seus carinhos e seu ninar. Pois também assim, eu poderia continuar a provar, do prazer de conquistar todos os dias minha mulher, vivendo a magia da poesia sob o brilho do luar. E assim, ao lado seu, Deus poderia me eternizar, e eu ser um deus, com a divina conquista da mulher que, até na glória da eternidade, viveria para amar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X QUE CHARME ESSA MORENA Que charme essa morena que passa e encanta. Que encanta os olhares em qualquer canto. Que pára, olha, descansa, e bem discreta canta, sentada à mesa de um bar num perfeito encanto. Que charme essa morena que exala só beleza. Que segura sua xícara numa linda etiqueta. Que saboreia com classe, doçura e suave fineza, sua bebida num Bar Café na mesa que ela enfeita. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X QUANDO DEUS FEZ A MULHER Quando Deus fez a Mulher Seu Espírito pairava por sobre as águas... pensativo. Já havia criado o céu e a terra e pensava em um ser supremo que O representasse por sob o firmamento. Mas para criar esse ser supremo que seria dotado de sapiência, amor e magia, antes precisaria enfeitar a terra que se encontrava sem forma e vazia. E então, criou Deus as noites e os dias, a relva, as ervas e as árvores frutíferas, criou também os luzeiros para iluminar os dias e as noites, os seres viventes para povoarem a terra, os mares e os montes. Quando Deus enfeitava o mundo, pensou também em criar um ser que aqui já estivesse para receber a mulher e acompanhá-la, e assim, do pó da terra, criou o homem que a aguardou com o direito de somente poder amá-la. E após essas coisas, inspirado, Deus fez a mulher... Esse Seu ser supremo dotado de superior sabedoria e devoção, a qual O representa por sob o firmamento, com poder e controle para dominar toda Sua criação. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PERFUME DE MULHER I Tinha um cheiro de perfume pelo ar... Uma fragrância que até me hipnotizou me fazendo parar onde estava e viajar... II Que tamanha formosura poderia estar por trás daquele aroma que se misturou à brisa da manhã, e que me fez imaginar... III Como seria seu rosto, seu jeito de andar? Como seriam seus cabelos, suas pernas, seu corpo, seu gingado, seu tom de falar? IV A sua essência era de bom gosto e tanto que aquele perfume exalado pela manhã, só poderia vir da pele de um doce encanto. V E com certeza, imagino que o seu coração, como bálsamo num vidro de perfume aberto, exale um suave amor em forma de canção. VI Que inveja daquele vento malicioso e sutil, que discretamente extraiu aquele perfume e, carinhoso, a acariciou e ainda a possuiu. VII Aquele perfume pelo ar, trazido ao vento, me despertou uma louca vontade de amar. Avisou que para o amor devo estar atento. VIII Que devo buscar o amor que se pensa e quer..., ao ponto de agora eu só querer encontrar, a bela que usava aquele perfume de mulher. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MULHER FAMOSA E MULHER SIMPLES Mulher famosa e sensual... Em capas e telas, para os olhos dos fãs, um belo visual; inteligente e bela, dona de seu potencial. Dama das noites e noites de amor, o seu belo corpo aos olhos lhe pagam, uma vida corrida..., estradas que se apagam. Mulher simples e sensual... Em casa é dama para os meus olhos, um belo visual; inteligente e bela, dona de nós. Dama das minhas noites, noites de amor, o seu belo corpo aos meus olhos agradam, uma vida de rotina..., simplicidades que não se acabam. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MULHER Mulher, você foi uma valiosa pepita para se achar, mergulhada no fundo das águas, encontrada nos longos anos de garimpar. Mulher, você foi uma rara pétala para desabrochar, escondida nesta enorme selva de pedras, encontrada num lindo gesto de jardinar. Mulher, você é uma grande paixão a me calar, lapidada num breve tempo de se beijar, entregue no meu eterno espaço de te amar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MORENA DE SAMPA Minha cidade tem bonita morena que não se vê em nenhum lugar. Quando ela reluz e surge em cena, rolam as pedras querendo olhar. A morena quando passa e ginga, o Elevado se abaixa e se encanta. A Passagem Tom Jobim desafina, e na paquera não toca nem canta. Com seu charme e com sua graça, onde ela pisa e anda vira passarela. Essa morena que desfila e passa, enfeita até o Parque do Ibirapuera. Tão formosa e só aqui que se acha, na Lapa, na Direita, em Santana. O Viaduto a convida para um Chá! Morena que dança quando anda. Que coisa linda está por todo canto, no Tatuapé, na Paulista, em Moema. Seu gingado é sensual, um encanto! No mundo não há tão bela morena. Que maravilhosa é a minha cidade, tem a morena que passeia e samba. Não sabe o que é beleza de verdade, quem nunca viu a morena de Sampa. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MINHA MULHER Adoraria estar agora com você e dizer que seus olhos são raras esmeraldas, sua boca um cálice de fino licor onde provo do mais puro sabor. Adoraria estar agora com você e dizer que seus seios são pérolas rosadas, seu sexo - sedutor, como águas cristalinas que me banham de prazer e de intenso amor. Adoraria estar agora com você e dizer que seu corpo é um puro cristal, seu ser ? um anjo, que na terra ou no paraíso, para mim, será sempre imortal. Mas quando estou com você, fico estático frente ao seu encanto, me fascino com a sua presença e digo apenas, minha mulher, Eu Te Amo. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X LINDA MORENA Formosa és tu linda morena, estrela na terra a brilhar. Rima que se encaixa em poesia, nota suave de música sob luar. Amanhecer com sol em Ipanema num doce passeio a caminho do mar. Que coisa mais linda essa morena!... Ah! morena, como é bom te olhar... Como pode tão linda morena, andar por aí sem ninguém escoltar. Rainha de beleza como é você morena, o perigo é meu coração te sequestrar. É mais que demais de se ver!... Imaginei que existisse só em sonhos, natureza perfeita e bela como você. Ah! morena, eu quero é te conhecer... E lá vai de novo a linda morena, indo passear na beira do mar! Não há nada mais belo que essa cena, de ver a linda morena se bronzear. Ah! morena, eu quero é te namorar... Morena linda que desfila e passa, onde anda e pisa vira passarela. Rainha de beleza como é você morena, enfeita a cidade de bonita aquarela. Não há coisa mais linda de se ver passar! Ah! morena, eu quero mesmo é te amar... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X LEOA Leão! Leão! Tu era o rei da criação!!! Pois saiba que na selva, você não é o mais valentão! Existe um animal mais valente que mereceria sua juba e sua glória, sua fama e sua história. E você Leão, para se equiparar a esse outro animal, precisaria de sua inteligência, poder e ardor, ser mais fera e caçador. Se toque ?Rei Leão?! Entregue seu trono e coroa a sua companheira Leoa. Ela sim é fera, forte e caçadora! Tem da mãe o amor e da mulher a paixão, merecendo portanto a coroa de rei e rainha da criação. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X GAROTA PAULISTANA Olha ela formosa que de longe vem e que passa trazendo em seus traços a mistura perfeita das raças, dos cantos do mundo que tanto a admira e se engraça e que anda nesta São Paulo com charme e com graça. Olha ela sensual!... É a loira, é a mulata, é a morena! É também a negra, a oriental e a ruiva, por todo canto. No desfile apressado pelas passarelas centrais, faz cena, disfarçando sua elegância no corpo que dança ? um encanto. Olha ela discreta que transita pelas ruas de Sampa, afanada pelo sutil olhar de quem a espreita e a espera, na intenção secreta do romance e da paquera. Olha ela simpática e séria que de longe vem e que passa, e ao passar, desaparece pela cidade que a ama..., mas amanhã ela volta, a linda garota paulistana. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X GAROTA DO GUARUJÁ E vai e vem no calor num leve toque de brisa do ar. É a bonita garota que desfila e passa, apaixonando pitangueiras, a enseada e as astúrias, com seu jeito ?sexy?de andar. E vai e vem no verão quebrando as ondas do mar. É a bela garota que desliza e nada, enfeitando a praia do tombo e pernambuco, com sua prancha e seu surfar. E no vai e vem, ela surfa e cai, mas mergulha e volta já. É ela, a ?Pérola do Atlântico?, que embeleza as praias com seu surfe e seu corpo dourado a gingar. É a linda garota do Guarujá. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X GAROTA DA PISCINA Olha só quem vem chegando para nadar. Tal qual sereia, ela já vem encantando. Até as águas se agitam ao vê-la chegar, num elegante passo, quase que dançando. Seu corpo é mais do que belo bronzeado. Tem muito mais brilho do que a luz solar. Quando ela chega com o seu rebolado, todos param disfarçando um sutil olhar. Olha só como ela é bonita e sensual. Seu charme transcende por toda piscina, ao desfilar vestida com o seu fio dental. É ela, que todos aguardam vê-la dourar. É a formosa e sexy garota da piscina, que embeleza o dia com o seu mergulhar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X FELIZ ANO NOVO Feliz ano novo lhe desejo eternamente é mais um ano que vem ficará em nossa mente. Todos os momentos que juntos passaremos, juntinhos, para frente seguiremos. E que a felicidade reine em nossa vida, neste ano que promete surpresas e maravilhas. E que o coração pulse mais forte, com muito amor e com muita sorte. Feliz ano novo lhe desejo muita paz, e a cada ano que nasça nosso amor aumente mais. São votos sinceros de quem muito te quer, um feliz ano novo a você minha mulher. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CHEIRO DE MULHER CABOCLA Prefiro o cheiro do campo e o amor no sertão, da fazenda a mulher nova, a paixão girada no chão. O cheiro de terra virgem, rios, lagos e cascatas, mulheres de vilas... damas das matas. Prefiro o sabor das campinas, os engenhos e as roças, tempos de damas e meninas, o andar de charretes e carroças. O cheiro de terra nova, chácaras, sítios e fazendas, mulheres tímidas... meninas espontâneas. Prefiro a vida de lá..., baios e alazões, garotas para amar, asseio dos corações. Casas abandonadas por entre milharais, amor nas cabanas com mulheres naturais. Prefiro essas caipiras com desejos na boca. Prefiro o cheiro da mulher cabocla. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A TELA Me atrevi a pintar um quadro nesta manhã ? óleo sobre tela. Reuni pincel, moldura, tinta e inspiração. E como era a primeira vez que me atrevia nessa pretensão, determinei a mim mesmo que pintaria uma tela que me tocasse o coração. Mas havia muitas imagens lindas para se pintar. E então, do mar, as ondas aproveitei. E da natureza, toda beleza estampada nas flores copiei. Do céu, as estrelas para minha tela emprestei. E as cores inseridas no arco-íris utilizei. Eram tantas maravilhas para se emoldurar, que até Deus, em minha obra, pensei estampar. Mas não tinha a face de Deus, e aquela tela, com beleza sublime, precisava encerrar. Aí me veio à tona a face que toca o meu coração... Encerrei aquela tela com muita fascinação, pintei você, minha mulher, deusa da minha inspiração. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X Por Que Maria? Meio-Dia, Macaco Assobia... Antes Que Seja Tarde Videos: Publicações: Prêmios: Tributo Trens Terceira Idade Solidão Saudade Romance/Histórias Reflexão Recanto Pais e Filhos Natureza Liberdade Intimidade Futebol Família Evangélicas Esperança Cotidiano Cidades Chegadas e Partidas Casais/Casamento Aos Poetas Animais Amor-Paixão Amizade À Mulher Temas: Sinal de Vitória Obrigado Senhor! Faça-me Senhor Agradeço Ao Nosso Senhor Orações: Olhos e Câmeras Mensagem ao Poeta Escrever é Preciso A Porta do Meu Coração Mensagens: "O Poeta quando nasce, assume um compromisso eterno de sempre escrever, pois tal qual o pequeno príncipe, ?Ele se torna eternamente responsável pelas pessoas que com suas palavras cativas?..., e só Deus, em sua infinita sabedoria, sabe quantas pessoas pelo mundo são cativadas diariamente com os versos de um poeta, e que aguardam ansiosas por novas palavras que as confortem..." Mauro Martiniano de Oliveira Visitante Visitante: Indique este Site 6660 Mensagem do Poeta Galeria de fotos do Poeta. Trem de Passageiros Sempre Alerta!... Ao Meio Ambiente Pescaria Entregador de Jornais Crônica do Novo Amor Cadeiras de Balanço A Ignorância Acima de Tudo Crônicas: Suspense Romance Futebol Drama Comédia Temas: E-mail: mauro.martiniano@hotmail.com Website: http://mauromartiniano.com.br Entre em contato com o Poeta. Você É... Verão de um Amante Última Carta Telefone-me Noites de Amor Naqueles Tempos Eu Queria Apenas... Conversar Confissões III Confissões II Confissões Bilhete Amizade Amigo é Assim... Despedida de Amor Cartas: Poesias: - 1º lugar no VIII Concurso Literário ?Cleber Onias Guimarães?, do Conselho Comunitário de São Paulo ? Tatuapé ? São Paulo/SP ? 2.008 (Terra Sagrada); - Prêmio de Edição no III Prêmio Literário ?Valdeck Almeida de Jesus? de Poesia ? Salvador/BA ? 2.008 (Soneto da Conquista); - Menção Honrosa no XI Prêmio Cidadão de Poesia do Sindicato dos Comerciários de Limeira ? Sinecol ? Limeira/SP ? 2.008 (Visita); - 1º Lugar no XVIII Concurso Nacional de Poesia ?Acad. Florestan Japiassu Maia?, da Academia de Letras e Artes de Paranapuã ? ALAP ? Tijuca ? Rio de Janeiro/RJ ? 2.007 (Visita); - Medalha ?Glória Maria Marreiros? nos XXVII Jogos Florais do Algarve do Racal Clube (Poesia Lírica), com apoio da Câmara Municipal de Silves, Delegação Regional da Cultura do Algarve e Junta de Freguesia de Silves ? Silves - Portugal ? 2.007 (Visita); - 3º Lugar no VIII Concurso Literário de Poesia, da Casa de Cultura Estação Casimiro de Abreu e Academia Casimirense de Letras e Artes ? Casimiro de Abreu/RJ ? 2.007 (Fragmentos de Esperança); - Menção Honrosa Nacional no 10º Concurso Literário Prêmio Missões (Nível Nacional em Poesia), de Igaçaba Produções Culturais, com apoio da Secretaria Municipal de Educação e Departamento de Cultura de Roque Gonzales ? Roque Gonzales/RS - 2.006 (Minha Mulher); - Medalha de Prata no XVII Concurso Nacional de Poesia ?Werner Horn?, da Academia de Letras e Artes de Paranapuã ? ALAP ? Tijuca ? Rio de Janeiro/RJ ? 2.006 (Fragmentos de Esperança); - Destaque Especial no XI Concurso Literário Internacional de Poesia ?Poeta José Moreira da Silva?, da Associação Artística e Literária a Palavra do Século XXI - ALPAS XXI ? Cruz Alta/RS ? 2.006 (A Volta, Cheiro de Mulher Cabocla e Soneto da Conquista); - Prêmio de Edição no III Concurso Nacional de Poesia ?Menotti Del Picchia?, da Biblioteca Infanto-Juvenil Menotti Del Picchia e Physis Editora - São Paulo/SP ? 1.997 (Cheiro de Mulher Cabocla). Contos: - Menção Honrosa no XIII Concurso Nacional de Contos "Prêmio Jorge Andrade?, da Academia Barretense de Cultura ? ABC ? Barretos/SP ? 2.008 (No Velório); - 4º lugar no Concurso de Contos e Poesias ?Prêmio Cataratas?, da Prefeitura Municipal, através da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu ? Foz do Iguaçu/PR ? 2007 (A Agenda); - Prêmio de Edição no Prêmio Literário ?João Simões Lopes Neto?, da Secretaria Municipal de Cultura e Universidade Católica de Pelotas (PUC) - Pelotas/RS ? 2.005 (A Agenda). Crônicas: - 1º Lugar no IV Concurso Literário Maracajá (Comemoração dos 441 anos da Ilha do Governador) ? Ilha do Governador ? Rio de Janeiro/RJ ? 2.008 ? (Crônica do Novo Amor). Entrevista: - Entrevista com a repórter Maria das Graças Leocádio, da Agência Imprensa Oficial do Estado ? publicada no D.O.E. ? nº 226, Poder Executivo ? Seção I, pág. III, de 01Dez2007 ? São Paulo / SP e no Portal do Governo do Estado de São Paulo ? Últimas Notícias - (http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=89818) ? 01Dez2007. Outros: - Indicado para premiação nos XXIV Prêmio Internacional de Poesia Nosside (Unico Prêmio Globale Di Poesia), do Centro Studi Bosio - Reggio Calabria ? Città del Bergamotto (Alianza Global Unesco para la Diversidad Cultural) ? Itália ? 2.008. Mauro Martiniano de Oliveira, poeta paulista, nasceu no dia 27 de setembro na cidade de Araraquara, interior do Estado de São Paulo. Aos 10 anos de idade começou a escrever trovas ?com rimas pobres?. Aos 15 anos toma gosto pelas poesias contos e crônicas, e, desde então, não parou mais de escrever. Residiu até os 19 anos de idade em sua cidade natal. Formou-se em Técnico em Agrimensura ainda em Araraquara e na cidade de São Paulo, cursou faculdade de Letras. Mestrado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, sendo que atualmente exerce suas atividades profissionais na cidade de São Paulo onde reside. Na carreira literária, conta com trabalhos publicados em diversas antologias, tendo recebido vários prêmios em concursos literários pelo Brasil e também em Portugal e na Itália. Em 25 de julho de 2007, foi diplomado como Membro Correspondente da Academia Cachoeirense de Letras. Veja Alguns Dos Prêmios Literários Recebidos Pelo Poeta: Meio-Dia, Macaco Assobia... X Por Que Maria? X Antes Que Seja Tarde X Tributo Sonetos a Eurico Otávio Soneto a Ayrton Senna Seu Aniversário (Campos Gerais ? 300 Anos) Seu Aniversário Dona Francisca X Trens Trem Noturno Trem Caipira Os Trens da FEPASA O Trem Azul X Terceira Idade Soneto da Feliz Idade X Solidão Vida Ilusão Uma Fresta no Presente Solidão Meu Presente Fossa Corpo Nu X Saudade Visita Uma Carta Soneto de Saudade Sem Você Saudade é... Saudade Rua 10 Que Saudades... Onde Está Você? O Verdadeiro Amor O Carteiro Nossos Corpos Nossa Saudade Nos Tempos da Disco Music Lago Azul Inverno Férias É Hora de Nos Rever Esquecido Desenhos Banco De Pedra Alma Gêmea X Romance / Histórias Um Doce Sequestro Suplicar Fim de Caso Doce Sonho Dentro do Ônibus De Amigo Pra Amigo Amor Depois da Morte X Reflexão Vagante Réveillon o Ano Todo Obstáculos O Meu Novo Hoje Na Rede Insetos Pelo Quintal Imagens Guerras São Testes Folhas Mortas E Eu Vi o Futuro Desprezada Dentro do Ventre Criança Construção Análise Andando Por Aí Ainda Que...! A Volta A Quem Amar Mais?... A Lua X Recanto Soneto da Chacrinha Casinha Paulista X Pais e Filhos Rafael Pais e Filhos Pai Herói Meu Filho Matheus Guilherme Aos Meus Velhos Pais Amor de Adolescente 15 Anos X Natureza Terra Sagrada Ipês Cantiga dos Passarinhos Campos Modernos X Liberdade Vontade Recordação Pichar Lenço 18 Anos X * Ao final do comentário, por gentileza informar sua Cidade/Estado. Obrigado! Intimidade Virgindade Tomando Sol Tarde Escolar Soneto do Cântico dos Cânticos Rotinha da Vida Professora Nós Menina Moça Intimidade Em Nossa Cama Doce Paixão Desejo Coisas de Amor Chove em Seu Corpo Champanhe Carinho Buraco de Fechadura Beira do Mar X Futebol Sempre Flamengo Seleção Brasileira de 70 Santos Eterno Salve a Ferroviária X Família A Grande Descoberta X Evangélicas Soneto da Fidelidade Divina Soneto da Confiança em Deus Soneto do Salmo 91 Resgate Renova-me Senhor O Senhor é o Meu Pastor Deus Protetor X Esperança Vidas Embaçadas Um Apito na Madrugada Túnel do Tempo Soneto de Manhã Réveillon Fraternal Réveillon Procura-se Alguém Palma de Lágrimas Nosso Mundo Nossa Vida Meu Próprio Jardim Madrugada Fragmentos de Esperança A Um Passo do Futuro A Luz da Nossa Vida X Cotidiano Passeio à Tarde Olhos Que Sondam A Senhora da Sombrinha X Cidades Soneto dos Campos Gerais Litoral Paulista Interior Paulista Canção de Caraguá Campos Gerais Terra da Gente Campos do Jordão em Julho Bueno de Andrada Araraquara X Chegadas e Partidas Viagem Uma Mudança de Vida Sexta na Rodoviária Pane Naquela Estação Chegada Breve Adeus Ânsia X Casais / Casamento Felizes Para Sempre Casar Bodas de Ouro Antes Que Seja Tarde Álbum de Casamento X Aos Poetas Soneto de Deus ao Poeta O Poeta e a Caneta O Poeta X Animais Zebra Xaréu Vaga-Lume Urso Tamanduá-Bandeira Sapo Raposa Quati Peru Onça Pintada Naja Mico-Leão Leão Jabuti Iguana Hipopótamo Girafa Furão Elefante Dromedário Coruja Baleia Anta X Amor/Paixão Vítimas do Amor Você e Eu Vidraça Vazio Uma Canção Para Você Um Dia Apenas ...Tudo Acabou, Sem Nada Começar Transmissão Tão Perto, Mas... Tão longe Tempo Infiel Sua Boca Silhueta Redescobriu Ela Receita de Amor Por Quê? Por de Trás Perpétua Fidelidade Perfeita Perfeição Pensando Palavras Paixão em São Paulo O Que é Que Posso Fazer? O Olhar O Nosso Amor Está em Crise O Despertar de Uma Realidade Novo Horizonte Nosso Belo Amor Nosso Amor Nossas Brigas Não Chore Naquela Cidade Sem Luz Namoro Morenas, Loiras e Outras Moça Minha Namorada Meu Anjo É Melhor Assim Lágrimas Pela Distância Lembre-se dos Astros Infinito do Fim Inexistência Ficar Sem Você Falso Regresso Eu Te Amo Eu e Ela Estrelas E Eu Que Eu Pensei... E agora!... Como Encontrá-la? Diferenças Dia a Dia Coração Casa Velha Barquinho à Vela As Meias Amor Real Amor Proibido Amor e Amizade Amor ao Lado Amar Alessandra Ainda Há Tempo Ah! Se Eu Estivesse Estabilizado... Adeus Poesias Acaso A Você Companheira A Felicidade de Nós Dois 24 Horas de Amor X Amizade Amigo é... X À Mulher Você é Linda! Tratado Sobre a Beleza Soneto da Conquista Que Charme Essa Morena Quando Deus Fez a Mulher Perfume de Mulher Mulher Famosa e Mulher Simples Mulher Morena de Sampa Minha Mulher Linda Morena Leoa Garota Paulistana Garota do Guarujá Garota da Piscina Feliz Ano Novo Cheiro de Mulher Cabocla A Tela X Suspense Seria Assombração?!... O Barulho Estranha Visita Desinteligência A Noiva do Chucky X Romance Ventos Que Sopram Amor Incerto A Agenda X Futebol Numa Certa Partida de Futebol X Drama Tio Elias O Parto O Par de Sapatos O Cabo da Enxada Morte Súbita Catador de Papelão A Jabuti X Comédia Velas Vermelhas Um Dia no Parque Que Farofa!... O Empréstimo No Velório Na Discoteca X Obras Publicadas em Sites Trechos na Entrevista com a repórter Maria das Graças Leocádio, da Agência Imprensa Oficial do Estado ? publicada no D.O.E. ? nº 226, Poder Executivo ? Seção I, pág. III, de 01Dez2007-São Paulo/SP e no Portal do Governo do Estado de São Paulo - Últimas Notícias: http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=89818 Obra: Visita Gênero: Poesia Data: 01Dez2007 País: Brasil Obras Publicadas em Jornais Jornal Gazeta Guaçuana ?Caderno Fim de Semana? - pág. 5C, de 08Dez2007 Mogi-Guaçu/SP. Obra: Visita Gênero: Poesia Data: 08Dez2007 País: Brasil Obras Publicadas em Agendas Livro Diário do Escritor 2.008 (Agenda Literária) Litteris Editora ? Rio de Janeiro/RJ. Obra: Tomando Sol ? pág. (22 de Setembro) Gênero: Poesia Ano: 2.007 País: Brasil Obras Publicadas em Revistas Revista da Academia Cachoeirense de Letras Ano XX ? nº 20 Cachoeiro do Itapemirim/ES. Obra: Bueno de Andrada ? pág. 127 Gênero: Poesia Ano: 2.007 País: Brasil Obras Publicadas em Revistas Revista da Academia Cachoeirense de Letras Ano XXI ? nº 21 Cachoeiro do Itapemirim/ES. Obra: Visita ? pág. 150 e 151 Gênero: Poesia Ano: 2.008 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias III Concurso Nacional de Poesia ?Menotti Del Picchia? Physis Editora - São Paulo/SP Obra: Cheiro de Mulher Cabocla ? pág. 12 Gênero: Poesia Ano: 1.997 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias Antologia de Contos 2.005 - Prêmio Literário ?João Simões Lopes Neto? Editora Educat (Editora da Universidade Católica de Pelotas - PUC) - Pelotas/RS. Obra: A Agenda ? pág. 119 à 127 Gênero: Conto Ano: 2.005 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias Poetas do Brasil Câmara Brasileira de Jovens Escritores Rio de Janeiro/RJ. Obra: Cheiro de Mulher Cabocla - pág. 53 e 54 Gênero: Poesia Ano: 2.006 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias 10º Prêmio Missões Igaçaba Produções Culturais Roque Gonzales/RS. Obra: Minha Mulher - pág. 32 Gênero: Poesia Ano: 2.007 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias Poesia em Trânsito Editora Arte Literária ? São Paulo/SP. Obra: Garota Paulistana e Meu Anjo - pág. 39 e 40 Gênero: Poesia Ano: 2.007 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias XVII Antologia da Academia de Letras e Artes de Paranapuã - ALAP Editora Comunitá Ltda - Niterói/RJ. Obra: Visita - pág. 12 e 13 Gênero: Poesia Ano: 2.008 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias Colectânea dos XXVII Jogos Florais do Algarve Racal Clube ? Silves/Portugal. Obra: Visita ? pág. 5 Gênero: Poesia Ano: 2.007 País: Portugal Obras Publicadas em Antologias 1º Concurso Nacional de Poesia ?Poeta Benedito Nascimento Santos? Gráfica O Sul de Minas ? Itajubá/MG. Obra: Antes Que Seja Tarde ? pág. 29 Gênero: Poesia Ano: 2.007 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias Baú de Letras ? Antologia de Contos Câmara Brasileira de Jovens Escritores Rio de Janeiro/RJ . Obra: Estranha Visita - pág. 61 à 63 Gênero: Conto Ano: 2.008 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias Antologia Poética - Ano 3 Giz Editorial ? São Paulo/SP . Obra: Soneto da Conquista - pág. 158 Gênero: Poesia Ano: 2.008 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias XI Prêmio Cidadão de Poesia - Sindicato dos Comerciários de Limeira - Sinecol - Limeira/SP. Obra: Visita - pág. 19 Gênero: Poesia Ano: 2.008 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias Coletânea do XXIV Concurso de Poesias Biblioteca Municipal ?João XXIII? - Mogi GuaçuSP. Obra: Trem Caipira - pág. 39 à 41 Gênero: Poesia Ano: 2.008 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias A Palavra em Prisma ? Antologia VI Via Lettera Editora e Livraria Ltda ? São PauloSP. Obra: Barquinho à Vela - pág. 25 Gênero: Poesia Ano: 2.008 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias Antologia Poética Coordenadoria Municipal de Cultura ? Mogi das Cruzes/SP. Obra: A Senhora da Sombrinha - pág. 73 Gênero: Poesia Ano: 2.008 País: Brasil Obras Publicadas em Antologias XVII Antologia da Academia de Letras e Artes de Paranapuã - ALAP Editora Comunitá Ltda - Niterói/RJ. Obra: Visita - pág. 12 e 13 Gênero: Poesia Ano: 2.008 País: Brasil Indicado para premiação nos XXIV Prêmio Internacional de Poesia Nosside (Unico Prêmio Globale Di Poesia), do Centro Studi Bosio - Reggio Calabria ? Città del Bergamotto (Alianza Global Unesco para la Diversidad Cultural) ? Itália ? 2.008. Obra: Insetos Pelo Quintal, Novo Horizonte e Perfume de Mulher Gênero: Poesia Ano: 2.008 Cidade: Reggio Calabria ? Cittá Del Bergamotto País: Itália 5º Lugar (Medalha CENAPEC) no IV Concurso Internacional de Poesia da Biblioteca ?Adir Gigliotti?. Obra: Fragmentos de Esperança Gênero: Poesia Ano: 2.009 Cidade: Campinas/SP País: Brasil 3º Lugar no VIII Concurso Literário de Poesia, da Casa de Cultura Estação Casimiro de Abreu e Academia Casimirense de Letras e Artes. Obra: Fragmentos de Esperança Gênero: Poesia Ano: 2.007 Cidade: Casimiro de Abreu/RJ País: Brasil Prêmio de Edição no III Concurso Nacional de Poesia ?Menotti Del Picchia? , da Biblioteca Infanto-Juvenil Menotti Del Picchia e Physis Editora. Obra: Cheiro de Mulher Cabocla Gênero: Poesia Ano: 1.997 Cidade: São Paulo/SP País: Brasil Menção Honrosa no XVI Concurso Nacional de Poesia ?Acadêmico Mário Marinho?, da Academia de Letras e Artes de Paranapuã ? ALAP ? Tijuca. Obra: Soneto da Conquista Gênero: Poesia Ano: 2.005 Cidade: Rio de Janeiro/RJ País: Brasil 3º Lugar (Menção Honrosa) no V Concurso Literário ?Cleber Onias Guimarães?(Nível Local em Poesia), do Conselho Comunitário de São Paulo. Obra: Alma Gêmea Gênero: Poesia Ano: 2.005 Cidade: São Paulo/SP País: Brasil Prêmio de Edição no Prêmio Literário ?João Simões Lopes Neto?, da Secretaria Municipal de Cultura e Universidade Católica de Pelotas (PUC). Obra: A Agenda Gênero: Conto Ano: 2.005 Cidade: Pelotas/RS País: Brasil Destaque Especial no XI Concurso Literário Internacional de Poesia ?Poeta José Moreira da Silva?, da Associação Artística e Literária a Palavra do Século XXI - ALPAS XXI. Obra: A Volta, Cheiro de Mulher Cabocla e Soneto da Conquista. Gênero: Poesia Ano: 2.006 Cidade: Cruz Alta/RS País: Brasil Menção Honrosa no 3º Concurso Nacional de Poesia ?Fernando Albino da Rosa?, da ASES - Associação Santa-Rosense de Escritores. Obra: Soneto da Conquista Gênero: Poesia Ano: 2.006 Cidade: Santa Rosa/RS País: Brasil 4º Lugar (Menção Honrosa) no I Concurso Casa do Escritor de Literatura, da Casa do Escritor. Obra: Meu Anjo Gênero: Poesia Ano: 2.006 Cidade: Belo Horizonte/MG País: Brasil 3º Lugar (Medalha de Prata) no XVII Concurso Nacional de Poesia ?Werner Horn?, da Academia de Letras e Artes de Paranapuã ? ALAP ? Tijuca. Obra: Fragmentos de Esperança Gênero: Poesia Ano: 2.006 Cidade: Rio de Janeiro/RJ País: Brasil Menção Honrosa no IV Prêmio Artez de Literatura, da Antologia Literária e Artística. Obra: Trem Noturno Gênero: Poesia Ano: 2.006 Cidade: São Paulo/SP País: Brasil Prêmio de Edição no Concurso Poetas do Brasil, da Arte Bahia Produções e Promoções de Eventos. Obra: Cheiro de Mulher Cabocla Gênero: Poesia Ano: 2.006 Cidade: Porto Seguro/BA País: Brasil Prêmio de Edição no VI Concurso Grandes Nomes da Nova Literatura Brasileira , da Phoenix Editora. Obra: Meu Anjo Gênero: Poesia Ano: 2.006 Cidade: São Paulo/SP País: Brasil 5º Lugar (Medalha de Menção Honrosa + Prêmio de Edição) no 1º Concurso Nacional de Poesia ?Poeta Benedito Nascimento Santos?, da Academia Itajubense de Letras. - Itajubá/MG. Obra: Antes Que Seja Tarde Gênero: Poesia Ano: 2.006 Cidade: Itajubá/MG País: Brasil Prêmio de Edição no Concurso Litteris On Line ?Primavera/Verão: Estação do Amor?, da Litteris Editora. Obra: Antes Que Seja Tarde Gênero: Poesia Ano: 2.006 Cidade: Rio de Janeiro/RJ País: Brasil Prêmio de Edição no I Concurso de Poesia da Editora Arte Literária - Prêmio Poesia em Trânsito, da Editora Arte Literária. Obra: Garota Paulistana e Meu Anjo Gênero: Poesia Ano: 2.006 Cidade: São Paulo/SP País: Brasil Menção Honrosa Nacional + Prêmio de Edição (Troféu Igaçaba) no 10º Concurso Literário Prêmio Missões (Nível Nacional em Poesia), de Igaçaba Produções Culturais, com apoio da Secretaria Municipal de Educação e Departamento de Cultura de Roque Gonzales. Obra: Minha Mulher Gênero: Poesia Ano: 2.006 Cidade: Roque Gonzales/RS País: Brasil Menção Honrosa no XII Concurso Nacional de Poesia Edição ?Guilherme de Almeida?, do CBE ? Clube Brasileiro de Escritores e Poetas Independentes. Obra: Fragmentos de Esperança Gênero: Poesia Ano: 2.007 Cidade: São Paulo/SP País: Brasil Prêmio de Edição na I Jornada Novos da Literatura, da Litteris Editora. Obra: Alma Gêmea Gênero: Poesia Ano: 2.007 Cidade: Rio de Janeiro/RJ País: Brasil 7º lugar (Menção Honrosa + Blinde On Line + Menção de Prêmio Extra no I Concurso Internacionalizando ?O Jovem Escritor?, ação apoiada e selecionada pelo PNLL ? Plano Nacional do Livro e Leitura e Projeto Viva Leitura. Obra: Quando Deus Fez a Mulher Gênero: Poesia Ano: 2.007 Cidade: Vespasiano/MG País: Brasil Prêmio de Edição no Livro Diário do Escritor 2.008 (Agenda Literária), da Litteris Editora. Obra: Tomando Sol Ano: 2.007 Cidade: Rio de Janeiro/RJ País: Brasil 3º Lugar (Medalha ?Glória Maria Marreiros? + Prêmio de Edição) nos XXVII Jogos Florais do Algarve do Racal Clube (Poesia Lírica), com apoio da Câmara Municipal de Silves, Delegação Regional da Cultura do Algarve e Junta de Freguesia de Silves. Obra: Visita Gênero: Poesia Ano: 2.007 Cidade: Silves País: Portugal 1º lugar + Prêmio de Edição (Troféu ALAP) no XVIII Concurso Nacional de Poesia ?Acad. Florestan Japiassu Maia?, da Academia de Letras e Artes de Paranapuã ? ALAP ? Tijuca. Obra: Visita Gênero: Poesia Ano: 2.007 Cidade: Rio de Janeiro/RJ País: Brasil Prêmio de Edição na Mostra Guarulhense de Poesia ?O Verso em Canto?, da Secretaria de Cultura do Município de Guarulhos. Obra: Barquinho à Vela Gênero: Poesia Ano: 2.007 Cidade: Guarulhos/SP País: Brasil Prêmio de Edição no Concurso de Contos do Jornal Cultural Voz Ativa ?Prêmio Antônio Torres?, do Jornal Cultural Voz Ativa. Obra: Estranha Visita Gênero: Conto Ano: 2.007 Cidade: Sátiro Dias/BA País: Brasil Menção Honrosa no 3º Concurso Literário ?Jornalista Valacyr Cremonese?, da Casa de Cultura e Biblioteca Pública Municipal de Sobradinho. Obra: Soneto de Deus ao Poeta Gênero: Poesia Ano: 2.007 Cidade: Sobradinho/RS País: Brasil 4º lugar (Menção Honrosa) no Concurso de Contos e Poesias ?Prêmio Cataratas?, da Prefeitura Municipal, através da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu. Obra: A Agenda Gênero: Conto Ano: 2.007 Cidade: Foz do Iguaçu/PR País: Brasil 9º Lugar (Menção Honrosa) no Concurso de Contos e Poesias ?Prêmio Cataratas?, da Prefeitura Municipal, através da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu. Obra: Você é Linda! Gênero: Poesia Ano: 2.007 Cidade: Foz do Iguaçu/PR País: Brasil Menção Honrosa no XI Prêmio Cidadão de Poesia do Sindicato dos Comerciários de Limeira ? Sinecol. Obra: Visita Gênero: Poesia Ano: 2.008 Cidade: Limeira/SP País: Brasil Prêmio de Edição no III Prêmio Literário ?Valdeck Almeida de Jesus? de Poesia. Obra: Soneto da Conquista Gênero: Poesia Ano: 2.008 Cidade: Salvador/BA País: Brasil Menção Honrosa + Prêmio de Edição no XIII Concurso Nacional de Contos do "Prêmio Jorge Andrade?, da Academia Barretense de Cultura ? ABC. Obra: No Velório Gênero: Conto Ano: 2.008 Cidade: Barretos/SP País: Brasil Prêmio de Edição no 4º Concurso de Poesias ?Dina Di Martini?, da ALIUBI ? Associação dos Literatos de Ubiratã. Obra: Insetos Pelo Quintal Gênero: Poesia Ano: 2.008 Cidade: Ubiratã/PR País: Brasil 3º Lugar (Troféu) no XXIV Concurso de Poesias de Mogi Guaçu (Nível Outras Cidades), da Biblioteca Municipal ?João XXIII?. Obra: Trem Caipira Gênero: Poesia Ano: 2.008 Cidade: Mogi Guaçu/SP País: Brasil 1º Lugar (Troféu) no VIII Concurso Literário ?Cleber Onias Guimarães?, (Nível Local em Poesia) do Conselho Comunitário de São Paulo. Obra: Terra Sagrada Gênero: Poesia Ano: 2.008 Cidade: São Paulo/SP País: Brasil Prêmio de Edição no 2º Concurso Nacional de Poesia de Mogi das Cruzes, da Coordenadoria Municipal de Cultura. Obra: A Senhora da Sombrinha Gênero: Poesia Ano: 2.008 Cidade: Mogi das Cruzes/SP País: Brasil 8º Lugar (Prêmio de Edição) no XIV FESERP Festival Sertanejo de Poesia ?Prêmio Augusto dos Anjos?. Obra: Trem Caipira Gênero: Poesia Ano: 2.008 Cidade: Aparecida/PB País: Brasil 5º Lugar (Menção Honrosa) o Concurso de Contos e Poesias ?Prêmio Cataratas?, da Prefeitura Municipal, através da Fundação Cultural de Foz de Iguaçu. Obra: Catador de Papelão Gênero: Conto Ano: 2.008 Cidade: Foz do Iguaçu/PR País: Brasil 1º Lugar (Medalha) no IV Concurso Literário Maracajá (Comemoração dos 441 anos da Ilha do Governador). Obra: Crônica do Novo Amor Gênero: Crônica Ano: 2.008 Cidade: Rio de Janeiro/RJ País: Brasil SINAL DE VITÓRIA Por favor! Eu lhe suplico Senhor! Ajudai-me com Sua bondade e Sua luz. Ajudai-me na força para se vencer. Recompensai-me nas lutas que venho travando e sempre em frente levando. Eu venho até o Senhor para dizer que sempre lhe aceitarei como o meu salvador. Meu Deus! Quantas mil lutas me deres, eu enfrentarei... mas dê-me um sinal de vitória. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X OBRIGADO SENHOR! Obrigado Senhor por tudo! Obrigado pela minha vida e por tudo em meu corpo estar sadio! Obrigado por tudo o que o Senhor me faz! Obrigado por tudo o que o Senhor me dá para poder trabalhar e estudar! Obrigado pelo meu trabalho! Obrigado pela minha nova vida! Obrigado por ter um amor Senhor! Obrigado por nós dois Senhor! Obrigado por tudo Senhor! Obrigado por tudo ao meu redor! Obrigado por eu crer no Senhor! Me desculpe pelos erros. Obrigado por me acompanhar Senhor! Abençoe a mim e a minha família Senhor! Morai em meu lar. Perdoa-me por algo que esqueci. E muito obrigado por eu ser feliz Senhor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X FAÇA-ME SENHOR Faça-me esquecer o passado Senhor! Faça-me um homem como todos Senhor. Faça-me um herdeiro do amor Senhor! Faça-me um homem como todos Senhor. Faça-me um instrumento de Tua paz Senhor! Faça-me um homem como todos Senhor Faça-me esquecer as agonias Senhor! Faça-me um homem como todos Senhor. Faça-me o caminho para a humildade Senhor! Faça-me um homem como todos Senhor. Faça-me lembrar de Tua face Senhor! Faça-me um homem como todos Senhor. Faça-me o bem querer do próximo Senhor! Faça-me um homem como todos Senhor. Faça-me amar o que tenho Senhor! Faça-me um homem como todos Senhor. Faça-me viver a Tua palavra Senhor! Faça-me um homem como todos Senhor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AGRADEÇO AO NOSSO SENHOR Hoje eu agradeço ao nosso Senhor pela vida que Ele me concedeu. A vida nova e a estrela que posso ver; o futuro nas mãos e o sonho a encaminhar. Hoje eu agradeço ao nosso Senhor pela companheira e suas mãos; a sua crença em Deus, os seus carinhos e o seu amar. Hoje eu agradeço ao nosso Senhor pelo trabalho; pelos dias de trabalho e pela estabilidade; pela força e vontade de construir. Hoje eu agradeço ao nosso Senhor pelo passado e pelo hoje; pelo futuro esperado e pelo presente também abençoado. Hoje eu agradeço ao nosso Senhor por tudo conseguido; por tudo que me rodeia; por me iluminar o pensamento. Hoje eu peço ao nosso Senhor para sempre nos abençoar, e para sempre em nosso lar morar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X OLHOS E CÂMERAS ?Hoje em dia em qualquer lugar que a gente anda, há olhos sempre nos sondando. São pessoas nos analisando e câmeras nos vigiando.? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MENSAGEM AO POETA ?O Poeta quando nasce, assume um compromisso eterno de sempre escrever, pois tal qual o Pequeno Príncipe, ?Ele se torna eternamente responsável pelas pessoas que com suas palavras cativas?..., e só Deus, em sua infinita sabedoria, sabe quantas pessoas pelo mundo são cativadas diariamente com os versos de um poeta, e que aguardam ansiosas por novas palavras que as confortem...? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ESCREVER É PRECISO "Escrever é Preciso"' Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A PORTA DO MEU CORAÇÃO ?Você foi a chave e o segredo que abriu a porta do meu coração que até então eu havia guardado todo o meu amor à procura de alguém!? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SERIA ASSOMBRAÇÃO ?!... Naquele dia haviam saído logo cedo de casa para passear. O marido não pôde ir, pois também logo pela manhã, tinha viajado a serviço da empresa em que trabalhava e muito provavelmente voltaria bem tarde da noite. Assim, Maria Fernanda com seus filhos Matheus de 14 anos e Camila de 10 anos de idade, apanhou seu veículo e desceram para a bela Guarujá, litoral de São Paulo, com a intenção de voltarem no mesmo dia. Só estavam mesmo com o intuito de deixarem um pouco a agitação da cidade grande, aproveitando aquele bonito sábado de sol. Moravam há cerca de três anos num belo e confortável sobrado na metrópole paulistana, e desde que haviam se mudado para lá, suas vidas não tinham sido mais as mesmas, e em especial, o relacionamento com o seu marido andava quase sempre um pouco tanto conturbado, não tendo mais aquele clima bom de antigamente. Nesse dia, Maria Fernanda e seus filhos se divertiram muito. Nadaram, tomaram sol, se bronzearam junto à quentura da areia... Em seguida, almoçaram num restaurante à beira da praia, onde pediram uma deliciosa caldeirada com peixes e frutos do mar e uma porção frita de camarões. Ainda visitaram o aquário daquela cidade litorânea, andaram pela orla e, já no final da tarde, retornaram do divertido passeio naquela maravilhosa ?Pérola do Atlântico?. Na volta, não passaram em nenhum lugar. Maria Fernanda dirigindo seu automóvel, veio direto para casa, enquanto no banco traseiro do veículo, exaustos pelas diversões do dia, Matheus e Camila dormiam relaxadamente. Pouco antes de chegar no sobrado, Maria Fernanda tratou de chamar seus filhos para que acordassem e se despertassem do sono, pois estavam chegando em casa, e como de costume, Matheus era o ?encarregado? de descer do carro para abrir o portão da garagem para entrarem com o veículo, e logo depois, aproveitava e já fechava o portão. Retornaram do litoral por volta das dez da noite. Era época de horário de verão, e o sol naquela oportunidade esteve presente até por mais tarde pelas cidades, razão pela qual acabaram por sair da praia já com um horário bastante avançado. Mas o que ninguém imaginava é que naquele dia algo de anormal iria ocorrer na chegada em suas casas... ***** *** * As pessoas daquela família tinham o hábito de quando saíam e iriam demorar para voltar, deixarem a janela do quarto da frente do sobrado aberta, somente fechada com os vidros, parcialmente tampados por uma cortina. Outras vezes deixavam alguma luz acesa na sala de estar ou na cozinha, ambas na parte inferior do sobrado, tudo isso para se ter a impressão de que na casa havia sempre alguém, para dessa maneira, tentar se evitar a ingrata ?visita? de algum larápio durante suas ausências. Assim que Matheus desceu do carro e partiu em direção ao portão para abri-lo, percebeu algo estranho na janela do quarto da frente que ficava na parte superior do sobrado, a qual estava um pouco iluminada pela claridade emanada da luz de um poste quase em frente aquela residência, fazendo com que, de imediato, brecasse os seus passos e, cautelosamente, retornasse ao veículo. E, sem que tirasse os olhos da janela, com ar de assustado e com um tremor na voz, falou baixinho à sua mãe: - Mãe! Mãe! Tem alguém lá em casa. Eu vi a cortina do seu quarto se mexer! - Calma Matheus! - respondeu a ele Maria Fernanda, tentando tranquilizá-lo. Deve ter sido impressão sua. - Não, não foi impressão não! - falou Matheus agora em tom normal de voz, e continuou: - Eu vi mãe! A cortina se mexeu como se alguém a tivesse afastado para olhar pra rua! - e emendou a fala em sua inusitada visão: - Olha lá!!! Olha lá mãe! Se mexeu de novo! Tem alguém no quarto mãe! - desta vez Matheus estava com os olhos arregalados e muito mais assustado. Percebendo em seu semblante que Matheus estava mesmo falando sério, Maria Fernanda de dentro do veículo, juntamente com Camila, olharam para a janela do quarto e, qual não foi a surpresa, também puderam notar que realmente a cortina do quarto, cuja janela estava fechada somente com os vidros, havia se mexido de forma muito estranha, como se realmente alguém do lado de dentro a tivesse afastado para melhor espiá-los. Vendo esse fato estranho, Maria Fernanda pediu para que Matheus entrasse no carro e rapidamente se afastaram do sobrado e, de dentro do próprio carro, com o uso do celular, Maria Fernanda ligou para a polícia comunicando que possivelmente tinha ladrão no interior de sua casa e estavam com muito medo de entrar. Em questão de minutos, uma viatura com dois policiais encostou bem em frente ao sobrado. E assim, Maria Fernanda e seus filhos, que estavam com o veículo na mesma rua, pouco mais acima, se aproximaram daquela viatura e relataram aos policiais o que haviam presenciado. Após se inteirarem do que estava ocorrendo, os policiais desceram da viatura e pediram a chave do portão e da porta de entrada do sobrado para Maria Fernanda, e com muito cuidado e atenção, adentraram na residência e passaram a revistar meticulosamente todos os seus cômodos, sem deixarem qualquer canto sem ser inspecionado. Faltava ainda a parte de cima do sobrado onde ficavam os quartos da casa. Subiram a escada pela sala até alcançarem o pavimento superior do sobrado, e da mesma maneira, revistaram tudo e nada de anormal foi encontrado. Restava apenas aquele quarto onde ?alguém? estaria escondido e teria mexido na cortina para olhar para a rua, provavelmente em direção aos seus moradores que ali haviam chegado. Os policiais, com suas grandes experiências e aplicando os treinamentos obtidos em suas carreiras, estrategicamente alcançaram o interruptor do quarto, localizado a meia altura, próximo ao batente do lado interno da porta. Acenderam a luz e, subitamente, entraram com suas armas em punho, porém depois de meticulosa revista realizada naquele compartimento, no guarda-roupa..., embaixo da cama..., atrás da cortina..., também ninguém foi encontrado e nem tampouco havia quaisquer sinais de anormalidades em seu interior. E depois de terem verificado todos os lugares possíveis onde poderia alguém estar escondido (armários, guarda-roupas, quintal, inclusive nos quintais vizinhos, etc) os policiais se despediram de Maria Fernanda, dizendo-lhe que estava tudo bem, orientando-a para que fechasse bem as portas e as janelas da casa, e caso houvesse qualquer outro problema, era para ela ligar novamente para eles. Tendo os policiais ido embora, Maria Fernanda, seguindo suas orientações, imediatamente fechou muito bem as portas e janelas do sobrado e ligou para o seu marido explicando o ocorrido, no que este falou que já estava chegando, mas também a orientou para que mantivesse as portas e janelas bem fechadas... ***** *** * Passado todo esse acontecimento, ainda moraram alguns meses naquele sobrado e só mudaram quando as chaves de seu apartamento foram-lhes entregues. Mas esse fato nunca solucionado, sempre mexeu com aquela família, pois estranhamente todos naquele dia, Maria Fernanda, Matheus e Camila, afirmam terminantemente que viram a cortina ser afastada como se alguém, de dentro do quarto, a tivesse puxado para observá-los. E com certeza não teria sido o vento, porquanto a janela estava fechada com os vidros, e estes vedavam qualquer possibilidade de entrada de ar. E o mais sinistro é que, naquele dia, quando retornaram àquele quarto de casal já sem a presença dos policiais, e mesmo sabendo que durante a revista, aqueles patrulheiros puxaram as duas partes da cortina, mas não voltaram-na ao lugar em que se achava, a cortina se encontrava completamente fechada, não tendo nenhuma brecha entre as duas partes que a compunham, fato esse que Maria Fernanda preferiu não comentar a seus filhos. Estranho também foi o fato de que, após algum tempo que se mudaram daquele sobrado, o relacionamento de Maria Fernanda com o seu marido havia melhorado bem. Ah, não sei se tem alguma coisa a ver! Mas ficaram sabendo que há muitos anos, no local em que foi construído aquele sobrado, juntamente com outros demais sobrados geminados, funcionou um terreiro onde se praticavam trabalhos de magia negra e ?despachos? dos mais diversos. ...Teria sido assombração em seus ?domínios territoriais? a vagar por aquele sobrado e ter afastado a cortina para melhor olhar pela janela a chegada de seus ?nobres visitantes??!... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O BARULHO Puft!!!... De repente um barulho vindo da direção da cozinha!... Era alta madrugada e o sono batia profundamente em Sebastião. Mas o tirocínio, a perspicácia e a coragem de um policial antigo (experiente), fez com que de pronto levantasse, e de posse de sua inseparável companheira, a arma, - havia apanhado-a debaixo do travesseiro - partisse cautelosamente do quarto em direção de onde havia vindo aquele barulho, pelo interior da casa... Passou a adentrar e a revistar meticulosamente cada compartimento de sua residência. Como nos filmes policiais, aliado ao aprendizado na academia e vivência de rua, se abrigava atrás de cada parede e de cada batente, e a cada interruptor estrategicamente alcançado, acendia a luz do respectivo cômodo, após é claro de um certeiro chute na porta para rapidamente abri-la, e saltava com a arma em punho ? empunhadura dupla ? com o intuito de surpreender e flagrar o eventual hóspede intruso. Mas a cada cômodo revistado, nada de anormal era encontrado. As coisas estavam ali, cada objeto em seu devido lugar: no corredor, no banheiro, em outro quarto...; sequer alguma louça na cozinha fora de seu lugar. E Sebastião sabia não estar louco. Tinha a plena convicção de ter ouvido um barulho; um barulho nítido vindo da direção da cozinha. Quem teria ousado invadir a casa de tão bravo policial? Seja lá quem fosse, com certeza iria se dar mal, pois Sebastião estava ali, embora de folga e à paisana, mas imbuído de sua missão. Torcia Sebastião para encontrar o possível ladrão no interior de sua residência, pois com a sua coragem e a sua grande experiência profissional de longos anos de caserna, facilmente surpreenderia o suposto larápio e seria mais uma ocorrência sem maiores novidades em sua carreira. Porém, após meticulosa revista pelo interior da casa - nenhum cantinho ficou sem ser inspecionado -, o destemido Sebastião começa então a sentir um pequeno calafrio - de medo, pois sua coragem limitava-se ao mundo real. Ora, se não havia ninguém pela casa, e tinha Sebastião a certeza de ter ouvido um barulho em seu interior, só poderia então ser coisa do além... Essa não!!! E agora? O que fazer Sebastião???... Enquanto o perigo estava na seara do visível - um intruso de carne e osso, tudo bem! O que não esperava Sebastião, era pensar que o perigo que o rondava, não pertencia a este mundo. E assim, como a ?ocorrência? passara para o campo do mundo ?de lá?, pensava Sebastião no que fazer agora com sua companheira, a arma? De que adiantaria todo poder bélico em suas mãos?... Era coisa de assombração!... E é aí que Sebastião, trêmulo, começa a retornar para seu quarto, logicamente para iniciar mais do que nunca, seu ritual de orações e, quem sabe, afastar aquele possível intruso do além, quando de repente, ao passar pela cozinha, no corredor que divide os cômodos da casa, é tomado de um enorme susto... Puft!!!... Outro barulho!... Sebastião ?trava?. Fica momentaneamente paralisado de medo. Suas pernas não lhe obedecem e sua arma quase lhe escapa das mãos. O que seria? Só poderia mesmo ser coisa do além... Um fantasma?!... Após segundos de apreensão e ?congelamento?, Sebastião relaxa, e agora com seus movimentos retomados, enxuga o suor que escorre sobre sua face, apaga as luzes que havia acendido e, certo de que cumprira sua missão, recoloca a arma sob o travesseiro e tranqüilo volta a deitar-se... Tinha se lembrado que na tarde do dia anterior, havia desligado a geladeira para limpá-la no dia seguinte, e naquela madrugada o gelo começava a desprender-se do congelador, fazendo aquele barulho... Puft!!!... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ESTRANHA VISITA Fizesse tempo bom ou tempo ruim, lá estava Milton, sempre disposto e preparado para a pescaria. Tinha um pesqueiro em sociedade com o Zé Alemão, onde todo final de semana, mais precisamente aos domingos, se relaxavam da cidade grande e do estresse do dia-a-dia de trabalho, indo para o mato, na beira do rio pescar. Num certo fim de semana seu parceiro de pescaria, o Zé Alemão e outros amigos de boteco os quais quase sempre eram convidados para a rotineira pescaria, devido a compromissos diversos, não puderam ir ao pesqueiro, deixando Milton sem companhia para aquele gostoso lazer. Mas quando acontecia isso, Milton não queria nem saber, e mesmo sem companhia ia sozinho mesmo. Logo pela manhã de domingo, já estava de pé, pronto para a pescaria. Arrumava seus apetrechos de pesca, botava no porta-mala de seu corcel vermelho, ano 74, e partia para a estrada rumo ao pesqueiro. E foi num desses dias em que Milton encontrando-se sozinho na beira do rio, lá por volta das quatro horas da tarde, mata fechada às suas costas, quando então o dia havia transcorrido normalmente, e a pescaria tinha sido boa, apesar de já ter tido dias bem melhores que aquele, ouviu um barulho na mata, como se algum animal, e grande, estivesse ?rasgando? as folhagens e galhos, e tudo mais o que encontrasse à sua frente, abrindo uma trilha ?no peito?. Milton de imediato, parou com sua pescaria (com o susto e a curiosidade, não teve nem mais como continuar) e ficou olhando em direção de onde vinha aquele barulho, torcendo para que aquele ?algo? não estivesse vindo em sua direção e tomasse um outro rumo indo embora dali. Porém, nada disso aconteceu... O ?rasgar? da mata soava mais forte e descia em direção ao pesqueiro, cada vez mais perto, e agora dava até para ouvir galhos e folhas secas, caídos ao chão, serem pisados, deixando Milton muito tenso, chegando a pensar que fosse uma onça. Já tinha ouvido muita conversa de pescador que naquela mata costumava-se aparecer onça. Milton, trêmulo, passa a mão em um facão e sem desgrudar os olhos da direção de onde vinha aquele barulho, fica aguardando o animal em posição de defesa . E o barulho continuava mais próximo. Era como se fosse um trator tombando aquela mata. Mas o que seria???... Seria mesmo uma onça?... Justo hoje que Milton estava sozinho? Mas também se fosse uma onça, de que adiantaria aquele facão?... Se a onça com sua força estava ?rasgando? aquela mata, é porque estava com muita fome e tinha sentido cheiro de gente naquele pesqueiro. Portanto facilmente pularia sobre Milton, desprezaria o facão, e o arrastaria para o interior da mata, onde fatalmente faria sua refeição. E aquele ?ser? estava muito próximo, já se podia ver os galhos dos arbustos se mexerem, as folhagens balançarem, os pássaros se debandarem..., quando de repente, eis que surge de dentro da mata aquele misterioso ser, não sem antes ainda quebrar um galho seco que se encontrava caído em diagonal, atrapalhando sua passagem, e que, ao se deparar com Milton, fica parado, olhando-o fixamente em seus olhos. Era um homem de aproximadamente um metro e oitenta de altura, branco, forte, com imensas barbas e cabelos grisalhos. Trajava camiseta, tipo regata, e suas calças compridas, estavam arregaçadas até a altura das canelas, achando-se descalço e com as mãos vazias. Melhor para Milton, pois pelo menos não era uma onça como pensava, mas aquele homem estranho, de respiração ofegante, não falava nada e não tirava os olhos de Milton. Devia ser um andarilho, todo sujo e arranhado... Talvez pelo modo em que se deslocara para abrir caminho naquela mata... Parecia um eremita! Milton, ainda com o facão em uma das mãos, tentou dialogar com o desconhecido. Ofereceu café..., cigarro..., água..., pão..., e até uns trocadinhos àquele estrondoso e assustador sujeito, porém, aquele ser ?pré-histórico? não respondia nada e continuava de pé, parado há poucos metros de Milton, ainda olhando-o fixamente com olhos de surpresa. Vendo que o desconhecido não esboçava qualquer reação, Milton com muito medo, começa a arrumar seus apetrechos sem desviar o olhar daquela estranha criatura, e assim, vai saindo de fininho, sem dar as costas ao seu intimidativo, partindo em direção ao corcel que estava estacionado próximo ao pesqueiro. Com muita dificuldade pelo tremer de suas mãos e pernas, consegue abrir a porta do veículo, e após a ?difícil tarefa? de conseguir colocar as chaves no contato, liga o carro e vai embora acelerando-o bruscamente. Anos se passaram, e Milton nunca mais pescou sozinho. Em suas pescarias estava sempre acompanhado pelos amigos. Voltou muitas vezes naquele pesqueiro, mas nunca mais viu aquele inusitado ser, e jamais teve certeza de que aquela estranha visita fosse mesmo um eremita ou alguma alma penada necessitando apenas de uma oração. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DESINTELIGÊNCIA Era o início de mais uma noite de sábado. Noite de suave clima na capital paulista. Noite que favorecia a saída das pessoas para diversão, encontros e também para a ingestão de bebidas... muitas bebidas, principalmente as alcoólicas. Com isso a incidência de brigas aumentava sobremaneira naquela Vila da periferia. Naquela noite, após receberem o comunicado da Base, os patrulheiros Álvaro e Oliveira, partiram com a viatura policial em alta velocidade para o atendimento de mais uma ocorrência de desinteligência dentro do perímetro de suas rondas. É bom frisar que nos casos de desinteligências, os maiores índices se reportavam nas brigas entre marido e mulher. Brigas essas que muitas das vezes chegavam a provocar sérias lesões nas pessoas envolvidas e, em grande número dos casos, a mulher é quem acabava sendo a maior vítima. Os patrulheiros que eram designados para esse tipo de atendimento, recebiam orientações para que chegassem no local onde estava ocorrendo aquele desentendimento, com a máxima cautela e com todo cuidado possível, pois nessas situações, raramente o homem (marido) não estaria muito nervoso, e o que é pior, quase sempre embriagado. E, em uma outra hipótese ainda mais grave, podendo estar de posse de alguma arma, da qual poderia perfeitamente fazer uso contra aqueles patrulheiros. Álvaro e Oliveira, por já terem atendido a inúmeros casos de brigas entre casais durante suas carreiras de patrulheiros, sabiam muito bem o que poderiam encontrar pela frente, ou seja, a ira e a violência por parte do homem que costumava ficar ainda mais bravo quando percebia a presença daqueles homens fardados. Sabiam também aqueles patrulheiros, por conhecer bem aquela área, que o lugar indicado era muito perigoso, assim sendo, mais um motivo para se dirigirem àquela Vila com a máxima atenção, inclusive por já ser início de noite e, na escuridão, o perigo naquela Vila era sempre mais iminente... ameaçador. A casa onde estava ocorrendo a desinteligência, segundo informado pela Base, situava-se numa rua de terra, localizada junto a um ?Beco?, vulgarmente conhecido como ?Beco do Risca Faca?. Por aí, já dá para perceber onde aqueles patrulheiros estavam se enfiando. Mas, corajosos e cautelosos que eram, avançaram com a viatura por aquela rua de terra, a qual era coberta parcialmente por alguns cascalhos. Não rodaram muito e logo já puderam ver um grande número de pessoas próximas a um velho poste de madeira, reunidas sob a claridade que uma fraca luz de mercúrio emanava, bem em frente à residência do local da desavença. Com a percepção que aquela visão proporcionava, imaginavam os patrulheiros que algo muito sério poderia ter acontecido, ou ainda estar acontecendo. Começaram a pensar se no calor daquela desinteligência, uma briga muito feia pudesse ter sido deflagrada e alguém se machucado? Quem sabe teriam chegado tarde naquela ocorrência, e o marido já tivesse matado sua mulher? De qualquer forma, não se aproximaram daquela turba. Pararam com a viatura há alguns metros daquele lugar, mantendo o foco dos faróis altos em direção àquele povo, e só assim desceram do veículo policial. No momento em que desceram da viatura e partiam cautelosamente em direção à multidão, uma senhora aparentando pouco mais de quarenta anos de idade, de média altura e muito forte, usando uma camiseta regata branca, cujos braços atléticos, lembravam mais um lutador de ?Luta Livre?, veio em alto passo ao encontro dos patrulheiros, com um pedaço de pau, semelhante a um pedaço de ripa, seguro firmemente em uma de suas mãos... Mas que cena mais grotesca! Será que aquela senhora estaria indo em direção àqueles patrulheiros para agredi-los? Afinal, o que realmente estaria acontecendo naquele lugar? Qual seria o propósito daquela mulher? E os patrulheiros, como agiriam face aquela inesperada ação? E então, quando os patrulheiros se preparavam para coibir a aproximação daquela mulher, esta em tom bravo e em alta voz, e ainda caminhando em suas direções, grita aos patrulheiros: - Seus guardas, podem ficar tranqüilos, pois já está tudo certo por aqui. Foi aquele safado do meu marido que chegou bêbado da rua, e quis dar uma de machão lá em casa, e então eu ?sentei? uma paulada no meio da cabeça dele. Vocês podem subir lá em casa, que a estas horas ele já deve é estar bem mortinho. Nesta hora, Álvaro e Oliveira, ?relaxaram um pouco?, pois aquela circunstância que poderia ter sido desfavorável para aqueles patrulheiros, aparentemente já estava ?sob controle?, após a declaração daquela mulher, que logo em seguida ficaram sabendo chamar-se Jacira - Dona Jacira. Mas mesmo assim, haviam ainda que ter muita cautela. Precisavam de entrar na casa para realmente confirmar a veracidade das palavras de Dona Jacira. E se o seu marido estivesse lá, armado e esperando alguém chegar para atacar? Segundo informações que os patrulheiros receberam dos vizinhos, tratava-se de um homem muito bravo e violento. Perguntaram qual o nome do marido para Dona Jacira, e, após isso, com cuidado e atenção redobrados, subiram por uma escada feita de concreto, pois a casa ficava no alto de um morro, e adentraram no quintal da residência por onde começaram a chamar pelo marido de Jacira: - Seu Clóvis, o senhor está aí? Está tudo bem com o senhor? Aqui é a polícia, não precisa ficar com medo, só queremos saber como o senhor está. O senhor pode sair um pouquinho aqui pra conversar com a gente? Porém como não houvesse nenhuma resposta ou qualquer sinal de ruído que pudesse indicar a presença de pessoas pelo interior da casa, os patrulheiros começaram a pensar que talvez Clóvis estivesse mesmo morto. Então, sutilmente, foram entrando na residência, pela sala, pois esta estava parcialmente com a porta aberta e, já naquele recinto, próximo ainda da porta de entrada, percebem um gemido vindo da direção de um dos cantos daquela sala de estar, e, olhando para o canto de onde vinha aquele gemido, vêem, estirado sobre um sofá bege de camurça, a figura de Clóvis, com um enorme corte sobre sua testa, pouco acima dos supercílios, cujo sangue escorria-lhe aos poucos pela face, pedindo em meio aos gemidos, para que o socorressem. Neste exato instante, Dona Jacira entra subitamente naquela sala, e ainda de posse daquele pedaço de pau, parte em direção a Clóvis, na intenção de desferir-lhe mais uma paulada, dizendo: - Seu fia da ?p...?! Você ainda está vivo seu cachorro... Porém essa intenção é rapidamente impedida pela ação dos patrulheiros. Após esse entrevero, os patrulheiros socorrem Clóvis até o Pronto Socorro, onde este levou cerca de dez pontos na testa, e em seguida, ambos, marido e mulher, foram conduzidos até a delegacia de polícia para o registro da ocorrência. ...Era uma noite de ?suave clima? na capital paulista... e ainda era apenas o início de mais uma noite de sábado na rotina dos patrulheiros Álvaro e Oliveira. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A NOIVA DO CHUCKY O filme havia terminado tarde da noite naquele intenso inverno... E todo sábado era assim. Aderbal e Ana Maria, jovens casais, tinham apenas uma filha de cinco anos de idade, a pequena Marianinha, e ambos não deixavam de lado aquela rotina que vinha desde os tempos de namoro que era o de assistir a filmes nos finais de semana. E naquele sábado não foi diferente. Passaram logo pela manhã na locadora para apanharem os filmes que no sábado anterior já deixavam reservados para o próximo fim de semana. Naquela fria e chuvosa manhã de sábado, além dos filmes previamente reservados, apanharam outros de seus interesses disponíveis nas prateleiras da locadora. E de fato, aquele frio, em parceria com a fina chuva que caía sobre a cidade, deixava o dia favorável para se ficar em casa, embaixo de cobertas, assistindo aos filmes alugados e saboreando uma gostosa pipoca feita no microondas. Começaram assistir aos filmes logo após o almoço. Só pararam no final da tarde para dar uma relaxada, tomarem um banho, para em seguida retornarem à frente do home theater e continuarem com as atrações cinematográficas, naquela gelada noite de julho. Para não perderem o costume, e é claro, matarem a fome, pediram uma saborosa e tradicional pizza de mussarela com calabresa, enfeitada com azeitonas pretas e recheada com muito catupiri, para degustarem durante a sessão noturna. Assistiram a filmes de diversos gêneros: comédia; drama; romance; policial; suspense; e por fim, já tarde da noite, para encerrar a sessão ?coruja?, deixavam sempre para assistir um filme de terror, gênero esse de filme que Aderbal só assistia se estivesse acompanhado por alguém, no caso, sua esposa Ana Maria, pois Aderbal morria de medo das coisas do ?além?, aliás ele evitava até ficar à noite sozinho em sua casa, tamanho o medo dessas ?coisas? do outro mundo... de fantasmas, etc... A atração que encerrou aquele ?dia no cinema?, foi o filme ?A Noiva do Chucky?, onde bonecos ganham vidas e, com feições diabólicas, passam a perseguir e a assassinar as pessoas. Um verdadeiro terror!... As ?cortinas? do espetáculo se fecharam mais ou menos a uma e meia da madrugada, e assim, desligaram os aparelhos, deixaram a sala do home theater e foram para os seus quarto dormir. Mas antes, Ana Maria como de hábito, sempre dava uma passada no quarto de Marianinha para ver se estava tudo bem com ela dormindo, e ainda sempre passava na cozinha, onde tomava um gole d'água para só depois ir se deitar ao lado de Aderbal, que a essa hora, já estava ?sonhando com os anjinhos?... Só para se conhecer um pouco mais do medo de Aderbal, quase todas as vezes que ele assistia a filmes de terror, acabava por ter pesadelos, acordando no meio da noite, suado e muito assustado, mas logo que percebia que tudo não passava de sonho, voltava a dormir. Porém naquela noite as coisas seriam diferentes. Aderbal não sofreria com seus pesadelos, mas sim, se sentiria por alguns minutos, acordado, vendo coisas do ?outro mundo?!... Que mistério!?... ***** *** * Era alta madrugada, quando Aderbal, não se sabe se por algum barulho ou outra coisa que valha, acabou acordando. Estava deitado de costas, olhando para o teto do quarto quando abriu os olhos, e nessa posição, ficou por alguns minutos até que pegasse novamente no sono. Quando suas pálpebras começaram a querer se fechar pelo retorno do sono, achou por bem acomodar-se melhor em sua cama, assim, virou-se com o corpo para o lado da parede, e antes que fechasse os olhos para se entregar definitivamente aos ?sonhos?, teve uma visão de horror que lhe causou um grande susto e tremor por todo o corpo... Ao lado de sua cama, levemente iluminada pela claridade de um abajur com luz de neon, próxima à janela do quarto, uma menina de pequena estatura, com cabelos loiros e soltos até a altura dos ombros, mais desalinhados do que penteados, de pé, usando uma extravagante maquiagem, vestida com uma camiseta toda listrada verticalmente, alternando cores azuis e brancas, e uma calça escura de moletom, observava-o fixamente com os seus olhos brilhantes e com um largo sorriso em seus lábios. Aderbal, após segundos de hipnotismo pelo medo sentido, conseguiu apenas num ímpeto, puxar o lençol e cobrir toda sua cabeça. Embaixo daquela peça de tecido, Aderbal tentava com muito esforço se comunicar com Ana Maria para lhe mostrar o que estava vendo, porém sua voz não saía e seu corpo lhe parecia tomado por anestesia geral. Apesar do grande temor que estava sentindo, não resistiu em dar mais uma olhadela para ver se a menina - aquela assombração, ainda estava por lá. Quem sabe não teria sido uma ?ilusão de ótica? por motivo de seu inerente pavor?... Devagarinho, foi retirando o lençol que lhe cobria a cabeça, já bastante molhado pela sudorese do pânico que estava sofrendo, até que lhe descobrisse os olhos, instante em que sua taquicardia começou a aumentar mais ainda quando viu que a menina-assombração continuava por lá, como no filme ?A Noiva do Chucky? , pensava ele, pronta para lhe matar, mas só que nem iria precisar de qualquer ação violenta por parte dela, pois Aderbal já estava prestes a ter um enfarto e morrer de medo. Neste momento, sentindo um desconforto pelo tremer dos movimentos estranhos de Aderbal, Ana Maria acordou e imediatamente cutucou seu marido perguntando-lhe: - Quê quê foi Aderbal, que você não pára de se mexer na cama? Tá tudo bem? Você não vai dormir não?... Aquela voz de Ana Maria na madrugada, soou como a sirene de um navio se aproximando de uma ilha onde estaria algum náufrago, e esse ?náufrago? era Aderbal, que agora tomado por um pouco de coragem, tentava avisar à Ana Maria sobre o perigo que estavam correndo: - A... An... Ana... Ana! Te... te... tem uma menina aqui no quarto, perto da janela... O... O... Olha, vo... vo... você também tá... tá... vendo ela? Ana Maria ouvindo o clamor de Aderbal, tratou logo de olhar em direção à janela e ao também ver a ?estranha? menina, gritou: - Aderbaaaaal! Você não está vendo que é a boneca da Marianinha que eu coloquei ali?... Após essa revelação, e se recompondo do susto, Aderbal muito bravo, desabafou: - Mas aqui é lugar para se colocar a boneca da Marianinha, bem ao lado da minha cama, e ainda vestida com essas roupas Ana Maria? Aí, Ana Maria se justificou: - Sabe o que é Aderbal..., é que na hora em que viemos nos deitar, passei no quarto da Marianinha para ver se estava tudo bem, e aí, ela estava acordada em sua cama e me pediu para que tirasse a boneca de lá porque estava com medo dela. Só não sei o porquê? E então, para não deixá-la pelo corredor da casa e a noite a Marianinha levantar e vir a se assustar com a boneca, resolvi colocá-la ao lado de nossa cama, até pela manhã, para depois a gente resolver o que fazer com ela... Ou seja, Aderbal era tão medroso, que após ter assistido ao filme de terror, ficou com ?aquilo? na cabeça, e justo nesse dia, Ana Maria, sem qualquer intenção, havia colocado a boneca de Marianinha, de pé, próxima à parede do quarto, bem ao lado da cama que Aderbal dormia, e desse jeito, entre pensamentos e cenas do filme, pensou Aderbal estar cara a cara com a própria Tiffany - A Noiva do Chucky, que viera lhe atormentar naquelas horas da madrugada. Depois desse dia, resolveram doar a boneca, mas sem as roupas de Marianinha, e sim, com a própria vestimenta original da boneca, e também, sem aquelas carregadas maquiagens que Marianinha costumava ?embelezar? suas bonecas. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VENTOS QUE SOPRAM Sete horas da manhã. Em direção ao meu serviço no centro da cidade. A chuva que caía em minha cabeça, escorrendo em minha face; meus braços cruzados; cabeça abaixada, quando que por um encanto olho para frente, e vejo ela caminhando em minha direção, há alguns metros de mim. Corro e lhe dou um abraço; levanto-a em meus braços e, com minha voz eufórica, pergunto-lhe: - Por onde andou por todos esses anos? Você não sabe o quanto andei atrás de você. Pensei até que havia mudado para bem longe daqui. Só Deus sabe o quanto sofri sem você ao meu lado e agora que tenho você, não quero mais te perder, mesmo porque sei que você me ama. Abraço-a forte em meus braços. Agora sentados no banco de um jardim, a chuva já havia cessado, apenas o vento soprava, quando olho para o relógio e vejo que já são oito horas e já havia perdido a hora do serviço; começo a rir, dou-lhe um beijo, e então, caminhamos em direção a minha casa, completamente molhados, mas agora sei que iremos viver um para o outro e nada mais atrapalhará nossa vida de amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AMOR INCERTO Conta um amigo, Carlos, que numa tarde de janeiro, quando em passagem por uma avenida num certo centro comercial de São Paulo, em dado momento, teve que parar debaixo de um toldo e se abrigar da forte chuva que naquela tarde caía sobre a cidade. Parou defronte a uma loja de confecções e ali ficou até ouvir uma suave e bonita voz que do interior da mesma se fazia ressoar, chamando-o para dentro a fim de melhor se abrigar. Sem hesitar, conta ele, adentrou àquela loja e de mais perto pôde então perceber a figura de uma linda moça, uma funcionária da loja, que com pena dele, o chamou para entrar. Estava tão fascinado com aquela jovem, que nem mesmo lembrou de agradecê-la pela gentileza. Ficou meio que hipnotizado, sem saber o que falar, até que a jovem voltou-se a ele e perguntou seu nome. Carlos, que é um dos maiores galanteadores que já conheci, tratou logo de improvisar uma conversa. Meia hora já havia se passado, a chuva já se transformava em garoa, e o vento aos poucos cuidava de dispersá-la. Tendo que ir, e não haver outro jeito, é claro, depois de se apresentarem e de muita conversa, ele anotou o telefone da loja e ficou de ligar no dia seguinte. Porém, havia um grande problema, Carlos era casado... Mas o que importava para ele, era apenas viver uma noite fora de sua rotina. Marcaram um encontro para a noite, próximo ao lugar onde se conheceram. E na hora marcada, lá estava Carlos, tenso e nervoso à espera da garota que já começava a se atrasar. De repente, um lindo olhar castanho e uma perfeita formosura, encheram os olhos de Carlos, fazendo-o por um instante, flutuar no mais belo mundo de fantasias. Ali estava Márcia, a garota da loja, em um traje que caía perfeitamente em suas curvas que em 16 anos o tempo havia-lhe moldado. Ali mesmo se abraçaram e se beijaram. E então, nem mesmo uma bomba de Hiroxima para fazer despertá-los daquele momento tão marcante, e nem mesmo o oceano Atlântico ou o Pacífico para apagar aquela paixão, que já na primeira vez, como uma flecha de cupido, em seus corações havia se alojado. Nascia naquele momento, insiste ele em me dizer, seu verdadeiro amor - amor ao primeiro beijo. Carlos com pouco mais de 22 anos; Márcia na flor dos 16; ele casado; ela solteira. Começava ali um romance, um romance de ilusões - um amor verdadeiro. Naquela mesma noite, foram para uma lanchonete onde começaram a se conhecer. Em cada palavra, em cada gesto e em cada olhar de Márcia, se apaixonava mais ainda Carlos, que quase sem chance para falar, pois Márcia não lhe dava tempo, apenas sentia em suas palavras um ar de sinceridade e de pouca malícia, porém de muita inteligência para uma garota de 16 anos. Saíram abraçados da lanchonete e pegaram um ônibus... Muitos dias se passaram; muitos dias se encontraram. A dúvida dentro do coração de Carlos aumentava a cada dia que saía com Márcia, pois já não sabia se amava sua esposa. Márcia despertava dentro de Carlos um grande amor, um amor que nem mesmo quando conheceu Luiza, sua mulher, havia sentido. Um certo dia, já bastante abalado e incerto de si, quando seu relacionamento com Luiza começava a fraquejar, quando somente em sua cabeça alimentava sonhos de separação, quando tinha certeza que amava uma única mulher, e esta mulher se chamava Márcia, decidiu naquela noite, contar toda a verdade à Márcia, pois por outro lado, Márcia vinha pressionando Carlos para que fosse em sua casa conhecer seus pais, fato que sempre inventava alguma desculpa para não ir, preferindo o encontro às escondidas. Sentados no banco de uma praça, depois de trocas de carinho e de muitas palavras de ilusão, Carlos, olhando para aquele olhar meigo e apaixonante de Márcia, começava a falar a verdade... Contado tudo, Márcia chora como uma menina que na vida perdeu seu primeiro amor; todo um sonho de promessas de amor, havia se desfeito naquele momento, e feito louca, saiu correndo por entre a praça, alarmando outros casais que por ali vinham afogar seus desejos. Uma semana havia se passado, quando em seu serviço, Carlos recebe um telefonema inesperado. Era Márcia que lhe telefonava, pedindo-lhe desculpas pela maneira como se procedeu na última vez em que se viram, porém deixou claro em dizer que durante toda semana não lhe tirara da cabeça, pois já era tarde para esquecer o amor vivido com ele por todo um mês que passaram juntos. Pediu a Carlos para que naquela noite, a fosse esperar no serviço, porém antes de desligar, deixou claro em dizer que não se importava que ele fosse casado, pois o amava muito. Naquela noite, os dois voltaram a se encontrar, porém mais uma vez, Carlos tentou pôr fim naquele romance, romance aquele que já começava a destruir seu lar. Luiza ainda não possuía prova alguma desses encontros, porém como começava a suspeitar, Carlos propôs a Márcia que desse um tempo no namoro, talvez duas ou três semanas, até que ele conseguisse se decidir sobre a que rumo tomar. Márcia, mais uma vez viu seus sonhos se desmancharem, e sem palavras para poder ser ouvida e com olhos afogados em lágrimas, concordou. Seis meses se passaram, e jamais Carlos pôde olhar para Luiza sem ver o rosto de Márcia. Quisera Carlos, tudo ter acontecido antes que se casasse; pudera ter conhecido Márcia antes mesmo de conhecer Luiza. Pensamentos assim faziam com que Carlos se isolasse dentro de si, sofrendo sozinho aquela paixão que a força do destino tinha reservado para ele e que tivera jogado fora ao se precipitar em casar com Luiza. Depois de muito sofrer com seus pensamentos, e depois de muito tempo que havia terminado seu romance com Márcia, seu relacionamento com Luiza voltava a ser como no princípio... O amor voltava a brilhar em seu lar, quando num determinado dia, passeando os dois por um certo centro comercial de São Paulo, a forte chuva que naquela tarde caía sobre a cidade... Pôr fim se abrigaram em um toldo de uma loja, e algum tempo por ali ficaram, até que uma suave e bonita voz viera despertar Carlos. Era Luiza que o chamava para prosseguir, pois a chuva naquele instante já havia cessado. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A AGENDA Manhã de segunda-feira. Levanta e, vaidosa, antes de ir ao espelho, Monique ajeita seus cabelos e quebra um pouco o impacto daquele despertar. Ainda assim, vaidosa, cobre seu corpo com a água que cai do chuveiro e começa a se programar. É agora despertada com um fecho de luz de raio de sol, que sem pedir licença, invade a intimidade daquele recinto, quebrando a privacidade de seu comportamento. Faz alguma hora antes de se arrumar e sair para mais um dia de vida. Na rua, o movimento sobre o asfalto a faz ter a certeza que a rotina de sua vida não irá mudar: A cadeira de balançar de D. Francisca, em sua varanda, neste momento descansa e espera mais um dia de balanço e companhia; o jardim da casa de esquina, com seu ipê florido, cujos galhos sombreiam a calçada, ainda adormece e espera por mais um dia de jardinagem; a praça que ontem estava repleta de alegria, hoje, solitária e suja, aguarda pela faxina dos homens do serviço público. Continua andando e ouve a badalada das sete no relógio da torre da igreja e avista uma fila de pessoas com as mesmas características, ideais e caminhos - até certo ponto - iguais...; o coletivo se aproxima e nota o mesmo carro e ocupantes vindo a corroborar mais uma vez com a monotonia do seu dia-a-dia. Já em seu interior, percebe aquele senhor simpático que ao avistá-la, sorri e acena desejando-lhe um bom dia. Retribui e procura um assento para sentar-se. Novamente D. Lazinha, aquela senhora de cabelos grisalhos, está a seu lado e, faladeira que é, vai logo lhe perguntando sobre as novidades do domingo. Fala que nada mudou e que tudo continuou indiferente à sua existência. Fala ainda que ansiava pelo início de mais uma semana, pois qualquer rotina era sempre mais interessante que o vazio de suas tardes de domingo. D. Lazinha pergunta-lhe se procura alguém e Monique responde que não, pois lhe resta pouco tempo... D. Lazinha se cala, e não suportando o silêncio que o pensamento de Monique traduz, vira o rosto para trás e cochicha qualquer coisa no ouvido da moça de blusa azul. Sem olhar mais para ela, Monique volta-lhe à frente e avista com o canto dos olhos, através da janela, um casal que já naquelas horas, felizes se abraçam e se beijam. Está diante de uma cena que a faz refletir sobre a veracidade do amor, porquanto ainda outro dia, o rapaz repetia aquela cena com uma outra pessoa e a mesma felicidade se fazia presente. Cruza o colégio onde estudou e que passou grande parte de sua vida, e que hoje, ainda com a mesma fachada, abriga o Centro Cultural da cidade. Ao lado do Centro Cultural, aquele enorme terreno baldio, há alguns anos, deu espaço ao Hospital Santa Cecília, que apenas sabe ser um dos maiores e bem conceituado Hospital do país e que seu proprietário reside nos Estados Unidos. A essa altura, o ônibus já cumpriu quase todo o seu percurso e são poucas as pessoas que em seu interior ainda se encontram. Aquele senhor simpático passa por ela e como de costume chamando-a de moça bonita, deseja-lhe um outro bom dia e se vai. D. Lazinha já havia se levantado e juntamente com aquela moça que trajava uma blusa azul, conversam próximos ao motorista. Pedem para parar no próximo ponto, mas antes que seus pés alcancem os degraus, lançam-lhe olhares discretos. Uma senhora obesa discute com o cobrador exigindo seu troco, e após receber seu pequeno quinhão, pára próximo a seu assento e dirigindo-se à Monique, desabafa sobre o ocorrido, instante em que grita ao motorista para que espere, pois seu ponto já houvera passado e pretende descer no próximo. Outras pessoas passam por ela e sente que, sorrateiramente algumas insistem em lhe perceber. Já quase sem ninguém no coletivo, passa as mãos alisando seus cabelos e vasculha em sua bolsa à procura daquele conjunto com espelho e batom marrom. Aguarda a parada no ponto final e ao levantar-se, olhando no assento lateral, percebe uma pequena agenda que mais se parece com um caderno de anotações, cuja capa cinza, estampa o desenho manual de uma bela moça com cabelos compridos. Apanha-a e, olhando ao seu redor, não consegue saber a quem pertence. Curiosa começa a folhear e notar suas páginas simples, porém o seu conteúdo é rico de lindas mensagens dedicadas a um amor anônimo. Percebe que suas dedicatórias se resumem a uma mulher muito querida por aquele alguém que se intitula apenas com o pseudônimo de ?solitário?. Agora surpresa, vai andando por entre os caminhos por ela tantas vezes percorridos. Transpõe os obstáculos da calçada e ao passar próximo àquela construção a anos inacabada, fecha a agenda e medita sobre a última frase oferecida àquela mulher misteriosa: Por que aquela dedicatória? Imagina como deveria ser feliz aquela mulher que com certeza possuía o amor daquele homem amado, porém solitário... Solitário!?... Como poderia ser esse homem solitário se possuía uma pessoa para dedicar todas aquelas lindas palavras?... Confessa que pela primeira vez em sua vida sentiu inveja de alguém, e logo alguém que nem sequer conhecia. Pôde então perceber que realmente nunca havia sido amada, mas sentiu vontade de conhecer aquela pessoa. Quem sabe um momento feliz para se guardar e levar... Quem haveria esquecido aquela agenda no assento ao seu lado? Começou a pensar em D. Lazinha, uma senhora que conheceu no interior daquele coletivo e que costumava sentar sempre ao seu lado, onde às vezes conversavam sobre suas vidas e que um dia se declarou ser separada de seu marido, mas que havia encontrado uma outra pessoa, o Sr. Dida, com quem estava muito feliz. Sim poderia ser ela, ou quem sabe, aquela moça de blusa azul que estava sentada no banco de trás naquele dia? Quanto mais pensa, mais suspeitos aparecem em seu pensamento... Aquela mulher obesa que por alguns segundos parou ao seu lado, onde com alguns embrulhos em seus braços, em seu assento apoiou e que poderia muito bem ter deixado aquela agenda esquecida. Qual o motivo de naquele dia as pessoas a olharem tão curiosa? De alguma forma, não queria que aquela agenda caísse em mãos erradas, precisava conhecer aquela mulher, razão pela qual pactuou-se em entregá-la pessoalmente. ***** *** * Na manhã seguinte, as pessoas continuam com as mesmas feições. D. Lazinha, inocente, parece não sentir a perda de algo que para ela, seria irreparável. Monique se pergunta se por acaso aquela mulher, ou quem sabe, o autor daqueles escritos estivesse mesmo no interior daquele ônibus? Apanha a agenda em sua bolsa, e como último recurso, abre e começa a folheá-la e a olhar mais uma vez para o seu conteúdo, pois obviamente se seu dono estivesse ali presente, fatalmente o reconheceria. Porém não consegue seu intento e já quase sem esperança descobre em sua contracapa, um endereço postal, como ali estivesse para ser correspondido. Aquelas mesmas pessoas da segunda-feira, assim como de tantos outros dias, e que estavam no interior do veículo, continuam a olhar para ela, mas em nenhum momento, indagam-na sobre a agenda. Mas é claro, havia se esquecido, desde quando descobrira que tinha apenas mais seis meses de vida, devido a doença que lhe afligia, as pessoas do seu dia-a-dia e que conheciam sua história, passaram a lhe nutrir muito carinho, tentando consolá-la dizendo que a vida estava em seu interior, em sua alma pura e límpida de qualquer mácula, pois a beleza de seu ser, refletia na luz de seu olhar... Volta sua mente para a agenda, e ao mesmo tempo em que sabe que terminará seus dias sem um amor, pois a doença já havia agendado os seus últimos dias, se consola com detalhes que a vida poderá lhe reservar, como o conteúdo daquela agenda. Precisava devolver ao seu dono, afinal quem ama daquele jeito, deveria estar muito sentido em tê-la perdido. Pacientemente, após mais uma semana de rotina, chega a manhã de domingo. Levanta e, como sempre, vencendo os limites que a vida havia lhe pregado, vaidosa se arruma e sai para um dia fora de sua rotina ? devolver a agenda e parabenizar ao seu autor o amor dedicado àquela mulher. No endereço postal procurado, há uma casa simples com ar das pequenas cidades do interior, dessas com jardim arrumado, com gramas aparadas e espaço reservado para as roseiras e as gardênias que exalam seu perfume; as janelas com as cortinas brancas amarradas parcialmente em suas extensões, aliado ao charme das arandelas enfeitando as paredes pintadas de um salmão claro. Um toque na campainha, e o seu coração acelerou, um pequeno suor escorreu em sua face... Quem iria atender? Quem morava naquela casa? Por que a demora? Mais um toque na campainha, e um barulho do abrir de trincos se pôde ouvir na porta principal daquela casa. A pessoa estava prestes a aparecer e cada vez mais a tensão e a adrenalina tomava-lhe conta. Era algo estranho aquele temor inesperado, pois só estava ali para devolver ao seu dono aquela agenda que havia achado no interior daquele coletivo. A porta começa a se abrir e pára entreaberta. Alguns segundos se passam sem que ninguém apareça. Começa a estranhar aquela situação e começa a pensar se compensaria mesmo ter perdido um dia precioso em sua vida e que estava com seus dias contados, para devolver aquela agenda. Poderia ter deixado no local em que encontrou ou até mesmo entregue ao motorista daquele ônibus que provavelmente o seu dono a procuraria. Seus pensamentos são interrompidos com o ranger daquela porta. A porta se abre totalmente e a figura daquele senhor simpático que lhe cumprimenta todos os dias dentro do ônibus aparece e, com surpresa, Monique pergunta: - O senhor que mora aqui? Mas que coincidência, nos vemos quase todos os dias dentro do ônibus quando vou ao trabalho. E mostrando a agenda àquele senhor, pergunta se lhe pertence, pois a encontrou num dos assentos daquele coletivo e estava ali para devolvê-la ao seu dono. Aquele senhor, olhando com satisfação para ela, diz que a agenda não lhe pertence, mas sim, ao seu filho. Pede a ela que entre e aguarde na sala de estar pois iria chamá-lo para que entregasse pessoalmente a agenda ao seu verdadeiro dono. Alguns minutos se passaram, e eis que surge um moço bonito, aparentando não mais do que trinta anos de idade, e lhe cumprimenta com um beijo no rosto, e lhe diz: - Você não mudou em nada, aliás está muito mais bonita agora do que no tempo em que estudávamos no mesmo colégio. Naquela hora, tomada pela surpresa daquela apresentação, Monique diz que não se lembrava dele, afinal estava ali somente para devolver aquela agenda, mas antes que continuasse, aquele moço lhe falou: - Sou o Felippe, de fato você não iria lembrar de mim, pois sempre estudamos em períodos diferentes, mas às vezes, nas aulas de educação física aos sábados, chegava atrasado na 1ª turma, só para que o professor me mandasse fazer as aulas na 2ª turma, a qual você sempre estava. E continuando, pergunta: - Você se lembra daquele dia em que ficou com o nariz inchado quando lhe acertaram a bola de basquete no rosto? Pois é, fui eu, ao tentar acertar em um amigo, ele abaixou-se e a bola acertou em você. - Agora estou lembrada, tempos bons eram aqueles. E você, o que faz? - Depois que terminei o colégio, consegui uma bolsa de estudos para estudar fora do país e pouco venho para o Brasil. Após mais alguma conversa, Monique abre sua bolsa, retira a agenda e esticando suas mãos em direção a Felippe, lhe diz: - Vim devolver sua agenda, e aproveito a oportunidade para te parabenizar pelo amor que você nutre por essa mulher. É sua esposa ou namorada? Afinal, você estava naquele ônibus? Neste instante, Felippe apanha a agenda das mãos de Monique, e mostrando-na sua capa cinza, onde estava o desenho daquela mulher com cabelos compridos, pede para que Monique dê uma olhada com atenção nos traços daquele rosto, e vê Monique que aquela moça parece com ela e, antes de entender o que Felippe queria dizer, este subitamente lhe fala: - Esta moça é você!!!... Agora sim é que Monique não estava entendendo mais nada. - E então Felippe desabafa: - Sempre te amei, desde o colégio era apaixonado por você, mas infelizmente a vida, naquela oportunidade não nos aproximou mais do que algumas manhãs de educação física no colégio. Nossos destinos foram diversos. Como disse, fui estudar fora do país e nunca mais a vi. Às vezes, em alguma correspondência, perguntava ao meu pai sobre seus dias, pois ele sabia que eu gostava de você, mas não imaginava o quanto. Quando soube que estava doente e que tinha apenas alguns meses de vida, confesso que fiquei muito triste e na primeira oportunidade que tive, voltei para esta cidade, onde também tenho negócios. Esta agenda, pedi ao meu pai para que deixasse ao lado de seu assento naquele dia, e aquelas pessoas sabiam de tudo, pois D. Lazinha, minha tia, já havia comentado sobre esse amor que sempre nutri por você. Mas pedi que não comentasse com ninguém, quis que fosse dessa forma, para saber o quanto o seu coração corresponderia àquelas palavras escritas nas páginas da agenda. Monique não sabia o que dizer, pois por uma semana havia ficado com inveja daquela mulher, por ser tão amada por aquele homem desconhecido. E agora? O que fazer? Afinal aquela mulher super amada era ela. Aquele homem o qual escreveu aquelas mensagens na agenda, era um colega de escola, e hoje lhe dedicava todo o seu amor. E ela, Monique, que havia sempre sonhado em conhecer uma pessoa assim, mas desiludiu-se quando descobriu que estava doente, e naquela ocasião, já estava em fase terminal. Monique com lágrimas nos olhos, agradeceu a Felippe aquela dedicatória, mas disse infelizmente não poder corresponder a todo esse amor, pois não queria deixá-lo magoado, uma vez que tinha pouco meses de vida e dependia de transplante, do qual sua família jamais poderia pagar pela operação. Felippe, também não conseguindo conter suas lágrimas, disse à Monique: - Com certeza se você aceitar o meu amor, farei questão de conquistá-la todos os dias de sua vida, e nesses poucos meses restantes, lhe dedicarei um amor tão grande que até o meu subconsciente lhe chamará de princesa. Não tendo mais palavras, Monique abraça-o fortemente dizendo-lhe: - Aceito o seu amor, pois nunca em minha vida vi um amor tão verdadeiro e tenho certeza que Deus é quem está compensando minha vida com você. Passados pouco mais de cinco meses, entre umas e outras internações de Monique, viveram como se fossem os seres mais felizes da face da terra. De fato ela princesa, mas também Monique fez dele um verdadeiro príncipe. Mas a realidade, aquele amor, não conseguiria afastar... Numa manhã, Monique amanhece com dores e tem que ser levada às pressas ao Pronto Socorro. O médico de plantão que a atendeu não pôde fazer nada, pois a cura daquela doença dependia de um transplante. Felippe estava nos Estados Unidos viajando a negócios e, possivelmente Monique, não passaria os últimos dias de sua vida com seu amado. No outro dia pela manhã, há uma ordem para que transfiram imediatamente Monique para o Hospital Santa Cecília, aquele ao lado do Centro Cultural. No Hospital, após passar por alguns exames, é levada à sala de cirurgia, onde sem entender o que estava se passando e ainda atordoada pela medicação que havia tomado, vê ao seu redor uma equipe de médicos prontos a lhe operar e, surpreendentemente percebe que o chefe daquela equipe, é chamado por Dr. Felippe, o qual se aproximando de Monique, retira sua máscara cirúrgica e carinhosamente lhe fala: - Quase que não dá tempo de chegar dos Estados Unidos, não foi fácil encontrar um doador. Até então Felippe não havia falado para Monique que era médico, apenas falava que tinha negócios nos Estados Unidos. De fato tinha muitos negócios. Felippe tinha se formado muito novo em medicina e como era muito inteligente e conquistado muitos prêmios na área médica, logo obteve muita fama e sucesso, tendo com isso ficado muito rico . Assim construiu aquele Hospital ao lado do Centro Cultural - sonho de infância. Casaram-se após um ano daquela operação, e hoje estão morando em uma casa, nas proximidades do Hospital Santa Cecília. Construíram um ?castelo simples?, o suficiente para quem ver, pensar que ali moram um príncipe e uma princesa, mas mais do que isso saberem, que o amor é capaz de superar os limites da distância, da esperança, do tempo, do impossível, do desengano e da morte. Principalmente quando uma agenda for esquecida ao seu lado e nela contiver um endereço postal e a seguinte dedicatória: ?Meu Amor Será a Sua Cura?. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NUMA CERTA PARTIDA DE FUTEBOL O campeonato estava em sua fase final, faltando apenas dois jogos (ou apenas um) para se saber quem levantaria a taça de campeão daquele ano. Campeonato por pontos corridos e o Taboão Futebol Clube, grande time de São Paulo, onde jogava o experiente Lelé, neguitinho ?liso? e de cambitos longos, camisa 10, craque de bola, considerado o melhor jogador em atividade no Brasil, sairia da capital para jogar o seu penúltimo jogo contra o lanterna do campeonato, o América Sociedade Esportiva, o ?Ameriquinha?, pequeno time do interior e já sem nenhuma pretensão dentro daquele difícil e competitivo campeonato estadual. Bastaria apenas ganhar o jogo para sagrar-se campeão paulista, pois com mais três pontos obtidos, o seu arqui-rival, o Nacional Esporte Clube, também da cidade de São Paulo, matematicamente não teria mais chance de alcançá-lo em número de pontos. E o Taboão era o franco favorito para vencer o jogo contra o fraco América, que fazia sua pior campanha dentro daquele campeonato, e o Taboão precisava de vencer, porque jogaria seu último jogo contra o Nacional no campo do adversário, e lá as coisas não seriam nada fáceis, correndo o risco de perder o título contra o seu maior rival. Mas apesar de respeitar o time do América, os jogadores do Taboão, bem como sua torcida, já davam como certa a vitória. É que além de dispor de um forte elenco, contavam com o habilidoso Lelé, que desequilibrava qualquer jogo e ainda por cima, era o artilheiro disparado daquele campeonato. E chega o grande dia! O dia da ?decisão? contra o América! A torcida do Taboão se deslocara ?em massa? para o interior, ocupando a grande parte das arquibancadas do Estádio do América, podendo-se ver somente bandeiras alvinegras que tremulavam nas mãos dos fanáticos torcedores taboensenses. E a torcida que sempre acredita, não parava um só minuto de vibrar e gritar a uma só voz: ? - É campeão!!!... É campeão!!!...? No centro do gramado, próximo a marca da cal onde se coloca a bola para se dar o chute inicial do jogo, o árbitro da partida, após breve conversa com os capitães de cada equipe, trila o apito autorizando o início do espetáculo. E começa a partida!!! Como já se esperava, o time do Taboão logo de início se lança ao ataque, pressionando e acuando o humilde time do América em seu campo de defesa. Lelé no auge de sua carreira, driblava, tocava de primeira, entortava, e fazia firulas...; como sempre dava show e a galera aplaudia e incentivava. Pintava-se uma goleada histórica por parte do Taboão, e com isso, o time da capital fecharia o campeonato com ?chave de ouro?, ganhando mais um título de campeão paulista da primeira divisão. O jogo se desenrolava com o Taboão não deixando o campo do adversário, tocando e lançando bolas em torno da área do América, porém até então, sequer tinha conseguido êxito em chegar com perigo ao arco oponente. E o motivo disso tudo: Alfredão ? zagueiro central do América, um ?alemão? grande e forte, o ?xerifão? da ?cozinha? colorada, que naquele jogo estava em tarde inspirada na defesa de seu time. Muito provavelmente motivado por uma possível ?mala preta? oferecida pelos cartolas do Nacional para que o Ameriquinha ?endurecesse? o jogo para cima do Taboão e conseguisse ao menos um empate, resultado esse que favoreceria diretamente a equipe do Nacional, e este iria para o último jogo contra o Taboão com a vantagem em número de pontos, e ainda com a vantagem de se fazer o último confronto dentro de casa. Alfredão estava impossível na zaga. Jogando como nunca naquela tarde de domingo, inclusive sem receio algum de ?apresentar? as travas de suas chuteiras aos jogadores do Taboão, e em especial, a Lelé, jogador este que o técnico da equipe colorada, havia conferido como missão a Alfredão, para que dele não se desgrudasse e marcasse em cima. Lelé, o craque do Taboão, não havia conseguido receber ao menos uma bola redonda próxima a área do time adversário, pois a cada bola lançada, Alfredão se antecipava e ganhava todas de Lelé. E o time do Taboão, que jogava em função de Lelé, não abria mão de sua jogada principal que eram os passes ou lançamentos para o ataque em busca dos pés de seu craque, porém Alfredão não queria nem saber de brincadeira, do jeito que a bola vinha, chegava rasgando em todos os lances, tratando logo de dar um belo de um bicão ou chutão para a frente ou para o lado que desse, mas sem deixar qualquer chance para que Lelé pudesse dominar a ?gorduchinha? que tanto seus companheiros insistiam em lhe passar ou lançar. E assim, o tempo todo o jogo foi se desenrolando nestas condições: Bola próxima à área do América em direção a Lelé, e Alfredão ganhando todas com sua força e sua poderosa ?bicuda?. E parece que a tática de Alfredão estava mesmo dando certo, pois o jogo já passava da metade do 2º tempo, e o Taboão não tinha chutado nenhuma vez contra a meta do goleiro Americano, que naquela altura, a cada tiro de meta, aproveitava para fazer um pouquinho mais de cera. A torcida do Taboão já preocupada, ensaiava vaiar o time. Xingava seu técnico que não conseguia soluções táticas para furar a retranca da esquadra adversária. Inclusive já havia ?queimado? as três substituições permitidas pelo regulamento, mas nada de abrir o placar. E para aumentar ainda mais a preocupação dos torcedores do Taboão, os alto-falantes do Estádio acabava de anunciar mais um gol do Nacional, que também naquela tarde, jogava no interior do Estado e goleava seu adversário. O tempo passava e o jogo se aproximava de seus minutos finais. A cortina do espetáculo estava próxima de se fechar. Aquele 0 x 0 era tudo o que ninguém do Taboão esperava. Os ponteiros do relógio voavam e já marcavam quarenta minutos da etapa final, e Alfredão, até então conhecido como ?beque de fazenda?, estava sendo considerado o melhor jogador da partida pela imprensa local. Alfredão conseguira anular completamente Lelé, o craque do campeonato, o melhor jogador do país. Lelé estava inconformado. Fora realmente anulado por Alfredão. E não tendo conseguido encaixar naquela partida o seu talento, o seu melhor futebol, fatalmente perderiam o título daquele ano e não levantariam o ?caneco? de campeão. Mas ainda restavam alguns minutos... e como a máxima do futebol prega que o jogo só acaba quando o juiz apita..., Lelé, aproveitando que o jogo estava parado para atendimento de um jogador do América que havia se contundido, provavelmente catimbando, e aguardava ser retirado do campo pelos homens da maca, se aproximou de Alfredão e disse-lhe: - Ô Alfredão, você joga tão bem! Estava analisando o seu desempenho na partida e estou pensando em indicar o seu nome ao presidente do Taboão quando voltar lá pra São Paulo. E continuou: - Mas tem um porém...; só estou vendo um ?defeitinho? em você. São esses bicãos e chutões que você dá na bola. Faz o seguinte: Quando vier um lançamento em sua direção, procura ?matar? a bola, coloca ela no chão e sai jogando com classe. É só isso que está faltando pra você jogar num grande time. Ouvindo isso, Alfredão que sempre aspirou jogar num grande time da capital, viu naquela oportunidade, a chance de progressão em sua carreira de jogador de futebol, ainda mais sabendo da fama de Lelé no cenário futebolístico nacional, e em particular, da grande influência que Lelé deveria gozar junto à diretoria do Taboão, e perguntou: - Você tá falando sério Seu Lelé? Você tá com essa intenção mesmo? E Lelé respondeu: - É claro que sim Alfredão! Eu já indiquei muitos jogadores aos diretores do meu clube e eles sempre me ouvem. Assim, a ambição e o sonho de se jogar numa grande e tradicional equipe, foi implantada na cabeça de Alfredão, que após o proveitoso ?bate-papo? com Lelé, não via a hora de mais uma vez a bola ser lançada em sua direção e ele ter a oportunidade de seguir os conselhos do craque, e sair jogando com maestria, após dominá-la com elegância e destreza. Pena que o jogo já estava em seus momentos derradeiros; bem que Lelé poderia ter feito aquela observação bem antes, no início do jogo..., devia estar pensando Alfredão. Mas ainda restara alguns minutos para o apito final, quando o jogo é reiniciado pelo árbitro. Alfredão, agora muito mais motivado, aguardava mais do que nunca a bola ser lançada em sua direção. O jogo já estava em seus acréscimos finais, faltando um minuto para o árbitro decretar o término do espetáculo. A torcida do Taboão não acreditando mais em sua equipe, enrolava as bandeiras e ia deixando desconsolada o Estádio. Por sorte, a bola foi lançada ao ataque do Taboão buscando novamente a ?zona-do-agrião? e as jogadas com Lelé. Mas o que a torcida não esperava é que desta feita iria ser diferente. É que na cabeça de Alfredão só passava as palavras de Lelé, e aquela bola lançada naquele minuto final da partida, seria a grande oportunidade que tinha para demonstrar o seu ?dissimulado? talento. Ficou Alfredão acompanhando a longa trajetória da bola, que do meio do campo, havia sido lançada pelo alto com destino à área do América, e que estava perdendo a força de seu percusso e caindo bem na sua direção. Desta vez não iria dar nenhum bicão ou chutão, precisaria mostrar a Lelé que sabia como ninguém dominar a bola e sair jogando com classe, e ser visto como um jogador de alto nível, com méritos para ser indicado a um grande clube. Quando a bola chegou até ele, Alfredão não deu mais aqueles bicãos ou chutões que passou dando o tempo todo na partida, ao invés disso, seguindo os conselhos de Lelé, tentou ?matar? a bola com elegância, porém ?matar? a bola não era mesmo coisa pra Alfredão, e então, quando tentou matá-la, a ?gorduchinha? pegou em sua canela e espirrou para o interior da área do América, coincidentemente bem nos pés de Lelé, que, em condição legal, empurrou-a para os fundos da rede na saída do arqueiro americano, inaugurando e decretando o placar de 1 x 0 em favor do Taboão. A torcida do Taboão que já estava saindo do Estádio, retornou rapidamente para as arquibancadas, tremulando novamente suas bandeiras, soltando rojões e colocando para fora o grito sufocado em sua garganta: ? - É campeão!!!... É campeão!!!... É Lelé!!!... É Lelé!!!...? Dizem que Alfredão ainda procurou Lelé pelos vestiários para lhe cobrar sobre a promessa feita naquela partida, mas Lelé, com pressa para retornar a São Paulo em virtude de compromissos diversos, teve que sair rapidamente do Estádio, porém no transcorrer da semana, Lelé ligou para Alfredão, pedindo-lhe desculpas por não ter conversado com ele após o jogo e que infelizmente não poderia indicá-lo ao seu clube em razão daquele lance final. Entrevistado futuramente por repórteres da imprensa da capital, Lelé afirmou que jamais em sua carreira de futebol agiu de má fé, razão pela qual é que sempre foi muito bem querido por todos, inclusive pelos adversários, e que realmente tinha a intenção de indicar Alfredão para jogar em seu time, mas após aquela ?grosseria? no fim da partida, não teve outra alternativa senão desistir de tal indicação. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TIO ELIAS Trim-trim! Trim-trim! E lá ia eu a sair correndo de dentro de casa ou dos fundos do quintal para abrir o portão para o meu Tio Elias entrar. O trim-trim da ?buzina? de sua bicicleta era inconfundível. E aquele seu ato de chegar em frente de casa e tocar aquela ?buzina? , assim como as presilhas que usava nas barras de sua calça, para que pudesse pedalar livremente sem que as pernas da calça viessem a se enroscar na catraca da bicicleta, eram suas marcas registradas. E eu não resistia à sua chegada: - ?O Tio Elias taí! O Tio Elias chegou!? - gritava eu para minha mãe ouvir que o seu irmão tinha chegado, em meio a minha correria para recebê-lo e pedir a sua benção. E ele, assim que acomodava a bicicleta na área de entrada de casa, ia logo esticando uma de suas mãos para que eu a beijasse a fim de que aquela formalidade da benção fosse traduzida em gesto, tradicional gesto de pedir a benção naqueles tempos de minha infância. E após isso, depois dos ?cumprimentos?, ele sempre contava alguma história que me prendia ainda mais à sua presença. E o Tio Elias não parava. Depois que se aposentou, pegava sua bicicleta e pedalava por toda cidade, realizando suas visitas... E também andava a pedalar pela cidade, atrás de consertar guarda-chuvas e sombrinhas, para não ficar parado e, com isso ganhar um dinheirinho extra com essa atividade. Me lembro muito bem da caixinha de madeira amarrada na garupa de sua bicicleta onde ele a utilizava para acondicionar os guarda-chuvas e sombrinhas para o transporte, tanto para entrega após tê-los consertados, quanto para os ainda quebrados que levava para sua casa, onde efetuava os devidos reparos, para posteriormente devolvê-los ? quase que novos ? aos seus donos. Mas isso tudo fora passagem de criança. Tudo ficou na magia da infância. E o tempo que a tudo corrói, impiedoso, também deixou para trás aqueles bons tempos. A gente cresce... E a vida exige mudanças. E as mudanças são inevitáveis. Para mim, as mudanças vieram e me levaram para longe daquele interior, me fazendo firmar na capital do Estado, em São Paulo, onde estou até os dias de hoje. E com essas mudanças, inevitável também é o distanciamento daquelas pessoas que tanto amamos quando somos crianças. O tempo vai passando e deixando para trás uma grande lacuna temporal no convívio com entes queridos. Infelizmente, é assim, sem querer, acabamos por ?ter que esquecer? muitas daquelas pessoas queridas e que estavam sempre presentes em nossas vidas no passado. Muitos anos se passaram. Poucas foram as vezes que voltei a ver o meu Tio Elias, porque as poucas vezes que voltava para Araraquara, na correria, ou na ?distração? da minha mente, acabava esquecendo de visitar o Tio Elias. Porém, sempre perguntava para a minha mãe se estava tudo bem com o Tio, e ela me respondia que sim, que estava tudo bem com o Tio Elias, e que ele continuava com a sua bicicleta pela cidade a recolher os ?seus? guarda-chuvas e sombrinhas para consertá-los. Inclusive, em algumas dessas minhas idas a Araraquara, tive o grande prazer de ouvir o ?trim-trim? de sua bicicleta em frente a casa, e lá estava ele, meu Tio Elias, com sua bicicleta, no rotineiro recolhe e entrega de seus guarda-chuvas e sombrinhas. Ah, minha mãe era assídua freguesa do meu Tio. Volta e meia tinha alguma sombrinha ou até mesmo o guarda-chuva do meu pai, com o cabo ou alguma vareta quebrada, só aguardando o Tio Elias passar para fins de entregá-lo-os para os devidos consertos. Não sei precisar qual teria sido a última vez que vi o Tio Elias e muito menos qual teria sido o último dia que lhe pedi sua benção. Só sei que fora há muitos anos... Puxa! Que vida!... E que vida!... Porque depois de muito tempo sem ver o Tio Elias, me chega a triste notícia de que ele havia morrido... Fiquei arrasado! E mais arrasado pelo fato dessa notícia ter chegado ao meu conhecimento em cima da hora, ou seja, não tive tempo hábil para me deslocar de São Paulo e chegar para o velório a fim de ainda conseguir realizar aquela que seria a minha última despedida do Tio Elias. Confesso que naquela semana, sequer consegui trabalhar direito. Muitas vezes em meus afazeres, profissionais ou pessoais, por vezes perdia a concentração e me via a lembrar daqueles tempos em que corria a abrir o portão ao percebê-lo chegar após ouvir o trinar da ?buzina? de sua bicicleta. E isso tudo me incomodou muito! Mas tinha que procurar esquecer, pois a vida nos atropela se pararmos a ?meio-fio? e não seguirmos em frente. E assim, aquela semana foi passando... ***** *** * Num determinado dia, não sei ao certo quantos dias haviam se passado da morte do Tio Elias, só sei que foi naquela mesma semana e era alta madrugada, quando eu estava envolvido num profundo sono em minha cama, em sonho, me vi acordando, porém ainda na posição de deitado, ao abrir os olhos, instintivamente olhei em direção à porta do meu quarto, a qual se encontrava entreaberta, e pude perceber ainda do lado de fora do quarto uma suave claridade, algo como um discreto espectro, e sentia uma branda e indefinida brisa vindo daquela direção. E sem que tivesse qualquer tempo de tentar imaginar o que poderia ser aquela estranha, porém serena visão, eis que entra pela porta, o meu Tio Elias, exatamente como da última vez que o havia visto em vida, sorridente e sempre simpático... É bom que eu diga que sempre tive muito medo dessas coisas de ?espírito?, dessas coisas do ?além?, não gosto nem de pensar, procuro não acreditar, porém contra fatos não há argumentos... E então, ao ver a figura do meu querido Tio Elias a entrar pela porta entreaberta do meu quarto, de súbito, levantei-me e fui ao seu encontro. Ao me aproximar dele, com o ?peso? da minha consciência, fui logo lhe falando: - Tio!... Ainda bem que o senhor veio! E continuei: - Me desculpe por não ter ido me despedir do senhor! Não deu tempo! E sem deixar que eu continuasse a tentar me justificar, ele, de braços abertos, me respondeu: - Eu sei disso! E é por isso que estou aqui! Para que você possa se despedir de mim, e eu de você! Dito isso, abracei-o fortemente e chorei muito em seus braços... E sem que se esperasse, como um passe de mágica, me vi acordado e deitado no mesmo lugar onde estava e, ainda olhando em direção à porta do meu quarto, senti uma sensação que nunca na vida havia sentido, uma sensação de alívio, de prazer, humanamente indescritível. Me sentia leve e num elevado estado de felicidade. E antes que o sono pudesse novamente me dominar, e agora estando eu olhando para o alto, agradeci falando em voz baixa: - ?Puxa Tio! Obrigado e vá com Deus!? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O PARTO Aquele dia havia transcorrido tranquilamente na ronda daqueles jovens patrulheiros. E naquela fria noite de junho do ano de 1984, próximo ao encerramento de mais um patrulhamento, contavam os minutos para o retorno à Base para a passagem do serviço a outros companheiros. Patrulhavam pela periferia da cidade de São Paulo, se deslocando vagarosamente com a viatura por uma rua erma e escura, onde apenas podia-se perceber a claridade oscilando nas janelas das salas, oriundas das imagens refletidas dos aparelhos televisivos pelo interior das casas. Em dado momento, o patrulheiro Oliveira, alertou ao motorista, o patrulheiro Martins, sobre uma senhora vindo correndo em direção àquela viatura, acenando e gesticulando bastante para que parassem. Àquela altura, a viatura que se encontrava em baixa velocidade e com os faróis altos, iluminava por completo uma senhora com vestido claro e longo, cujo semblante refletia desespero por socorro, porém ao mesmo tempo o alívio daquele encontro, traduzia-se num discreto sorriso, atenuando um pouco a agonia de sua face. Acenava, gesticulava e gritava por atenção. Surpresos, Martins e Oliveira, trocaram olhares, como que querendo dizer um ao outro: ?Estranho, o que será a essas horas?...?. Mas não pronunciaram qualquer palavra naquele instante. Se perguntavam o que poderia estar acontecendo com aquela senhora sozinha e desesperada bem no meio da rua, naquele horário e lugar? Seus olhares de patrulheiros insinuavam que algo grave poderia estar acontecendo. Teriam que se aproximar daquela senhora com a máxima prudência, pois conforme se ?pintava? aquela situação, ela poderia perfeitamente estar sendo vítima de uma perseguição por assaltante ou até mesmo por um estuprador. E este ou aquele na certa estaria nas proximidades de onde se encontravam. Pararam a viatura ao lado daquela senhora e pediram-na para que se acalmasse e contasse o que estava acontecendo, pois a partir daquele momento ela estaria segura. A tal senhora sequer deu ouvidos às orientações dos patrulheiros e, afobada, clamando ainda por socorro, pedia para que eles fossem urgentemente para a sua casa, onde sua nora, se encontrava em trabalho de parto precisando ser socorrida, e que o seu filho, marido da parturiente, se encontrava em uma outra cidade trabalhando, não estando presente para poder prestar o devido socorro à sua esposa. Apontou a direção da casa, próxima à rua em que estavam, virando na primeira rua à direita, bem ali ao meio do quarteirão, tendo os patrulheiros se deslocado rapidamente com a viatura para o local indicado. Lá chegando, puderam observar grande número de pessoas do lado de fora da casa, na calçada, como que ali também estivessem esperando pelo socorro daqueles jovens. Para os patrulheiros, aquela circunstância se conduziria sem problemas, pois pensavam eles em socorrer a gestante até o Pronto Socorro mais próximo, naquele mesmo bairro, e lá entregariam-na aos cuidados médicos, uma vez que, pela simplicidade verificada nas pessoas e nas casas, aquela família, bem como aquelas pessoas da vizinhança, dificilmente possuiriam automóveis, razão pela qual aguardavam ansiosas o socorro daquela viatura. Desceram da viatura com posturas altivas e confiantes. É que apesar de suas poucas idades, não poderiam deixar passar que estavam nervosos. Tinham que transmitir segurança às pessoas, demonstrar suas ?experiências? naquela questão... Era a primeira vez que ambos atendiam uma ocorrência de tal natureza... Mas nem tudo era como eles pensavam. No momento em que desceram da viatura e indagavam às pessoas sobre o estado da gestante, perguntando principalmente qual a casa em que ela se encontrava, para que pudessem vê-la e prestar-lhe assistência, chega correndo a solicitante, ou seja, aquela senhora, sogra da gestante, a qual veio a pé após o pedido de socorro aos patrulheiros, e, exaltada e batendo palmas, pede para que todos que estavam ali (vizinhos e curiosos) se tranqüilizarem, que agora tudo estava bem, tudo já estava resolvido, pois conhecia muito bem aqueles patrulheiros, e que se tratavam de profissionais muitos experientes e acostumados com a realização de partos, dizendo em alto tom que aqueles jovens tinham ?parte com Deus?... Naquele momento, Oliveira percebeu que aquela circunstância já não era tão ?sem problemas? assim. Ambos nunca haviam visto aquela senhora antes, e entre um ou outro sussurro daquelas pessoas, ouviu claramente alguém dizer que a bolsa d'água já havia se rompido e a gestante já entrara em trabalho de parto... Pronto! Estava gerada mais ainda a intranquilidade para aqueles patrulheiros. E como eles não podiam naquela ocasião demonstrar qualquer sinal de fragilidade, discretamente Oliveira evitou que suas pernas bambeassem sem controle. Preferiu estar surdo naquela hora, mas se recompôs sem que ninguém percebesse. Ergueu a cabeça e ?seguro de si?, partiu juntamente com Martins em direção à entrada da casa. Mas... e agora? O que fazer?... Os patrulheiros nunca haviam se deparado com uma ocorrência dessa magnitude. Tinham pouca experiência no serviço, ou melhor, não tinham qualquer experiência nas suas atividades de patrulheiros, e em hipótese alguma, poderiam deixar que isso transparecesse àquelas pessoas, principalmente para aquela pobre senhora, que simples e humilde que era, já havia feito positivamente a ?propaganda? dos patrulheiros ?médicos?. A casa onde estava a gestante, ficava num terreno onde se localizavam várias outras casas, uma espécie de cortiço, e para piorar um pouco mais a situação, para se ter acesso até ela, deveriam passar por um corredor estreito até os fundos, uma vez que se tratava de uma das últimas casas construídas naquele terreno. Os patrulheiros pediram licença às pessoas, que naquelas alturas, já se formava em uma grande aglomeração, visto que, com a presença da viatura policial e a presença de inúmeras pessoas na calçada, começavam a se avolumar mais e mais curiosos. E para aumentar ainda mais as adrenalinas e as ?emoções? dos patrulheiros, no momento em que estes passavam pelas pessoas, ainda teriam ouvido a seguinte indagação: ?- Nossa, mas eles são tão novinhos!...?. Com isso, aqueles suores até então retraídos com muitos esforços, começavam-lhes a escorrer pelos rostos. E agora, mais do que nunca, teriam que se manterem mais fortes, não poderiam sucumbir àquela provação. Mesmo assim, ainda restara uma pequena esperança de que, o fato da gestante ?já estar em trabalho de parto?, pudesse ser especulação..., um alarme falso. Nada disso! Quando os patrulheiros entraram na residência e foram até o quarto onde estava a gestante, constataram de verdade que aquela mulher estava mesmo em avançado trabalho de parto, estando ela gemendo de dores sobre uma cama, pedindo pelo amor de Deus para que lhe ajudassem. Assim que notou a presença daqueles patrulheiros, imediatamente gotas de lágrimas escorreram de seus olhos indo se perderem em seus lábios e dentes, na mistura emocionada de seu choro e sorriso, por sentir que sua salvação tinha chegado. Nessa hora, Martins, o mais ?experiente?, tomado de grande iniciativa, o que é peculiar a esses patrulheiros, e lembrando das lições de primeiros socorros recebidas no período da academia, pediu para que aquela senhora (sogra da gestante) imediatamente colocasse uma panela com água para ferver, possivelmente para que fosse desinfetado algum material que pudesse ser utilizado na realização do parto. Pediu também para que se providenciasse álcool para limpar e desinfetar suas mãos, o que foi feito. Porém como o trabalho de parto já estava em estado bastante avançado, ? a bolsa d'água já havia se rompido há algum tempo ? a obra divina se iniciou, aquela mãe começou ?a dar à luz?... e a criança começou a aparecer... Nessa hora, como que por intuições vindas do céu, os patrulheiros apoiaram com suas mãos o nascimento daquela criança, ao mesmo tempo em que Oliveira, com palavras de conforto e carinho, tentava atenuar as dores de parto daquela mãe. Poucos minutos se passaram, para enfim, uma linda criança nascer. Após, fez-se alguns segundos de silêncio naquele quarto. A criança ao abrigo dos braços de Martins, tinha seu pequeno rostinho limpo por uma toalha pelas mãos daquele patrulheiro... Podia-se notar o olhar brilhando da mãe em direção a criança que ainda estava em silêncio... Ouvia-se apenas o ofegar da mãe... Martins e Oliveira estavam com suas fardas todas manchadas de sangue... Seus rostos estavam suados pela tensão da responsabilidade daquele momento e pela emoção de presenciar a primeira vez a vida nascer... a vida acontecer. Mas com esse quadro, qual seria o próximo passo? O que deveriam os jovens patrulheiros fazer ante ao silêncio daquela criança. Não olhavam para os lados, mas sabiam que as pessoas mais próximas da família estavam ali, confiantes naqueles heróis. Um frio na barriga corroeu Oliveira. Tudo aquilo pra nada? Meu Deus! Pensava Oliveira. Por que este silêncio?... Será que a criança estava respirando? Teria nascido com vida? E então, após um lapso de segundos, um pequeno choro quebra o silêncio daquele quarto. E com essa quebra de silêncio, todos ali presentes se confraternizaram com o nascimento de uma linda menina. Mas o serviço de ?obstetrícia? tinha que continuar, não podia parar. Martins pede a Oliveira para providenciar uma tesoura, para que se possa cortar o cordão umbilical. Só que infelizmente a tesoura que arrumaram, estava toda enferrujada e aparentemente sem corte, não podendo de jeito nenhum ser utilizada para aquela finalidade. Assim, os patrulheiros decidiram não mais cortar aquele cordão umbilical. Amarraram-no em dois pontos com barbante esterilizado pelo álcool, e após enrolaram a mãe em um lençol limpo, juntamente com a criança e carregaram-nas com muito sacrifício até a viatura, pois tiveram que retornar por aquele corredor estreito e ainda ter que abrir espaço entre as inúmeras pessoas pelo caminho. Com muito cuidado, colocaram a mãe e a criança no banco traseiro da viatura, com a pequena menininha sobre o calor do colo materno, tendo sua sogra ido sentada ao lado acompanhando. Acionaram a sirene e partiram velozmente em direção ao Pronto Socorro. De imediato, Oliveira utilizando-se do rádio da viatura, avisou a Base que estavam a caminho do Pronto Socorro no auxílio àquela mãe e criança. Ao chegar no Pronto Socorro, puderam verificar que médicos e enfermeiros já os esperavam com a maca, prontos para a imediata assistência à mãe e à criança, pois a Base já havia lhes informado. As pessoas que naquela noite se encontravam na recepção do Pronto Socorro, tanto os pacientes que ansiavam por atendimento quanto os funcionários daquele nosocômio, parabenizaram aqueles heróis. Martins e Oliveira após se abraçarem e encerrarem aquela ocorrência, retornaram à Base, onde outros dois patrulheiros os aguardavam para a passagem do serviço, mas antes que estes viessem lhes parabenizar pelo acontecido, Oliveira dirigiu-se àqueles patrulheiros ? experientes - e disse-lhes: - Deus lhes abençoem meus companheiros, por tantas vidas que salvaram. Parabéns pelos tantos partos que em suas carreiras realizaram... e acredite, nesta noite pude sentir que nós patrulheiros, temos verdadeiramente ?parte com Deus?. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O PAR DE SAPATOS Carlinhos nunca teve a vida fácil. De família humilde e de poucos recursos financeiros, sentiu logo cedo a necessidade de ter que trabalhar para pelo menos ganhar seu dinheirinho e de vez em quando, poder passear com os amigos, frequentar discotecas, e até mesmo comprar algumas roupas novas, e, se possível, as que a moda estivesse exigindo naquela época. Afinal, Carlinhos com seus quinze anos de idade, há pouco tinha deixado aquela fase da infância e agora, adolescente, se preocupava em sair com os amigos nas noites de sábado, cultivar novas amizades, conhecer as meninas, paquerar, namorar... Coisas normais na vida de qualquer jovem. E é lógico que essa nova fase da vida tem o seu preço. E o seu preço é e era estar na moda. E também, sair para lanchar, ir ao cinema, frequentar barzinhos, acompanhar e ter novos amigos... Pensando nisso, Carlinhos passou a estudar no período noturno e começou a trabalhar durante o dia. Arrumou um serviço de entregador de jornais na cidade interiorana em que morava. Serviço humilde, mas de muito bom préstimo para toda a comunidade. Humilde também era o salário que recebia mensalmente: Um salário mínimo!... Mas tudo bem, embora tendo que madrugar, trabalhava só na parte da manhã, aproveitando a tarde para estudar e fazer suas lições e trabalhos do colégio onde estudava, e o que ganhava, ajudava um pouco em casa e, com o que sobrava, se esforçava na sua administração para que rendesse pelos trinta dias do mês, até que viesse a receber o próximo pagamento. Apesar de tudo, estava muito feliz com o emprego. Agora pelo menos dispunha de algum dinheiro para o seu divertimento e até mesmo para se vestir um pouco melhor de acordo com a moda, sem sentir vergonha de sair à noite com os seus amigos. Numa tarde de sábado, após ter recebido seu primeiro salário e já ter separado a cota para ajuda em casa, saiu a andar pelas ruas comerciais no centro da cidade, a admirar as lojas e seus belos artigos expostos nas vitrines, com a intenção de comprar qualquer coisa que se encaixasse num de seus interesses, e de preferência algum vestuário para que pudesse estar renovando sua aparência. E na linha do vestuário, o que mais precisava de imediato, era de um par de sapatos novos, pois os que possuía, face ao longo e ?necessário? período de uso, estavam bastante ralados em seus bicos e laterais, ao ponto de nem mais conseguir lustrá-los ou disfarçar seus esfolamentos com graxa. Isso sem contar suas solas desgastadas de um lado de cada pé, pelo fato de pisar um pouco torto quando caminhava. Depois de andar alguns quarteirões daquele centro comercial, tinha se decidido!... Compraria um par de sapatos naquele mês, e nos próximos meses usaria seus pagamentos para a compra de outros vestuários, tais como: calças jeans, camisas, cintos, etc... E então passou a correr os olhos pelas vitrines, voltados somente na busca de um par de sapatos de seu gosto. Já havia andado por quase todas calçadas centrais daquela cidade paulista onde se localizava o comércio local. Viu vários pares de sapatos que atendiam ao seu desejo, sapatos bonitos e da moda, porém sequer chegou a entrar em qualquer loja para olhá-los de perto, devido ao seu alto custo que o desanimava logo quando verificava o seu preço aposto junto a vitrine. Até que, próximo ao final da tarde, depois de muito andar pesquisando preços, entrou em uma galeria de lojas e numa de suas vitrines, viu aquele mesmo modelo de sapatos que já tinha observado em outras lojas com alto custo, com o seu preço muito abaixo dos já vistos. ... ?Só pode ser promoção! Que sorte a minha! Ainda bem que não desisti de procurar por esses sapatos que tanto desejei e agora vou poder comprá-los!? - pensou Carlinhos, sem tirar os olhos brilhantes e ambiciosos daquele par de sapatos na vitrine. Carlinhos estava até se vendo usando aquele par de sapatos novos a passear com os amigos pela cidade... Mas não ficou ali parado pensando muito, pois tamanha era a vontade de olhar de perto aqueles sapatos. Poder senti-los em suas mãos, apalpá-los, calçá-los enfim... Entrou na loja e, de imediato, uma de suas vendedoras, uma moça bonita e meiga, simpaticamente veio em sua direção e sorrindo lhe dirigiu a voz: - Olá! Boa Tarde! Tudo bem?! No que posso lhe atender?... Carlinhos retribuiu aquele delicado cumprimento e foi logo falando para aquela vendedora: - Gostaria de ver de perto aquele par de sapatos marrons claros lá da vitrine! Você pode pegá-los para mim? - Lógico que sim! Qual o número que você calça? - perguntou a vendedora, ainda com um leve sorriso no rosto. - 39! - respondeu prontamente Carlinhos. Você tem este número? - Não sei!... Acredito que tenha sim. Aguarde só um instante que vou verificar no estoque - disse a vendedora saindo em direção aos fundos da loja. E Carlinhos ficou na ânsia da espera pelo retorno daquela vendedora... ?Só faltava não ter justo o meu número, logo agora que encontrei um preço bom e posso pagar! - pensava mais uma vez Carlinhos. Aguardou por alguns minutos não tirando os olhos da direção para onde a vendedora havia seguido. E quando começava a perder a esperança, pois pela demora, aquela moça provavelmente não teria encontrado o par de sapatos com o tamanho de seu número..., num súbito, escancarou um largo sorriso ao vê-la se aproximar com uma caixa de sapatos nas mãos. - Puxa!!! Que sorte a sua! Era o último par de número 39! Ainda bem que eu vasculhei bem o estoque e o encontrei. - falou com alegria a vendedora, e continuou: - Senta aí no banco e experimenta! Vê se você vai gostar deles nos pés. Carlinhos não hesitou. Sentou no banco de estofados pretos próximo de onde estava sendo atendido, disposto ali justamente para aquela finalidade, tirou o par de tênis que usava e finalmente calçou o par de sapatos tão desejados. Após tê-lo calçado, levantou-se, foi à frente de um espelho fixado na parede ao lado daquele banco, arregaçou um pouco as barras de sua calça para melhor visualizá-los em seus pés, e percebeu que os sapatos ficaram bem melhor do que ele já tinha imaginado quando os admirou pelas vitrines da cidade. - Gostei! - falou ele com grande euforia. Vou levá-los! - Ficaram bonitos mesmo! - disse a simpática vendedora. E como que você pretende pagá-los? - Vou pagá-los à vista! - respondeu convicto Carlinhos. - São 380, 00 cruzeiros! - enunciou a vendedora. - 380,00 cruzeiros?!!!... - espantou-se Carlinhos desviando rapidamente os olhos dos sapatos calçados em seus pés e, olhando assustado para a vendedora, retrucou: - Mas como 380,00 cruzeiros, se na vitrine está por apenas 76,00 cruzeiros?!... Vai lá e dê uma olhada você mesma para ver como estou certo... - Acho que você se enganou no preço. - falou carinhosamente a moça vendedora. Mas claro, vou lá apanhar a etiqueta para te confirmar o valor. A moça foi até a vitrine e voltou com a etiqueta contendo o preço daquele par de sapatos e, meio que sem graça e com um discreto ar de pena, explicou a Carlinhos: - 76,00 cruzeiros é a entrada e mais quatro cheques mensais de 76,00 cruzeiros cada... Carlinhos não acreditando no que estava acontecendo e meio que fora de si, apanhou a etiqueta das mãos da vendedora e com os seus próprios olhos pode observar que o valor de 76,00 cruzeiros estava escrito com letras grandes bem ao centro daquela etiqueta, e num cantinho logo abaixo, em letras minúsculas, expresso o seguinte anunciado: ?Entrada + 4 x 76,00 cruzeiros mensais?. Naquele instante, o chão ?saiu? repentinamente dos pés de Carlinhos, e sem mais o seu entusiasmo, num susto retirou aqueles sapatos novos que ainda ?orgulhosamente? calçava, colocou-os sobre o tapete ao lado de sua caixa, na lateral do banco em que sentara para experimentá-los, calçou o velho par de tênis, e, constrangido, sem olhar para o rosto da vendedora que lhe atendera, abaixou a cabeça e falou: - Desculpe-me fazer você perder o seu tempo e buscar estes sapatos lá no estoque. Mas infelizmente não vou poder levá-los hoje, pois só tenho 90,00 cruzeiros e não trabalho com cheques. A moça vendo a decepção de Carlinhos, comovida falou a ele: - Não tem problema! Estou sempre aqui à sua disposição quando quiser voltar... E Carlinhos saiu daquela loja e foi direto para sua casa se aprontar para sair com os amigos naquele belo sábado que prometia uma linda noite estrelada, ainda com suas roupas velhas, mas pensando em poupar aquele seu suado dinheirinho e também, quando deixou a loja, uma grande alegria rondou o seu coração ao sentir que aquela tarde de sábado lhe presenteara com uma grande motivação para estudar muito para o futuro... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O CABO DA ENXADA Como de costume, naquele sábado à tarde, reuniram-se na casa do Vô Eurico para acertar os detalhes de mais uma pescaria domingueira. Todo sábado era assim, o Tio Milton organizava a pescaria para o domingo, passava no sábado à tarde na casa do Vô Eurico, onde combinavam para o dia seguinte os pormenores da pescaria, enquanto as crianças, Carlos - doze anos e Maurinho - dez anos, que não desgrudavam um só minuto da conversa, ansiosas, aguardavam pelo convite dos homens (Vô Eurico e Tio Milton) para também poderem ir à pescaria. Os primos Carlos e Maurinho eram sempre convidados, e mesmo sabendo disso, a cada convite comemoravam muito entre eles. A ânsia de pescar entre os meninos era tanta, que quase não dormiam a noite. Arrumar as tralhas se transformava num grande prazer para ambos. Às cinco e meia das manhãs de domingo, Tio Milton passava com o carro e apanhava o Vô Eurico e Maurinho na casa deles. Não precisa nem dizer que meia hora antes do combinado, Maurinho já estava de pé e à ?caráter?, pronto para a sempre esperada pescaria no rio Jacaré-Guaçu, nas proximidades de Araraquara, no interior do Estado de São Paulo. No caminho, próximo à saída da cidade, no bairro do Carmo, paravam em uma das poucas padarias abertas àquelas horas da manhã naquela cidade do interior, a fim de comprarem o lanche da pescaria (pão, mortadela e tubaína). Isso também era um grande motivo de alegria e satisfação para os garotos. Para completar a ?ração? necessária ao evento, Tio Milton trazia um galão com água e o Vô Eurico se incumbia de trazer uma garrafa com café. Mas não pensem que se tratava de uma garrafa térmica, o café era mesmo acondicionado em uma garrafa de cerveja tampada com rolha, sendo que no transcorrer do dia, na beira do rio, tomava-se café frio mesmo. E após sair da padaria, partiam em direção à estrada rumo ao rio. Porém, nesse dia, mal sabiam os pescadores que toda aquela rotina de anos de pescaria seria diferente. E tudo já havia começado a mudar no dia anterior, quando dos preparativos, resolveu-se pescar num lugar diferente e mais distante do que eles sempre pescavam, muito embora sendo nas mesmas águas do Jacaré-Guaçu. Chegando à beira do rio, como sempre, deixavam o carro sobre a ponte e caminhavam entre trilhas na mata até chegar à margem do rio. Quando ainda estavam nesse percurso, pouco antes de onde iriam ?aportar?, o Vô Eurico avistou uma pequena árvore, cujo tronco tinha a forma perfeita para ser utilizado como um cabo de enxada (Vô Eurico cultivava uma pequena horta no quintal de sua casa). Não teve dúvidas, tirou o facão de uma das bolsas que carregava e tratou logo de cortar aquela pequena árvore, cujo tronco, segundo ele, caberia certinho em uma de suas enxadas. Esse cabo tinha aproximadamente uns dois metros e meio de comprimento por uns seis centímetros de diâmetro. Vendo isso, Tio Milton ainda tentou fazer com que ele desistisse da idéia, pois sabia que as enxadas que Vô Eurico possuía, todas elas já estavam providas de cabos, e no mais, se evitaria de cortar aquela pequena árvore. Mas Vô Eurico sempre com a resposta na ponta da língua, disse ao Tio Milton para que ele não se incomodasse com aquilo, pois aquele cabo ficaria guardado, de reserva, em sua casa, pois em algum dia ele poderia ser útil. Já no local da pesca, próximo à beira do rio, como de hábito, achou-se lugar para colocarem as tralhas (bolsas, varas de pescar, iscas, etc...) e assim, iniciarem logo mais uma prazerosa pescaria. Vô Eurico então, com o ?futuro? cabo de enxada em uma das mãos, encostou-o numa árvore próxima à beira do rio, perto de onde estavam assentadas as tralhas. Procurou deixá-lo em local de fácil visão, para que não se esquecesse dele quando fossem embora e preparou-se para pescar. Passou a manhã toda, mas infelizmente ?o mar não estava para peixes?, ou melhor, o rio não estava para peixes, pois já era por volta da meio dia e meia, e só haviam pescados alguns lambarizinhos, e isso, apenas o Tio Milton e o Vô Eurico, porque eram bons pescadores (os mais pacientes), inclusive, eles já tinham até se dispersados pela margem do rio à procura de melhor local para pescar, ou seja, como eles mesmos diziam: ?ir atrás dos peixes?. Enquanto isso, Carlos e Maurinho pareciam estar lá só para ?dar banho nas minhocas?... e é claro, comer os ?lanchinhos?. Acontece que em toda boa pescaria a sorte sempre muda, e já na parte da tarde, lá por volta das quatro horas (Nossa!!! Que paciência hein!!!), as coisas pareciam que iam melhorar. Maurinho consegue fisgar seu primeiro peixe do dia. Milagre?... Sorte?... Não importa o que fosse, o importante é que os peixes pareciam chegar naquele pedaço do rio. Maurinho, feliz com o lambari nas mãos, após livrá-lo da fisga que o prendia, corre em direção de onde estava amarrado o ?viveiro? (recipiente onde se colocava os peixes que eram pescados, e que ficava parcialmente dentro da água, amarrado com uma cordinha em um tronco ou um pedaço de pau na beira do rio), com o propósito de colocar o pequeno peixe naquele recipiente e voltar rapidamente à pescaria. Mas naquela noite, havia chovido muito, e o barranco próximo de onde estava o viveiro encontrava-se escorregadio, e na volúpia incontrolável pelo peixinho fisgado, Maurinho nem se apercebeu disso, e ao chegar próximo ao barranco no intuito de guardar o lambari naquele viveiro, de pronto escorregou para dentro do rio com roupa e tudo... e não sabendo nadar... afundou... Quando retornou à superfície, após braçadas de desespero, já estava distante uns dois metros da margem, e aos gritos de socorro, começou a afundar pela segunda vez em meio às braçadas que não surtiam efeito de tirá-lo a salvo dali. Vô Eurico e o primo Carlos estavam mais acima das margens do rio e não perceberam aquela situação. Tio Milton é quem estava mais próximo, e ao ouvir o barulho que as braçadas desesperadas de Maurinho faziam nas águas, correu para o local e quase sem saber o que fazer, esticou a vara de pescar que estava em suas mãos em direção a Maurinho, na intenção de que este a agarrasse, porém não conseguiu êxito, pois a vara era pequena e não chegava até as mãos do menino. Então, sem que Tio Milton conseguisse sucesso em sua tentativa, Maurinho que havia retornado à superfície pelo agito das braçadas, começava a afundar pela terceira vez. Neste momento suas braçadas já não eram mais tão fortes e nem mais tão desesperadas, apenas os braços ainda estavam acima da superfície das águas... O afogamento era inevitável! De repente, em sua atribulação, Tio Milton olha para o lado e vê, encostado à arvore da qual cujo tronco estava amarrado o viveiro, o ?cabo da enxada?, isso mesmo, aquele pedaço de pau que havia sido cortado por Vô Eurico, pela manhã, logo que chegaram para pescar, ainda pelo caminho no meio da mata antes da chegada à beira do rio. Tio Milton, sem titubear, apanhou rapidamente aquele pedaço de pau e, como uma última esperança, esticou-o em direção aos braços de Maurinho que se afogava, e que naquelas alturas, já estava novamente imerso, apenas seus braços estavam acima da superfície das águas e, como que por um milagre, Maurinho, ao sentir tocar aquele objeto em suas mãos, agarrou-o fortemente, tendo o Tio Milton puxado-o para fora das águas, salvando-o do iminente afogamento. Minutos após, alarmados pelo barulho, chegam correndo Vô Eurico e Carlos, indagando sobre o que havia acontecido e Tio Milton em meio a um ar de susto e alívio, desabafa: - Seu Eurico, o senhor acaba de salvar a vida do Maurinho de um afogamento! Daí pra frente, após Tio Milton explicar o ocorrido ao Vô Eurico e ao primo Carlos, sem dúvida nenhuma, a pescaria não teve mais clima para continuar. Recolheram todas as tralhas e voltaram para casa. O ?cabo da enxada? voltou com eles, porém jamais serviu em qualquer ferramenta do Vô Eurico, pois como já dito, todas as suas ferramentas já eram providas de cabos, e aquele cabo de enxada - salvador, por muitos anos ainda ficou guardado, esquecido num quartinho de tralhas no quintal da casa do Vô Eurico sem nunca ter sido utilizado, só tendo sido útil em apenas um dia... naquele dia da pescaria. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X MORTE SÚBITA Na faculdade estavam sempre juntos. Amigos inseparáveis. Dessas amizades de irem para a balada, jogarem bola, segredos, etc... Os jovens em idade de faculdade ainda tendem-se a ultrapassar algumas barreiras e desafios, muitas vezes insignificantes se analisarmos como adultos, mas para eles, um ponto de desafio na busca de superação e auto-afirmação. E foi assim que Pedro e Paulo, em certa ocasião, ao retornarem da faculdade, já tarde da noite, em direção à suas casas, ao passarem em frente ao cemitério localizado no centro de uma grande cidade do interior de São Paulo, Pedro propôs um desafio a Paulo: Apostou certa quantia em dinheiro com seu companheiro, desafiando-o para que pulasse o muro e atravessasse por dentro daquele cemitério àquelas horas, certo de que seu amigo não aceitaria tal desafio, pois sabia da fama de medroso do parceiro. Qual não foi a surpresa de Pedro, quando seu amigo Paulo aceitou o desafio. De imediato, Pedro disse se tratar de brincadeira e que só queria testar sua coragem, porém Paulo viu naquela oportunidade uma chance de demonstrar não ser medroso e com isso surpreender seu companheiro com sua coragem e superação. Após algumas tentativas de convencê-lo a não atravessar o cemitério àquelas horas da noite, não houve outro jeito, Paulo estava mesmo convencido de que atravessaria sem problemas. Combinaram então que enquanto Paulo pulasse o muro do cemitério para atravessá-lo, Pedro seguraria o material escolar do companheiro e ficaria do outro lado do quarteirão, aguardando a travessia do amigo. Feito isso, Paulo iniciou sua aventura misteriosa. E, enquanto via seu amigo desaparecer daquele quarteirão, após ter virado a esquina com destino ao outro lado do cemitério, subiu na sapata do muro para saltar para dentro, mas antes olhou meio que ressabiado pelo seu interior, tendo por alguns segundos , ao se ver sozinho, pensado em desistir daquela aventura. Mas devia estar pensando: ? Se já havia chegado até aquele estágio nunca antes por ele imaginável, isto é, ter a coragem de olhar por sob o muro do cemitério àquelas horas da noite, qual seria o problema em atravessá-lo, afinal, ele deveria ter medo é dos vivos e não dos mortos. Que mal poderia fazer a ele os mortos?...? Portanto deve ter tratado logo de se desfazer psicologicamente de seus ?fantasmas?, e com um impulso de coragem saltou para o interior do cemitério. Sabia Paulo que tinha pouco mais de cem metros até que chegasse na outra ponta do cemitério, e então, firmou seus passos e, numa avenida interna do local, foi vencendo cada metro daquele terreno ?pertencente? aos mortos. Fixava os olhos apenas no final daquela avenida, procurando não olhar para os lados, e aos poucos via chegar mais próximo do final sua louca aventura. Faltavam poucos metros para alcançar o muro, e Paulo continuava caminhando e olhando fixamente para a frente. Devia ainda pensar: " Meu amigo vai se surpreender comigo. Vai me parabenizar pela minha coragem, coragem essa que acredito que ele não tenha...e ainda por cima ganharei a aposta...? Entre diversos pensamentos que lhe deviam ocupar a mente - só para não pensar no medo -, eis que finalmente alcança o outro lado do cemitério. Agora mais tranqüilo e com forçosa coragem, respira aliviado, coloca as mãos sobre o muro para saltar para a rua e vencer o desafio. Porém, no momento em que impulsionava seu corpo para subir no muro, percebe que sua camisa foi segura, impedindo-o de transpor aquele muro. Neste instante, em fração de segundo, sua mente dá espaço apenas para o medo, e então, em estado de choque, cai falecido ainda no interior do cemitério. Pedro que o aguardava do outro lado, ao perceber que Paulo havia caído ao chão e não dava sinal de vida, tratou de chamar por ajuda e, após a chegada da polícia, explicou a situação daquele ocorrido. Perícias foram feitas próximas ao local onde Paulo havia caído, e chegou-se a conclusão que ele havia falecido de enfarto pelo choque sofrido, quando na tentativa de pular o muro, sua camisa enroscou num dos galhos das árvores plantadas no interior do cemitério, paralelas àquele muro, o que teria causado-lhe um susto muito grande levando-o àquela morte súbita. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CATADOR DE PAPELÃO João Carlos era um daqueles homens dignos de serem seguidos como exemplo. Cidadão honesto, inteligente, trabalhador, um ótimo esposo e um ótimo pai de família. Sempre muito solidário para com as pessoas e sobretudo para aquelas pessoas necessitadas e desprovidas de recursos financeiros, sem nenhuma condição de fazer parte de nossa sociedade capitalista. E ainda mais, João Carlos era possuidor de um excelente emprego numa conceituada empresa multinacional localizada na cidade de São Paulo, recebendo um alto salário pelo seu cargo de gerente de produção, inclusive era um dos gerentes mais bem queridos e respeitados pelo presidente da empresa, face aos seus inúmeros cursos realizados, se tornando com isso um profissional altamente gabaritado em sua área de atuação. Porquanto João Carlos gozava de um privilegiado padrão de vida junto à sua família, dando-lhes todos os recursos necessários para se viver bem: bons estudos; uma linda casa; lazer e, o mais importante, muito carinho à sua esposa e aos seus filhos. Mesmo usufruindo de um bom nível de vida, João Carlos jamais perdera seus sentimentos de solidariedade aos pobres, sentimentos esses que lhe eram inerentes ao berço recebido, apesar de ter crescido numa família bastante humilde. Só para se ter uma idéia de como era o perfil de João Carlos, vou contar uma pequena passagem em sua vida: ? ...Numa certa manhã de sábado, quando estava desfrutando de suas horas de folga, percebeu um catador de papelão vasculhando a lixeira defronte à sua casa. Vendo isso, saiu até a calçada e se pôs a conversar com aquele catador: - Bom dia senhor! Está produtivo o dia hoje? E aquele catador, sem levantar a cabeça e continuando a vasculhar atrás de separar os papelões ora desprezados naquela lixeira, surpreso pelo ?Bom dia senhor!?, retribuiu: - Bom dia doutor! Dizendo isso, continuou na sua árdua missão de coletar papelão jogado em meio aos sacos de lixo à espera pelo serviço público de coleta. E João Carlos continuou: - Esse serviço não é nada fácil não é mesmo? Você sabe que você exerce uma função muito importante na cidade, pois com todos esses papéis e papelões coletados para uma futura reciclagem, muitas árvores são preservadas. - Sei disso doutor! - respondeu incontinenti o catador. Mas para mim, esse material todo que coleto preserva mesmo é o alimento lá de casa, isso sim! Tenho mulher e dois filhos pequenos para cuidar... Tendo escutado isso, João Carlos comovido falou: - Pelo visto, o senhor começa muito cedo a trabalhar e... Antes mesmo que João Carlos pudesse terminar a frase, aquele catador já foi respondendo: - É verdade doutor. Às cinco e meia de toda manhã já estou na lida e vou até por volta das oito da noite. - Nossa! Tudo isso? - peguntou surpreso João Carlos. - Se não for assim caro doutor - disse-lhe o catador -, não consigo sustentar minha família e muito menos poupar um dinheirinho para um dia poder pagar a faculdade dos meus filhos. - Puxa vida! - exclamou João Carlos. É isso aí, Deus que lhe ajude e lhe dê muita saúde. - Pois é doutor! Sabe, eu já trabalhei muito na minha vida. Mas com a instabilidade financeira existente em nosso país, acabei por ficar desempregado, e infelizmente, como não tenho estudo, tive que me virar de algum jeito, e então busquei esta alternativa, pois não suportaria ver a minha família a passar fome e ficar sem teto. João Carlos tinha como de costume conversar com as pessoas mais humildes, mas aquela era a primeira vez que conversava com um catador de papelão, e tendo ficado muito emocionado com as palavras daquele senhor, perguntou-lhe: - Qual é o seu nome? Afinal, estamos conversando há algum tempo aqui no portão de casa, e veja só que falta de educação a minha - falou isso dando um leve sorriso -, nem ao menos perguntei o seu nome e nem me apresentei a você! - e continuou: - Meu nome é João Carlos e o seu? Naquele instante, aquele catador de papelão que até então permanecera agachado separando os papelões, apesar de ter respondido às perguntas de João Carlos, levantou-se de imediato, tirou o chapéu de palha que inclusive cobria parcialmente sua testa, e colocando-o sob um dos braços preso às axilas, olhou bem nos olhos de João Carlos e disse: - Doutor, vou lhe confessar uma coisa... Há alguns anos que venho nesse trabalho humilde pelas ruas da cidade, e até então sequer um bom dia havia recebido, e o senhor, além de puxar conversa comigo, se importa em saber o meu nome, pois pode me chamar de Toninho! Isso mesmo: Toninho Silva, é assim que sempre fui chamado. - Muito prazer então, seu Toninho! - respondeu com satisfação João Carlos. Mas agora você não precisa mais me chamar de doutor, pode me chamar só de João. E como ainda eram apenas oito horas da manhã, João Carlos desconfiou que Toninho ainda não tinha tomado o café matinal, e assim, mais do que depressa, tratou de oferecer-lhe café com leite e pão com manteiga, sendo que Toninho, já com um certo ar de confiança na pessoa de João Carlos, aceitou sem titubear e, após ter tomado o café com o seu pãozinho quentinho (João Carlos havia passado na chapa), terminou de separar os ?seus? papelões, agradecendo muito a João Carlos pela conversa e por aquele ?café da manhã? e se despediu, falando: - O senhor tem um bom coração seu João! E o senhor pode ter certeza que Deus sempre lhe recompensará abrindo portas em sua vida. Dito isso, Toninho colocou os papelões que havia separado sobre um carrinho de madeira, o qual tinha a forma de uma pequena caçamba e que utilizava para o transporte daquele material reciclável, e num rápido e firme impulso, partiu empurrando-o na busca de mais papelões pelas ruas e calçadas da cidade...? E esse era o perfil de João Carlos, sempre muito bom para todos, mas principalmente para com aqueles mais humildes. ***** *** * Muitos anos se passaram desde aquela conversa que João Carlos havia trocado com o senhor Toninho, o catador de papelão, tanto que fazia também muitos anos que João Carlos tinha se mudado para o seu apartamento num bairro nobre da capital. Com isso, João Carlos nunca mais viu Toninho e tampouco conversou com qualquer outro catador de papelão em sua porta, uma vez que agora estava morando num condomínio fechado, o que por si, dificulta os contatos e relacionamentos entre as pessoas de nossa comunidade. Assim como muitos anos se passaram, muitas coisas tinham mudado na vida do país. Com a crise financeira que o Brasil atravessava, essa veio atingir diretamente o ramo industrial do qual se ocupava João Carlos, e com isso, o corte em sua empresa foi muito grande e, inevitavelmente, o seu nome passou a fazer parte da lista dos milhões de desempregados existentes em nosso país. E com o desemprego, João Carlos acabou por perder algumas regalias que gozava em sua vida, ou melhor, muitas regalias..., tais como: filhos passaram a estudar em escola pública; tiveram que vender os dois carros para pagar as dívidas assumidas; as parcelas do financiamento do apartamento da qual morava com a sua família, não mais foi possível pagá-las, tendo que entregá-lo ao Banco credor... E assim tiveram que ir morar de favor em casa de parentes. Mas é bom que se diga que aquela crise não só faliu a João Carlos, mas também a vários milhares de famílias brasileiras que sofreram na pele o dissabor de ter que conviver com perdas irreparáveis em suas vidas, tendo em muitos casos, seus chefes, por desespero, se entregado ao alcoolismo ou outras coisas mais graves. No entanto João Carlos, apesar de ter sentido o peso da crise, não se abateu. Procurava incansavelmente no dia-a-dia, um emprego que pelo menos pudesse dar o sustento digno que sua família merecia. Sabia que jamais conseguiria ganhar o que ganhava em sua antiga empresa e que jamais voltariam a viver naquele padrão em que desfrutavam. E dessa maneira, João Carlos passou a viver por algum tempo. ***** *** * Num certo dia, próximo ao final da tarde de mais uma batalha na busca de emprego pelas ruas da cidade, João Carlos com muita dor de cabeça e fome, pois já havia andado o dia todo e poupado o dinheiro do almoço para poder pagar suas conduções, acabou por tomar um ônibus errado na volta para casa. Porém como estava muito cansado, além de não perceber aquele engano, terminou por cochilar no interior daquele coletivo. Após aproximadamente o ônibus ter circulado por uns trinta minutos, João Carlos despertou, e sem perceber que tinha tomado um ônibus errado e que se encontrava num percurso desconhecido, avistou pela janela daquela condução, uma empresa de grande porte, com uma placa próxima à sua portaria de entrada escrita: ?Precisa-se de Ajudante Geral?. De imediato João Carlos acionou a campainha do ônibus e desceu no próximo ponto, partindo rapidamente em direção àquela empresa que já tinha ficado há alguns metros para trás. Em lá chegando, e após se inteirar que havia uma única vaga disponível para aquela função, se colocou à disposição para o emprego e ficou aguardando numa sala de espera, em meio às dezenas de outros homens desempregados, o momento de ser chamado para que fosse avaliado numa entrevista pelo Departamento de Recursos Humanos da empresa. Passado cerca de uma hora, finalmente João Carlos é chamado para a entrevista. Ao adentrar à sala para onde fora chamado, notou que o entrevistador era um rapaz novo, não aparentando mais de vinte e cinco anos de idade. E assim que João Carlos passou pela porta, aquele entrevistador após dar-lhe uma boa tarde, pediu-lhe para que se sentasse e começou a fazer-lhe perguntas: - Qual o seu nome? - João Carlos. - O senhor é casado? Tem família, filhos... seu João Carlos? João Carlos não respondeu. E como João Carlos não tinha respondido, o entrevistador se preparou para refazer sua pergunta, mas ao olhar atentamente para o entrevistado, percebeu que João Carlos estava observando fixamente um quadro pendurado na parede daquela sala, pouco acima da cabeça daquele entrevistador, o qual tinha emoldurada a foto do busto de um senhor. Vendo que João Carlos não tirava os olhos daquele quadro e notando que ele ficara surpreendido com aquela imagem, o rapaz que o entrevistava foi logo falando: - Esse senhor aí na foto é o meu pai. Graças a ele é que hoje temos esta empresa de aparas de papel. Papai nos criou catando papelão pela rua. Quando eu e o meu irmão terminamos nossas faculdades de química, montamos uma pequena firma de reciclagem de papéis e papelões e passamos a transformá-los em novos produtos para o mercado. E continuou: - Trabalhamos muito, mas valeu todo nosso esforço. Hoje estamos com duas empresas montadas, e ainda dispomos de uma fazenda no interior do Estado com uma grande área de reflorestamento. Eu tomo conta desta daqui de São Paulo e o meu irmão da filial de Suzano. Conseguimos um alto nível de qualidade na fabricação de nossos produtos e com isso vendemos para todo o Brasil e também para o mercado internacional. Antes mesmo que aquele entrevistador continuasse em suas perguntas, João Carlos com o semblante de mais surpreso ainda, perguntou: - Qual o nome do seu pai? E o rapaz, agora com o corpo e o pescoço voltados parcialmente para trás, olhou para a figura daquele quadro e com um indisfarçável brilho nos olhos, orgulhosamente falou: - Antônio da Silva! Mas todos só o conheciam por seu Toninho, o catador de papelão. Neste instante, João Carlos teve um momento de sobressalto, e com os olhos lacrimejados de emoção pelo o que estava presenciando, disse em tom de satisfação: - Eu conheço o seu pai!!! E após João Carlos ter relatado toda a história de contato que havia tido com o pai daquele rapaz entrevistador, que naquele ínterim ficou sabendo chamar-se André, e também contado sobre a sua atual condição de vida, André com os olhos também cobertos de lágimas e muito emocionado disse: - Como este mundo é pequeno seu João Carlos. O senhor não sabe o quanto o meu pai falou desse dia em que conversou com o senhor na porta de sua casa. Desde quando papai havia perdido o emprego, e a gente era muito pequeno, mamãe me falou que nunca mais tinha visto papai tão feliz. O senhor não pode imaginar o quanto o senhor fez bem ao meu pai naquele dia. E dizendo isso, André continuou a falar: - Infelizmente papai e mamãe não estão mais entre nós. Faleceram há dois anos. - Sinto muito... - lamentou João Carlos. - Obrigado... - agradeceu André. E após alguns segundos de silêncio pela comoção dos acontecimentos ali revelados, André pôs-se a continuar aquela entrevista: - E então seu João Carlos, o senhor está mesmo interessado na vaga de Auxiliar de Ajudante Geral? - Com certeza! - afirmou João Carlos. Eu preciso muito desse emprego, pois como disse tenho uma família para sustentar. E André com a voz ponderada respondeu: - Puxa vida... infelizmente seu João Carlos a vaga não está mais disponível. Ouvindo isso, e não entendendo o motivo daquela ?dispensa?, João Carlos cabisbaixo agradeceu a André, desejando-lhe muita sorte, e levantou-se da cadeira e partiu em direção à porta a fim de se retirar daquela sala. Quando estava se aproximando da porta de saída, André lhe chamou e falou: - Seu João Carlos, eu falei que a vaga de Auxiliar de Ajudante Geral não está mais disponível... para o senhor, pois tenho algo melhor para lhe propor, afinal o senhor pode ter certeza de que a vida não lhe trouxe aqui por engano. A vida nunca trabalha ?por acaso?; ela às vezes fecha portas, mas sempre abre outras maiores quanto o tamanho da porta do coração de quem merece. Portanto, se o senhor aceitar, é claro, estou precisando de um gerente de produção para a nossa empresa de Suzano, pois o atual gerente daquela filial está se aposentando, e posso lhe garantir que o salário é um dos mais altos de nossas empresas. O senhor aceita? Não tendo palavras para se expressar, João Carlos começou a chorar e passou a agradecer a Deus por aquele momento. Por estar tendo a oportunidade de estar provando naquele instante que vale à pena ser bom, independente de qualquer situação em que possamos nos encontrar na vida, e principalmente quando estivermos por cima e sentirmos a falsa sensação que jamais precisaremos de ninguém, pois é aí que vem a provação do nosso caráter. E assim, logicamente que João Carlos aceitou o cargo, colocando em prática todo o seu amplo conhecimento profissional e técnico naquele seu novo emprego, tanto que a empresa dos filhos do seu Antônio Silva, o Toninho catador de papelão, já conta com mais uma filial pelo interior do Estado. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A JABUTI E não havia meio daquela bronquite desaparecer. Quanto sofria a pequena Nickita com aqueles estados de ataques brônquicos. Desde muito pequena, Alessandra, sua mãe, correndo de Pronto Socorro a Hospital quando as crises atacavam, e Nickita com sua respiração ofegante, era levada às pressas para fazer inalação, e ainda algumas vezes tinha que ficar internada sobre observação médica. Não dá para precisar quando teria iniciado aquela bronquite em Nickita. De nascença talvez. Alergia a animais, carpetes, poeira... sabe-lá, só se sabe que Alessandra há sete anos (idade de Nickita) vivia em alerta total, pois a qualquer sintoma de início de crise brônquica - e quem já teve sabe do que estou falando -, Alessandra já estava pronta para o socorro. Só faltava ficar uniformizada tal qual os homens do resgate. Aliás, Alessandra já havia tentado de tudo quanto é tratamento médico e aquela bronquite teimava em continuar incomodando a pequena Nickita. Já não possuía mais animais de pêlo. Substituiu o carpete por um piso de madeira. Conta de energia elétrica vinha ?lá em cima?, devido ao constante uso do aspirador de pó, mas aquela bronquite, seguida de uma renite alérgica, parecia não haver solução. Volta e meia, Nickita ?visitava? os médicos. Alessandra, seguindo orientações de alguns parentes ou vizinhos, apenas conseguia atenuar as crises com alguns chás de ervas. Num determinado dia, Alessandra ouviu de Aparecida, uma vizinha e antiga amiga, que esta ficara sabendo de uma solução que poderia afastar de vez aquela bronquite em Nickita, e com a vantagem de nunca mais necessitar do uso de medicamentos, chás, etc... Aí, Alessandra, como toda mãe que nunca perde as esperanças, de imediato quis saber qual seria aquela ?milagrosa? solução e perguntou à sua amiga: - Cida, me diga logo qual é esse remédio milagroso? E Cida respondeu: - Não se trata de nenhum remédio. É uma tartaruga! Isso mesmo, uma tartaruga! Dessas que não precisa ficar na água... um Jabuti! - Um Jabuti?!!!... - perguntou surpreendida Alessandra. Mas como um Jabuti irá resolver o problema da bronquite da minha filha? - Como eu não sei! - disse Cida. E continuou: - Não sei qual é o segredo, só sei que dá certo, pois já me falaram sobre isso várias vezes, inclusive uma colega lá do meu serviço tem um Jabuti solto em sua casa e disse que a bronquite das crianças desaparecera como um passe de mágica, após ela ter ?adotado? o Jabuti como bicho de estimação. Ouvindo esse relato, Alessandra, que praticamente já havia tentado de tudo, e durante anos não tinha conseguido achar a cura para a bronquite de Nickita, disse para Cida: - Tudo bem! Apesar de eu não acreditar muito nesse ?milagre? do Jabuti, não custa tentar. Ao menos Jabuti não tem pêlo, e assim, quem sabe, posso unir o útil ao agradável, pois as crianças poderão tê-lo como seu bichinho de estimação. E ainda perguntou: - Mas Cida, onde é que eu vou encontrar um Jabuti? E com um sorriso desconfiado na face, Alessandra até ironizou para Cida: - Ah, ah, ah...! Só faltava agora eu ter que sair pelos matos atrás de um Jabuti!... Porém Cida, sem hesitar respondeu: - Larga de ser boba Alessandra! Até parece que você não vive neste século! Hoje em dia, existem criadores autorizados pelo IBAMA onde você poderá comprar diversos animais e pássaros da fauna nacional, inclusive um Jabuti, e ainda vem com certificado de registro. - Nossa! - exclamou admirada Alessandra. Não sabia nada disso. Se é assim, o que é que estamos esperando para ir atrás dessa tartaruga, quero dizer, desse tal de Jabuti? ***** *** * E assim, após algumas pesquisas pela internet, Alessandra e Cida conseguiram encontrar um criadouro autorizado pelo IBAMA onde se criavam e também se vendiam Jabutis, e foram e compraram um animalzinho, com pouco mais de dez centímetros de comprimento. Quando Alessandra chegou em casa com o pequeno Jabutizinho, seus filhos, Felipe e Nickita, vibraram com o bichinho de estimação e logo já batizaram com um nome: Casquinha!... Não preciso nem dizer o porquê, não é mesmo? Ah, e era um Jabuti fêmea, segundo os responsáveis pelo criadouro, e desta forma, este seria o novo bichinho de estimação da casa, mas para Alessandra, o que importava mesmo seria a cura da bronquite de Nickita. E Alessandra estava com muita fé como sempre teve em outras situações da vida. Naquele mesmo dia em que Alessandra apareceu com a Jabuti e após todo aquele ?alvoroço? das crianças, Nickita notou que a pequena Casquinha não abria um dos olhos, ou seja, a pequena tartaruguinha era cega de um olho, e então, atônita, Nickita proferiu as seguintes palavras: - Olha mamãe! Ela é cega de um olho! Volta ?lá? e troca ela mamãe. Eles venderam uma Jabuti cega pra gente! - É verdade filha! - esbravejou Alessandra após ter verificado a veracidade do que Nickita acabara de afirmar quanto à Casquinha. - Eles me enganaram! Onde já se viu vender uma Jabuti cega de um olho! Eu vou lá reclamar e pedir para trocar por uma outra ou outro que tenha os dois olhos normais - disse isso se preparando para voltar onde havia comprado a Jabuti. Porém, Felipe que estava ouvindo o diálogo entre mãe e filha, de imediato gritou enfurecido: - De jeito nenhum!!! Eu não vou permitir que alguém saia daqui com esta Jabuti! Ninguém vai trocar a Casquinha só porque está cega de um olho. Daqui ela não sai! - Sabe por que mãe? - continuou Felipe em seu bravo discurso já com os olhos lacrimejados: - Se a mãe voltar lá para trocar a Casquinha, eles podem pensar que esta Jabuti não serve pra nada só porque é cega de um olho. Vão achar que ninguém vai querer comprá-la, aí eles vão desprezá-la... e ... coitada da Casquinha, vai morrer de tristeza. Se ela veio pra gente, é porque Deus quer que a gente fique com ela do jeito que ela é!... Alessandra e Nickita ficaram muda ante a tal sensibilidade de Felipe. Olharam-na uma para outra, ambas também com os olhos cheios de lágrimas, e Nickita então com a voz tremida de emoção advinda pelo discurso de Felipe, disse: - É verdade mamãe. O Felipe tem razão. Não tem problema que a Casquinha é cega de um olho, de hoje em diante ela vai ser a nossa mascote da casa. Eu já a amo assim mesmo! E dessa forma, Casquinha, a Jabuti, passou a ser mais um ?membro? da família. Porém o inesperado estava para acontecer!... Naquele mesmo dia, Felipe resolveu dar um banho na pequena Casquinha. Colocou-a sob a torneira do tanque, na área de serviço, e começou a banhá-la, mas a água corrente acabou por retirar uma pequena película que cobria aquele olho ?cego? da Jabuti, e assim, após a retirada daquela película, a pequena Casquinha abriu aquele olho, até então ?cego?, ficando com os dois olhos bem abertos para a alegria de Felipe, que feliz, saiu a berrar em direção ao interior da casa: - A Casquinha abriu o olho! Olha mãe!... Nickita!... Venham ver!!! A Casquinha não é cega não! Ela abriu o olho! Acho que estava com alguma sujeirinha sobre sua pálpebra e a água levou!... E com essa ótima notícia, ficaram todos muito mais felizes. Casquinha passou a dormir embaixo da cama de Nickita, mas andava livremente pelo seu quarto e também pelo quarto de Felipe, e ainda por outros cômodos da casa. E o interessante é que Casquinha só fazia suas necessidades dentro do tanque, quando alguém abria a torneira e deixava apenas um ?fio? de água escorrendo sobre seu corpo. Nunca fez qualquer sujeira dentro de casa. Mas que gracinha!... Que educação!... Ah! Estava até me esquecendo da bronquite! Bronquite!? Que bronquite?... Pois é, essa história toda se passou há pouco mais de nove anos, tanto que Nickita hoje está com dezesseis anos de idade, e segundo Alessandra, que não tem motivo nenhum para mentir, afirma que há aproximadamente nove anos que Nickita nunca mais teve que ser socorrida de Pronto Socorro a Hospital, e sequer teve quaisquer sintomas de bronquite e até mesmo sua renite alérgica tinha desaparecido. Milagre ou não, se curou completamente. Quanto à Casquinha, hum!... Esta continua pela casa, um ?pouco? maior é claro, andando de cômodo em cômodo. Quando está de barriga cheia ?desaparece? embaixo de alguma cama, armário, etc...; busca qualquer cantinho para se esconder, e quando a fome volta a bater, passa a andar pela casa ?reclamando? por seus legumes e frutas... E continua a fazer suas necessidades somente dentro do tanque, na área de serviço, após alguém colocá-la ali e abrir a torneira, deixando escorrer um pequeno fio de água sobre seu pequeno corpinho. Estão vendo só! Nunca podemos julgar ninguém ou mesmo qualquer bichinho simplesmente pela sua aparência. Só Deus sabe a riqueza e o milagre contidos no interior de cada ser vivo, mesmo que seja uma pequena Jabutizinha. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VELAS VERMELHAS Era uma família bastante religiosa. Católicos fervorosos, praticantes. Seu Bentinho, sua esposa Dona Zica e o filho Cesinha, não perdiam a uma missa domingueira. Fiéis, aos domingos pela manhã freqüentavam a Igreja de Santa Cruz, onde acompanhavam toda cerimônia religiosa através do Boletim Litúrgico. Quase que sem piscarem ou olharem para quaisquer dos lados, ouviam a pregação do Padre, atentos à mensagem daquele líder paroquial. Se comungavam ?saboreando? espiritualmente a hóstia consagrada, rezando com as cabeças inclinadas, até que aquela sagrada partícula de pão sem fermento se dissolvesse por completo em suas bocas, e ainda, não deixavam aquela casa de Deus sem antes entrarem na fila do confessionário, onde fielmente confessavam todos os ?pecados? cometidos durante a semana, saindo daquele confessionário sempre com penitências impostas pelo Padre como forma de os livrarem dos pecados semanais. Não perdiam também as novenas de orações realizadas pela catequese. Seguiam-nas sem deixar de assistir a qualquer uma delas... E naquela sexta-feira não foi diferente. Dia aquele da semana em que eram realizadas a seqüência dos nove dias de orações. Bentinho, Dona Zica e Cesinha, este com 16 anos de idade, acompanhavam a novena inteira, a qual começava as sete da noite e se encerrava por volta das oito e meia da noite, e assim, após o término de tal compromisso religioso, iam diretamente para casa, pois Cesinha, no auge de sua adolescência, nas sextas-feiras, sempre saia pela cidade a passeio com seus amigos, atrás de suas paqueras. Naquela noite, mais ou menos as nove horas, chegaram em frente às suas casas, e Bentinho, como sempre, imbicava o fusca bege, modelo ?fafá?, na entrada da garagem, onde ritualmente, Dona Zica, com um molho de chaves em uma das mãos, descia do carro e, quase que em ?passo ordinário?, marchava em direção ao portão para abri-lo a fim de que Bentinho viesse a guardar o veículo. Porém, quando Dona Zica se preparava para encaixar uma das chaves no cadeado que prendia as correntes do portão daquela garagem, simultaneamente, ao olhar para um canto do jardim de sua residência, foi tomada de uma grande surpresa, seguida de um grande susto por causa de uma pequena claridade que viu... Aos pés de um coqueiro plantado naquele jardim, havia um punhado de velas acesas, mais precisamente um grupo de sete velas vermelhas, amarradas por uma fita preta, a qual também prendia junto a ela, um pequeno laço vermelho. Ao ver essa cena, Dona Zica, quase que em estado de choque, instantaneamente se ?benzeu? fazendo o sinal da cruz com uma de suas mãos, percorrendo seus dedos por toda extensão de sua testa e peito, e ensaiou um berro de pavor, mas se conteve. E retirando rapidamente a chave do cadeado, sem ter chegado a abri-lo, voltou para o carro, do lado do motorista, e com a voz baixa para não despertar curiosidades de vizinhos, falou a Bentinho: - Bem... (não se sabe se ?bem? de afeto ou se ?Ben? de Bentinho), fizeram macumba pra gente! Olha lá no cantinho do jardim... deixaram um monte de velas vermelhas acesas!... Bentinho arregalou os olhos face à declaração de Dona Zica. De imediato desceram do carro, ele e Cesinha, e foram constatar de perto do que se tratava. Entraram pelo portãozinho de pedestres, ao lado do portão da garagem, e se aproximaram daquelas velas, onde Bentinho, após um impetuoso sinal da cruz e em seu conhecimento na arte da fé, foi logo dizendo: - Meu Deus!!!... Não mexam! Não mexam nisso!... Isso é trabalho feio! Só pode ser coisa do mal! Mas quem poderia ter feito isso? E Dona Zica respondeu: - Sei lá Bentinho! Nos damos tão bem com a vizinhança, não temos inimizades com ninguém. Não consigo fazer nem idéia de quem poderia querer nos prejudicar com este trabalho... Deve ser macumba!... E Cesinha não perdendo oportunidade de acusar uma desafeta, vizinha ao lado, mãe de sua ex-namorada, que não gostava dele por causa de seus cabelos compridos e das músicas agitadas que gostava de ouvir em seu quarto, com os sons das caixas no último volume, disse: - Só pode ser coisa da Dona Mirian, essa bruxa aí do lado! Eu sempre achei ela com cara de macumbeira mesmo. Acho que esse trabalho é pra eu não voltar com a filha dela. - Cala a boca Cesinha! - esbravejou Dona Zica. Onde já se viu pensar isso da Dona Mirian. Vizinha de anos e que sempre esteve pronta a nos prestar qualquer favor. - É verdade! - disse Bentinho concordando com sua esposa, e continuou: - Mas nós não podemos ficar aqui parados olhando essas velas se queimarem. Temos que fazer alguma coisa. Vamos para a casa sacerdotal e chamar o Padre Onofre para retirar isso daqui, benzer esta casa e tentar nos falar porque razão teriam-nos feito esse trabalho. E assim, deixaram aquele jardim, trancaram o portãozinho, e entraram no carro, tendo Bentinho partido velozmente em direção à casa dos Padres, ao lado da Igreja Santa Cruz. Lá chegando, depois de Bentinho relatar o inusitado fato que estava ocorrendo no jardim de sua casa, o Padre Onofre, muito amigo daquela família, se vestiu com a sua bata, colocou o rosário e o terço bizantino em um de seus bolsos, pendurou um grande crucifixo no pescoço, passou a mão na galheta contendo água benta, solicitou ?reforço? (acompanhamento) com o jovem Padre Maurício, ainda em estágio no meio paroquial e partiram para a casa de Bentinho. Ao chegarem em frente a casa, Dona Zica, abriu o portãozinho e Padre Onofre acompanhado pelo Padre Maurício adentraram primeiramente, seguidos pela família. Assim que Padre Onofre viu aquelas velas vermelhas acesas, imediatamente fez o sinal da cruz (por três vezes), sinal este que todos repetiram também por três vezes, segurou o crucifixo juntamente com o terço bizantino com uma de suas mãos apontando para aquele trabalho, rezou a oração de São Bento e, com a outra mão, começou a aspergi-las com gotas de água benta e, prosseguindo nas orações, entre uma e outra, dizia: - Afasta daqui coisa ruim! Esta família não lhe pertence, pois eles são devotos de São Bento e tem a proteção do Deus divino. - E em nome de Jesus, que os males desse trabalho retornem para as trevas de onde saiu... Feita essa cerimônia de benzimento e ?exorcização?, Padre Onofre falou a todos: - Esse trabalho é muito forte! Parece até que o meu rosário se retorceu dentro do bolso. Mas não sei dizer do que se trata, vou levá-lo daqui. A essa altura, as velas já haviam se apagado, tamanha a ?chuva? de água benta borrifada com o aspersório sobre elas. Com um pedaço de jornal apanhou aquele feixe de velas molhadas e o colocou dentro de uma caixa de papelão e partiram dali com o Padre Onofre dizendo: - Vou levá-las do jeito que estão ao irmão Gilberto, fiel da nossa igreja que é ex-pai-de-santo e agora está convertido ao catolicismo, para que ele dê uma olhada nestas velas e analise que tipo de trabalho é este, e o que deveremos fazer para desvencilhar de uma possível maldição. E então, partiram todos para a casa do irmão Gilberto e, tendo aquele ex-pai-de-santo analisado o trabalho realizado com as velas vermelhas, explicou: - Meus irmãos..., isto é trabalho pesado! Estas velas foram ofertadas ao Exu Mestre das 7 Encruzilhadas, para que haja muita infelicidade no seio da família. - e continuou em sua tese sobre aquele ritual: - Para desmanchar este trabalho, a família necessita de jogar as velas em algum rio para que a correnteza leve pra bem longe todo mal desejado a vocês e a casa. Assim, seguindo orientação do irmão Gilberto, naquela mesma noite, Bentinho, Dona Zica e Cesinha, acompanhados do Padre Onofre e do Padre Maurício, foram até as margens de um rio nas imediações da cidade e, de cima de uma ponte, arremessaram as velas em suas correntezas, fizeram alguns sinais da cruz ainda em cima da ponte e em seguida retornaram para a casa da família. Depois de tudo isso, antes que os Padres retornassem à casa paroquial, benzeram por completo a residência de Bentinho, bem como a todos de sua família, e após um breve sermão, passou as seguintes recomendações: - Meus filhos, é bom que vocês rezem durante uma semana, todas as noites o Credo, mais vinte Padres-Nossos e vinte Ave-Marias, e no próximo final de semana, estarei aqui para rezarmos um terço. Feitas essas recomendações, aqueles presbíteros partiram de volta à casa sacerdotal, e a família enfim, pode entrar na casa para as suas rotinas normais, ou melhor, para a inicialização das preces recomendadas pelo Padre Onofre. E com tudo isso, Cesinha acabou nem saindo naquela noite. ***** *** * ...Enquanto isso, na área de entrada de uma residência nas proximidades da casa de Bentinho, escondidos atrás de uma parede de tijolos vazados, os jovens Marinho, Zezé e Luís Cláudio, todos amigos de Cesinha, observavam o movimento com sorrisos e expressões de receios e conversavam baixinho entre eles: - Caramba meu!!!... Os pais do Cesinha acreditaram! Eu não falei que essa brincadeira não ia dar certo... - dizia Luís Cláudio meio que assustado pela repercussão do fato. - É mesmo! - concordou Marinho. Eu bem que falei ao Zezé pra gente não pegar aquelas velas jogadas na lata de lixo do cemitério. - Mas é que o Luís Cláudio falou que iria derretê-las para vender a parafina - justificava Zezé. - ... Até chamaram os Padres para desmanchar o trabalho..., há, há, há... - sorria Marinho..., mas lembrando da seriedade em que havia rumado aquela brincadeira, preocupado perguntou: - E agora? O que será que vai acontecer? - O que vai acontecer eu não sei... - respondeu Zezé. A única coisa que sei é que teremos que guardar segredo disso. Se descobrirem que foi a gente que armou essa brincadeira, o Cesinha nunca mais vai querer nossas amizades. - É verdade! - falou Luís Cláudio. Se descobrirem que tudo não passou de uma brincadeira, eu acho que o seu Bentinho e principalmente a Dona Zica chamam até a polícia para nos prender. E assim, entre uns e outros comentários, os amigos Marinho e Luís Cláudio, agora apreensivos, decidiram ir embora, de fininho, para suas casas, enquanto Zezé, que já estava em sua própria casa, sem fazer maior alarde, entrou e foi direto para o seu quarto deitar-se bem quietinho... Bentinho, Dona Zica e Cesinha nunca ficaram sabendo que aquelas velas vermelhas deixadas acesas no jardim de suas casas, jamais fora trabalho de macumba, e sim uma brincadeira dos também adolescentes, Marinho, Luís Cláudio e Zezé, colegas de Cezinha, e que até hoje face a repercussão, continua em segredo. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X UM DIA NO PARQUE O dia estava propício para um passeio no parque de diversões. Temperatura amena, sol de verão e... feriado! E o que se fazer num feriado com esse tempo tão bonito?... Levantaram cedo, ligaram para alguns casais de amigos e combinaram a ida ao parque de diversões, localizado próximo à saída da cidade em que moravam... Adriano e Cláudia, casados recentemente e ainda sem filhos, tinham toda energia necessária para qualquer eventualidade, principalmente se essa tal eventualidade se resumisse em apenas passear, desfrutar e receber tudo de bom que a vida pudesse oferecer, e assim, naquela bela manhã de feriado, Cláudia não teve dúvidas, passou a mão em seu insubstituível parceiro (o telefone - não o Adriano), e exercitou aquilo que mais sabe fazer: Telefonar!... Num gesto de tamanha intimidade e prática com aquele aparelho, mais uma vez exercitou os seus dedos na digitação dos números no convite aos seus amigos para aquele passeio no parque. Resolveram que iriam passar o dia todo por lá, e até levaram suas provisões: sanduíches, sucos e refrigerantes (e umas cervejinhas), para um gostoso piquenique à sombra das árvores e dos quiosques espalhados pelos gramados do interior do parque. Lá por volta das dez da manhã, já estavam na fila da bilheteria a comprar os passaportes para que logo pudessem entrar e usufruir de todos os brinquedos oferecidos naquela tradicional área de lazer da cidade, porém não sem antes se atrasarem um pouco na compra dos tais passaportes, pois no momento em que Adriano e Cláudia ?negociavam? o preço daqueles passaportes, Cláudia discutiu com o funcionário que os atendia na bilheteria, pelo fato de que, bem naquela hora, os passaportes para o ingresso no parque terem se acabado no caixa, e aquele funcionário necessitou deixar seu lugar, apenas por um minuto, para apanhar mais passaportes num cofre do lado interno daquela bilheteria. Esse fato irritou sobremaneira Cláudia que não se conformou que justo na vez dela, os passaportes haviam se acabado, e por isso, passou a ofender de incompetente aquele pobre funcionário e a culpá-lo sem motivo algum, exigindo inclusive a presença do gerente daquele parque. Após algumas explicações do ?paciente? gerente à Cláudia, e vendo que a fila para a compra de passaportes aumentava em virtude daquela confusão, e que as pessoas na fila já estavam bastante agitadas, tratou logo de contornar a situação e Cláudia tomou posse de seus passaportes. Não é preciso nem falar que aquele tempo de um minuto que o funcionário da bilheteria iria demorar para apanhar mais passaportes dentro do cofre, rendeu pelo menos quinze minutos de atraso, com Cláudia reclamando ?seus direitos?. Enfim, entraram no parque e se divertiram muito em todos os brinquedos. Os casais de amigos aproveitaram bastante o direito de uso de seus passaportes e não deixaram de usufruir de quaisquer brinquedos disponíveis naquele centro de lazer: Gritaram aos sustos e arrepios na Casa dos Monstros e no Trem Fantasma. Foram ?às nuvens? nos discretos beijos em meio à brisa e os apertos de mãos na romântica Roda Gigante. Colocaram para aflorar as adrenalinas dentro dos carrinhos, no trilhar aos gritos tensos na Montanha Russa e ?presos? no subir vagaroso e no descer a jato do Elevador Arranha-Céu?... Voltaram ?à calma? no nostálgico pedalar no lago azul, dentro dos Pedalinhos, ao lado do flutuar suave de seus belos cisnes a nadarem alheios às diversões dos turistas. E desse jeito, o dia foi se passando na vida daqueles jovens casais, num proveitoso e maravilhoso passeio de diversão no parque da cidade. ***** *** * Quase no final da tarde, quando já haviam feito o piquenique sob as sombras das árvores e dos quiosques, e andado praticamente em todos os brinquedos, ainda faltava o passeio pelo Teleférico, o qual de cima dele, podia-se ter uma visão completa da área do parque, pois o seu percurso iniciava-se próximo ao lago e cruzava grande parte de sua extensão até chegar no alto do morro. Pensando nisso, resolveram então usufruir de mais esse brinquedo para depois irem embora. Rumaram até a plataforma de embarque e, após enfrentarem uma fila de pessoas que lá também estavam para se ocupar vez numa das cadeirinhas daquele brinquedo, um a um dos casais foram tomando posição nos assentos individuais das cadeirinhas do Teleférico. Primeiro a mulher e logo em seguida o marido e assim por diante. E o intervalo da passagem de cada cadeirinha era o de aproximadamente uns dez metros entre elas. Na subida até o topo do morro onde ficava a plataforma de retorno, foram sem problemas algum. Somente Adriano que estava um pouco receoso em subir até o morro, mas também embarcou. Após alguns minutos apreciando a paisagem lá do alto, começaram a retornar para a plataforma inicial. Na volta, o casal Adriano e Cláudia foram os últimos a tomarem posição nos assentos das cadeirinhas do Teleférico. E seguindo aquela mesma sequência, primeiramente foi Cláudia e logo atrás foi o seu marido Adriano, porém este por ainda estar um pouco receoso de andar no Teleférico, talvez até pelos seus ?quilinhos a mais?, acabou por deixar de sentar na cadeirinha que veio logo em seguida da que estava sentada Cláudia, mas vendo que os seus amigos, com suas respectivas esposas já haviam ?embarcado? naquele meio de transporte, e estavam chegando no destino final, buscou coragem e, num respirar profundo e num breve fechar de olhos, saltou de costas e sentou sobre a próxima cadeirinha e se foi... E o Teleférico estava seguindo seu percurso normalmente. Quando Adriano atingiu a metade do trajeto, já podia ver seus amigos chegando ao final da linha e outros já na plataforma a lhes esperarem acenando e com as máquinas fotográficas e as câmeras filmadoras apontas em suas direções. Antes de chegarem em sua plataforma inicial, as cadeirinhas do Teleférico retornavam por cima daquele lago dos Pedalinhos e de seus belos cisnes, isso já bem próximas de encerrarem os seus percursos. Só que naquele dia, algo insólito viria a sobrevir... ***** *** * Assim que Cláudia desceu na plataforma de desembarque final do Teleférico, e faltando poucos metros para Adriano, que vinha logo atrás, atingir o seu final, um barulho estranho se ouviu próximo ao carretel que prende o cabo de aço à guia de sustentação da cadeirinha em que estava sentado, e logo em seguida ao barulho, aquele cabo de aço, sem explicação, se afrouxou repentinamente, fazendo com que a cadeirinha da qual estava Adriano sentado, juntamente com ele, é claro, mergulhasse nas águas do lago, afundando até pouco acima da altura de sua cintura. No momento em que ?ambos mergulharam?, um mini tsunami se formou nas águas, fazendo até com que os cisnes, ao lado dos Pedalinhos, aportassem subitamente pelas margens do lago. E Adriano, tendo ficado somente com o tórax para fora da água, com os olhos bastante arregalados, branco pelo pavor daquela crise, e agarrado na guia de sustentação da cadeirinha, desesperado passou a gritar: - Cláááááudiaaa! Cláááááudiaaa! Eu tô afundaaaaando! Chame alguém pra me tirar daqui! Rááááápido!!! E vendo aquela cena, os amigos de Adriano, bem como todas as demais pessoas que estavam próximas àquela plataforma, passaram a gritar por socorro a fim de que algum funcionário do parque ouvisse e viesse até o local. Cláudia angustiada e muito nervosa por ver seu marido prestes a se afogar, pois aos poucos ele afundava mais ainda nas águas do lago, em meios aos gritos de socorro, tentava acalmar Adriano: - Calma Adriano! Não se mexa senão você afunda mais ainda! - e continuava em seu martírio: - Ô meu Deus... me ajude! Socooooorro!!! Alguém tira o meu marido dali! Ele não sabe nadar! Aí, um dos amigos que estava junto com eles, o Alexandre, tentou também acalmar Cláudia e lhe disse: - Calma Cláudia! Eu já chamei o resgate. Eles estão vindo pra salvar o Adriano. E próximas a eles, as pessoas que também acompanhavam todo o drama de Cláudia, e principalmente o iminente afogamento de seu marido Adriano, e ainda, pelas circunstâncias dos acontecimentos, já se sabendo o nome da ?vítima?, tentaram também com os seus gritos, acalmá-lo: ? - Calma seu Adriano! Calma! O resgate já vem vindo! Aguenta só um pouco mais que eles já estão chegando!?. E entre as pessoas que presenciavam aquele ?sinistro?, havia algumas que insensíveis às lastimações e desesperos de outras, tiravam fotos e filmavam com satisfação o grande ?caos? em que Adriano tinha se metido. Ouvia-se inclusive entre as pessoas, os seguintes comentários: ?- Nossa! Acho que o cabo de aço não aguentou o peso do seu Adriano?. ?- É verdade!? - comentava uma outra pessoa. ?- Daqui dá pra ver que ele está um pouquinho além do peso?. Já uma outra voz entre os presentes, analisava: ? - Não tem nada a ver! Esse cabo de aço é forte o suficiente para aguentar até um elefante. Vai ver que hoje não é o dia dele mesmo.? E uma outra mais dramática, falava alto: " - Isso é falta de manutenção! O parque tem que ser responsabilizado, principalmente se ele morrer!...?. E entre uns e outros comentários, e em meio ao som da sirene da viatura do resgate que já se aproximava do parque, Adriano não se contendo mais, pois estava afundando em virtude que o cabo de aço aos poucos ia se cedendo e a água estava quase que lhe cobrindo os ombros, e ele, grudado tal qual carrapato em couro de cachorro, segurando firmemente com as duas mãos no cabo de aço de sustentação da cadeirinha, e ainda sentado sobre ela, desesperado continuou com o seu suplício: - Tá afundaaaaando! Eu tô afundaaaaando! Cláááááudiaaa!... Alexaaaaandre!... Faça alguma coisa... pelo amor de Deus!... Nisso, um garoto aparentando uns catorze ou quinze anos de idade, que acabara de se aproximar da turba que se formara em cima da plataforma, e vendo toda a aflição de Adriano, incontinenti, tirou a camiseta e o tênis que usava no momento, tirou também os óculos escuros, colocando-os todos ajeitados num cantinho da plataforma, ficando só de bermuda, e então, pulou de pé sobre as águas do lago, bem próximo à sua margem, e foi caminhando em direção a Adriano até alcançá-lo. E chegando próximo à ?vítima?, ante às perplexidades de todos que acompanhavam aquele seu ?naufrágio?, entre os flashs das máquinas fotográficas, lhe falou: - Senhor! Não precisa ficar com medo. Pode soltar do cabo de aço, esticar as pernas e saltar sem problemas da cadeira. Aqui é tudo raso, pode segurar no meu ombro e vir comigo que dá pé. Ouvindo os ?conselhos? do garoto, Adriano extremamente suado e sem graça, quase voltando ao seu tom normal de pele, tentou ainda justificar aquele seu desespero: - Pode deixar! Obrigado! É... é... é... que é a primeira vez que venho aqui, e... e... não conhecia muito bem este lago... sabe né... Dito isso, saíram os dois caminhando normalmente dentro daquele lago, um do lado do outro, até à sua margem, alcançando em seguida a plataforma, onde Adriano se ?afogou? calmamente nas lágrimas emocionadas de Cláudia, em meio aos aplausos, gargalhadas e flashs vindos da grande platéia que ali havia se formado. Ah, inclusive foram aplaudidos até pelos homens do resgate, que aliviados pelo final feliz daquela ocorrência, sorridentes subiram na viatura e deixaram o parque. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X QUE FAROFA!... Dia de domingo quase sempre é assim. Pela manhã, Igreja..., água no quintal..., breve passada no supermercado para a compra da mistura do almoço..., e etc... E o almoço do domingo tem que ser diferente, senão não é almoço de domingo. Questão de tradição se servir algo ?especial? na mesa dominical. E naquela manhã de domingo não iria ser diferente. Após a Igreja, passaram no supermercado onde compraram os mantimentos necessários para aquele dia, e, como de costume também fizeram a feira da semana. Porém, com tantas coisas pra se lembrar e trazer daquele estabelecimento, ao chegarem em casa, perceberam que haviam se esquecido do principal ? a mistura do almoço daquele domingo. Mas tudo bem, essas coisas acontecem..., e como já se aproximava do horário do almoço, e àquelas horas normalmente o número de pessoas fazendo compra era muito grande, aliado a distância, não seria mais viável retornar ao supermercado. Para tanto, Ale, que diga-se de passagem, se trata de uma excelente dona de casa e cozinheira de primeira, daquelas de causar inveja a qualquer Chef de Cozinha, providencialmente pediu para que Luís Fernando, seu marido, fosse até a padaria da esquina e comprasse um frango assado, pois o relógio já apontava meio-dia em ponto. Luís Fernando, após um ?sim meu amor?, saiu para buscar aquele tradicional frango assado que fica espetado e girando na quentura daquelas famosas ?televisões de cachorro? nas manhãs de domingo em frente as padarias, porém antes que Luís Fernando ganhasse a calçada do outro lado da rua, Ale saiu na janela de sua casa e gritou para Luís: - Amor, não vai se esquecer da farofa!... No caminho, Luís Fernando se lembrou que também havia se esquecido de comprar no supermercado a ração dos seus passarinhos, então aproveitou a saída para também trazer os ?mantimentos? dos seus queridos canários. Quando retornou com o frango assado e a ração, ao passar pela sala de estar, o telefone começou a tocar, e na pressa de atendê-lo, colocou rapidamente suas compras sobre a mesa da cozinha, voltando rapidamente para a sala a fim de atender ao telefone. De repente, após alguns minutos, ouviu-se a voz de Ale, que gritava inconformada na cozinha: - Luís Fernando, pode voltar na padaria e trazer outra farofa!!! - Mas o que aconteceu Ale ? perguntou Luís Fernando após ter ?cortado? aquela ligação. - Credo, que nojo!!! O Manoel te vendeu farofa estragada. Acabei de experimentá-la e está horrível ? dizia Ale com os lábios entortados de repugnância e ainda com uma pequena porção de farofa na boca e entre os dentes. - Mas não é possível! Eu ainda tive que esperar um pouco a farofa ficar pronta. Está tudo fresquinho, pois eu mesmo presenciei o funcionário do Seu Mané prepará-la ? argumentava Luís Fernando. - Ah, é! - indagou Ale ? Então experimenta aqui e depois você me fala! Luís Fernando, pacientemente e dando crédito à sua esposa, apanhou uma colher na gaveta do armário, próxima a pia da cozinha, para provar a farofa e confirmar o motivo da aversão de Ale. Quando se aproximou com a colher em direção à farofa que Ale havia lhe mostrado e da qual tinha provado, Luís Fernando, com um disfarçado espírito de gozação e um discreto sorriso na face, falou: - Meu amor, eu não acredito! Você comeu a ração dos canários!!!... A farofa é esta aqui próxima ao frango! Você não viu?... Dito isso, sem graça e com mais nojo ainda, Ale correu até a torneira do tanque, na área de serviço, para cuspir e lavar a boca com bastante água, berrando: - E por acaso, em cima da mesa da cozinha é lugar para se colocar a ração dos passarinhos? E Luís Fernando, ainda com um discreto sorriso na face, respondeu: - Ué... amor! Como é que eu poderia adivinhar que você estava com essa fome toda e ia querer provar a farofa do frango antes do almoço, e aliás, só larguei aí porque fui atender ao telefone que tocava sem parar. Após esse incidente, há quem diga que Ale durante uma semana, quando falava, de vez em quando deixava emitir um pequenino assobio, parecido com o pio de um canário... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X O EMPRÉSTIMO No pátio da escola, durante o intervalo das aulas, as duas menininhas travavam uma acalorada discussão: - Eu não vou aceitar o pagamento em duas vezes! - afirmava categoricamente a pequena Nick. - É pegar ou largar! - dizia Amandinha com os braços cruzados e com um tremendo bico em seus lábios. - Quando você precisou do empréstimo eu prontamente atendi. Emprestei sem pensar duas vezes ? respondia Nick. - Mas eu não combinei que iria pagar de uma só vez! - falava em alto tom Amandinha. E Nick não deixava por menos: - Não precisava nem falar a forma de pagamento. Afinal o empréstimo foi de uma só vez, então o pagamento tem que ser tudo hoje. - Não estou dizendo que não vou lhe pagar. Estou dizendo que só posso pagar em duas vezes. Metade agora e metade na semana que vem ? esbravejava Amandinha. - Acontece que estou precisando do dinheiro hoje. E como o empréstimo foi de uma só vez, não é justo agora receber em parcelas. E você tem que dar graças a Deus que não estou lhe cobrando juros - rebatia Nick. O bate-boca entre Nick e Amandinha estava tão ?empolgante?, que ambas já estavam no centro de um círculo formado por outros alunos que se juntavam ao redor para apreciar aquela contenda, e que parecia que jamais iria se chegar a um acordo entre as partes. Alguns garotos e garotas até já se achavam como defensores de uma ou de outra ?parte envolvida?, chegando até mesmo a emitir opiniões diversas para os ?jurados?: - Acho que a Amandinha tem que pagar de uma só vez mesmo... e mais, deve pagar com juros ? incitava o garoto Bruno. - Nada disso! - gritou Rafinha ? As coisas hoje em dia não estão nada fáceis! Ninguém mais dá aumento de salário. Nem o governo, nem os empresários, muito menos qualquer patrãozinho por aí! Acho que a Nick deveria relevar e aceitar a proposta da Amandinha. - Fica quieto Rafinha! - berrou a apimentada Thaisi ? Você não deve ler jornal mesmo. Não vê que a economia em nosso país é sempre muito instável... É queda na bolsa, é inflação, é... é... é um monte de coisa. Fico imaginando o quanto está sendo difícil para a Nick conseguir sua mesada... E assim, o ?Tribunal? estava montado. A polêmica do ?empréstimo pessoal? entre Nick e Amandinha chegara a tal ponto, que ambas já nem mais discutiam. Ao invés disso, esqueceram suas intrigas e passaram somente a ouvir seus ?defensores e acusadores?, como se fossem partes de um processo litigioso em fase de julgamento final. O sinal de término daquele intervalo de aulas já havia soado há alguns minutos, e como aquele ?debate? prosseguia no pátio da escola, alarmada pela discussão, se aproximou Dona Eli, diretora do colégio para se inteirar do motivo de todo aquele ?Juri?. Fez-se então silêncio total no ?Tribunal?! Dona Eli no papel de ?Juíza? daquela ?Corte?, após ter se inteirado dos fatos, e não conseguindo chegar a qualquer veredicto por julgar-se ?incompetente? para o caso, decidiu-se por deixar aquela ação para a ?2ª Instância?, chamando pelos pais das ?partes envolvidas?, ou seja, os pais de Nick e Amandinha. Após essa ?difícil? decisão, Dona Eli em brado tom, desmanchou aquela turba, mandando todos de volta às suas salas de aula, com exceção de Nick e Amandinha, que foram conduzidas à secretaria para aguardar a chegada de seus pais. Com a chegada dos pais, os quais haviam saído às pressas de seus respectivos serviços, em virtude da ?emergência? que o caso requeria, as duas garotinhas passaram a explanar sobre o ocorrido: - Semana passada a Amandinha não tinha dinheiro pra comprar um chiclete de banana e me pediu vinte centavos emprestados. E eu, solidariamente emprestei, mas para que ela me pagasse tudo hoje ? esclareceu Nick. E Amandinha se defendeu: - Mas papai, eu já falei pra Nick que vou pagar. Só que vou pagar dez centavos hoje, e na semana que vem pago-lhe os outros dez centavos. E ela está intransigente. Não quer aceitar minha proposta e ainda por cima, se for para pagar metade hoje, ela quer cobrar com juros. Acha!?... Neste momento, Dona Eli, meio que sem graça, olhou para os pais com um sorriso amarelo e disse-lhes: - Os senhores estão vendo só cada coisa que a gente tem que resolver entre os alunos. E o pior de tudo, tão pequeninas, mas tão radicais em suas opiniões... Feito isso, e tendo sido os pais de Nick e de Amandinha cientificados dos motivos de suas presenças naquela secretaria, conversaram com suas filhas, e com muita dificuldade, chegaram ao seguinte acordo entre elas: Amandinha pagaria no dia de hoje, quinze centavos ao invés dos dez centavos inicialmente propostos, e o restante do empréstimo ? os cinco centavos ? seriam pagos na próxima semana. Sendo assim, Nick aceitou a contra-proposta de Amandinha, se esquecendo até dos índices de inflação em vigor no país, abrindo mão inclusive de se cobrar os juros daquele empréstimo pessoal feito à sua amiga. Resolvido então aquele impasse entre as menininhas, os pais retornaram aos seus serviços e, ambas foram liberadas para retorno às suas respectivas salas de aula, porém passaram antes na cantina e juntas compraram mais chicletes de banana para mascarem durante as aulas, sem ao menos se lembrarem que há poucos minutos estavam envolvidas num conturbado litígio financeiro num Tribunal, ou melhor, no pátio daquele colégio. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NO VELÓRIO As duas comadres se vestiram com o traje tradicional de dia de luto, a fim de irem ao funeral do compadre Dito que estava sendo velado no velório municipal. Colocaram aquelas roupas pretas típicas desses dias; se maquiaram; se apossaram de suas inseparáveis bolsas contendo em seus interiores aqueles kits diversos; deram risadas de algumas passagens na vida do falecido compadre..., mas quando lembravam do ?evento? para o qual estavam indo, ensaiavam um ar de tristeza e até mesmo disfarçavam um pequeno chorinho. Pelo caminho as comadres iam tecendo alguns comentários sobre o finado compadre: - Éééé... comadre Rosinha, compadre Dito se foi. Homem bom toda vida, não é mesmo?... - dizia Luzia. - É verdade! Homem igual não se vê mais por aí não - respondeu Rosinha. Tantos anos casados com a comadre Lázara. Sabe Luzia, não sou de fazer fofoca, e você sabe muito bem disso, mas acho que o compadre agora vai poder descansar. Coitado, deve ter sofrido muito com o gênio da Lázara. - É mesmo né... - concordou Luzia. Apesar de que não via o compadre há vários meses. Ultimamente estava procurando evitar ir até lá. Parece que a comadre Lázara não fazia muita questão de receber visitas em sua casa. Cada vez que ia visitá-los... hum!... ela fazia uma cara... - Eu também! - falou Rosinha. Você acredita que uma vez fui fazer uma visitinha pra eles, e a comadre Lázara sequer saiu do quarto pra me cumprimentar... - Não acredito!!! Mas que falta de consideração!... - disse Luzia numa expressão de grande surpresa. - Pois pode acreditar! Nesse dia, o compadre é que ficou me fazendo ?sala?. Até perguntei pela comadre e ele me falou sem muito convencimento, de que a comadre não estava muito boa e por isso estava deitada. Mas não me deixou vê-la. Disse que ela estava com muita dor de cabeça e por isso se encontrava cochilando um bocadinho. Aí o Dito me serviu um cafezinho, e eu meio que sem graça, tomei e mais do que depressa, me despedi desejando melhoras à Lázara e fui embora. Situação chata aquela. Também... não voltei mais lá... - Deus me livre comadre me acontecer uma coisa dessa! - falou Luzia. Que situação desagradável. Agora é que não vou mais lá mesmo. E assim, entre umas e outras lembrancinhas e considerações sobre a vida do compadre Dito e sua mulher Lázara, as duas comadres chegam ao velório. ***** *** * O velório municipal nesse dia estava repleto de pessoas, tendo em vista as salas destinadas a velar os mortos estarem todas ocupadas por algun féretro, fazendo com que fosse muito grande o número de parentes e amigos enlutados que ali estavam para prestarem as últimas homenagens aos seus entes queridos. Assim que adentraram naquele velório, Luzia e Rosinha, em sinal de reverência às pessoas enlutadas e à própria memória do falecido, inclinaram suas fontes e se dirigiram a uma daquelas salas reservadas para o cortejo fúnebre. Ao se aproximarem do ataúde que se encontrava centralizado no interior da sala, foram logo fazendo o sinal da Cruz e rezaram baixinho uma Ave-Maria e um Padre-Nosso pra alma do finado, e, ainda com as cabeças abaixadas, após é claro, de algumas gotas de lágrimas teatrais, começaram a cochichar entre elas: - Olha só comadre ? cochichou Luzia, como estava acabado o compadre Dito. Se eu o visse pelas ruas, não o reconheceria. - É mesmo comadre! - respondeu Rosinha. Tão vaidoso que era o compadre, e agora... triste vê-lo neste estado. Que pena... pelo jeito devia ter perdido até o gosto de viver. Os cabelos dele estavam sempre muito bem aparados e pintados... É bem verdade que aquelas tintas que usava nos cabelos não eram das melhores, mas estavam sempre com uma cor moderna e bonita... mas agora, hum!... estão tão branquinhos... - E Luzia indignada comentou: - Éééé... Rosinha, não queria falar, e você também sabe que não gosto dessas coisas, mas acho que o compadre deve ter sofrido um bocado nesses últimos tempos... pra não falar a vida toda, e ninguém me tira da cabeça que foi em virtude do gênio da comadre Lázara. Só pode ter morrido de desgosto! - É mesmo, coitadinho. Mas agora ele vai poder descansar em paz ? respondeu Rosinha. E assim, entre uns e outros cochichos, Luzia continuou: - Que estranho! Compadre Dito nunca gostou de usar bigode. E engraçado, ele também não tinha essas ?entradas? tão salientes na testa. Ele sempre se orgulhou de sua cabeleira, apesar da idade. Olha só que dó... estava ficando bem calvo. Aí Rosinha respondeu: - O Dito devia estar perdendo os cabelos de tanto ouvir a comadre Lázara falar e reclamar dos outros. - Você tem razão Rosinha ? esbravejou baixinho Luzia. Eu não queria crer nisso. Mas agora tenho certeza que a comadre Lázara não gostava mesmo dele. Tanto é, que não veio nem se despedir do finado. Não a vejo neste velório... - É mesmo comadre! - pasmou Rosinha. Que coisa!... Que desfeita e falta de respeito para com o compadre Dito. Também não estou vendo nenhum de seus filhos... Pobre coitado... quanto esse homem não deve ter sofrido em sua vida... Imagina isso... nem seus filhos vieram se despedir. E o cochicho continuava, só que desta vez até choraram um pouquinho de verdade pelo triste fim do compadre. E Rosinha, com a voz parcialmente embargada pela comoção do momento, disse: - Aliás Luzia, não estou vendo nem mesmo a Lori..., nem o compadre Tião..., nem a tia Sofia... A verdade é que não estou vendo ninguém conhecido???... Que esquisito! Neste instante, favorecida com o silêncio peculiar do velório, Luzia ouviu uma fala de voz feminina bem atrás dela, perguntando em tom baixinho: ? - Tia, quem são essas duas aí que não saem mais do lado do caixão do tio Chico?? " - Não sei não! - respondeu também em tom baixo uma outra voz feminina: Já perguntei pra todo mundo e ninguém as conhecem e nem as viram tão mais gordas. Devem ser mais umas das tantas vagabundas que o seu tio Chico tinha pela cidade. Safado!!!...? Ouvindo isso, Luzia discretamente ergueu a cabeça e olhou para os lados e cantos daquela sala para ver se realmente não via ninguém conhecido da família. Olhou para os rostos de cada pessoa ali presente, ? nessa hora já sem as lágrimas nos olhos - não vendo ninguém com rosto familiar ou qualquer outro conhecido. Continuou então a correr os olhos em volta daquela sala, quando viu entre os castiçais e as velas que ornamentavam aquele funeral, uma coroa de flores com uma faixa em seu centro com os seguintes dizeres: ? Francisco Theodoro ? Saudades de Esposa, Filhos e Netos? Visto isso, Luzia deu um leve toque com o cotovelo em Rosinha para lhe mostrar que haviam entrado em sala errada daquele velório, e ainda por cima chorado por um outro defunto. E assim, devagarinho foram se afastando de próximo do caixão do ?Francisco Theodoro?, procurando sair de ?fininho? daquela sala, pedindo licença às pessoas ? parentes e amigos daquele finado, e foram em direção a uma outra sala, onde de fato devia estar sendo velado o corpo do compadre Dito. No momento em que saiam daquela sala e passavam entre as pessoas, ainda ouviram baixinho novamente uma voz de mulher ? provavelmente a viúva de Francisco, dizer a seguinte insinuação: ? - Sem-vergonhas, vai ver que também eram amantes do finado Benedito!? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NA DISCOTECA Vaidoso como sempre, lá estava Mauro novamente se narcisando à frente do espelho. Era em pleno auge da maravilhosa época da Discoteca, cujas músicas eram dotadas de melodias alegres e ritmadas, e Mauro se preparava para mais um embalo de sábado à noite. Cabelos parcialmente encaracolados, camisa com mangas enroladas e calça jeans. Em seu quarto, em meio a um aroma de absinto, enquanto se arrumava para a badalada noite no Clube 22 de Agosto no centro da cidade de Araraquara, interior de São Paulo, ensaiava novo passo ao som de Celebration, de Kool & The Gang. Nesse dia pela manhã, havia saído e comprado uma camisa branca que há muito estava paquerando, e que estava exposta na vitrine de uma das muitas lojas daquela cidade, e que, logicamente naquele sábado, estaria estreando em mais uma agitada noite da saudosa Disco Music. Como sempre, chegava tímido na pista de dança, e aos poucos ia se movimentando, mexendo seus pés, suas mãos, seus braços, e quando menos se via, lá estava Mauro em meio à galera dançante, exibindo seus novos passos e balançado. Tudo era festa e alegria, o ritmo mágico e contagiante, as músicas da era Disco, simplesmente eram alucinantes. Não havia quem conseguisse ficar parado sem ao menos tentar algum movimento, algum balancinho... alguns passinhos... E àquelas horas, a Discoteca já estava fervendo, e assim, Mauro dançava freneticamente no meio da pista, misturando-se às luzes quadriculadas pelo globo espelhado. À certa altura daquela embalada noite, começou a perceber que as pessoas olhavam-no admiradamente, e então, Mauro, altivo, balançava e se exibia dançando como ninguém, pois estava convicto de que seu novo passo, ensaiado naquela tarde, estava fazendo muito sucesso na pista. E mais, quantas meninas à paquerá-lo!!!... Realmente estava demais. Havia acertado na dança e aquela camisa nova que tanto demorou a compra-la, reforçava ainda mais sua bela performance. Era o centro das atrações naquela noite. E cada vez mais percebia que as pessoas lhe observavam, notando inclusive que algumas garotas até lançavam-lhe sorrisos discretos. Não cabendo mais em si e todo brioso e ?metido?, resolveu ir até o toalete para dar mais um retoque em seu visual, mais precisamente uma ajeitada em seus cabelos para voltar à pista e continuar ?abafando?. Porém ao se olhar no espelho, teve uma grande surpresa!!!... E agora muito envergonhado e decepcionado, Mauro descobre o motivo pelo qual todos o olhavam admiradamente naquela noite. Tinha se esquecido de tirar aquele pequeno pedaço de papelão, que é usado como suporte e que vem quando se compra uma camisa nova para dar sustentação interna à gola, e que, com o balançar de seus movimentos , havia se soltado tendo ficado pendurado em seu pescoço, chegando aproximadamente até a altura de seu peito, preso apenas por um pequeno alfinete que o prendia àquela gola. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SONETO DA FELIZ IDADE Brancos, lindos cabelos brancos! Que reluz toda a sabedoria da alma. Olhar que irradia experiência de anos e que refrigera todo nosso interior e nos acalma. Como não ter em casa alguém afim que ensina que o saber vem com a idade. Que nos olha com a alma e diz assim: ?- Não me leve daqui, pois morrerei de saudade?. Como não ter em casa alguém assim que nos conforta nos momentos de aflição, e estende as mãos ofertando o próprio coração. Brancos, lindos cabelos brancos! Que nos garante no dia-a-dia a felicidade, nos abençoando com todo o saber da feliz idade. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AMIGO É... Amigo é aquele que te livra da areia movediça, sem se preocupar se com você, vai afundar ou não. É aquele que te segura na escada escorregadiça, sem se importar se no perigo, haverá um corrimão. Amigo é aquele que te liga quando não se espera, e sem pedir qualquer favor, oferta sua própria mão. É aquele que sempre lhe abre a porta e sua janela, sem esperar retorno, pois é movido só pelo coração. Amigo é aquele que te abraça quando se precisa, lhe oferece ajuda e carinho, sem qualquer condição. É aquele que lembra que um amigo se necessita, e que a amizade é um amor sem qualquer intenção. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A GRANDE DESCOBERTA Há tempos procurava descobrir o mapa de um tesouro, quando finalmente encontrei. Já havia passado muitos anos de minha vida isolado numa ilha, e agora me tornaria rei. Rei de minha vida perdida em anos à procura de um tesouro, também perdido, numa ilha fria e deserta, escondida dentro de mim. Engraçado que esse mapa, com aparência antiga e velho, não havia se desgastado pelo tempo. Parecia ter sido cartografado hoje, para este exato momento. Seus traços e suas orientações eram atuais, inclusive o tom de sua cor. E por mais que eu manipulasse o mapa, seu norte sempre apontava para um rumo em meu interior. Havia disfarçado nesse mapa, sinais que me levaria a uma grande descoberta. Sinais esses que eram marcas que me indicavam etapas perdidas de minha vida: Amor..., filhos..., lar... Eram as peças de um quebra-cabeça que me faltavam encaixar para encontrar meu tesouro perdido - um tesouro de lugar. E então, após anos, encontraria as etapas ausentes desse mapa. Descobri em ?minha ilha deserta? - particular, todos os rumos que esse mapa queria me levar: A um castelo num paraíso de ilha. Lá fui rei e feliz por ter achado o verdadeiro tesouro. Meu tesouro real que hoje chamo de minha família. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TREM DE PASSAGEIROS Por mais que eu tento, não consigo tirar da cabeça aquelas viagens de trens que fazia de Araraquara a São Paulo quando ainda era garoto. Lembro dos preparativos no dia anterior àquelas viagens à Capital. Ajudava minha mãe a preparar as malas de viagem. Ela se preocupava com todos os detalhes. As coisas tinham que ser arrumadas com antecedência, ou seja, na véspera, geralmente na parte da tarde: roupas, sapatos, lanches... Ah! Os lanches!... Não podiam faltar os pães recheados com mortadela (Que delícia!) e nem as laranjas previamente descascadas e parcialmente partidas ao meio para facilitar na hora de chupá-las durante o passeio. Sim, um passeio! O percurso pela linha férrea era fantástico! Você podia ver de perto a natureza, os gados nos pastos por sítios e fazendas, os rios, as serras, as casinhas caboclas emolduradas na janelinha do trem, enfeitando ainda mais as lindas paisagens daquele trajeto pelos belos campos do interior paulista. O trem ?nascia? em Araraquara. Saía às sete da manhã em ponto. Era coisa de primeiro mundo. Aliás, nos Estados Unidos e na Europa esses trens de passageiros são muitos valorizados pelo governo e sua população. No Brasil, infelizmente os nossos falsos políticos conseguiram acabar com os trens de passageiros. Também né... uma viagem dessas era tão barata e, desta forma, qual o ?lucro para o governo?? E a população..., essa... coitada! Não teve sequer chance de escolher. Teve mesmo é que ficar com as altas taxas e o número cada vez maior dos pontos de pedágios e da ?indústria? das multas pelas estradas paulistas. Num país ?democrático? como o nosso, ao menos poderia ter tido um plebiscito decidindo-se ou não pela permanência desse valoroso meio de transporte. Mas tudo bem, vamos voltar a nossa viagem de trem a qual servia tanto para passeios quanto a negócios. Ainda lembro aquele agente ferroviário, o ?guarda-trem?, com uniforme azul-ferrete, tipo terno, camisa branca por baixo, quepe e gravata, sinalizando com uma bandeirinha verde-musgo e um breve apito, a autorização para que o maquinista pudesse acionar a máquina de ferro para iniciar viagem. E após este sinal, e do breve adeus de meu pai que sempre nos acompanhava até a plataforma, a composição partia lentamente emitindo um longo apito que ecoava por quase toda a cidade. Viajava sempre de primeira-classe, ora nos carros pullman standard, ora nos carros de aço inox. As malas eram acondicionadas em um maleiro de metal fixado ao teto do trem, cuja extensão ia de fora a fora dos dois lados internos de cada vagão e por sobre as poltronas. As poltronas além de confortáveis, eram altas e reclináveis. A cada estação que se aproximava, aquele mesmo ?guarda-trem?, passava anunciando pelos vagões, em voz alta e em bom tom, o nome da cidade que estava chegando, isso para que as pessoas ficassem informadas quanto a próxima parada. Eu já sabia de cor a seqüência das cidades, e até quanto tempo o trem iria ficar parado em cada uma de suas estações: Saudosas passagens e suas maravilhosas paradas: Ibaté; São Carlos; Itirapina; Rio Claro; Santa Gertrudes; Cordeirópolis; Limeira; Americana; Nova Odessa; Sumaré; Campinas; Valinhos; Vinhedo; Louveira; Jundiaí; Várzea Paulista; Campo Limpo... Era interessante ver as pessoas com suas diversas vestimentas e maneiras, e os diferentes tipos que embarcavam e desciam a cada estação. Não posso me esquecer daquela outra função do ?guarda-trem?, que era o de picotar os bilhetes das passagens, verificando sua validade e qual a cidade onde cada passageiro deveria descer. Ah, e tinha também aquele outro agente ferroviário que vez ou outra passava empurrando um carrinho com refrigerantes (E eram guaranás antártica com garrafinhas de vidro!) e lanches com frios, tipo bauru, alternando suas passagens vendendo jornais e revistas. Até me recordo de algumas daquelas revistas: Contigo; Manchete; O Cruzeiro...; as fotonovelas: Capricho; Grande Hotel; Sétimo Céu... Outra passagem saudosa, era a hora de saborearmos aqueles lanches trazidos de casa. E isso se dava mais ou menos no meio do percurso, nas proximidades de Cordeirópolis..., Limeira..., por ali. Assim que passava novamente o carrinho dos refrigerantes e lanches, minha mãe comprava os guaranás e a gente podia até escolher as cores das listras dos canudinhos dos quais utilizaríamos para tomá-los. Independente dos lanches trazidos de casa, às vezes pedia para minha mãe comprar aquele lanche (pãozinho recheado apenas com fatias de queijo), que inclusive até os dias de hoje quando saboreio-os em conjunto com o guaraná antártica, lembro o sabor daqueles dias felizes. Para quem não quisesse lanchar durante a viagem e preferisse um ?almocinho?, aquele mesmo agente do carrinho, por volta das nove horas, passava perguntado e anotando num bloquinho de papel, para fins de previsão, a quantidade de passageiros que iriam almoçar, almoço esse a ser servido no carro-restaurante do trem. Mais ou menos umas onze e meia, o agente voltava avisando àqueles passageiros que eles já poderiam se dirigir até o ?refeitório? que o almoço estava pronto. E assim a viagem ia prosseguindo, com o trem trilhando seu destino emoldurado entre cidades e vilas, entre serras e fazendas e entre rios e vales. Gostava muito quando passava pelo túnel de Botujuru, entre os municípios de Campo Limpo Paulista e Francisco Morato. Ficava ?noite? e as luzes do interior do trem tinham que ser acendidas. E era uma pena quando o trem terminava de passar pelo túnel, pois sabia-se que a viagem já estava chegando ao seu final. Mas para consolar, ainda restava algumas estações até chegar em São Paulo, as quais também eram motivos de alegria de se ver passar: Francisco Morato; Baltazar Fidélis; Franco da Rocha; Caieiras... E já no município de São Paulo: Perus; Jaraguá; Vila Clarisse; Pirituba; Piqueri; Lapa; Água Branca; Matarazzo; Barra Funda... E nessas passagens, ia curtindo cada plataforma em contraste com as chaminés fumegantes em suas proximidades, bem como os toques das sirenes das fábricas anunciando aos seus operários a hora do almoço, e isso me abria o apetite ao tentar saber qual o prato do dia que minha tia estaria preparando para a nossa chegada. Ao meio-dia e meia em ponto (quando não ocorria algum atraso), o trem chegava em São Paulo onde desembarcávamos na Estação da Luz, olhando e procurando ansiosos por entre sua imponente arquitetura, a figura do meu tio que sempre nos esperava... Atualmente, quando assisto a filmes americanos ou europeus, e vejo em muitos deles o seu povo viajando de trens, a passeio ou a negócios, fico pensando até quanto tempo ainda nosso governo haverá de ter esse ?preconceito? de investir em ferrovias, a fim de poder baratear o transporte para o nosso povo, em detrimento aos altíssimos valores dos combustíveis, multas e pedágios que nós, brasileiros, temos que hoje suportar sem ao menos ter tido a chance de ter escolhido, como um país ?democrático? em que vivemos, analisando-se a viabilidade econômico-financeira, qual o nosso preferido meio de transporte. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X SEMPRE ALERTA!... AO MEIO AMBIENTE Quando eu tinha nove anos de idade entrei para ser Lobinho. Isso mesmo, Lobinho! Não era um Lobo pequenininho não. É que minha mãe me ?alistou? no Grupo de Escoteiros de minha cidade, mas como ainda não tinha idade para ser Escoteiro, iniciei o serviço voluntário de estar ?Sempre Alerta? e de fazer boas ações como Lobinho. Lobinho são as crianças de 7 a 10 anos que fazem parte do movimento escoteiro, e quando atingem a idade de 11 até os 14 anos são chamados de Escoteiros. Aprendíamos canções escoteiras, jogos, brincadeiras, um montão de coisas sobre a natureza e recebíamos somente bons ensinamentos com os nossos monitores. Reuníamos geralmente aos sábados na sede do Grupo de Escoteiros de Araraquara, interior de São Paulo, de onde dentre tantos bons conselhos e aprendizagens, o nosso lema de estar ?Sempre Alerta?, traduzia-se em se fazer pelo menos uma boa ação por dia. Gostoso mesmo era o final de semana quando tinha acampamento. Saíamos do local da sede aos sábados à tarde, para os sítios ou fazendas nas cercanias da cidade, locais esses já previamente reservados para o acampamento do Grupo de Escoteiros. E montávamos barracas, em terreno gramado, lado a lado com a natureza, aos pés dos verdes campos das matas interioranas. Era o máximo!... Sentia-me um soldado do Exército Brasileiro, bravo combatente, aprendendo manobras e boas obras junto aquele paraíso de plantas e árvores, ouvindo conselhos de nossos monitores para que mesmo quando virássemos adultos, continuássemos ?Sempre Alertas? a todo aquele meio ambiente, o qual parecia nos dizer: ?Voltem sempre, também pretendemos estar aqui ?acampados? e sempre alertas a vos esperar para protegê-los como parte do nosso ciclo de vida?. Lembro que um certo dia da árvore, no charmoso mês de setembro, alma da primavera, fomos plantar uma pequena mudinha, da qual não me recordo o nome da árvore que era, num terreno interno do meu então Grupo Escolar ?Pedro José Neto?, Grupo esse que até hoje existe naquela mesma rua 4 de antigos paralelepípedos. Nesse dia, fui dispensado da aula para poder participar juntamente com o Grupo de Escoteiros e Lobinhos, na plantação simbólica daquela muda de árvore. E os meus pequenos amigos daquele grupo escolar, no intervalo das aulas, curiosos me olhavam admirados por eu não estar com o uniforme da escola, mas sim, ?fardado? com minha gandola e bermuda de brim azul-marinho, com cinto com fivela de metal tendo ao centro uma cabeça de lobo, meias cinzas, tênis preto, um lenço laranja em volta do pescoço e, na cabeça, um boné tipo ?jockey? da cor da farda, e sua pala que cobria parcialmente minha testa. Após o último grão de terra apalpado em volta do minúsculo caule da muda, todos nos aplaudiram por aquela boa ação realizada pelo Grupo de Escoteiros e Lobinhos de Araraquara. Em meio aos aplausos e comentários ouvi uma das crianças que nos rodeava dizer: ?Não vejo a hora dessa árvore ficar maior do que a escola. A sombra de suas folhas vão estampar de vida esta terra seca?... É claro que muitos e muitos anos se passaram, e muitas foram as vezes que retornei a minha cidade e passei ao lado do meu querido Grupo Escolar ?Pedro José Neto?, na tentativa de saber em que árvore teria se transformado aquela pequena mudinha que plantamos naquele 21 de setembro, às vésperas do início da primavera, quando eu ainda, tal qual pequena muda, era um homem em formação no estágio de Lobinho. Mas acontece que, lá na escola, após aquelas pessoas (professores, inspetores e alunos) terem sido contagiadas por aquela nossa boa ação no dia da árvore, outras tantas mudas foram plantadas e cresceram naquele terreno quente e seco, impossibilitando de saber em qual daquelas árvores aquela pequena muda teria se transformado, porém posso dizer com certeza, que aquela boa ação, ao contagiar os corações daquelas pessoas, contagiou também de vida aquela terra batida e morta, estampando-a de fresca sombra, terminando por germinar um jardim de altas árvores, bem maiores do que a escola, bem maiores do que a cidade, do que o país, do que o mundo, pois se ainda temos árvores, é porque em algum lugar do nosso planeta, aqueles Lobinhos e Escoteiros de outrora, ainda estão contagiando e plantando no peito de cada ser humano a boa semente do meio ambiente. Portanto, você! Fique Sempre Alerta! Faça sua boa ação ainda hoje, enquanto há tempo. Plante uma muda de árvore ou pelo menos deixe que uma pequena semente venha a germinar em sua mente, conscientizando-o que o ser humano e a natureza não foram criados para viverem distantes, pois são dependentes um do outro, nesse maravilhoso ciclo de vida que Deus concedeu aos seus queridos filhos: O Homem, ?o Lobinho, o Escoteiro? e o Meio Ambiente. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X PESCARIA Houve um tempo em que as nossas pescarias eram sempre constantes na beira do rio Jacaré-Guaçu, nas cercanias de Araraquara, interior de São Paulo. Isso em meados dos anos 70 até o início dos anos 80. Mas como tudo o que é bom na vida, um dia tudo passa. As pessoas crescem, mudam de cidade, surgem outros objetivos na vida e, o pior... aqueles pioneiros das pescarias também já passaram, e infelizmente não estão mais entre a gente. E assim, aquelas saudosas pescarias ao lado do nosso Avô Eurico, juntamente com os nossos pais, tios, primos e outros tantos parentes, aos poucos foram deixando de existir e parecia que aquela vida não nos pertencia mais... Razão disso, é que neste ano de 2.008, por ocasião do aniversário de 89 anos da matriarca da família, a Vó Chiquinha, no mês de março, combinamos lá nos encontrar (casa da Vó Chiquinha em Araraquara), primeiramente pela comemoração de seu aniversário, mas já que estaríamos reunidos, combinamos também uma pescaria na beira do Jacaré-Guaçu. Conseguimos reunir na casa da Vó Chiquinha grande parte de nossa família, pessoas de São Paulo e de Araraquara. Os homens então aproveitando aquele fim de semana prolongado e aquela rara reunião (chegamos na sexta-feira Santa e voltamos no domingo de Páscoa), logo trataram de esquematizar a tão esperada pescaria. Ficou tudo acertado para o sábado logo pela manhã... E bem pela manhã! Não preciso nem dizer como é que foi a noite..., só pela quantidade de pessoas que naquela sexta-feira dormiu na grande casa da avenida José Bonifácio, 1.367. Sem chegar a proporção de ?sardinhas enlatadas?, os quartos estavam lotados de hóspedes. Pela copa e sala de estar, os colchões, como um enorme tapete, forravam o chão para que todos pudessem se ?acomodar? e ?dormir? para descansarem da viagem do dia. Casais, adolescentes, crianças, todos ?confortados? pelos cômodos da casa, cada um em seu cantinho... Uma loucura! Quem ?dormiu? na sala ou no quarto da frente, não restou outra alternativa senão acordar bem cedinho... E bem cedinho mesmo (fora a noite mal dormida), pois o ?Leão? (Paulinho) naquela noite encontrava-se bastante agitado e o seu ?hurrar?, oscilando em um pequeno índice na escala de richter, como mini-terremoto, chegava a provocar tremedeiras nas paredes do casarão. Já o Gilberto, achando ter se dado bem, discretamente colocou seu ?colchãozinho? ajeitadinho no quarto da frente ao lado da cama da Vó Chiquinha. Porém, na alta madrugada, em meio aos ?hurrares? do valente ?Leão?, ouvia-se também tosses parecidas com alguém se engasgando... Era o Gilberto, que deitado ao lado da cama da Vó Chiquinha, de vez em quando se engasgava com os chumaços de lenços de papel que a Vó Chiquinha usava todas as noites para limpar suas narinas da renite alérgica, a qual mesmo dormindo, após utilizá-los, amassava-os e os arremessava sem olhar, num cesto colocado entre sua cama e o colchão do Gilberto. Com isso, Gilberto teve que passar a noite toda com os olhos abertos e a boca bem fechada... Levantamos por volta das 06:30 h, primeiramente o Gilberto (por razões óbvias, é claro), logo em seguida, eu, o Mauro, levantei e de imediato liguei para a casa do Zé Baiano convidando-o para a pescaria. Em seguida, liguei para o Alexandre, filho do Zé Baiano, e depois para o Marco Aurélio, o Pancada, o qual era o incumbido de preparar as tralhas. Após tais ligações, liguei ainda para o Demerval, combinando para virem o mais rápido possível para a casa da Vó Chiquinha de onde sairíamos (O Zé Baiano e o Alexandre viriam de carona com o Demerval pois moravam próximos a ele). Após suas chegadas e o levantar de outros ?pescadores? que dormiram ?muito bem? nos colchões (Paulinho e Amauri), saímos em direção à casa do Marco Aurélio para apanhá-lo. Lá chegando, seu irmão Maurício e também o Rildo, este de São Paulo, que havia dormido na casa do Pancada, resolveram de última-hora, irem à pescaria com a turma. E assim, partimos para a beira do rio Jacaré-Guaçu, mas antes, pelo caminho, passamos no hipermercado Extra, no centro da cidade, onde compramos pães, frios (mortadela, presunto e queijo), refrigerantes, as tais das latinhas de cervejas (e não foram poucas) e repelente contra insetos, e ainda, pelo caminho, na Avenida 7 de Setembro, no bairro do Carmo, paramos numa loja de apetrechos de caça e pesca, na qual complementamos nossas tralhas comprando algumas varinhas de bambu, anzóis tipo ?mosquitinho?, iscas de massa, macarrãozinho e minhoca, e quirela de milho para ?cevar? o local da pescaria. Aí sim, após tudo isso, finalmente partimos para o ?Jacaré-Guaçu?... Chegamos na beira do rio por volta das 09:00 h. Ah, quase que me esqueço de relacionar os nomes dos personagens que naquele dia contracenaram como pescadores. Éramos em 10 homens. Fomos em 03 carros: No Doblô cinza do Paulinho, foi ele como motorista, eu, o Gilberto, o Amauri (esses todos de São Paulo) e o Zé Baiano (de Araraquara); na Saveiro prata do Demerval, foi ele dirigindo e o Alexandre de passageiro (ambos de Araraquara); e na Parati preta do Maurício, este foi dirigindo, além do Marco Aurélio (esses dois de Araraquara) e o Rildo (de São Paulo). Depois de muito procurar local para pararmos e pescar, trafegando em meio a canaviais, cafezais e mata natural, pelas estradas de terra lamacentas e cheias de poças de água da chuva que caíra durante aquela noite, resolvemos estacionar os veículos no acostamento próximo a Ponte Velha, e descemos pelo barranco ao lado da ponte, onde andamos por mais ou menos uns cinquenta a sessenta metros pela margem do rio e então, baixamos ?acampamento?. Confesso que estava desesperado para começar a pescar. Assim, mais do que depressa, preparei minha varinha com linha e anzol, passei a mão numa porção de iscas, me apoderei do saco da quirela de milho, me precavi das picadas dos borrachudos e outros tantos insetos espirrando o repelente pelo corpo e sai a escolher ?assento? pelo barranco para iniciar logo minha pescaria. E dessa forma, após todos os outros prepararem suas varinhas e depois de também terem passado o repelente pelos corpos e cada um achar o seu cantinho na beira do rio, ?seriamente? começamos a pescar... Minutos se passaram..., horas se passaram e sequer um ?beliscarzinho? em quaisquer uma das iscas jogadas à espera dentro das águas barrentas daquele rio. Demerval, ?o mais paciente?, foi o primeiro a desistir. Largou sua varinha encostada a uma árvore e ficou esperando que as coisas viessem a melhorar. E como as coisas não melhoraram e já sendo pouco mais da uma hora da tarde, e como ninguém havia pego nada, mas a fome impaciente nos pegava, fomos também largando nossas varinhas encostadas em alguma árvore ou até mesmo deixando de ?espera?, fincada no barranco, e aos poucos fomos nos reunindo próximos as tralhas para lanchar. A essa altura, com o sol queimando as cabeças, mas com o refrescar de algumas ?latinhas? sob a sombra das árvores, a pescaria ficou mesmo como ?pano de fundo? e as palhaçadas começaram: Demerval com um chapéu de peão em sua cabeça e portando um chaveiro com sininho, amarrou-o em sua cintura e, imitando borboleta, e tal qual uma ?boiola assanhada?, passou a correr e a se esconder entre árvores e folhagens, balançando e exibindo seu sininho, fazendo-o trinar em contraste com os assobios dos pássaros; o ?patrulheiro? Alexandre, já que estava calçando coturno, foi ?escalado? para ficar em cima da ponte para olhar os carros , enquanto de lá, pescava apenas com uma linha, com chumbada e anzol; o Rildo não falava nada, só de vez em quando ria ao ouvir alguma piada; o Amauri, recém chegado na família, para ser melhor aceito e passar pelo ?batismo?, teve que dar um beijo na bochecha gordinha e rosada do Demerval, o que foi feito sem problema algum (não se sabe se ele ficou com vontade de beijar a todos); o Gilberto ainda traumatizado pela noite mal dormida, afirmava que naquele rio não tinha peixe, mas o bicho era teimoso, não deixava de pescar; o Marco Aurélio... bom o Marco Aurélio não foi mesmo para pescar e as suas tralhas soavam o som de vidros...; o Maurício, seu irmão, a todo instante era indagado o porquê ainda permanecia solteiro e ele dizia que era opção e que ninguém se preocupasse com ele, pois era muito macho...; o Zé Baiano, entre umas e outras ?roubadas de latinhas?, desaparecia pelos barrancos afora procurando ?bom lugar? para pescar; o Mauro... bom, eu estava louco para pegar o primeiro peixinho do dia, e assim eu não sabia se preparava um lanche ou se voltava a pescar, enquanto o restante da turma se distraia comendo e bebendo; e o Paulinho, o nosso querido ?Leão?, agora bem mais dócil, com sua câmera filmava a tudo. Em certo momento, quando apenas eu e o Zé Baiano, em algum canto do rio, teimosos ainda insistíamos em pescar, ouviu-se de repente um grito de satisfação: era o Zé Baiano que enfim conseguira fisgar o primeiro peixe do dia, gritando: ?Aqui danado, peguei ou não peguei seu fio de uma égua?. E sorridente, saiu correndo em direção ao pessoal para mostrar o lambari fisgado, e era de rabo vermelho. Chegando próximo ao pessoal, Gilberto deu-lhe uma bronca pelo risco que havia passado, pois quando viera correndo com seu peixinho, passara próximo a mim, e o Gilberto, não tendo o que falar, disse ao Zé Baiano que eu havia me contido muito em não lhe passar o pé e derrubar-lhe com peixe e tudo... A verdade é que o Gilberto também estava desesperado para pegar o primeiro peixinho do dia... E o Zé Baiano para o arregalar dos olhos espantados de todos, ainda correu mias um sério risco ao pescar mais um lambari... Final do dia: Zé Baiano 2 x 0 Restante da Turma. Não queria dizer, mas após isso, me apossei do lugar em que o Zé Baiano pescava, com o intuito de não sair daquela pescaria sem ter fisgado sequer um peixe, mas não teve jeito..., o lanche acabou..., o refrigerante acabou..., as latinhas acabaram, as horas se passaram, os peixes... os peixes continuaram nas águas a nos gozar... e, por volta das quatro da tarde, partimos de volta à casa da Vó Chiquinha para comemorar seu aniversário, com histórias de pescaria que ficarão na história na vida desses 10 pescadores. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ENTREGADOR DE JORNAIS Quatro e meia da manhã num dia qualquer entre os anos de 1.979 e 1.980. A aurora ainda nem está prestes a aparecer. E o garoto acorda ao trilar estrondoso do velho despertador. E ainda há o canto do galo, majestoso no poleiro dentro do galinheiro no fundo do quintal do Tio Zinho, a cocorocar por mais algum tempo antes que se amanheça. O garoto se apronta rapidamente. Num susto, veste sua camiseta bege, tipo polo, e aquela sua calça jeans surrada pela tinta preta do jornal nas pernas, toma seu café com leite adoçado e, em pouco mais de vinte minutos do seu despertar, apanha a bicicleta na área dos fundos da casa, com as duas sacolas de alças penduradas uma em cada lado do guidão de sua possante ?magrela preta?, e sai a pedalar em direção ao Jornal ?Diário da Araraquarense? para mais um dia de entrega de jornais pela cidade. Lá chegando, ao lado de outros garotos com a mesma missão, passa a dobrar e a encartar os cadernos dos jornais sobre uma bancada de madeira, para que, após encartá-los, acondicioná-los naquelas sacolas penduradas no guidão da bicicleta e sair pelo seu setor de entrega para distribui-los nas casas de seus assinantes. E a tarefa é árdua. São por volta de 150 jornais para entregar, isso quer dizer que são aproximadamente 150 casas para se ?jogar? os jornais aos seus proprietários assinantes. E as casas não ficam próximas. Às vezes coincide de ter uma casa cujo proprietário seja assinante daquele jornal, vizinha de outra casa, da qual o seu proprietário também é assinante do mesmo jornal, mas em sua grande maioria, elas ficam distantes umas das outras, fazendo que o trajeto a ser percorrido pelo garoto e sua bicicleta, seja bastante extenso. Porém, desde cedo, e cedinho, o garoto tem energia e vontade de vencer. E ele vai, sem precisar descer ou parar o movimento silencioso da bicicleta, de casa em casa, pedalando e arremessando seus jornais, não sem antes dobrá-los em uma de suas mãos com o auxílio da coxa de uma das pernas, a fim de que o jornal pegue mais ?peso? e ?pressão? ao ser lançado na casa de destino e que este venha a cair em ponto ?estratégico? e seguro no interior do jardim ou da área de entrada da casa de seu assinante. E tudo isso para que, quando as pessoas começarem a acordar, já terem às mãos, as notícias ?fresquinhas? junto ao café da manhã. O jornal está lá! Não interessa como ele chegou, o importante que todos os dias o jornal chega nas mãos dos seus assinantes, e estes podem desfrutar em tempo das notícias atuais antes de saírem de casa. De madrugada e ao amanhecer, o entregador de jornais não mede esforços para entregá-los, um a um, de casa em casa de cada assinante, dentro de seu setor de entrega previamente determinado. E todos os dias são assim, com exceção das segundas-feiras, dia em que o garoto, entregador de jornais, usufrui de poder dormir um pouco até mais tarde, pois não se tem jornal nas segundas-feiras porque no domingo é folga do pessoal que os imprime. Mas na terça-feira começa tudo de novo! O trilar do relógio... o canto do galo... o café com leite... o pedalar silencioso na madrugada... o peso das sacolas... os arremessos certeiros dos jornais... Ah, se fosse hoje... nos dias de hoje! A tarefa árdua e o pedalar silencioso do garoto, entregador de jornais, seriam substituídos pelos modernos maquinários de impressões offset e pelo acelerar barulhento das motocicletas... O garoto só não teria tido a experiência do despertar desde cedo, e cedinho... antes da alvorada para a vida... Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CRÔNICA DO NOVO AMOR É engraçado como o grande amor que se vai, renasce a cada novo amor que vem e acontece em sua vida. Você acha que tudo se acaba quando a pessoa que você ama te deixa; fica sem chão, sem perspectiva do amanhã. Parece então que nunca mais surgirá alguém à altura para pelo menos se igualar nas qualidades daquele amor que se foi. A impressão que se tem é que não existe e nem surgirá no mundo ninguém mais que poderá ocupar ?aquele? lugar em seu dia-a-dia, na lacuna deixada em sua alma. Instala-se uma depressão que lhe cega o coração e que poderá durar anos. Mas o que você não sabe é que se olhar por aí, aos olhos que lhe sondam, perceberá milhares de pessoas, até bem mais bonitas que, como você, aguardam também para serem encontradas. E quando encontrar novamente sua ?outra? metade, você vai perceber que o início quase sempre é bem mais gostoso e com muito mais sonhos, paixões e fantasias do que o amor antigo. É que a experiência adquirida na vivência dos amores que não lhe deram o devido valor, faz com que os seus sentidos fiquem atentos e não deixem mais escapar pequenos detalhes que são os temperos do verdadeiro amor. E você vai ver que o verdadeiro e grande amor de sua vida, será sempre aquele em que estará vivendo enquanto durar... e que dure sempre com a mesma pessoa... Porém se a vida não quiser assim, então que dure eternamente a vontade e a força em seu interior para que você encontre o novo amor com a mesma emoção da primeira vez. E não se esqueça, você encontrará milhares de pessoas que neste exato momento, já estão a lhe esperar por todos os cantos e em todas as cidades; pessoas que encherão seus olhos de satisfação ao ponto de você dizer para aquela que lhe seja especial: ? Puxa! É você que sempre procurei. Como é que não pude encontrá-la antes. Você não sabe o quanto estou feliz por estar com você...? Portanto, ame sempre o amor presente, mas se não der certo, não chore e nem se permita curtir a dor da depressão, pois o novo amor em sua vida sempre vem, e na maioria das vezes com maior intensidade do que da última vez. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CADEIRAS DE BALANÇO Era fim do ano de 1988, início de 1989 quando comecei a transitar pela rua Eudélio Ramos, no Jardim Danfer, em São Paulo, atrás do meu grande interesse que perdura até os dias de hoje, que era o namoro com a minha esposa. Nos primeiros dias de namoro, quando descia pela citada rua, certamente há três casas do meu destino, do mesmo lado da calçada da casa de minha namorada, podia-se notar um casal de simpáticas pessoas sentadas na área de uma casa, em cadeiras de balanço, ...daquelas com armações de ferro e forradas com plásticos azuis, que me olhavam curiosos ao me ver passar. Claro que logo fiquei sabendo se tratarem dos avós maternos de minha então namorada, e assim, após saber destes laços familiares, e também um pouco mais desinibido por estar numa vila ?estranha? às minhas andanças, quando passava em frente à casa daqueles avós, passei a acenar com uma das mãos e, num discreto movimento com a minha cabeça, a cumprimentá-los com o meu ?bom dia..., boa tarde..., ou boa noite...?, cumprimentos estes que eram prontamente respondidos com satisfação pelos avós. E por muitos anos foi assim... A figura daquele casal de avós na área de entrada daquela casa na rua Eudélio Ramos, todos os dias, sentadinhos naquelas cadeiras de balanço, passaram a fazer parte do panorama daquele simples lugar. As pessoas que ali passavam, transeuntes ou os próprios vizinhos, se acostumaram com aquele ?quadro pintado? em frente a casa de nº 198, do qual suas figuras principais eram aqueles avós com os seus alvos cabelos estampados ao fundo da tela em volta de moldura. E essas pessoas sabiam que ao passar por lá, não poderiam deixar de admirar aquele belo quadro vivo, cujas personagens ?desenhadas?, enfeitavam-no do amanhecer até o anoitecer e ainda acenavam sorridentes na espera da troca de cumprimentos. E eu tive a grande felicidade de ter feito parte daquele cenário, e foram muitas as vezes, por anos, que sentei naquela área, e por horas, após ?roubar? um poucadinho daquele balançar, saboreando um delicioso torresminho bem crocante e um cafezinho feito na hora, ao lado de seus filhos, netos e bisnetos, conversamos, contamos e ouvimos histórias daqueles avós... Mas um outro dia amanheceu, e aquela tela havia sido levada com suas principais personagens. Num simples sopro, Deus havia levado para si aqueles avós, que também, por consideração, tinham passado a serem meus avós. Que coisa!... Agora a Eudélio Ramos nunca mais será a mesma... Nem se ouve mais o descolar no asfalto do pneu do carrinho de mão do Chiquinho Teixeira carregando e negociando seus chinelos e outras bugigangas, e nem mesmo o som do alto-falante em cima da kombi do mascate a vender colchas e lençóis. Não se vê mais o mandioqueiro com sua carriola a comerciar suas mandiocas amarelinhas e boas de cozinhar e nem o trinar do apito daquele vendedor de algodão-doce a despertar o correr das crianças. E o pior... não se tem mais os cumprimentos daquele casal de avós, dizendo com os sorrisos estampados em suas faces: ?Bom dia!... Tarde!... Noite!...?, e perguntando: ?Como vai o Fulano? ...a Fulana? ...o Ciclano??. Aliás, não se tem mais vida naquela área. Nem mesmo as cadeiras de balanço ficaram para contar outras histórias... Quem sabe as cadeiras de balanço também estejam lá no céu, para agora fazerem parte do panorama celestial, no balançar descontraído daqueles avós em seus eternos dias ao lado de Deus... Saudosas idas... Eternos avós: Seu Francisco, o Vô Nêgo! E a Dona Aparecida, a Vó Cida! Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X A IGNORÂNCIA ACIMA DE TUDO Às vezes me tranco no quarto e fico pensando como seria bom se todos os casais vivessem unidos, conversando alegrias, conversando sobre o melhor tema da vida que é o amor, mas eu sei que isso é quase impossível, porque quase nunca existe paz entre eles, e eu me pergunto: Por que as pessoas escolhem seu amor e aos poucos vão desprezando-o como se fosse apenas uma passatempo? Amar faz bem, mas amar é amar com amor, com um carinho que vem do fundo do coração, e não um amor que as pessoas usam para enganar a si mesmas. Pensem, os animais que são irracionais dedicam o seu amor apenas a sua fêmea; nós homens, ainda não apreendemos nem mesmo o significado da palavra amor, e dizemos ser racionais. Olhe para trás e veja quantos amores deixamos a chorar por nossa causa, pensando ser nós os donos do mundo e não passávamos apenas de grãos de areia perdidos nesta terra tão grande. Vamos olhar para a frente e caminhar em direção àquela luz que clareia e que nos mostra o caminho da humildade, nos ensinando a sermos mais humanos, e assim veremos os erros que cometíamos para não mais voltar ao que éramos antes, sem saber ainda o que realmente significava a palavra amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VOCÊ É... O tempo passa como passa um pássaro voando no céu à procura de um amor que só ele sabe onde encontrar. Já estamos no fim do ano e eu queria que você me desse de natal apenas o seu amor, e um pouquinho do seu corpo para que eu possa sentir bem de perto um pouco do muito que você é... Você é a chuva que cai lá fora, em noites de solidão que me faz dormir pensando em ti. Você é o sol que vem anunciar um novo dia, me despertando pensando em ti. Você é todo caminho por onde ando, deixando lágrimas de quem perdeu um amor que ainda pensa em ti. Você é as ondas que vem beijar os meus pés, que segura um corpo que pensa em ti. Você é muito mais do que isto que escrevi. Você é, e sempre será o meu amor eterno. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X VERÃO DE UM AMANTE Deixe que a chuva venha molhar você, desmanchando seus cabelos, molhando suas roupas, mas que você será para mim sempre bela. Deixe que a noite venha cobrir nosso namoro, escondendo sua imagem de mulher, mas que você será para mim sempre iluminada. Deixe que o verão venha suar sua face, deixando você vermelha quando me veres passar pela rua de sua casa, mas que você será para mim sempre primavera. Mas não deixe que o vento te leve novamente para o mundo em que um dia você escolheu entrar, mas se deixar, e de novo me veres no espelho do seu olhar, pode voltar, que eu estarei mais uma vez a te esperar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X ÚLTIMA CARTA Aquela sua última carta me pegou de surpresa! Você disse que não mais me amava, e que também havia surgido um outro amor em sua vida. E eu apenas choro por aquela sua última carta, que como outras, guardarei comigo como lembrança do belo romance que vivemos. Se você preferiu seguir o caminho dos que não amam, eu apenas lastimo, pois sei que esse seu novo amor não amará você. Fui eu quem te dedicou todo um grande amor, e agora você me manda uma última carta acabando de vez como a minha felicidade. Ao menos você poderia me dizer pessoalmente. Ah, sim! Foi o medo que não te deixou, fazendo você recorrer a uma folha de papel. A única coisa que posso desejar, também nesta minha última carta, é muita sorte para vocês... Mas não se lembre dos meus braços quando o estiver abraçando, não se lembre da minha boca quando o estiver beijando e não se lembre do meu corpo quando com ele estiver transando. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X TELEFONE-ME Telefone-me e eu lhe direi uma história de amor para você ouvir. Telefone-me e eu lhe mandarei um beijo suave para que você guarde só para si. Telefone-me e eu lhe direi que te amo como amo a mim mesmo. Telefone-me antes da chuva cair que é para que eu possa ouvir sua voz sem interferência. Telefone-me antes da noite chegar para que eu possa dormir pensando em ti. Telefone-me pela manhã para eu saber se você ainda está pensando em mim. Telefone-me para que possamos marcar um encontro e dele fazer o nosso romance e vivermos juntos para sempre. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NOITES DE AMOR Eu queria ser um homem invisível para poder chegar bem perto de você e te dar um beijo, sem você saber quem havia feito aquilo, fazendo você sentir o quanto é bom um beijo de amor. Poderia até fazer a sua cabeça... Você haveria de gostar de mim, e não mais pensar que o amor é um simples fato da vida. Eu passo todos os dias em frente a sua casa, ponho meus ouvidos embaixo da janela do seu quarto, só para ouvir sua voz pura e suave entrando dentro de mim, indo acariciar todo o meu coração. Ouço muitos comentários de que você ainda sente alguma coisa por mim, mas eu não tenho como chegar para você e pedir você novamente em namoro, como se a gente ainda fosse duas crianças. Passo noites de pranto pensando em só ter você ao meu lado, e sei que você também pensa em mim. Por isso escrevo esta carta pretendendo novamente te encontrar e daí levar você junto a mim, para vivermos nossas noites de amor em qualquer lugar deste mundo. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X NAQUELES TEMPOS Olha, você se lembra daqueles tempos em que a gente se encontrava no jardim de sua casa? Você vinha correndo para os meus braços... Vivíamos um para o outro, sempre trocando idéias, falando de amor a todo momento, sorrindo um para o outro... Mas a gente era criança, e aos poucos fomos crescendo e você se distanciando de mim. Hoje estamos juntos novamente, mas não te vejo mais com aquela mesma alegria que você costumava me receber. Hoje você está mais fechada comigo. Eu sei, você teve muitos problemas em sua vida, mas não é por isso que você tem que deixar a tristeza tomar conta de você. Olha, tente apagar aquela mágoa que você traz no fundo do coração, e vai ver que ao seu lado você tem um amigo, ou muito mais do que um amigo, uma pessoa que te ama muito, e assim, talvez, poderemos reviver aqueles lindos momentos que vivíamos quando ainda éramos duas crianças. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X EU QUERIA APENAS... Não sei porque, mas toda tarde sinto que o mundo irá acabar para mim, pois não sei o que fazer ou porque talvez não tenho aquela pessoa que tanto gostaria de ter, e que nem mesmo sei quem é?... Ah! Desculpe-me, eu sei quem é! É você!... Eu queria apenas que você pensasse em mim, mas você nem mesmo sabe que eu existo. Eu queria apenas poder discutir e conversar com você nas horas difíceis do nosso namoro, mas nem mesmo tenho palavras para trocar com você. Eu queria apenas que você se encostasse em meu ombro nas horas em que quisesse chorar, mas o ombro que você encosta para contar suas histórias é de outra pessoa. Eu queria apenas vê-la passear sozinha pelos parques e poder caminhar a seus passos, mas você está sempre acompanhada por outro alguém. Eu queria apenas que você se instalasse em meu coração, mas você se instalou em outro coração, deixando novamente o meu vazio, esperando chegar uma outra primavera para que eu possa tentar achar entre as flores, uma pessoa que pelo menos pense em mim. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X DESPEDIDA DE AMOR Novamente uma despedida se foi, mas continuo sendo o mesmo garoto que só ao seu lado me sinto mais leve e com mais vontade de amar. Gosto de imaginar os seus braços agarrados ao meu pescoço e os seus lábios tocarem os meus como se fosse um sonho que durasse toda vida. Você ao meu lado faz com que o meu coração pulse mais cheio de esperança, embora eu sabendo que você não sente mais nada por mim, só me vendo como se eu fosse apenas um simples amigo e nada mais. Eu sei que um dia tudo isso vai mudar, você vai passar a me olhar com mais atenção, e talvez sentir um pouco de amor naquele que sempre te amou loucamente. Escrevo isso para ver se me abro mais, e possa olhar o mundo sem pensar em você, mas sei que isso não é possível, pois o amor que sinto por você, me faz sentir flutuar sobre um mar de rosas. Eu te peço, volte, mas volte pensando que aqui você encontrará um amor que te fará muito feliz, e com certeza, viveremos uma linda história de amor. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CONVERSAR Preciso de conversar com você! Talvez a nossa dúvida esteja escondida atrás de poucas palavras. Conversar para nos abrir. Demonstrar que os nossos desejos serão realizados nessas poucas palavras. Preciso que me entenda e que conheça a verdade... a realidade. Preciso te ouvir e também sonhar em fantasias. Precisamos sonhar juntos. Preciso de conversar com você! Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CONFISSÕES III Preciso desse desabafo com você. Uma ligação ou um mero encontro, e uma conversa rápida e sigilosa para o primeiro e talvez o último encontro. Um encontro secreto. Quem sabe numa lanchonete? Sentirei a coragem e a emoção de estar a sós com você. Pela primeira vez para você meu segredo será contado, pois agora estou maduro. Somente agora é que a ultrapassei, me modifiquei e me transformei. Agora a palavra é minha! Você ouvirá e sentirá em mim a liderança. Se curvará e até a timidez um pouco em você se achará. Saberá compreender e guardará para si todo esse segredo que agora será nosso. Viveremos então assim, como sempre vivemos, legais enfim... Mas infelizmente, esse momento já é este "futuro", este futuro já consumado, consumado por nós dois. Mas quem sabe mentalmente você também não me amará? Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CONFISSÕES II Eu posso sentir que te perdi. Será que posso te culpar? Não sei. Só sei que nunca te perdi, porque nunca a ganhei. O que eu lamento é que na época em que o amor era possível, a coragem me faltou. Não sei se você me ajudou, só sei que a coragem me faltou. Agora estou tentando lutar pelo tempo que já se passou. Está sendo difícil, pois o amor aumentou, mas eu vou conseguir afastar o impossível, ou melhor, o quase impossível que é deixar de amar você. Puxa, como é gostoso te ver, conversar e fazer tudo sem mesmo estarmos juntos. Poderia ser nos tempos de hoje, tudo o que aconteceu somente dentro de mim e que vem me torturando até agora, onde, finalmente, tenho a coragem que me faltou, mas o amor agora se impossibilitou. Quem sabe um dia, tudo volte ao passado, e o amor novamente possa se tornar possível. Estarei esperando com a minha coragem, mas... por enquanto, vou vivendo o impossível, o impossível que vivo agora, sem você me amar. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X CONFISSÕES Oi! Tudo bem? Aqui quem escreve é aquele que... Ah! Você já sabe. Neste momento estou pensando em você. E você, ainda continua pensando em mim? Estou morrendo de saudade sua. Não vejo a hora de correr para você. Ficar pertinho de você. Quando eu chegar aí, fale o que pensa de mim com a minha ausência. Eu te gosto muito, tá sabendo? Eu quero olhar você de perto para sentir os seus olhos como o de uma serpente a me hipnotizar. Sua boca a me entorpecer. Seu rosto e seu corpo, tudo é lindo, embora você tenha um gênio mau, mau e mau, mas tudo vale na rotina do amor, dois corpos buscando a felicidade. Deixarei-te entorpecida neste fim de ano com Gim e Coca-Cola. Eu também é claro, esse é o único meio. Irei provar sua boca e nela sentir o que tem de melhor. Um amorzinho nada mau, apenas se você quiser... Quando conseguir ficar sozinho com você, te levarei para o meu quarto, é claro se você concordar... Te beijarei na boca, enquanto minhas mãos estarão conhecendo o segredo do seu corpo. Você ficará louca, amará de verdade, e assim passaremos nosso ano novo, novos amantes, um novo amor, um novo casal, pois você é minha e está sabendo disso. Eu casarei com você e o resto poderá pensar o que for..., pois o amor nasceu entre nós, viverá entre nós, e morrerá entre nós. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X BILHETE Eu te amo porque o que nasceu em mim depois de te conhecer, foi algo de anormal e modificante, e que alterou todo um sistema de vida e sem rumo que vivia dentro de mim. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AMIZADE Você me surpreende a cada dia. De fato poder contar com a amizade de alguém é muito especial. Agora poder contar com a sua amizade é mais do que especial. Pois você consegue transmitir através de suas palavras um carisma todo confortante. E suas palavras casam perfeitamente com a meiguice de sua voz. Sabe, tem horas na vida, por mais que você esteja rodeado de pessoas, você precisa "daquele alguém" que possa te entender, que possa te ouvir, que possa com palavras doces, te confortar. E você parece conhecer muito bem o caminho da amizade, o caminho da mão amiga sem qualquer outra pretensão, e isso, é maravilhoso no ser humano. E isso pra mim também basta, o fato de saber que você existe e possui uma alma amiga sempre preocupada comigo sem mesmo me conhecer pessoalmente. Acho isso extremamente gratificante. É como um bálsamo que nos refrigera a alma. Gosto do bem estar que suas palavras transmitem, aliás quando as leio, imagino que elas foram caídas do céu, jogadas como pétalas por um anjo. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X AMIGO É ASSIM... Oi Amigo! Que o seu dia e a sua semana sejam repletos de alegrias e felicidades! Amigo é assim... como se fosse água (fonte cristalina da vida). Nós nunca perguntamos ou se preocupamos sobre a água, pois sabemos que ela está sempre lá, nos esperando quando mais precisamos. Ela não reclama, mas sempre nos atende. Só sentimos falta (e muita!) quando ela acaba. Protegido por direitos autorais registradas no EDA da Fundação Biblioteca Nacional. X Indique este Site X Nome: Mensagem: E-mail: enviar txt_1266587143 Todas as obras deste site são protegidas por direitos autorais registradas no E.D.A. da Fundação Biblioteca Nacional. Copyright © Mauro Martiniano 2009 Copyright © Mauro Martiniano Escrever é Preciso Mauro Martiniano de Oliveira - Amor e Poesia Visitante: txt_1284207623 txt_1284207614 txt_1284207442 txt_1284207435 txt_1282327984 txt_1282327718 txt_1282320930 txt_1282326331